Real. "Relativo ao rei ou à realeza ou próprio dele ou dela". "Que existe de fato, verdadeiro". Duas definições do Dicionário Aurélio sobre uma mesma palavra, muito falada nas últimas semanas. Em menos de 48 horas, um casamento real (de verdade e ligado à realeza) acontecerá na Inglaterra e mudará a história, pelo menos deste país. O filho mais velho da Princesa Diana, que marcou época com sua simpatia e com a morte durante perseguição por paparazzi em 1997, irá se casar com uma plebéia conhecida como Kate. E nós, mães, com isso?
Esse acontecimento me toca exatamente por eu ser mãe. É verdade que ele está sendo explorado pela mídia de diversas maneiras até porque é capaz de tocar o mundo intensamente de todas essas maneiras, pelo romantismo, pela trágica história dessa família, pelos traços modernos, pelo novo passo no regime monárquico ou apenas pela curiosidade fútil. Goste você ou não da Monarquia, de histórias como a da Cinderela ou de falar Inglês, fato é fato e esse representa mudanças na família real britânica e poderá trazer mudanças para todas as famílias reais britânicas. Como? De muitas formas, a começar pela a futura Princesa e quase certamente Rainha ser a primeira graduada por uma universidade (pense sobre o reflexo disso para outras jovens como ela). É a primeira a morar com o futuro marido antes do enlace. Imaginem, ela morou com o namorado, o futuro Rei da Inglaterra, sem nem estarem noivos! Quanta modernidade... Um príncipe que trabalha, vejam bem, ele trabalha, mesmo que seja no exército real seguindo as tradições. Ele diz que "quando chega do trabalho" tal e tal coisa acontece e uma dessas coisas é que ele cozinha! Para seduzir a amada, que não, não precisa ficar atrás do fogão para merecer a coroa, ou melhor, o anel de noivado valiosíssimo que foi usado pela sogra.
Tudo isso já foi falado e repetido pela imprensa, eu sei, mas o que me inspirou a escrever foi olhar Willian como o filho de Lady Di. Filho. O mais velho de dois, que ela deixou adolescente com apenas 15 anos e que passou por inúmeros percalços, traduzidos livremente como escândalos, e que se mostra hoje um homem bem feito, educado, sensível e real. Verdadeiro. Pode ser que essa seja apenas uma impressão minha, a imagem bonitinha do herdeiro do trono que estão construindo e veiculando por aí, mas o que senti ao ver esse rapaz dando entrevista foi isso. O dever cumprido de uma mãe, mesmo que ele tenha sido interrompido cedo demais por uma tragédia. E quando digo dever cumprido não digo que acabou, que depois do casamento o lindo e loiro Príncipe será feliz para sempre. Mas que muito de faz para um homem chegar onde ele está, com quem está, do jeito que está...
Em uma das reportagens a que assisti, um homem próximo da mãe de Willian contou que ela mostrava um certo conflito dizendo que, enquanto todas as mulheres ensinavam os filhos a não falar com estranhos, ela tinha que justamente ensiná-los a falar com desconhecidos, pois esse era o "trabalho" deles. Já se imaginou nesse papel? Mãe de um menino que precisa, sim ele precisa, saber conviver com o peso da realeza, com lentes de fotógrafos, ser observado, seguido, questionado, elogiado, criticado? Ensinar um jovenzinho a ser Príncipe não deve ser nada fácil ainda mais quando este jovenzinho é seu filho, a pessoa que você só quer proteger, proteger e proteger, de tudo e de todos. Ainda mais quando se está em uma relação amorosa falida, cheia de boatos e à beira do fracasso... Ainda mais quando você sai de perto dele... Já imaginou seu filho te perder com qualquer idade?
Mas parece que ela ensinou muita coisa a ele. Parece que ela era real, não porque era da realeza, mas porque era uma mãe como outras tantas, preocupada com o filho, com o futuro dele. Obviamente não temos acesso ao que era o dia a dia dessa família e nem temos como saber ao certo como era a maternidade real de Lady Di. Mas, olhando esse filho, aparentemente tão sensato em seus atos, equilibrado, apaixonado, que ponderou se deveria mesmo se casar para não repetir o mesmo erro dos pais, que "testou" a relação antes de tomar a decisão e que agora está se casando com uma jovem comum, de família de operários e que encurta as saias sem medo do conservadorismo só para chamar a atenção do amado, dá para imaginar que a mãe dele foi... mãe. Que deve ter, de algum jeito, ensinado a diferença entre os dois significados da palavra "real" e que um não é melhor que outro... Se ela não ensinou, seu filho aprendeu (não há como negar). Isso já deixaria qualquer mãe real verdadeiramente feliz. Por ver, mesmo que do céu, que o seu menino é um homem real, membro da realeza é claro, mas uma pessoa de verdade, que vive a sua verdade (mesmo que ela não apareça inteiramente para nós), capaz de encarar o mundo (nesse caso literalmente) e fazer suas próprias escolhas (é o que parece), por mais modernas e inovadoras que sejam. Pode não ser o futuro que Lady Di sonhou para ele, mas é o real, seu filho real. E eu, como mãe, não posso deixar de imaginar a mãe dele cheia de orgulho...
Acesse o Mãe da Cabeça aos Pés!!!
quarta-feira, 27 de abril de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
"Tô com sono"
Apesar de eu falar bastante que ando cansada e quero dormir, quem anda falando "Tô com sono" é o Léo. Ótimo, porque ele aprendeu a expressar mais uma de suas vontades e necessidades com as palavras, mas seria maravilhoso se a frasesinha fosse falada à noite. Adivinhem a que horas ele está acostumando a soltar as palavrinhas mágicas? Logo após o almoço ou às vezes até antes dele, no meio de uma caminhada ao sol, pedindo colo, o que ele nunca fez, nem mesmo quando deveria estar exausto.
Para quem não sabe, o loirinho (agora meio castanho) parou de dormir à tarde há quase dois meses, logo que abolimos a chupeta. Eu fiquei desesperada no início e ainda fico, pois tem horas que tenho que abusar da televisão e outras em que vivo passeando por aí para ele se entreter, mas a fase de adaptação já foi e estamos bem assim. Bem até porque à noite ficou um pouco mais fácil ir para a cama, o que obviamente não acontece quando ele tira a soneca, seja ela de duas horas ou de 30 minutos. Pausa para explicação do contexto: antes ele dormia duas horas depois de almoçar e ia dormir por volta de nove horas da noite, depois o descanso vespertino passou a interferir no descanso noturno e o adeus à pepê só ajudou a bagunçar ainda mais o esquema, que estava sendo "arrumado" aos pouquinhos.
