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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pelinha da mamãe: como não dormir quando filho dorme

Está bem, admito, eu amo dormir até mais tarde. Sempre amei. Mas minha justificativa do momento é que, por motivos variados, nem sempre minhas noites são bem dormidas. Isso, claro, depois que Léo nasceu, porque antes eu dormia até sem sono. Agora, eu acordo à noite mesmo sem ser chamada, sendo que mesmo antes de me entregar à cama já pressinto a dificuldade que vai ser embalar quando me deitar. Insônia resolveu se apresentar, já faz tempo.
E, vou dizer, depois de tanto esforço para o filho dormir bem (e ele dorme agora, lembram?), nada pior do que uma razão ridícula para passar parte da madrugada em claro, ainda mais se você fez um razoável esforço para pegar no sono. Uma pele em baixo da unha, fazendo todo o dedão do pé latejar é uma delas. Por causa dessa unhazinha tola eu não descansei, mesmo escutando Leleco suspirando através da babá eletrônica... Acordei tarde, continuei cochilando com o pequenino em frente à TV e fugi da minha rotina matutina. E olha que tentei todas as técnicas de visualização e relaxamento que conheço, cortei o canto da unha para aliviar (desculpem podólogas, mas vocês não sabem nada!) e arrisquei até um gelinho no meio de uma noite fria para anestesiar. Não adiantou, continua doendo... E por causa dessa coisinha dolorida, não tenho nem inspiração, muito menos vontade de escrever! Pior ainda, só quero dormir! E tenho que trabalhar bem acordadinha. E cuidar do filhote, obviamente. Ai se cansaço de mãe fosse só por causa de filho... Não, uma pelinha insignificante também cansa! Mas quem disse que temos o direito de nos sentir acabadas por tão pouco???

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Escola, a decisão final!

Já havia decidido que escola para o Léo só com três anos. Mas, decidi também reavaliar. Menino inquieto, insatisfeito, mais parecendo estar enjoado de ficar só com a mãe. Me dispus a vistitar as três escolas candidatas a abrigá-lo nesse início da vida escolar. Optar por uma delas foi fácil. Difícil foi pensar e repensar sobre quando ele iria pisar lá.
OK, estou sendo dramática demais. Não foi assim tão complicado. Desde sempre eu soube que seria mais fácil para mim matriculá-lo no ano que vem. Com a melhora no comportamento e satisfação do pequeno e também da mamãe dele, junto à coincidente proximidade das férias do papai, a decisão só poderia ser uma! Ele vai para a escola no ano que vem mesmo! Ele está bem por aqui (embora eu ache que uns amiguinhos iriam fazer um bem danado), e eu estou bem. Tem uma pessoa que me ajuda agora para eu poder fazer meu frila em casa, mesmo que só uns dias da semana. Tem a luz do fim do túnel, mais conhecida como férias, época em que nós três poderemos descansar e curtir um mês só nosso, longe de tudo e todos, sem obrigações, sem estresse, com muita diversão e coisas diferentes para ver.
Mas não é só isso. As férias estão bem no meio do caminho, depois do primeiro mês de aulas. E aí? Eu faria todo aquele processo de adaptação e depois tiraria o Leco da nova rotina? Apertaria a tecla pause dele? Voltaria e começaria tudo do zero ou torceria para ele esquecer que esteve ausente por 30 dias e aproveitar o retorno? Acho que não. Acho ainda que começar a bancar uma mensalidade, com direito a matrícula e material escolar, para ficar um mês fora, voltar e ter apenas mais dois meses de aula para depois continuar pagando em dezembro e janeiro também é besteira.
Sendo assim, está decido. E nem venham me dizer que é porque eu estou sofrendo... Não, está tudo bem, juro. Estou me aprimorando nessa história de desgarrar, de delegar, de dar asas àquele que quer e precisa voar. Mas, que meu sexto sentido me diz que é melhor esperar mesmo, isso ele diz. Coisa de mãe. De mãe que vai sentir muita falta de uma voz me chamando a tarde toda. Ano que vem eu conto!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Quantidade e qualidade

