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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nenhum, um dois, três, mais filhos. Assinale a resposta correta...


Já vi, escutei e li muitas mães discorrendo sobre o “assunto” segundo filho. Umas decididas, não querem e nem se permitem reavaliar a escolha. Outras tantas, nem tão decididas assim, pensam e repensam. Algumas destas indecisas deixam escapar, como se hoje fosse assim possível escapar. Mais certo dizer que deixam por conta do acaso, da sorte, de Deus ou do seu ciclo, mas que certamente permitem que a vida tome conta delas e de seu útero, literalmente. Para elas, mais fácil deixar o inconsciente agir do que trazer a tônica para o consciente. Parte dessas que não sabem se querem, mas que não se descuidam enquanto não decidem, acabam esperando tanto pela certeza que quando tentam não conseguem ou acabam não conseguindo nem tentar.
As decididas a terem o segundo também enfrentam uma luta interna e outra externa. Dentro delas soam perguntas como: Ter logo em seguida ou esperar? Quanto esperar? Quanto tempo eu ainda tenho de vida fértil? Quantos anos de diferença entre um irmão e outro são ideais? Será que é melhor eu dar um tempo e voltar ao mercado de trabalho antes de ficar em casa novamente? Corro risco no emprego se aparecer grávida de novo tão rápido? Vou ficar entediada se emendar um filho no outro com essa opção de ter abandonado tudo para ficar “só” com eles? E meu casamento? E meu orçamento? E “minha” vida? E...?
Do lado de fora, chutes e mais chutes no seu ventre, fortes o suficiente para tirar o ar. Quando vai vir o próximo? Nossa, que corajosa, você quer mais um mesmo? É melhor ter logo se não vai desistir. Ter em seguida é mais fácil, cria tudo de uma vez, o trabalho é um só, depois acaba. É bom esperar mais porque ele ainda dá trabalho né?  Ihhh, nem tira a fralda dela agora porque quando nascer o irmãozinho vai voltar a fazer na calça. Não demora não, porque um faz companhia para o outro. E seu trabalho? Tem alguém para te ajudar? Ah, tenha o segundo e o terceiro logo! Se demorar, ele vai ser quase filho único! Já pensou se a próxima gravidez for de gêmeos???
Um redemoinho de pensamentos, sentimentos, questionamentos, aconselhamentos. Um furacão de vida, tempestade de “serás”, um trem que não para se quisermos descer e nem espera para subirmos. Atrasos, na menstruação ou na escolha, são decisivos. Podem ou não estar na previsão do tempo, mas certamente cairão sobre você. Feche o guarda-chuva e se molhe! Ou, pegue sua capa e se proteja por mais algumas ruas.
Da mesma forma que com o primeiro filho, o segundo exige de nós decisões. Pelo sim, pelo não, pelo não me responda agora. A grande diferença é que, independentemente de como tenha resolvido ou não ter o primeiro filho, acidente, plano ou sonho, depois que ele nasceu, a opção do segundo é inevitável e está mais próxima do que se pode imaginar. Basta aparecer com o recém-nascido e já vai escutar: e aí, já se animou para ter mais? Isso se não escutar de si mesma, ainda na maternidade, algo como “nossa, volto aqui assim que puder”.
Abre-se a porteira, a fábrica. Começa-se uma família, uma história com roteiro, capítulos extras, cenas fora do script. E você ali, meio protagonista, meio coadjuvante, diretora, autora, roteirista. O poder está mais uma vez e, mais do que nunca, em suas mãos. O poder de dar ou não o irmãozinho, de apressar, retardar ou excluir essa convivência. Poder de ampliar a prole, de convencer seu marido, de se convencer. 
O poder pode também não estar mais em suas mãos, e sim no seu período fértil, na falta dele ou na ausência do dono da sementinha, que pode ter fugido entre o parto e uma troca de fraldas. A única coisa certa nisso tudo mesmo é que você, só você, mulher, sabe o que é isso tudo. Porque, aqui entre mães, por mais envolvidos nesse processo reprodutivo atual (companheiro, filho mais velho, chefe, empregada, babá, sogra, mãe, convênio, doador de esperma, barriga de aluguel, fila de adoção...), a maior interessada ou desinteressada é sempre a figura materna. A pessoa que, de um jeito ou de outro, vai parir outro filho. Quem, pela primeira, segunda, terceira, quarta ou quinta vez, dá a luz a outra vida, para ela mesma, para o pai do novo integrante da família, para o filho que chegou primeiro, para o que vem depois.
Por esses óbvios motivos, nem é preciso dizer que, aprovada ou não, a decisão maior é sua. Só é preciso aval do seu corpo, do seu coração e, para o bem de todos, do Y da questão (ocasionalmente substituído pela assinatura do juiz da vara da infância ou por contrato com clínica de reprodução humana). O resto, que de resto não tem nada, é com você, o X que marca a melhor alternativa...


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