Será que estava? Já não sei mais... Acabamos de acordar de um soninho da tarde beeem compridinho e tenho que assumir que é uma delícia, ainda mais com um friozinho dando o ar (e o vento) da graça. Mas e o remorso de tê-lo deixado dormir, mesmo tendo sido uma perfeita oportunidade de relaxar e uma deliciosa chance de ficar grudadinha com o menino mais gostoso de dormir junto? Sei que mais tarde terei problemas. Mas sei também o quão difícil está sendo segurar Leleco acordado quando os olhinhos insistem em fechar à luz do dia. No domingo, ele pediu para nanar no meu colo, no meio do almoço e ficou bravo por eu ter ameaçado levantar. Dormiu em cima de mim na cadeira, ali no meio da refeição, com gente falando ao redor, coisa que ele nunca, e digo nunca mesmo, faria antes! Outros dias, é só deixá-lo no sofá por instantes enquanto vou pegar algo na cozinha que quando volto o encontro capotadinho, outra raridade de comportamento leonardês.
Agora resta saber se a soneca da tarde quer voltar, se é mais uma daquelas fases ou se o que falta mesmo é a "boa" e velha disciplina. Não sei e até onde sei não sou obrigada a saber, pelo menos não agora. Pretendo mais uma vez seguir o curso, prestar atenção ao que ele e o corpinho dele estão me dizendo e dar a direção conforme o que eu perceber de tudo isso. Mas uma frase eu digo: "Tô con-fusa!".
Para quem não sabe, o loirinho (agora meio castanho) parou de dormir à tarde há quase dois meses, logo que abolimos a chupeta. Eu fiquei desesperada no início e ainda fico, pois tem horas que tenho que abusar da televisão e outras em que vivo passeando por aí para ele se entreter, mas a fase de adaptação já foi e estamos bem assim. Bem até porque à noite ficou um pouco mais fácil ir para a cama, o que obviamente não acontece quando ele tira a soneca, seja ela de duas horas ou de 30 minutos. Pausa para explicação do contexto: antes ele dormia duas horas depois de almoçar e ia dormir por volta de nove horas da noite, depois o descanso vespertino passou a interferir no descanso noturno e o adeus à pepê só ajudou a bagunçar ainda mais o esquema, que estava sendo "arrumado" aos pouquinhos.
Será que estava? Já não sei mais... Acabamos de acordar de um soninho da tarde beeem compridinho e tenho que assumir que é uma delícia, ainda mais com um friozinho dando o ar (e o vento) da graça. Mas e o remorso de tê-lo deixado dormir, mesmo tendo sido uma perfeita oportunidade de relaxar e uma deliciosa chance de ficar grudadinha com o menino mais gostoso de dormir junto? Sei que mais tarde terei problemas. Mas sei também o quão difícil está sendo segurar Leleco acordado quando os olhinhos insistem em fechar à luz do dia. No domingo, ele pediu para nanar no meu colo, no meio do almoço e ficou bravo por eu ter ameaçado levantar. Dormiu em cima de mim na cadeira, ali no meio da refeição, com gente falando ao redor, coisa que ele nunca, e digo nunca mesmo, faria antes! Outros dias, é só deixá-lo no sofá por instantes enquanto vou pegar algo na cozinha que quando volto o encontro capotadinho, outra raridade de comportamento leonardês.
Agora resta saber se a soneca da tarde quer voltar, se é mais uma daquelas fases ou se o que falta mesmo é a "boa" e velha disciplina. Não sei e até onde sei não sou obrigada a saber, pelo menos não agora. Pretendo mais uma vez seguir o curso, prestar atenção ao que ele e o corpinho dele estão me dizendo e dar a direção conforme o que eu perceber de tudo isso. Mas uma frase eu digo: "Tô con-fusa!".
domingo, 24 de abril de 2011
Fé, para renascer sempre
O coelhinho esteve aqui em casa nesta Páscoa, deixou pegadas, pistas, mordidas na cenoura e bagunça no ninho que o Leleco montou ontem para o saltitante. De pulinho em pulinho, achamos o ovo e um caminhão lindo, escolhido e esperado pelo mais novo fã do coelho. Expressão que marcou a manhã: "Essa não!" - falada quando o reizinho deu de cara com o ninho feito de caixa de papelão todo revirado pelo amigo orelhudo...
Que delícia ver a alegria do pequeno nesta cena, a ansiedade na noite anterior ao pegar a cenoura na geladeira e colocar no lugar preparado para o visitante, a emoção ao seguir as patinhas no chão logo depois de bocejar e o êxtase em ganhar... o caminhão! O ovo também valeu, mas algumas mordidas depois perdeu a graça. Chocolate não é o melhor agrado, ainda! E, por isso, copiar o bom velhinho teve suas vantagens.
Eu, nesse preparativo todo, pasmem, acabei esquecendo do significado da Páscoa e precisei que minha mãe me lembrasse. Explica-se pelo fato de que não sou católica praticante, apesar de me sentir muito bem em uma ou duas igrejas. Não lembro a história de quase nenhuma data da religião que me fez assistir a aulinhas de crisma aos 12 anos. Não acho pecado nenhum frequentar centro espírita, se assim eu quiser, nem em acreditar no tarô ou em simpatizar com o Budismo. Até rezo Pai Nosso e ave Maria, mas não acho que eu precise estar em uma missa ou comungar para estar perto de Deus. Batizei Léo porque acho importante escolher "padrinhos", mas sei que é ele quem vai decidir sobre isso de verdade lá na frente. Ensino ao meu anjo que é preciso agradecer ao Papai do Céu, mas nem em sonho me vejo cobrar primeira comunhão ou casamento religioso. Só quero que tenha fé.
Eu tenho fé. Em Deus, de todas as religiões, de todas as maneiras que podem imaginá-lo. Minha fé é nessa energia maior que move o universo, a vida, cada ser, cada passo, cada respiração, seja essa energia "materializada" da maneira como for. O catolicismo posso ter abandonado, se é que eu algum dia o tive comigo, mas a crença de que existe sim um Deus, essa eu não perdi e não me vejo sem ela. Acredito. Inclusive no renascimento. Mas não que eu ache que seja preciso morrer para renascer, ressucitar. É preciso querer, acreditar. Mais uma vez essa palavra percebe? A-c-r-e-d-i-t-a-r.
Não é à toa que quando nós mais precisamos, quando estamos mais perdidos do que nunca, mais cegos, mais fracos, mais descrentes, que nos apegamos a algo maior. A Deus, seja o seu qual for. Pode ser o da Igreja Católica, o da Muçulmana, o livro que ganhou dias atrás, a atividade capaz de te fortalecer depois de tanto chorar, o seu Deus. Aquele que você reconhece como tal e que te ajuda, e muito, a voltar a acreditar e, assim, a começar de novo.
E quando fala-se em recomeçar, como não lembrar daquela pessoa que te ajuda a fazer isso todos os dias? Que te dá uma nova vida sem que você precise estar nada descrente, triste ou perdido? Pessoinha iluminada que ilumina. Filho. A vida se divide em antes e depois dele (ou deles) e continua se dividindo diariamente, porque eles crescem e exigem que a gente cresça com eles. Ai se não acompanharmos o ritmo...