Passar uma grande quantidade de horas com o filho ou reservar algumas com qualidade? Questionamento polêmico, mas necessário. Quantidade ou qualidade? Se os dizeres não aparecem em nossa mente em forma de pergunta, certamente aparecerão assim: Quantidade x qualidade. Por que não "quantidade e qualidade" ? Pode parecer que não, mas faz muita diferença pensar nessas duas palavrinhas como colaboradoras, amigas, companheiras e não inimigas, avessas, opostas. Não é uma ou outra, nem uma contra outra. Não é preciso escolher entre ficar um tempão com o filho de qualquer maneira ou reduzir esse tempo para tê-lo qualitativamente.
Um dia, escutei uma mãe que optou por voltar ao mercado de trabalho logo que os quatro meses de licença terminaram questionando a questão, quase  se defendendo a respeito das poucas horas junto ao filho. "O tempo que eu fico com ele é de qualidade. Chego, tomo meu banho, ele já está de pijama, já jantou e eu só tenho que trocar a fralda mais tarde e dar mamadeira. Sou dele, brinco de esconde-esconde, rolo no tapete". Na hora, pensei que poder fazer isso é uma verdadeira maravilha. Delícia estar com o bebê totalmente voltada a esse objetivo. Simplesmente estar. Curtir aquele momento, aquelas horinhas preciosas do dia. Logo disse: "Pois é, eu que fico em casa tenho esse mesmo tempinho com qualidade com meu filho, poucas horas do dia, porque o restante eu também estou envolvida com afazeres domésticos, estou trabalhando". Conclusão: somos praticamente iguais!
Mais ou menos. Pensei nisso de forma simplificada porque estava em uma fase cansativa, em que minha tão bem resolvida escolha estava sendo questionada por mim mesma. Além disso, levei em consideração a tendência materna de julgar outras mães que chegam mostrando uma realidade distinta. Então, me permiti invejar a rotina dessa mãe e me abrir para compreender a verdade que ela vive sem pré-conceitos. Dias depois, conclui meus pós-conceitos, que divido agora com vocês.
Como conheço de perto o dia a dia da mulher que escolhe se voltar ao filho e ao lar integralmente, sem ajuda e sem o direito de se sentir cansada, começo por esse ponto. Poxa, cansa! É uma das muitas alternativas que encontramos hoje e exige de nós, tanto quanto as outras, decisão. Mas, por mais decidida que esteja, a mamãezinha que opta pelo trabalho materno em período integral sente falta de um tempo só para ela ou, como disse minha amiga hoje ao telefone, para tomar banho sem pressa, passar hidratante nas pernas e escolher com calma a roupa que quer vestir.
Mesmo mulheres bem resolvidas passam por momentos de dúvida, ou para mudar de lado ou para reafirmar sua escolha e seguir em paz. Mas que tem dúvida tem. Se não tivesse, aquela mãe independente do parágrafo lá de cima não falaria da sua escolha como uma ré diante de um tribunal. Ela não precisa se defender. Mas tem tanta gente prontinha para julgá-la não é? Assim como me julgaram por eu ficar em casa. Tão nova, tão capaz profissionalmente e ali, em casa... Com meu filho, dá licença?
O que muita gente não percebe é que estando em casa, trabalhando fora ou em home office, a quantidade e a qualidade só brigam porque nós as colocamos em um ringue. Realmente eu não tenho todo o tempo do meu dia dedicado a brincar com meu filhote, embora eu esteja com ele todo instante. É verdade que são poucas horas que posso me sentar e rolar com ele. Portanto, pode-se pensar que a qualidade é por pouco tempo. Mas só se imaginarmos que qualidade é apenas brincar, sorrir, cantar, pintar, brincar de massinha. E a educação? Estar perto não é só fazer coisas legais ao lado dos pimpolhos, mas educá-los. Se não, será a escola que irá educar? A babá? A avó? Eu, estando pertinho dele em tempo integral, tenho mais chances de educá-lo, desde as coisas mais simples, até as mais complexas. É só fazer a conta, multiplicar uma hora por 24! Mesmo que em muitos desses minutos eu esteja cozinhando, dando quase zero de atenção para Léo, eu também estou o educando, mostrando que é importante respeitar o tempo da mamãe, as tarefas que devem ser feitas em um exato momento. Sem contar que ensino a não mexer no que é perigoso e a parar de puxar minha roupa! Isso poderia ser feito por uma outra pessoa, mas, estando ali, faço tudo de acordo com os valores que desejo que ele siga, com o carinho, tom de voz e jeitinho que eu julgo adequados, e vendo o resultado ao vivo. Isso também é qualidade...
Da mesma forma, a mãe que fica o dia todo fora não tem só aquelas horinhas após o expediente para oferecer qualidade ao filho. Ela pode ir trabalhar e pronto. Chegar em casa, encontrar tudo limpo e lindo. Mas ela também pode escolher a melhor babá ou a melhor escola, cujos métodos, carinho e dedicação se aproximem ao máximo da maneira como ela faria se estivesse presente. Pode prestar atenção aos resultados de sua escolha. Pode fazer as compras da semana pensando em como fazer o filho comer melhor, deixar tudo organizadinho para o dia do pequeno ser legal, para ele comer bem, se divertir. Ela pode telefonar a cada folguinha para saber como estão as coisas, deixar bilhetinhos para o pequeno encontrar e ter a certeza de que mamãe está com saudade, chegar mais cedo de surpresa e colocar a mão na massa sem a obrigação, por puro prazer. Isso demanda quantidade de tempo, e é qualidade também...
E assim, eu e a mãe que deixa o filho com a babá podemos chegar em um denominador comum. Se nós duas fizermos quantidade e qualidade andarem juntas. Porque elas andam! Elas se complementam, se apóiam. Elas podem até discutir vez ou outra, mas para acertarem os ponteiros, apararem arestas, se fundirem em uma só. Quando uma delas se atrasa, lá vem a outra cumprir o compromisso e vice-versa. Uma cobra da outra, porém, como resultado, uma faz a outra oferecer o seu melhor. Não é surpreendente encontrá-las se estapeando em alguns lares e em outros ter até a infeliz certeza de que ambas foram ambora. Mas, se as mães cuidarem bem delas, quantidade e qualidade ajudarão e muito essas mães. Um cuidado que dá trabalho, já que as duas palavrinhas são espoletas teimosas, mas que culmina na criação de filhos bem educados, satisfeitos e felizes!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dica para futuros cinéfilos

Um dos verbos mais recorrentes em minha mente é traumatizar. Porque acho terrível alguém com traumas. E porque escuto muita gente me dizendo: "cuidado para não traumatizar seu filho hein?". Bem da verdade que tomo cuidado com ele mesmo, sugestionada por esses aconselhadores de plantão e por mim mesma, uma pessoa um tanto quanto predisposta a criar em si traumas ou neuras em geral. Eis que em um dos passeios com o pequeno, ele traumatizou!
Sou defensora dos programas culturais para crianças e meu filhote já foi a teatro, espetáculo de patinação no gelo e cinema. Neste último, o levamos para assistir "Carros 2", continuação de um dos desenhinhos que ele adora e, portanto, de fácil aceitação. Explicamos que seria no cinema, em uma sala grande com uma televisão enorme e que em determinado momento tudo ficaria escuro para a gente enxergar melhor. Ele topou, sentou todo alegre ao lado dos pais e da priminha. Mas, ao começar os trailers, decepção total. Não dele, minha mesmo. Imagine que em um filme com definição de "livre", colocam trailers de filmes e desenhos para crianças maiores, como "Transformers" (aquele com robôs enormes e alguns bem assustadores) e 'Smurfs" (como os azuizinhos fazendo o maior terror com um adulto, o prendendo com corda, etc). Se a música no cinema já é alta, tente pensar no que é um estreante a telespectador de pouco mais de dois anos, ansioso com o novo clima, ouvir barulho de explosões e trilha sonora de suspense, presentes nesses dois trailers que mencionei. Quando ele estava começando a relaxar, já viu né?
O bom é que conseguimos passar tranquilidade o bastante para ele continuar lá sentadinho  e assistir ao desenho, que também possuía inúmeras cenas de explosões e coisas assim (livre para quem mesmo?). O ruim é que não foi o bastante para ele querer voltar ao cinema. Impulsionada por comentários que diziam que Winnie The Pooh era mesmo desenho de criança, sem cenas de ação ou diálogos para adultos, levamos Léo para assistir. Ele gostou do convite, mas chegando lá não quis entrar de jeito nenhum na sala escura. O problema não era exatamente o escuro, mas o que aconteceria lá. Frustração total. Sentimento de culpa por querer proporcionar algo tão bom e ver dar errado. Mas culpa mesmo tem quem teve a brilhante ideia de colocar os tais trailers e suas  respectivas trilhas em uma sessão intitulada como livre.
Coloquei na cabeça que vou escrever minha opinião para esses gênios do entretenimento, mas o que fazer para mudar a opinião do meu filho sobre o que ele viu e sentiu? Bem, conversamos bastante, do lado de fora, é claro, e ficamos por ali todo o tempo que durou os trailers. Pasmem, mas tinha sim o dos Smurfs, como trilhina de medo... Sei porque enquanto meu marido segurava Léo e pipoca em pé para lá da porta eu ficava para cá da porta controlando o que acontecia até todos nós podermos entrar. Pensa que foi fácil? Não. Tivemos que repetir inúmeras vezes que não teria barulho (leia músiquinhas altas e amedrontadoras) e esperar o Pooh atraí-lo. Devagarzinho o peguei no colo e consegui, passo por passo, me sentar na primeira cadeira. Ufa, ele ficou calmo e assistiu ao desenho. Mas eu continuo inconformada com quem escolhe o que passa no telão antes de um desenho para todas as idades. Continuo achando que essa pessoa não tem filho ou que, se tem, coloca música de terror para o bebê dormir e que esse bebezinho inocente se torna depois uma criança que grita durante Disney On Ice e assusta outras tantas da platéia. Está certo que nem todos o público mirim do cinema deve ter adquirido algum tipo de trauma, mas uma cabecinha lá no meio prejudicada é suficiente para mostrar o quão inadequadas são essas sessõezinhas. Fica a dica: se ainda não levou seu pequenino(a) ao cinema, além de escolher muito bem o filme, espere todos os trailers terminarem para entrar. Melhor prevenir do que destraumatizar!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ficar em casa ou voltar ao mercado?