Eles nos renovam. Não precisa chegar a segunda-feira para tomar a grande decisão e nem esperar virar o ano para prometer melhorar nisso ou naquilo. Depois que chegam, os filhotes não dão continuidade apenas ao nosso "sangue", mas ao dia a dia, à vontade de cada pai e cada mãe em fazer o impossível para dar a melhor vida a quem trouxe uma novinha para nós. É a maior transformação que se pode passar, creio eu. Porque nos recriamos a partir dela. Reciclamos tudo, até idéias e opinões que antes jogaríamos no lixo. Filho é nosso Deus. Para quem é católico, lembrem que Jesus ressussitou por quem mesmo? Pelos seus filhos... Se não é, lembre de quando acorda cansada e cria a maior disposição para qualquer coisa assim que vê o rostinho mais divino que já viu. Filho é isso. É mais. É a maior prova que Deus existe, seja Ele como for, esteja onde estiver. Independentemente da sua doutrina, se é mãe ou pai, em algum momento já chegou a pensar que existe uma força maior, capaz de tudo, até de te dar filhos não é? Ou simplesmente sentiu esse poder, e acreditou nele mesmo sem assumir isso para si mesmo... É a vida mostrando o poder que ela tem. De fazer nascer, renascer. De nos fazer acreditar, pela primeira ou milésima, mas nunca pela última vez.
Que delícia ver a alegria do pequeno nesta cena, a ansiedade na noite anterior ao pegar a cenoura na geladeira e colocar no lugar preparado para o visitante, a emoção ao seguir as patinhas no chão logo depois de bocejar e o êxtase em ganhar... o caminhão! O ovo também valeu, mas algumas mordidas depois perdeu a graça. Chocolate não é o melhor agrado, ainda! E, por isso, copiar o bom velhinho teve suas vantagens.
Eu, nesse preparativo todo, pasmem, acabei esquecendo do significado da Páscoa e precisei que minha mãe me lembrasse. Explica-se pelo fato de que não sou católica praticante, apesar de me sentir muito bem em uma ou duas igrejas. Não lembro a história de quase nenhuma data da religião que me fez assistir a aulinhas de crisma aos 12 anos. Não acho pecado nenhum frequentar centro espírita, se assim eu quiser, nem em acreditar no tarô ou em simpatizar com o Budismo. Até rezo Pai Nosso e ave Maria, mas não acho que eu precise estar em uma missa ou comungar para estar perto de Deus. Batizei Léo porque acho importante escolher "padrinhos", mas sei que é ele quem vai decidir sobre isso de verdade lá na frente. Ensino ao meu anjo que é preciso agradecer ao Papai do Céu, mas nem em sonho me vejo cobrar primeira comunhão ou casamento religioso. Só quero que tenha fé.
Eu tenho fé. Em Deus, de todas as religiões, de todas as maneiras que podem imaginá-lo. Minha fé é nessa energia maior que move o universo, a vida, cada ser, cada passo, cada respiração, seja essa energia "materializada" da maneira como for. O catolicismo posso ter abandonado, se é que eu algum dia o tive comigo, mas a crença de que existe sim um Deus, essa eu não perdi e não me vejo sem ela. Acredito. Inclusive no renascimento. Mas não que eu ache que seja preciso morrer para renascer, ressucitar. É preciso querer, acreditar. Mais uma vez essa palavra percebe? A-c-r-e-d-i-t-a-r.
Não é à toa que quando nós mais precisamos, quando estamos mais perdidos do que nunca, mais cegos, mais fracos, mais descrentes, que nos apegamos a algo maior. A Deus, seja o seu qual for. Pode ser o da Igreja Católica, o da Muçulmana, o livro que ganhou dias atrás, a atividade capaz de te fortalecer depois de tanto chorar, o seu Deus. Aquele que você reconhece como tal e que te ajuda, e muito, a voltar a acreditar e, assim, a começar de novo.
E quando fala-se em recomeçar, como não lembrar daquela pessoa que te ajuda a fazer isso todos os dias? Que te dá uma nova vida sem que você precise estar nada descrente, triste ou perdido? Pessoinha iluminada que ilumina. Filho. A vida se divide em antes e depois dele (ou deles) e continua se dividindo diariamente, porque eles crescem e exigem que a gente cresça com eles. Ai se não acompanharmos o ritmo...
Eles nos renovam. Não precisa chegar a segunda-feira para tomar a grande decisão e nem esperar virar o ano para prometer melhorar nisso ou naquilo. Depois que chegam, os filhotes não dão continuidade apenas ao nosso "sangue", mas ao dia a dia, à vontade de cada pai e cada mãe em fazer o impossível para dar a melhor vida a quem trouxe uma novinha para nós. É a maior transformação que se pode passar, creio eu. Porque nos recriamos a partir dela. Reciclamos tudo, até idéias e opinões que antes jogaríamos no lixo. Filho é nosso Deus. Para quem é católico, lembrem que Jesus ressussitou por quem mesmo? Pelos seus filhos... Se não é, lembre de quando acorda cansada e cria a maior disposição para qualquer coisa assim que vê o rostinho mais divino que já viu. Filho é isso. É mais. É a maior prova que Deus existe, seja Ele como for, esteja onde estiver. Independentemente da sua doutrina, se é mãe ou pai, em algum momento já chegou a pensar que existe uma força maior, capaz de tudo, até de te dar filhos não é? Ou simplesmente sentiu esse poder, e acreditou nele mesmo sem assumir isso para si mesmo... É a vida mostrando o poder que ela tem. De fazer nascer, renascer. De nos fazer acreditar, pela primeira ou milésima, mas nunca pela última vez.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Feliz chocolate!
Até os dois anos. Sempre fui categórica quando me perguntavam até quando eu deixaria meu filho longe do chocolate. Fiquei muito brava pelo fato de os avós M e R terem dado ao Leco um pedacinho de chocotone no natal, quando ele tinha apenas nove meses! Foi escondido, é óbvio, porque vô e vó tem dessas coisas mesmo. Hoje posso dar até risada, mas não gostei. Ainda bem que chocotone não é bem chocolate não é? E melhor ainda que ele não gostou!
Quem é mãe e regrada com a alimentação dos pequenos sabe que as pessoas adoram oferecer o que não pode, questionar o tamanho da nossa "frescura" e tentar burlar nossas regras. Não é por mal, é por acreditar que não tem mal nenhum nisso. Imagine se comer um bombomzinho vai ser ruim... Mas bom mesmo é ver que tem quem respeite sua maneira de ver as coisas e coopere, como outras mães ou até tias que perguntam em voz baixa para só você ouvir se pode dar bala, pirulito e outras guloseimas. Eu delicadamente nunca deixei e sempre expliquei que ele nem sabe o que é! Hoje, continuo não deixando darem porcarias em geral, mas o chocolate...
O doce dos deuses, que mamãe é quase viciada, adoçou a boca do pequeno pela primeira vez quando ele tinha um ano e meio. Antes do planejado, mas adequadamente, eu diria, porque uma amiguinha estava se lambuzando com uma trufa e ofereceu a ele com toda a educação. Vi a vontade de provar a novidade nos olhos dele, e olha que o rapaz detesta experimentar algo novo. Provou, duas ou três mordidas e gostou! Acabou, não chorou e nas outras vezes que comeu um pedacinho, não passou de um pedacinho. Acho que na verdade não era tão delicioso para ele... E até hoje não é, a não ser que me veja comendo uma marca importada que até Deus duvida que é homem que faça aquilo... Ou quando se trata de Bis. Aí ele pede bis.
Então, duas Páscoas já se passaram e nada de ovinho por aqui. Nem outra coisa. A gente simplesmente achou que não precisava. Neste ano, depois da chegada fervorosa do Papai Noel no ano passado, não restam dúvidas de que o coelhinho é muito bem vindo, com chocolate na mochila e tudo. O "tudo" vai ser um brinquedinho escolhido por nada mais nada menos que o garotinho esperto que já entendeu essa coisa de pedir há uns meses e vive dizendo: "Vamos na loja de binquedos compá uma coisa pá mim?". Fomos e escolhemos o que o senhor coelho vai comprar para ele! Ajudamos o pequeno até a escrever cartinha e colocar embaixo da porta! Qualquer semelhança com Natal não é mera coicidência!
Combinado. Esperamos as pegadinhas no chão, a cenoura mordida e o ovo da Páscoa! Mas, é um ovinho do tamanho da palma da minha mão. Não precisa mais que isso, afinal ele só tem dois anos! Eu bem que me entusiasmei quando vi um enorme por um preço bem acessível de promoção, mas depois pensei: "Ele vai comer tudo isso?" ou melhor "Vou deixá-lo comer o ovo inteiro?". Não deixaria e a sensação que me deu foi que eu estaria acostumando mal uma criança que ainda não dá valor a tamanhos... Daria algo que eu teria que esconder e ajudar a comer! Será que ele não iria estranhar o "desaparecimento" do ovão??? Por isso, é ovinho mesmo. Para saborear não só o chocolate, mas a alegria de ganhar o ovo colorido que só o coelhinho traz. Bem, não é só ele, porque muita gente já me perguntou se pode vir com ovinho dessa vez... E eu deixei, desde que sejam ovinhos hein? Porque se não for assim, mamãe vai engordar quatro quilos! E sem culpa... Feliz chocolate!!!
Quem é mãe e regrada com a alimentação dos pequenos sabe que as pessoas adoram oferecer o que não pode, questionar o tamanho da nossa "frescura" e tentar burlar nossas regras. Não é por mal, é por acreditar que não tem mal nenhum nisso. Imagine se comer um bombomzinho vai ser ruim... Mas bom mesmo é ver que tem quem respeite sua maneira de ver as coisas e coopere, como outras mães ou até tias que perguntam em voz baixa para só você ouvir se pode dar bala, pirulito e outras guloseimas. Eu delicadamente nunca deixei e sempre expliquei que ele nem sabe o que é! Hoje, continuo não deixando darem porcarias em geral, mas o chocolate...
O doce dos deuses, que mamãe é quase viciada, adoçou a boca do pequeno pela primeira vez quando ele tinha um ano e meio. Antes do planejado, mas adequadamente, eu diria, porque uma amiguinha estava se lambuzando com uma trufa e ofereceu a ele com toda a educação. Vi a vontade de provar a novidade nos olhos dele, e olha que o rapaz detesta experimentar algo novo. Provou, duas ou três mordidas e gostou! Acabou, não chorou e nas outras vezes que comeu um pedacinho, não passou de um pedacinho. Acho que na verdade não era tão delicioso para ele... E até hoje não é, a não ser que me veja comendo uma marca importada que até Deus duvida que é homem que faça aquilo... Ou quando se trata de Bis. Aí ele pede bis.
Então, duas Páscoas já se passaram e nada de ovinho por aqui. Nem outra coisa. A gente simplesmente achou que não precisava. Neste ano, depois da chegada fervorosa do Papai Noel no ano passado, não restam dúvidas de que o coelhinho é muito bem vindo, com chocolate na mochila e tudo. O "tudo" vai ser um brinquedinho escolhido por nada mais nada menos que o garotinho esperto que já entendeu essa coisa de pedir há uns meses e vive dizendo: "Vamos na loja de binquedos compá uma coisa pá mim?". Fomos e escolhemos o que o senhor coelho vai comprar para ele! Ajudamos o pequeno até a escrever cartinha e colocar embaixo da porta! Qualquer semelhança com Natal não é mera coicidência!
Combinado. Esperamos as pegadinhas no chão, a cenoura mordida e o ovo da Páscoa! Mas, é um ovinho do tamanho da palma da minha mão. Não precisa mais que isso, afinal ele só tem dois anos! Eu bem que me entusiasmei quando vi um enorme por um preço bem acessível de promoção, mas depois pensei: "Ele vai comer tudo isso?" ou melhor "Vou deixá-lo comer o ovo inteiro?". Não deixaria e a sensação que me deu foi que eu estaria acostumando mal uma criança que ainda não dá valor a tamanhos... Daria algo que eu teria que esconder e ajudar a comer! Será que ele não iria estranhar o "desaparecimento" do ovão??? Por isso, é ovinho mesmo. Para saborear não só o chocolate, mas a alegria de ganhar o ovo colorido que só o coelhinho traz. Bem, não é só ele, porque muita gente já me perguntou se pode vir com ovinho dessa vez... E eu deixei, desde que sejam ovinhos hein? Porque se não for assim, mamãe vai engordar quatro quilos! E sem culpa... Feliz chocolate!!!
terça-feira, 19 de abril de 2011
Raiva
Não faz muito tempo, Léo estava brincando na brinquedoteca do hotel onde papai trabalha. Um menininho com pouco mais de dois anos, sobre o qual já escrevi e que vou chamar de João, chegou bem no momento em que o meu reizinho ganhava uma bola do Woody, seu personagem de desenho preferido. Sem nem exitar, o garotinho, que já havia empurrado meu filho e o impedido de brincar com algumas coisinhas segundos antes, arrancou a bola da mão dele. Parenteses: o presenteado mal tinha curtido um minuto com a novidade, mas garanto que era só pedir que ele emprestava na hora. Não teve escolha a não ser ficar esperando o que o mal educado iria fazer depois.
O avô do João pegou a bola e devolveu ao dono. Mais uma vez ela foi arrancada das mãos dele, mais uma vez devolvida pelo avô e não por quem devia devolver. Na terceira vez, Léo ficou enfurecido. Baixou a cabecinha, veio para perto de mim e, com os olhos cheios de lágrimas, falou com voz trêmula: "João, vai embora". Ele não estava só triste, mas com raiva, muita raiva. O menino nem ligou e Léo repetiu a mesma frase. Preocupada em meu pequenino estar faltando com educação (imagine só!), disse que não precisava falar assim, que ele podia ensinar ao "amigo" que brinquedo era para brincar junto, e dizer que ele emprestava desde que pedissem. Mas Leleco repetiu de novo e eu me convenci de que não era falta de educação falar o que ele estava sentindo, desde que educadamente, e ele estava fazendo exatamente isso. Sem bater, sem gritar, sem ferir de nenhuma forma. Eu disse: "Tudo bem filho, ele não vai, mas nós podemos ir. Você quer ir embora?". As mãozinhas se entrelaçaram nas minhas e eu nem precisei ouvir a resposta.