Muitas mulheres quando engravidam já tem por definido nunca largar a profissão, nem mesmo por alguns meses depois do parto. Elas chegam a se contorcer só de imaginar como será ficar afastada durante a licença-maternidade. Outras tem como certo que irão ficar longe do mercado mais tempo do que o permitido por lei e se tornam poços de ansiedade à espera do momento de dar um basta na carreira, seja ela qual for. E tem aquelas que nem tiveram tempo de refletir antes de saber que estavam esperando um filho. Todas podem mudar de opinião.
Falo isso porque sou uma delas. Lembro muito bem de, grávida de cerca de seis meses, conversar com meu marido sobre minha volta ao trabalho. Naquela época eu já era jornalista freelancer por vontade própria, mas sabia que o ideal seria eu arrumar um emprego jornalísticamente correto, isto é, uma redação para eu frequentar. Então, imaginava que depois de seis meses de licença (se eu não era contratada poderia estender os quatro meses convencionais), eu iria em busca de algo para mim. Só que já me doía pensar em ficar o dia todo fora, o que fazia eu pensar que trabalharia meio-período e tudo ficaria bem. Se está pensando que eu não encontrei uma vaga assim, está enganada. Eu nem procurei.
Mudei de ideia logo que vi o rostinho mais lindo aparecer diante dos meus olhos. Durante a gestação, não nego, já sentia meu distanciamento da profissão. Escrevi até os oito meses e quando me dei férias senti uma enorme sensação de contentamento, pois dali por diante eu só teria que me preocupar e ocupar com meu filhote que estava chegando. Mas foi parindo que nasceu em mim essa nova versão, nem um pouco preocupada com o futuro profissional e totalmente concentrada na nova e maravilhosa experiência que iria viver. Aquela jovem mulher que sonhava em ser uma super jornalista sofreu uma metamorfose e transformou-se em uma mulher e mãe feliz e completa em sua vida em família. Por mais ligada à carreira que eu fosse, havia uma ligação maior tomando conta de mim e eu decidi ficar só com meu filho sem data para deixar de fazê-lo.
Estou certa de que muitas feministas acham um absurdo o que contei acima. Como assim esquecer de si mesma, da própria profissão, independência e sonhos tão íntimos? É preciso esclarecer que quando isso acontece, não esquecemos necessariamente de nada, apenas priorizamos outras coisas e momentos que sabemos que não vão voltar e sonhos mais íntimos ainda, a ponto de se tornarem inexplicáveis, compreensíveis só para uma pequena parcela da população, aquela que tomou o mesmo rumo. Ainda assim, é impossível entender todas as razões que levam à opção de se voltar à cria 24 horas por dia depois de muitas mulheres terem queimado soutiens e cérebros para melhorar a posição da figura feminina no mundo. Consolem-se todas, pois optar por ser mãe em tempo integral é a mais recente conquista feminista, talvez a maior de todos os tempos.
Hoje, lutamos mais do que nunca para ter o direito de escolha, liberdade, igualdade. Poder escolher ser livre de obrigações, sejam elas conservadoras como ficar na frente do fogão, ou modernas como trabalhar fora com filho pequeno, nos torna ainda mais fortes e merecedoras de respeito tanto quanto homens que sustentam a casa ou se permitem serem sustentados pela nova chefe da casa. Eles podem ganhar menos que as esposas, sem serem menos homens. Elas podem retornar ao lar, sem serem menos mulheres.
E aquelas que se imaginam ficando em casa e decidem tomar outra postura depois, ok. Tudo certo também! Não é menos mulher, nem menos mãe. Temos ou não temos o direito de fazer nossas próprias escolhas? Acho que esse é o verdadeiro empodeiramento feminino. É claro que pensar no que é bom para o filho é fundamental, o maior vínculo que podemos criar com ele, mas respeitar o que faz bem para si não é capaz de quebrá-lo, a não ser que o que beneficie a mãe prejudique o filho. Aí é outra história. Mas tenho certeza que, salvo infelizes excessões, a grande maioria das mamães que escolhem voltar ao mercado logo que a licença acaba pensam e repensam a decisão, encontrando as melhores formas de suprir sua ausência e reduzir qualquer tipo de dano ao bebê, fazendo de tudo para continuar amamentando e chegando em casa correndo para recuperar o tempo perdido.
Há uns dias encontrei uma mãe com a filha de quatro meses. O tic-tac para ela retornar ao antigo emprego estava a deixando louca. Por um lado, ela que sempre achou que voltaria logo a trabalhar, estava desesperada só de imaginar deixar a pequena com alguém e pegar o carro para passar o dia inteiro em um escritório à uma hora de distância. Por outro, ela estava esgotada de só ficar dentro de casa, escutando choro, amamentando, trocando fraldas e sozinha. Tendendo a optar pela criança, mas angustiada com a rotina cansativa, me perguntou como eu aguentava, se eu não fiquei louca, se ainda não fico e outras coisinhas mais. Respondi que não, pois tinha sido minha opção e de coração. Nada me agradaria mais naquele momento do que estar ao lado do meu neném, o que ainda me agrada imensamente e me faz avaliar muito bem antes de tomar qualquer atitude contra isso. Mas disse também que fiquei um pouco desesperada em alguns momentos. Isso é normal, é a 'síndrome da mãe em tempo integral".
Sim, você se sente um pouco ou muito sozinha, poucas ou muitas vezes. Você se desepera com o fato de não ter ninguém para te ajudar na maior parte do dia. São comuns crises de choro e um sentimento estranho de "quando vou ter uma vida mais normal?". Sinal de esgotamento mental e físico, também normais na minha opinião. Mas as lágrimas cessam e a calma surge logo que um bocejinho alegra sua tarde solitária e você deixa de se sentir só para se sentir muito bem acompanhada. Esse excesso de companhia também cansa certas vezes, pois esse companheirinho, por mais perfeito que seja, não fala de assuntos variados como cabelo, unhas, ginástica, novela e afins. Ele também não gosta quando você se concentra em se atualizar assistindo ao telejornal e morre de ciúmes de qualquer objeto que possa estragar essa relação tão próxima de vocês e te aproximar do mundo externo, como o laptop ou o celular. Tudo que você lê é sobre choro, cólica, febre e amamentação e isso te deixa meio monotemática, o que só melhora com seu esforço e criatividade de propor diferentes distrações para o pimpolho enquanto tenta saber mais sobre sustentabilidade e política.
Nada disso significa que está com depressão pós-parto ou que fez a escolha errada. São alguns obstáculos óbvios quando a mulher decide estar perto de um pequeno ser que precisa dela tanto quanto ela mesma. Geralmente essas mães, assim como eu, optam ainda por não ter ajudantes e resistem a pedir ajuda de parentes, afinal ela está por conta disso e deve dar conta do recado. Só que isso a faz se sentir um pouco esquecida e relaxada, já que encontrar amigas para um café é improvável e ir à manicure é um luxo supérfluo. Para quê?
Isso me faz lembrar de outra conversa que tive ontem com uma mulher ainda sem filhos que dizia ter chamado a atenção da irmã em relação às calcinhas largas que a mesma insisitia em usar depois da segunda filha já ter mais de um ano. O conselho era para a irmã, mãe e dona de casa, se cuidar, pois o maridão só encontraria mulher bonita e bem arrumada na rua. Ela tem razão. Trabalhando fora, somos obrigadas a nos arrumar. Em casa, nos largamos. Usamos roupas mais confortáveis, menos ajeitadinhas e mal damos um trato no cabelo. Isso é terrível de assumir, mas é normal, coisa de mãe de verdade e não de revista. Mais comum naquelas que ficam em casa, mas ainda aparentes em menor escala nas que retornam ao mercado. Em ambos os casos passa. Logo logo, com alguns toques de familiares e amigas, somados à própria auto-estima ou falta dela, a mãe volta a querer se orgulhar com o que vê no espelho... Mas tem que fazer outra forcinha hein? Principalmente se seu chefe não é o que te olha de cima a baixo, mas o que regurgita em você a cada três ou quatro horas...
Mas fato é que a mulher que vive o outro modo de maternar, saindo cedo de casa, encontra inúmeros desafios também, desde entregar o rebento ainda sonolento nas mãos de alguém até voltar exausta e ter que fazer malabarismos para dar conta de tudo que a espera. Imagino a angústia em estar longe, semelhante e completamente diferente da angústia em estar enclausurada. Não vivo esse outro jeito, mas conheço quem viva e vi de perto muitas dificuldades encontradas por quem acompanhei nessa empreitada, sendo por vontade ou necessidade.
Qualquer decisão quando se tem filhos é diferente, exige mais de nós. Para aquela mãe com a filhinha pequena, por exemplo, mudar de opinião quanto à volta ao mercado é complicado, até amedrontador. Mas, ela está no caminho... Ouvindo a si mesma, tenta negociar com o patrão de trabalhar meio-período e na sede da empresa que fica na sua cidade. Se não conseguir, está disposta a abandonar o salário certo para cuidar da filha. Duvidoso? Não, ela está resolvendo a dúvida do melhor jeito, se respeitando. Porque se tem um conselho que dei a ela e dou a qualquer mãe que sinta essa quedinha por estar em casa é: se é o que quer, é a melhor coisa que pode te acontecer! E para aquela que tiver a queda para o outro lado (me corrijam se eu estiver errada), acho que a frase pode vir a ser a mesma, desde que não traga malefícios ao filho e seja mesmo o que a mãe queira!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ajuda que vem de fora e ajuda que vem de dentro