A reação do meu filhote diante de um momento de muita raiva me veio à cabeça esses dias em que eu estou precisando lidar com esse mesmo sentimento numa proporção, creio eu, bem maior. Como ensinar os filhos a lidarem com a raiva? O meu me ensinou. Não precisa devolver a agressão, não importa se ela seja física, psicológica ou moral. Não precisa levantar o tom da voz, querendo colocar para fora todo o fogo que queima o coração, e nem se calar, engolindo o que mais tarde nem as enzimas mais potentes criadas em laboratório serão capazes de ajudar a digerir.
Meu filho apenas falou. Se aproximou do seu porto-seguro (mamãe) e expressou o que sentia naquele momento. Pediu calmamente para quem estava o ferindo se afastar. O agressor não se afastou e ele, ao invés de brigar por isso, preferiu tomar a iniciativa de virar as costas. Entenderam como lidar com a raiva? Simplesmente não permitindo que te machuquem mais do que suporta. Uma, duas, três vezes, não importa, desde que seja o seu limite. É preciso falar, chorar, não devolver o que quer que seja, e se afastar caso não escutarem quando pedirmos para se afastarem. Porque há um espaço que é só nosso e é ele que devemos preservar, pois ninguém no mundo tem o direito de invadí-lo, nem para roubar uma bola.
O avô do João pegou a bola e devolveu ao dono. Mais uma vez ela foi arrancada das mãos dele, mais uma vez devolvida pelo avô e não por quem devia devolver. Na terceira vez, Léo ficou enfurecido. Baixou a cabecinha, veio para perto de mim e, com os olhos cheios de lágrimas, falou com voz trêmula: "João, vai embora". Ele não estava só triste, mas com raiva, muita raiva. O menino nem ligou e Léo repetiu a mesma frase. Preocupada em meu pequenino estar faltando com educação (imagine só!), disse que não precisava falar assim, que ele podia ensinar ao "amigo" que brinquedo era para brincar junto, e dizer que ele emprestava desde que pedissem. Mas Leleco repetiu de novo e eu me convenci de que não era falta de educação falar o que ele estava sentindo, desde que educadamente, e ele estava fazendo exatamente isso. Sem bater, sem gritar, sem ferir de nenhuma forma. Eu disse: "Tudo bem filho, ele não vai, mas nós podemos ir. Você quer ir embora?". As mãozinhas se entrelaçaram nas minhas e eu nem precisei ouvir a resposta.
A reação do meu filhote diante de um momento de muita raiva me veio à cabeça esses dias em que eu estou precisando lidar com esse mesmo sentimento numa proporção, creio eu, bem maior. Como ensinar os filhos a lidarem com a raiva? O meu me ensinou. Não precisa devolver a agressão, não importa se ela seja física, psicológica ou moral. Não precisa levantar o tom da voz, querendo colocar para fora todo o fogo que queima o coração, e nem se calar, engolindo o que mais tarde nem as enzimas mais potentes criadas em laboratório serão capazes de ajudar a digerir.
Meu filho apenas falou. Se aproximou do seu porto-seguro (mamãe) e expressou o que sentia naquele momento. Pediu calmamente para quem estava o ferindo se afastar. O agressor não se afastou e ele, ao invés de brigar por isso, preferiu tomar a iniciativa de virar as costas. Entenderam como lidar com a raiva? Simplesmente não permitindo que te machuquem mais do que suporta. Uma, duas, três vezes, não importa, desde que seja o seu limite. É preciso falar, chorar, não devolver o que quer que seja, e se afastar caso não escutarem quando pedirmos para se afastarem. Porque há um espaço que é só nosso e é ele que devemos preservar, pois ninguém no mundo tem o direito de invadí-lo, nem para roubar uma bola.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Mais televisão do que eu gostaria
Meu pequeno assiste mais televisão do que eu planejava. Não gosto, nem incentivo, mas isso acontece. Aconteceu aos poucos. Mesmo eu sendo bem atenciosa e regulando o tempo em frente ao aparelho, mesmo eu tentando entretê-lo com outra coisa. Não foi sempre assim, mas hoje é. E eu quero muito que mude.
A recomendação do novo manual de pediatria é que as crianças não passem mais de duas horas vendo desenhos. Tudo bem que manual é teoria, mas costumo tentar seguir o aconselhável, pelo menos quando eu concordo, e neste caso eu acho que seria o certo mesmo. Porque criança tem que brincar! E o meu lindinho brinca bastante, mas adora umas paradinhas em frente à telinha. A pergunta é: como fazer para ele largar esse hábito? Tem dicas de brincadeiras, me fale. Tem técnicas mirabolantes para os desenhos perderem a graça, me conte. Passa pela mesma situação, compartilhe.
Eu não ligo a TV e o deixo lá. Não é assim e nunca vai ser. Só que eu precisei da magia da Disney, Nickelodeon e outros tantos para cumprir determinadas tarefas. Tudo começou quando Leco tinha quase cinco meses e eu voltei a trabalhar em casa em um freela de três meses. Ele ainda tinha um pouco de cólicas (acredite se quiser!), era mais que adepto do colinho da mamãe, não parava em berço, em carrinho, em nada. Eis que me surge a idéia de colocá-lo em cima de um edredom sobre um tapete de borracha cercado de travesseiros. Era bom para ele rolar para cá e para lá, aprender a ficar de bruços e a se virar, o que ocorreu mesmo, pois depois desta tática de "libertá-lo", seu desenvolvimento foi a galope. Li reportagens que diziam o quanto era bom bebê ficar no "chão". O meu ficou! No entanto, eu precisava de uma ajudinha para poder escrever minhas matérias, pois, além dos mordedores perderem a graça rapidamente, era só eu sentar em frente ao computador que o chororô começava. E foi assim que recorri aos DVDS com desenhos educativos e clipes de musiquinhas lindas. No início ele nem ligava. Agora, se deixar ele liga até a televisão.
A tecnologia me ajudou a trabalhar e quando terminou o trabalho, a passar roupa, cozinhar e cumprir outras missões de mãe em tempo integral, afinal elas não se resumem a paparicar filho. Não tenho babá, nem empregada, optei por deixar meu filho fora da escola até 3 anos e moro longe de todos os familiares. Sou eu e ele o dia todo e só quando o papai chega, o olhar dele sai de mim. Eu amo brincar, amo ficar com ele sentada no quarto escutando músicas infantis, desenhando, montando pecinhas, mas não tem ninguém para fazer por mim o que precisa ser feito além disso, inclusive a comidinha dele. Então, os amiguinhos da TV fazem companhia para o garotinho cheio de energia.
Tem dias que consigo limitar a atividade do sofá a apenas meia hora, tem dias que, somando todos os momentos em que ele senta lá, o resultado dá umas quatro horas. Eu não queria que ele assitisse tanto desenhos quanto assiste e estou tentando reduzir essa jornada. Eu desligo, explico que tem muito brinquedo querendo brincar, mas a babá da cara colorida faz o maior sucesso, inclusive na hora de comer, mesmo que eu tenha lutado contra isso... Quer saber como começou essa parte da história? Quando ele estava dodói ou sem apetite e eu apelava para a distração televisiva! Ainda bem que não há um consenso sobre utilizar a TV para eles comerem melhor. Nem precisa, pois eu tenho certeza que não é o ideal!