Eu consegui encontrar uma pessoa para me ajudar no lar. Nem babá, nem empregada doméstica. Prefiro chamar de ajudante. Alguém que não vai ser mãe no meu lugar, nem deixar tudo brilhando, mas que vai suprir nossa necessidade atual, estando aqui. Algumas vezes por semana, algumas horas. Óbviamente que para ocupar o cargo ela preenche todos os requisitos necessários. Óbviamente que já me sinto sem função!
Não estou à toa, afinal ela só entrou em casa porque preciso trabalhar no computador e porque segurar o Leco enquanto me concentro nisso está cada vez mais complicado. Não acho justo com ele ligar a TV e ponto. Ele merece mais. Merece atenção, brincadeira, uma pessoa disposta para estar ao seu lado enquanto mamãezinha enfrenta outra labuta. Não mais que duas ou três horas, mas já é tempo suficiente para trazer aquela sensação estranha de "o que está acontecendo por aqui?". Lembrem-se, sempre fui só eu cuidando do garoto o dia todo e agora vem alguém de fora! Ciúme eu? Não. Só um pouco de controle mesmo. Falo sério, porque ainda não deu tempo de me enciumar, mas de estranhar eu não estar ali controlando cada passo do meu filho, mesmo ele não saindo de perto, estando na sala ao lado ou no quintal, sob meus olhares, a uma distância curta o bastante para ouví-lo matracar. Simplesmente passo por uma adaptação, o início de uma nova etapa.
Ele gostou da novidade, embora ontem tenha vindo me beijar duas vezes, perguntar e contar alguma coisa a cada quinze minutos. Eu estou me acostumando com a ideia, com o fato de apenas alguns dias ter um horário meu, para trabalhar e me preparar para mais trabalho, que agora sim pode surgir. Estou me permitindo também deixar de fazer a janta às vezes, de ter uma moça gentil e devidamente remunerada para fazê-lo por mim, lavando a louça em seguida enquanto paparico meu filhote depois de um tempinho "distante". Devo me dar ao luxo? Sem culpa? Porque sinceramente me acostumei com a vida de dona de casa, rainha do lar mesmo, aquela que cuida de tudo o tempo todo com prazer, dedicação e monopolização. Será que posso delegar um pouquinho? Só essas horinhas, só uns diazinhos, só para variar? Sei que posso.
Já escrevi sobre a árdua tarefa de aprender a delegar mas, cá entre nós, é preciso, pelo menos quando se tem de ligar o laptop e encontrar aquele antigo amigo chamado mercado de trabalho. E o fato de eu ter me dedicado exclusivamente à maternidade esse tempo todo por opção me dá a certeza de que, claro, eu posso e até devo criar esse novo espaço.
Esses dias fui visitar o clube que uma amiga frequenta na cidade dela (quando ela pode, já que é tão dona de casa quanto eu) e me imaginei ali, usufruindo aquele lugar lindo, com academia, sauna e pista de corrida. Mães em tempo integral ou coisa parecida, fechem os olhos e sonhem com tardes de sol de pura qualidade de vida e longos minutos de egoísmo e cuidado consigo mesma. Você se exercitando ou fazendo uma massagem enquando seu filho passeia de carrinho com a ajudante... Só uns dias da semana, só por umas horinhas, só para dar um gostinho.
Não! Eu não consigo nem sonhar. Como disse à minha amiga, "não imagino o que é ser mãe de outro jeito que não seja esse que sou". Pode soar ridículo, mas é o que sinto. Por mais que entenda, respeite e saiba de inúmeros pontos positivos de uma maternidade diferente (não displicente), com babá, empregada, clube, massagista, manicure, cafézinho com amigas e emprego fixo, eu fico com a "minha" maternidade. Porque escolhi assim e, por mais cansada, atarefada e esquecida que eu possa ficar em determinados momentos dessa jornada 24 horas, me vejo em paz comigo mesma, o que me convence cada vez mais de que cada mãe tem que seguir suas vontades, seu coração. Porque não adianta se esforçar para estar em casa querendo estar no escritório. Filho percebe, a gente se percebe. Porque não adianta se forçar a trabalhar fora ou ter mais tempo para jogar fora, se quer estar com o filho. Ele sente, nós sentimos. Nós mães temos que  optar pelo que julgamos melhor para nós e nossa família e ficar bem com nossa escolha, o que é fácil se ela for verdadeira. Essa é uma ajuda que não podemos pedir a ninguém de fora, porque vem de dentro. Pura auto-ajuda materna, aquela que podemos até ler em livros e blogs, mas que não funciona se não vier lá do fundo. Sigam seus desejos verdadeiros mães. Nem que numa próxima gravidez, eles sejam outros...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

E quem disse que é fácil?

No meio do meu trabalho de frila, resolvi parar e dizer que não, não é fácil trabalhar em mom office. Ficar no computador e manter a atenção nele, com o tempo correndo contra você e seu filho correndo para você, é uma das tarefas mais complicadas que já vivi. Mais que a correria da produção de um telejornal. Mais que terminar uma matéria à meia noite para ser publicada no jornal do dia seguinte. Mais que falar ao vivo na rádio sem rir com o operador de áudio fazendo palhaçadas na sua frente.
Mesmo tendo alguém para olhar seu filho (sim, eu consegui e conto depois), trabalhar em casa é um desafio. Gostoso poder ouvir a voz do meu filho brincando no quintal enquanto eu digito. Difícil saber que daqui a pouquinho a ajudante vai embora e ele vai mesmo querer ficar comigo. E eu já quero ficar com ele!!! Tanto que hoje, o texto é curto. Publicado rapidamente antes do meu expediente em frente à tela terminar. Alguém disse que é fácil? Se disse, mentiu!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Curtas e boas

Leonardo fazendo arte na sala, mamãe repreende e:
- Mãe não fica brava comigo hoje.
- Mas por que não vou ficar brava se você está fazendo coisa errada?
- Porque você tá bunita hoje!"

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À noite, mais um elogio vindo quando ele quer trocar o posto de quem dorme do seu lado (sai pai, entra mãe):
- Mãaaaaae, você é muito, muito, muito bunita!"

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Papai sempre deita com ele, mas por cima das cobertas para facilitar a "escapada" depois que pequeno dorme, mas:
- Pai, deita ati embaixo do ededom, prá ficá maaais gotoso.

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Nesses dias de frio, mamãe reclama sem parar:
- Ai Léo, tô com frio!
- Eu te esquento...
(essa nem as Pernambucanas é capaz de reproduzir em comercial)

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Preciso ir até a cidade, digo isso e logo vem:
- O que nós vamos compá?

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No carro, sol bate na janela bem na cara dele.
- Aiii, mãe o sol...
- Ai filho, mamãe esqueceu a fraldinha para cobrir.
Pausa
- Mãe, você não tá mais me potegendo.
- Filho, nem sempre a mamãe vai estar por perto para te proteger, se proteja sozinho, olha para o outro lado...
Pausa
- Mãe, você não tá me potegendo agora!

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Maternismo, ou como quiser chamar

Maternismo é uma palavra que não existe. Acabo de inventar. Porque acho perfeita para expressar o que vejo acontecer atualmente, assunto de algumas mães e revistas nos últimos meses. Um movimento meio invisível, mas forte como quem o promove quase sem intenção, as mulheres. O maternismo, uma continuação ou desdobramento do feminismo, assim como seu embrião, luta pelo direito da figura feminina, mas mais precisamente pelo da figura materna. E que direito é esse agora? O de escolher! Se queremos trabalhar fora o dia todo, ficar em casa curtindo a cria e cuidando da casa, ter um mom office, virar empresária, ou mudar a cabeça do chefe e conseguir flexibilidade nos horários. Só que tudo acontece discretamente, sem muito alarde, queima de objeto simbólico em lugar público ou união da "classe", de maneira que nem as envolvidas percebem.
Há tempos quero abordar o tema e depois de falar sobre a minha opção no texto anterior, achei que era a hora. Não é segredo para ninguém que sou um tanto quanto feminista (se isso significar defender mulheres com bom senso e não ser militante a favor de qualquer coisa que nos favoreça), mas apesar de ter certeza de que o feminismo foi positivo para a mulher atual, tenho a convicção de que naquela época deveríamos ter deixado bem claro que lutávamos pelos mesmos direitos que os homens incluindo o de ter autonomia para escolhermos a vida que mais nos agrada e o de merecermos respeito por ela. Acho que não fizemos muito bem isso, o que fez com que muitas de nós colocassem para si e para os outros que tinham de desempenhar todos os papéis desempenhados pela figura masculina, saindo cedo de casa e voltando tarde da noite depois de um dia exaustivo no emprego, mesmo não conseguindo se livrar de seu papel antigo e tendo muita coisa para fazer  ao voltar para casa.
Nós passamos a ter duas opções, ser uma cuidadora da família e do lar não valorizada e até chamada de madame, ou profissional competente que se desdobra em mil para jogar na cara de qualquer um que é tão capaz quanto o colega do sexo masculino. A sociedade passou a cobrar mais a segunda opção de nós e nós dela, sem deixar brecha para um meio termo, como ser dona de casa e mãe realizada e admirada por isso ou tornar-se uma profissional com cargos e horários alternativos mas não menos merecedora de boas recompensas.
O resultado foi uma sobrecarga em cima de quem é multitarefa mesmo, mas que não é de ferro. Sexo forte, mas frágil o suficiente para não aguentar a estagnação do papel masculino, que só agora (desculpem mas é verdade) começa a mudar de fato. Enquanto a esposa chega da rua como um furacão, arrumando bagunça de criança, lavando louça, colocando roupa para lavar, resolvendo um problema ao telefone ao mesmo tempo em que liga o ferro de passar na tomada e permanece atenta ao barulho da panela de pressão, o maridão geralmente liga a televisão atento aos gols da última rodada. Salvo excessões, e conheço muitas, é ou não é o que ainda acontece com várias de nossas conhecidas?
Há reclamações recorrentes, mas graças a Deus e a deusas, por outro lado há a grande parcela dos maridões que já acordaram e mostram seu lado cooperativo com louvor, mesmo que alguns ainda o façam com espírito de favor. Dar banho no neném, trocar fralda ou cozinhar é um "plus" para eles, já para nós, experimente não fazer tudo isso e ainda deixar a carreira de lado para ver o que acontece! No mínimo, será reconhecida como a mulher de alguém e não uma mulher com qualidades e interesses além do profissional.
Voltando à carreira, no último post comentei sobre a tendência mundial chamada work at home moms. Trabalhar em casa, não na casa. E isso acontece, como o nome já diz, quando temos filhos. Se é mãe, mesmo não tendo largado a profissão, sabe que nossas prioridades mudam, o foco de tudo se transforma e é por esse motivo que muitas de nós se voltam para o lar. E é aí que se encontra o ponto em que nasce o maternismo, quando escolhemos por maternar, priorizar nosso lado materno.
Engana-se porém quem pensa que o maternismo só existe quando deixamos a carreira. Não! Uma grande parcela inventa uma nova ocupação, descobrindo um talento que traz realização, sustento e a possibilidade de estar perto dos filhotes, working at home. Muitas devem ter passado a licença-maternidade matutando sobre o que fariam quando os quatro ou seis meses acabassem, outras optaram por deixar tudo de lado logo e se surpreenderam encontrando um interesse transformado em trabalho. Aí entra um outro movimento comentado e vivido por mães blogueiras, o das mães empreendedoras  ou mompreneurs. Quem disse que maternidade não é criativa? E olha que não tem nada de ócio...
Para quem não quer deixar de trabalhar, o leque de opções para continuar e manter o bem-estar ao lado de quem realmente importa é grande. Encontramos mães freelancers, pequenas empresárias que fazem do quintal sua empresa, donas de negócios virtuais, blogueiras profissionais e por que não contratadas? Sim, li em mais de uma reportagem que pequenas e grandes corporações começam a demonstrar preocupação com a fuga das mulheres do mercado convencional e já procuram segurá-las através de benefícios sedutores e muito bem vindos.
Deixados de lado motivos como salários ainda menores que os dos homens ou falta da tão desejada promoção, as profissionais femininas, motivadas pela própria qualidade de vida quando não tem filhos ou pela maior convivência familiar quando planejam ou já tem filhos, saem correndo de empresas quadradas e empregadores autoritários. Nem preciso reforçar que quando mães queremos mesmo esquecer que horas extras existem, escapar do trânsito ou cancelar congressos e reuniões de fins de semana... Não é por acaso que creches no próprio local de trabalho, flexibilidade na agenda, opção de trabalhar meio-período, trabalhar em casa um dia da semana ou em home office todos os dias, embora privilégios de poucas, sejam cada vez mais comuns indicando que podem vir a ser alternativas normais para todas.
Isso tudo é o maternismo! Um feminismo pós-moderno e materno, pré e pós-parto, pré e pós-maternidade, ou como preferirem chamar, mas certamente um chega para lá das mulheres, não necessariamente mães mas sempre motivadas pela possibilidade e planejamento de concretizarem uma maternidade tranquila. Mães e futuras mamães que andam se impondo diante dos olhos de todos para viverem a maior e melhor experiência de suas vidas como bem entenderem.
Para isso acontecer, nossos homens estão ajudando, seja os que já descobriram como deixar de ser das cavernas e nos apoiar de todas as formas ou os que ainda não econtraram o caminho do homem moderno e forçam as parceiras a brigar pelo que desejam. Hoje podemos dizer que estamos silenciosamente lutando e quase conseguindo conquistar o que queríamos lá atrás... Escolher o que é melhor para nós, dentro e fora de casa, como mulheres e mães, sem ninguém nos impor papel nenhum!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mom officer ativar!