Já fui passar roupa e o levei comigo junto com outros caminhõezinhos. Deu certo, mas nem sempre. Já cozinhei dando a ele massinha de pão para brincar de fazer "torta do samurai" igual a que personagens de um desenho que ele mais gosta fazem. Foi uma farra, mas não mais que duas vezes. Ligo músicas, dou massinhas, livrinhos de colorir, monto fazendinhas para só depois ir fazer o que eu preciso, mas percebo que ele se sente sozinho brincando.
Sei que o rapazinho tem que aprender a brincar por conta própria, pois é muito saudável e sei que ele sabe fazer isso, pois faz quando eu menos espero. Mas sinto que às vezes ele me quer mesmo ao lado. Às vezes quase sempre. Talvez porque seja só nós o dia todo. Talvez porque ficou muito tempo grudadinho por causa dos quase seis meses de dorzinha de barriga. Talvez seja a personalidade dele. Talvez seja um período que passa. Talvez seja porque parou de dormir à tarde. Talvez quando for para escolinha mude. Talvez eu tenha escorregado em algum momento e permitido mais do que eu deveria. Talvez eu poderia ter pensado três vezes antes de apertar "ON". Talvez eu consiga apertar o "OFF" mais vezes. Com certeza, vou desligar a TV agora e tentar lidar com esse meu sentimento de culpa.
A recomendação do novo manual de pediatria é que as crianças não passem mais de duas horas vendo desenhos. Tudo bem que manual é teoria, mas costumo tentar seguir o aconselhável, pelo menos quando eu concordo, e neste caso eu acho que seria o certo mesmo. Porque criança tem que brincar! E o meu lindinho brinca bastante, mas adora umas paradinhas em frente à telinha. A pergunta é: como fazer para ele largar esse hábito? Tem dicas de brincadeiras, me fale. Tem técnicas mirabolantes para os desenhos perderem a graça, me conte. Passa pela mesma situação, compartilhe.
Eu não ligo a TV e o deixo lá. Não é assim e nunca vai ser. Só que eu precisei da magia da Disney, Nickelodeon e outros tantos para cumprir determinadas tarefas. Tudo começou quando Leco tinha quase cinco meses e eu voltei a trabalhar em casa em um freela de três meses. Ele ainda tinha um pouco de cólicas (acredite se quiser!), era mais que adepto do colinho da mamãe, não parava em berço, em carrinho, em nada. Eis que me surge a idéia de colocá-lo em cima de um edredom sobre um tapete de borracha cercado de travesseiros. Era bom para ele rolar para cá e para lá, aprender a ficar de bruços e a se virar, o que ocorreu mesmo, pois depois desta tática de "libertá-lo", seu desenvolvimento foi a galope. Li reportagens que diziam o quanto era bom bebê ficar no "chão". O meu ficou! No entanto, eu precisava de uma ajudinha para poder escrever minhas matérias, pois, além dos mordedores perderem a graça rapidamente, era só eu sentar em frente ao computador que o chororô começava. E foi assim que recorri aos DVDS com desenhos educativos e clipes de musiquinhas lindas. No início ele nem ligava. Agora, se deixar ele liga até a televisão.
A tecnologia me ajudou a trabalhar e quando terminou o trabalho, a passar roupa, cozinhar e cumprir outras missões de mãe em tempo integral, afinal elas não se resumem a paparicar filho. Não tenho babá, nem empregada, optei por deixar meu filho fora da escola até 3 anos e moro longe de todos os familiares. Sou eu e ele o dia todo e só quando o papai chega, o olhar dele sai de mim. Eu amo brincar, amo ficar com ele sentada no quarto escutando músicas infantis, desenhando, montando pecinhas, mas não tem ninguém para fazer por mim o que precisa ser feito além disso, inclusive a comidinha dele. Então, os amiguinhos da TV fazem companhia para o garotinho cheio de energia.
Tem dias que consigo limitar a atividade do sofá a apenas meia hora, tem dias que, somando todos os momentos em que ele senta lá, o resultado dá umas quatro horas. Eu não queria que ele assitisse tanto desenhos quanto assiste e estou tentando reduzir essa jornada. Eu desligo, explico que tem muito brinquedo querendo brincar, mas a babá da cara colorida faz o maior sucesso, inclusive na hora de comer, mesmo que eu tenha lutado contra isso... Quer saber como começou essa parte da história? Quando ele estava dodói ou sem apetite e eu apelava para a distração televisiva! Ainda bem que não há um consenso sobre utilizar a TV para eles comerem melhor. Nem precisa, pois eu tenho certeza que não é o ideal!
Já fui passar roupa e o levei comigo junto com outros caminhõezinhos. Deu certo, mas nem sempre. Já cozinhei dando a ele massinha de pão para brincar de fazer "torta do samurai" igual a que personagens de um desenho que ele mais gosta fazem. Foi uma farra, mas não mais que duas vezes. Ligo músicas, dou massinhas, livrinhos de colorir, monto fazendinhas para só depois ir fazer o que eu preciso, mas percebo que ele se sente sozinho brincando.
Sei que o rapazinho tem que aprender a brincar por conta própria, pois é muito saudável e sei que ele sabe fazer isso, pois faz quando eu menos espero. Mas sinto que às vezes ele me quer mesmo ao lado. Às vezes quase sempre. Talvez porque seja só nós o dia todo. Talvez porque ficou muito tempo grudadinho por causa dos quase seis meses de dorzinha de barriga. Talvez seja a personalidade dele. Talvez seja um período que passa. Talvez seja porque parou de dormir à tarde. Talvez quando for para escolinha mude. Talvez eu tenha escorregado em algum momento e permitido mais do que eu deveria. Talvez eu poderia ter pensado três vezes antes de apertar "ON". Talvez eu consiga apertar o "OFF" mais vezes. Com certeza, vou desligar a TV agora e tentar lidar com esse meu sentimento de culpa.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Anestesia
Sabe quando o céu resolve despencar sobre a sua cabeça? Quando nada parece sair como quer? Quando o sol aparece e a única cor que você enxerga é cinza? Tenho certeza que você sabe. Que, em algum momento, já sentiu isso, afinal problemas são normais. Mas, se é mãe, deve ter tirado forças daquela fonte capaz de te fortalecer como nenhuma outra. Filhos.
Eles, com seus olhinhos brilhantes, inocentes e felizes mesmo em tardes literalmente cinzas, nos dão toda a energia para seguir adiante. Mesmo sem saber, eles são bichinhos fortes, capazes de muito mais do que podem vir a imaginar um dia.
Lembro da minha mãe, em períodos dificílimos para ela, sorrindo mesmo triste. Trabalhando mesmo sem ânimo. O rosto não me escondia, mas ela estava brincando, conversando, lutando. Quem não lembra da sua? E dos pais também. Eles lutam, reagem, criam força, viram homens pelos filhos. Lembro do meu fazer tudo por mim quando eu precisei. Sempre esteve lá. Sempre vai estar.