Ontem li um post que veio a calhar com meu atual momento. Lembram que eu, desde que Léo nasceu, me afastei da profissão? Afastamento opcional e maravilhoso, interrompido apenas para eu escrever um caderno especial de educação, sempre no segundo semestre. Nesse período de cerca de três meses, começando no final de julho, eu experimento a rotina de um home office, que eu carinhosamente chamo de mom office, já que trabalhar em casa é uma coisa e trabalhar em casa com filho é outra bem diferente, o que posso garantir por ter vivido as duas opções.
É muito bom ser mom officer, todas as mães deveriam poder tentar. É uma forma de estar perto e se manter no mercado ao mesmo tempo. Um equilíbrio difícil de equacionar, é verdade, mas saudável e proveitoso quando a mãe, dona desse escritório louco, consegue dar conta de tudo que deseja e precisa. Como contou minha colega blogueira , jornalista como eu e que falou sobre sua experiência de trabalhar de casa, acontece sim de você falar ao telefone (no nosso caso entrevistar) e ter um fundo de voz de bebê gritando, chorando ou pedindo algo. É comum também ter que parar tudo para atender a uma necessidade do pequeno ou ficar até meia-noite no computador para terminar o que teve de ser interrompido... Para mim, complica ainda mais por eu nunca ter tido ninguém para me ajudar durante meu período profissional anual. Por ser apenas uns meses, eu sempre achei que desse conta do recado e, por mais enlouquecida que eu fique, eu dou.
Mas, neste ano, penso em fazer diferente. Comecei a produzir esta semana e já percebi que quanto maior a criança, mais difícil é conciliar trabalho e atenção dada a ela sem ajuda alheia. Além do mais, passados mais de dois anos como mãe em tempo integral e frila de um trabalho só por vontade própria, quero continuar presente na rotina do pequeno, mas na medida do possível ampliar o lado profissional nesse meu escritórinho de mãe. Ter alguém para me amparar é fundamental para eu correr atrás e ando buscando esse alguém, tarefinha tão complexa quanto ficar por isso mesmo.
Fato é que, como muitas de vocês, já recusei propostas de trabalho fixo, uma delas a que pedi a Deus, mas antes de ter filho e priorizar a maternidade. Essa chance eu quis aproveitar de casa e tentei de todas as formas convencer meu ex possível chefe de que daria conta de fazer. Não tive êxito, pois a função exigia mesmo presença. Não me arrependo, pois sempre respeitei a chefinha aqui dentro que me dizia que estar com meu filhote vinha em primeiro plano.
Por mais que o número de pessoas atuando em home office aumente cerca de 10% ao ano (como acabo de ler na revista Claudia Bebê de julho, ainda sem link para a reportagem) e seja uma tendência mundial entre mães que tem até nome (work at home moms), percebo que ainda existe certa resistência em relação à opção. Mesmo assim, tenho vontade de fazer a ideia dar certo. Só que, para ser sincera, nunca me empenhei nisso, já que não era minha prioridade e sim um plano para o futuro.
Ainda não sendo a prioridade, agora é um desejo latente. Plano para um futuro quase imediato, só não para o presente porque temos férias em família logo logo. Então, depois do merecido descanso, serei mais uma a adotar de vez o projeto. Quero fazer funcionar. Por mais difícil que seja encontrar oportunidades (pelo menos para uma jornalista no interior), sei que é só começar (o que já fiz), criar uma maior rede de contatos (já tenho uma pequena), ser competente e, claro, seguir o conselho de quem faz isso há tempos e ter uma ajudante. A prática eu já tenho e, convenhamos, das mais difíceis, afinal consegui trabalhar em casa duas vezes e estou indo para a terceira, com filho no pé, literalmente. O resultado sempre valeu a pena e acho que continuará valendo. Depois eu conto.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Nós erramos

Sentimento de culpa é o brinde recebido por toda mulher que pariu. Sentimento de onipotência é outro mimo que ganhamos na saída da maternidade. Um contradiz o outro, um complementa o outro. Horas você se sente a última das mães por achar que não está acertando, horas você acha que só você é capaz de desempenhar todas as tarefas relacionadas a seu filho da melhor forma. Contraditório não? Suspeite como seria se um desses dois presentinhos desparecessem. Seríamos os demônios de nós mesmas ou as deusas de nós mesmas. Cruz credo!
O que enxergo como interessante nessa gangorra é que, opostos ou jogando do mesmo lado, os dois sentimentos revelam algo verdadeiro, natural e evolutivo. Nós erramos! Mesmo. Assumam todas, sem vergonha de não ser a super mãe que sonha. Dói, eu sei. Mas erramos todos os dias, uns mais outros menos. Em detalhes, em exageros, porque somos detalhistas demais, exageradas demais. E qual é o problema? Nenhum.
Digo nenhum quando penso em erros de quem quer sempre fazer o melhor do melhor e que nem sempre consegue ou acha que está conseguindo e o efeito está sendo o oposto. Leiam bem, não me refiro à omissão, falta de cuidados, má educação, maus tratos ou coisas piores ok? Isso é imperdoável e não cabe julgamento no tribunal das mães que instauro aqui neste texto, mas com certeza em outro.
Voltemos às mães a que me refiro. Queridas rés, juízas de nós mesmas, temos de nos declarar culpadas! Não é isso que esperavam? Pois é o meu veretito. Cometemos pequenos delitos. São inocentes, sem maldade nenhuma, mas que acontecem no exercício diário de nossa função. De quem seria a culpa se não nossa? Pode parecer inovador, mas sugiro assumirmos nossa culpa diante de nossos próprios passos em falso para, assim, cumprirmos nossa pena interior e voltar à liberdade.
Eu tentando fazer meu filho comer nesta semana, preocupada com o fato dele não querer nem sequer tocar na comida (e sem paciência), forcei uma garfada. Terrível. Culpada! Mereço horas e horas de prisão em mim mesma. E nao digam que isso é sentimento de culpa, é culpa mesmo. Fiz algo que não deveria ter feito, pois já conheço todo o processo dele de não querer comer e as consequências de forçá-lo. Minha pena? Pedi mil desculpas à vítima, expliquei como o que eu havia feito não era correto e que não faria mais. Passei a tarde toda na penitenciária da minha mente, refletindo sobre meu ato. No fim do dia, recebi habeas corpus, depois liberdade condicional e  hoje posso encarar o lado de fora consciente e em paz. Não erro mais. Não quero voltar à prisão.
Este é um episódio dos vários que acontecem na prática, não é? Comportamento inadequado porém natural, que temos sem querer o mal e sim o bem e que, por isso, reconhecendo a culpa, ele pode nos ajudar a evoluir. Verdadeiro, natural, evolutivo, lembra? Esta é minha proposta. Pararmos de nos esconder sempre atrás do sentimento de culpa maternal e ver que às vezes temos culpa, porque o sentimento existe quando achamos que erramos mesmo sem errar e a culpa é quando erramos, mesmo que seja sem intenção. Erro não doloso, mas culposo. Assumir isso nos ajuda a sermos menos onipotentes, mas não menos mães. E nos torna o que precisamos ser de verdade: potentes!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Dormindo bem

Depois de tanto reclamar, sofrer, falar, me questionar, me martirizar, encher a paciência dos outros falando das noites mal dormidas do meu filho, me sinto na obrigação de dar continuidade a toda a história. Não, aqui não é meu diário, nem sessão de terapia, mas dividir experiências maternas com outras mães, seja lá com qual objetivo, implica em dar satisfações a estas mesmas mães, principalmente quando as coisas melhoram, afinal nem a melhor das amigas suporta só reclamações.
Venho por meio deste texto formalizar meu pedido de desculpas por ter sido um pouco dramática em alguns dos posts em que citei o tema "dormir". Serei curta, grossa não, mas falarei apenas que meu filho está dormindo muito bem! Palmas para ele, para mim e para quem me confortou, aconselhou ou apenas aguentou ler até o fim todos aqueles meus "porquês" sobre o assunto. Há cerca de uma semana ele parou de cochilar à tarde (porque eu parei de induzir vendo que ele não queria mesmo) e começou a pegar no sono por volta das nove da noite e, se deixarmos, sozinho!
Mães que passam pelo probleminha noturno, sintam-se confiantes. Pode ser uma boa fase por aqui, eu sei, mas está acontecendo. Digo que já volto, deixo a musiquinha de sempre ligada baixinho e ele se acalma e dorme por conta própria. Acorda uma vez de madrugada e tem noite que nenhuma. Por favor, guardem a inveja ruim, soltem aquela boa. Pode acontecer com cada uma das mamães que ficam horas e horas ninando, que levam o filho para a cama de casal, que levantam de manhã como um zumbi. Vai do nosso esforço, da rotina, do tempo do bebê, da vontade da criança, da nossa insistência, da nossa paciência e de muita observação.
Vejo que é válido reclamar sempre que precisarmos, nos desesperar assim que a calma desaparece, nos questionar e até nos culpar um pouco, porque acredito que tudo faz parte de um processo, um grande ciclo que temos que passar com nossos filhos, aprendendo a lidar com eles, com o dia a dia e com a gente mesmo. Como podem ler, as coisas melhoram!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Corujisse de mãe blogueira