Quando se tem filhos você aprende a ressurgir das cinzas, a não desabar, a permanecer de pé. Me desmintam se puderem e concordem se quiserem. Se você tem um filhote até a dor é diferente, não importa qual seja ela. Você se anestesia. Melhor remédio não há.
Eles, com seus olhinhos brilhantes, inocentes e felizes mesmo em tardes literalmente cinzas, nos dão toda a energia para seguir adiante. Mesmo sem saber, eles são bichinhos fortes, capazes de muito mais do que podem vir a imaginar um dia.
Lembro da minha mãe, em períodos dificílimos para ela, sorrindo mesmo triste. Trabalhando mesmo sem ânimo. O rosto não me escondia, mas ela estava brincando, conversando, lutando. Quem não lembra da sua? E dos pais também. Eles lutam, reagem, criam força, viram homens pelos filhos. Lembro do meu fazer tudo por mim quando eu precisei. Sempre esteve lá. Sempre vai estar.
Quando se tem filhos você aprende a ressurgir das cinzas, a não desabar, a permanecer de pé. Me desmintam se puderem e concordem se quiserem. Se você tem um filhote até a dor é diferente, não importa qual seja ela. Você se anestesia. Melhor remédio não há.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Todos os dias (blogagem coletiva)
Todos sabem que existe uma diferença gritante entre o ideal e o real. Em qualquer esfera da vida, criar expectativas é quase um rito de passagem, do hoje para o amanhã. Seja na rotina profissional, na relação conjugal, familiar ou de amizade, há uma enorme vontade de que tudo seja perfeito ou, ao menos, perto de como sonhamos. Planejar uma festa de casamento, por exemplo, muitas vezes mais parece assinar um contrato com buffet, costureira, padre, banda e outros tantos de que o seu casamento será tão lindo como aquela comemoração. Nada pode sair do planejado hein?
Expectativa faz parte da vida e, quando o assunto é maternidade, ela se torna ainda mais presente. Queremos ser as melhores mães. Idealizamos desde novinhas e, ao ver a carinha mais linda, exigimos isso de nós mesmas todos os dias. Assim, perfeccionismo, cobrança, crítica, auto-crítica e, principalmente, sentimento de culpa, se tornam moradores da nossa alma.
Se quer saber, isso não é ruim. É amor. É o maior amor que se pode experimentar. Incondicional. De quem deu à vida a alguém e chega a dever sua vida a esse mesmo alguém. Um sentimento tão forte que nos faz querer aproximar ainda mais o ideal do real. Nos faz conseguir fantasiar mais do que quando brincávamos de boneca. E com todas as pessoas do lado de fora da casinha de boneca assistindo a tudo. Não dá para fechar a portinha. Toda a sociedade participa, exigindo de inúmeras formas que sejamos boas mães, não apenas como queremos, mas como mandam manuais escritos por aí. Isso não é brincadeira! É realidade.
A fantasia é achar que por você ser a mãe, ninguém vai poder dar palpite, realidade é escutar conselhos amigos a todo momento. Fantasia é achar que tal receita de comadre funciona com seu filho, realidade é ter a certeza de que só funciona com o filho dela. Fantasia é querer praticar o recomendado de engordar no máximo 12 quilos na gravidez, realidade é engordar mais e mais se esforçando para ser menos e menos. Fantasia é achar que o bebê mamará logo ali na sala de parto (como aconselham hoje em dia), realidade é que ninguém perguntou se ele está com fome. Fantasia é achar que cólica é só até os três meses, realidade é rezar para ela passar quando o neném já tem mais de quatro. Para resumir, fantasia é achar que a perfeição nasce junto com o seu filho, a realidade, conhecida por todas nós, nem preciso falar.
Mas, temos que lembrar que o ideal pode virar realidade e que, por incrível que pareça, muitas vezes a realidade supera o que idealizamos. O parto normal pode acontecer e ainda melhor do que imaginávamos. O filho pode ser super bem educado, mais do que esperávamos. O marido pode se mostrar participativo, a chupeta pode ser jogada fora antes do planejado e a adapatação na escolinha pode mesmo ser fácil.
Surpeenda-se! A maternidade surpreende. Ela é muito mais do que todas nós idealizávamos, e de uma forma positiva. Indescritível. Apesar das dificuldades diárias, dos tropeços, do cansaço, das noites pessimamente dormidas, tudo é melhor do que poderíamos imaginar. Nem sempre conseguimos dar a papinha deliciosa que preparamos, tirar a fralda também não é simples, assim como aprender a dizer não e fazê-lo funcionar na hora em que é mais preciso. Mas quem disse que isso é ruim? Frustra, preocupa, cansa, mas, por outro lado, nos ensina tanta coisa! Ensina, por exemplo, que felicidade está em pequenas grandes coisas. Feliz de quem vê o filho sair de uma febre, de quem recebe um carinho de mãozinhas pequenas ao acordar, de quem descobre uma fruta adorada como chocolate, de quem acorda no meio da madrugada escutando "mamãezinha", de quem vê sorrisos e mais sorrisos sem motivos para você...
Garanto que nenhuma mãe sã trocaria sua rotina agitada e cansativa pelo sossego de um dia a dia sem filhos. Futuras mamães, ser mãe está longe de ser um conto de fadas. Podem parar de sonhar. A vida real é muito melhor! A maternidade real é a experiência mais maravilhosa que uma mulher pode viver e a única que, com certeza, a tornará uma pessoa melhor. Para nós, o único ideal é ser a melhor mãe do mundo! O real é fazer de tudo para conseguir. E dá para conseguir, porque só de tentar com tanto amor e dedicação, que filho não irá achar isso? A melhor mãe do mundo é a real, aquela que dá tudo de si, que erra, aprende, lê, pesquisa métodos, cria os seus próprios, se esforça sem fazer força. A melhor mãe do mundo é a que, simplesmente, tenta ser uma mãe melhor todos os dias da sua vida. E, sendo bem realista, dá para não tentar algum dia?
- Esse texto faz parte da blogagem coletiva sobre maternidade real, proposta por Carol Passuelo e que deveria ser publicado no dia 08. Só não foi devido à nada além da realidade materna...
Expectativa faz parte da vida e, quando o assunto é maternidade, ela se torna ainda mais presente. Queremos ser as melhores mães. Idealizamos desde novinhas e, ao ver a carinha mais linda, exigimos isso de nós mesmas todos os dias. Assim, perfeccionismo, cobrança, crítica, auto-crítica e, principalmente, sentimento de culpa, se tornam moradores da nossa alma.
Se quer saber, isso não é ruim. É amor. É o maior amor que se pode experimentar. Incondicional. De quem deu à vida a alguém e chega a dever sua vida a esse mesmo alguém. Um sentimento tão forte que nos faz querer aproximar ainda mais o ideal do real. Nos faz conseguir fantasiar mais do que quando brincávamos de boneca. E com todas as pessoas do lado de fora da casinha de boneca assistindo a tudo. Não dá para fechar a portinha. Toda a sociedade participa, exigindo de inúmeras formas que sejamos boas mães, não apenas como queremos, mas como mandam manuais escritos por aí. Isso não é brincadeira! É realidade.