Este selinho ganhei recentemente da querida Paula, mãe do Samuca. Uma corujisse! E eu, como mãe e autora de blog coruja que sou com essa minha cria virtual, mesmo não sendo a mais adepta de selos e afins, não resisto a repassá-lo (com atraso assumo) a outras 15 mães, blogueiras e, ao meu ver, corujas também. Fico grata por ser lida pela mãezona que me enviou este selo e por pelo menos uma das mães a quem vou enviar o mesmo... Isso porque, desta vez, escolho enviar a mulheres cujo blog conheci há pouco tempo ou que conheci há muito tempo mas perdi o contato com a falta de tempo! A maioria de vocês, escolhidas a dedo, nem sei se me conhecem, mas está aqui a oportunidade para conhecer a vizinhança. Umas devem ter esbarrado em mim aqui ou ali, outras já leram opiniões minhas em seus posts e muitas nem receberam um comentário meu ainda, mas todas possuem espaços onde é possível se sentir em casa logo na primeira visita... Todas, por favor, sintam-se à vontade para aplicar ou não a "corrente" do selo em seus respectivos blogs e para conhecer ou não meu blog. De qualquer forma, muito prazer em encontrá-las ou reencontrá-las!
Agora, vamos às regras para receber o mimo:
1 - Falar do blog que te mandou o selinho (quem não me conhece, seja bem-vinda para me conhecer!):
Quem foi coruja comigo foi o Dias de Samuca, da mãe do Samuel, um garoto muito esperto que está perto dos dois anos. Paula é mãe dedicada, que mora na Costa Rica e encontra tempo em uma rotina bem atribulada de mãe e dona de casa longe da família, para escrever um pouco e dividir com todas nós mães "internéticas" suas dúvidas, experiências, emoções e opiniões. Com certeza, lá tem posts caprichados, cheios de detalhes, escritos por uma mulher esforçada, que se entrega de corpo e alma a tudo, até a suas colegas de blogosfera. A atenção que ela dá a "nós-outras" é para deixar todas muito felizes e lisongeadas!
2- Linkar o selo e o link do blog (feito!)
3 - Escrever 5 coisas que seu bebê faz e que acha fofo:
Ele é inteiro fofo. Mas acordar mau humorado, dormir grudado, dançar na abertura da novela, me elogiar quando quer me agradar e dizer mamãe a todo instante estão entre os Top Five do momento...
4 - Dizer porque se acha uma mãe coruja:
Porque amo, mimo, educo, protejo, exagero, volto atrás, corro atrás, amo, procuro o melhor do melhor, esqueço de mim e de tudo, e lambo, lambo, lambo muito a cria.
5 - Indicar 15 blogs para receber o selo e avisá-las, claro!
Aqui vão: Daniela do Mamães na Itália,  Mariana do Pequeno Guia Prático para Mamães sem Prática, Carol do Diário Brasileiro de uma mãe na Hungria, Carol do Mother Love Database, Taty de Entre Fraldas e Livros , Mãe do Fala Mãe, Juliana do Diário de uma mãe com mais de 30, Carol do Viajando na Maternidade, Priscilla do Mãe de Duas, Vanessa do Mães Empreendedoras, Mariana do Viciados em Colo, Carol e Suas Baby Bobeiras, Iza Garcia
 do Roteiro Baby, Barbara de Uma Mãe das Arábias, Mari do Mundo do Pedro

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nenhum, um dois, três, mais filhos. Assinale a resposta correta...


Já vi, escutei e li muitas mães discorrendo sobre o “assunto” segundo filho. Umas decididas, não querem e nem se permitem reavaliar a escolha. Outras tantas, nem tão decididas assim, pensam e repensam. Algumas destas indecisas deixam escapar, como se hoje fosse assim possível escapar. Mais certo dizer que deixam por conta do acaso, da sorte, de Deus ou do seu ciclo, mas que certamente permitem que a vida tome conta delas e de seu útero, literalmente. Para elas, mais fácil deixar o inconsciente agir do que trazer a tônica para o consciente. Parte dessas que não sabem se querem, mas que não se descuidam enquanto não decidem, acabam esperando tanto pela certeza que quando tentam não conseguem ou acabam não conseguindo nem tentar.
As decididas a terem o segundo também enfrentam uma luta interna e outra externa. Dentro delas soam perguntas como: Ter logo em seguida ou esperar? Quanto esperar? Quanto tempo eu ainda tenho de vida fértil? Quantos anos de diferença entre um irmão e outro são ideais? Será que é melhor eu dar um tempo e voltar ao mercado de trabalho antes de ficar em casa novamente? Corro risco no emprego se aparecer grávida de novo tão rápido? Vou ficar entediada se emendar um filho no outro com essa opção de ter abandonado tudo para ficar “só” com eles? E meu casamento? E meu orçamento? E “minha” vida? E...?
Do lado de fora, chutes e mais chutes no seu ventre, fortes o suficiente para tirar o ar. Quando vai vir o próximo? Nossa, que corajosa, você quer mais um mesmo? É melhor ter logo se não vai desistir. Ter em seguida é mais fácil, cria tudo de uma vez, o trabalho é um só, depois acaba. É bom esperar mais porque ele ainda dá trabalho né?  Ihhh, nem tira a fralda dela agora porque quando nascer o irmãozinho vai voltar a fazer na calça. Não demora não, porque um faz companhia para o outro. E seu trabalho? Tem alguém para te ajudar? Ah, tenha o segundo e o terceiro logo! Se demorar, ele vai ser quase filho único! Já pensou se a próxima gravidez for de gêmeos???
Um redemoinho de pensamentos, sentimentos, questionamentos, aconselhamentos. Um furacão de vida, tempestade de “serás”, um trem que não para se quisermos descer e nem espera para subirmos. Atrasos, na menstruação ou na escolha, são decisivos. Podem ou não estar na previsão do tempo, mas certamente cairão sobre você. Feche o guarda-chuva e se molhe! Ou, pegue sua capa e se proteja por mais algumas ruas.
Da mesma forma que com o primeiro filho, o segundo exige de nós decisões. Pelo sim, pelo não, pelo não me responda agora. A grande diferença é que, independentemente de como tenha resolvido ou não ter o primeiro filho, acidente, plano ou sonho, depois que ele nasceu, a opção do segundo é inevitável e está mais próxima do que se pode imaginar. Basta aparecer com o recém-nascido e já vai escutar: e aí, já se animou para ter mais? Isso se não escutar de si mesma, ainda na maternidade, algo como “nossa, volto aqui assim que puder”.
Abre-se a porteira, a fábrica. Começa-se uma família, uma história com roteiro, capítulos extras, cenas fora do script. E você ali, meio protagonista, meio coadjuvante, diretora, autora, roteirista. O poder está mais uma vez e, mais do que nunca, em suas mãos. O poder de dar ou não o irmãozinho, de apressar, retardar ou excluir essa convivência. Poder de ampliar a prole, de convencer seu marido, de se convencer. 
O poder pode também não estar mais em suas mãos, e sim no seu período fértil, na falta dele ou na ausência do dono da sementinha, que pode ter fugido entre o parto e uma troca de fraldas. A única coisa certa nisso tudo mesmo é que você, só você, mulher, sabe o que é isso tudo. Porque, aqui entre mães, por mais envolvidos nesse processo reprodutivo atual (companheiro, filho mais velho, chefe, empregada, babá, sogra, mãe, convênio, doador de esperma, barriga de aluguel, fila de adoção...), a maior interessada ou desinteressada é sempre a figura materna. A pessoa que, de um jeito ou de outro, vai parir outro filho. Quem, pela primeira, segunda, terceira, quarta ou quinta vez, dá a luz a outra vida, para ela mesma, para o pai do novo integrante da família, para o filho que chegou primeiro, para o que vem depois.
Por esses óbvios motivos, nem é preciso dizer que, aprovada ou não, a decisão maior é sua. Só é preciso aval do seu corpo, do seu coração e, para o bem de todos, do Y da questão (ocasionalmente substituído pela assinatura do juiz da vara da infância ou por contrato com clínica de reprodução humana). O resto, que de resto não tem nada, é com você, o X que marca a melhor alternativa...