A fantasia é achar que por você ser a mãe, ninguém vai poder dar palpite, realidade é escutar conselhos amigos a todo momento. Fantasia é achar que tal receita de comadre funciona com seu filho, realidade é ter a certeza de que só funciona com o filho dela. Fantasia é querer praticar o recomendado de engordar no máximo 12 quilos na gravidez, realidade é engordar mais e mais se esforçando para ser menos e menos. Fantasia é achar que o bebê mamará logo ali na sala de parto (como aconselham hoje em dia), realidade é que ninguém perguntou se ele está com fome. Fantasia é achar que cólica é só até os três meses, realidade é rezar para ela passar quando o neném já tem mais de quatro. Para resumir, fantasia é achar que a perfeição nasce junto com o seu filho, a realidade, conhecida por todas nós, nem preciso falar.
Mas, temos que lembrar que o ideal pode virar realidade e que, por incrível que pareça, muitas vezes a realidade supera o que idealizamos. O parto normal pode acontecer e ainda melhor do que imaginávamos. O filho pode ser super bem educado, mais do que esperávamos. O marido pode se mostrar participativo, a chupeta pode ser jogada fora antes do planejado e a adapatação na escolinha pode mesmo ser fácil.
Surpeenda-se! A maternidade surpreende. Ela é muito mais do que todas nós idealizávamos, e de uma forma positiva. Indescritível. Apesar das dificuldades diárias, dos tropeços, do cansaço, das noites pessimamente dormidas, tudo é melhor do que poderíamos imaginar. Nem sempre conseguimos dar a papinha deliciosa que preparamos, tirar a fralda também não é simples, assim como aprender a dizer não e fazê-lo funcionar na hora em que é mais preciso. Mas quem disse que isso é ruim? Frustra, preocupa, cansa, mas, por outro lado, nos ensina tanta coisa! Ensina, por exemplo, que felicidade está em pequenas grandes coisas. Feliz de quem vê o filho sair de uma febre, de quem recebe um carinho de mãozinhas pequenas ao acordar, de quem descobre uma fruta adorada como chocolate, de quem acorda no meio da madrugada escutando "mamãezinha", de quem vê sorrisos e mais sorrisos sem motivos para você...
Garanto que nenhuma mãe sã trocaria sua rotina agitada e cansativa pelo sossego de um dia a dia sem filhos. Futuras mamães, ser mãe está longe de ser um conto de fadas. Podem parar de sonhar. A vida real é muito melhor! A maternidade real é a experiência mais maravilhosa que uma mulher pode viver e a única que, com certeza, a tornará uma pessoa melhor. Para nós, o único ideal é ser a melhor mãe do mundo! O real é fazer de tudo para conseguir. E dá para conseguir, porque só de tentar com tanto amor e dedicação, que filho não irá achar isso? A melhor mãe do mundo é a real, aquela que dá tudo de si, que erra, aprende, lê, pesquisa métodos, cria os seus próprios, se esforça sem fazer força. A melhor mãe do mundo é a que, simplesmente, tenta ser uma mãe melhor todos os dias da sua vida. E, sendo bem realista, dá para não tentar algum dia?
- Esse texto faz parte da blogagem coletiva sobre maternidade real, proposta por Carol Passuelo e que deveria ser publicado no dia 08. Só não foi devido à nada além da realidade materna...
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Animal sim, máquina de parir nunca
Parto normal. Desde sempre esse foi meu sonho quando chegasse a hora de ter filhos. Minha mãe deve ter parcela nisso, pois deu a luz a cinco, todos vindos ao mundo assim. Minha irmã teve um casal da mesma forma. Lindo, para mim é lindo. A maneira mais clara de enxergar como a natureza existe e é perfeita.
Mas muita gente prefere ignorar o natural e partir logo para o artificial. Perdem muito por fazê-lo. Ao contrário do que dizem por aí, a cesárea não é mais fácil, é mais difícil. Para a mulher, que costuma ter um processo de recuperação mais lento e doloroso, e para o bebê, que, entre outras coisas, não entra em contato com bactérias boas para seu sistema imunológico presentes, sim, na vagina da parturiente.
Há outras tantas razões pela qual o parto normal (com ou sem anestesia) é mais indicado. Eu não vou discutir nenhuma delas. Apenas contar a minha história. Não para meu filho, pois para ele contarei pessoalmente e com mais detalhes, mas para outras futuras mamães que estão longe não só de mim, mas da melhor coisa que pode acontecer a elas. Para, talvez, encorajá-las a passar pela experiência mais incrível e que só elas podem passar. E que fique claro a todas: a mulher que tem parto normal não é melhor que a que não tem, é o parto normal que é melhor para ela, e para o filho.
Não é justo julgar quem acaba tendo que passar pela cesárea, afinal há inúmeras razões médicas para que isso aconteça, o que não diminui nenhuma mãe. Mas sei que há muitas mulheres que acabam sendo convencidas pelos médicos a se submeter à cirurgia sem precisar. Muitos, se não inventam desculpas convincentes e fora do alcance do conhecimento leigo da gestante, influenciam a paciente em um momento de fragilidade dela. Outros nem precisam, pois já encontram no medo e na falta de informação da mãe o eco para sua fala.
Falo isso porque cheguei a ter uma pequena experiência com um obstetra, escutei inúmeros relatos do que falei acima e já produzi uma reportagem sobre o tema, com direito a depoimento de médico renomado dizendo o quanto a mulher pode e deve passar pelo natural e o quanto profissionais de saúde dificultam essa "passagem". Já falei com doulas, com psicólogas, obstetras e mães que trocaram de médico mesmo estando no fim da gestação em busca de um tratamento mais humano e respeitoso.
Quando eu engravidei, a primeira idéia que me passou em mente na hora de escolher o obstetra foi a disposição dele em realizar partos normais, pois sempre soube que a maioria se sente confortável em agendar a vinda ao mundo de quem não marcou horário para chegar. Tanto foi que mudei de médico, pois ouvi deste primeiro algo como: "Ah, quase todos os partos que faço são cesáreas, é mais fácil né Aninha?". Já o segundo profissional que procurei eu sabia que era a favor do normal, pois tinha realizado dois só na minha família. E, no consultório dele, cheguei logo dizendo que era esse o motivo de eu estar ali. Pronto, foi o começo.
Li e reli muito, em livros, na Internet, em revistas. Fiz Yoga desde o quinto mês, caminhei e conversei muito com meu filho quando ele estava aqui dentro. Muitas pessoas me diziam para mentalizar de maneira positiva e eu mentalizava, imaginando a cena da forma como eu queria, priorizando a minha imagem bem tranquila e sem dor.
É claro que tive medo do parto. Muito. Ficava ansiosa, falava disso o tempo todo a ponto de meu marido dizer que eu não precisava me preocupar. A resposta? "É porque não é você que vai passar por isso!". Eu tinha receio da anestesia, mais do que de qualquer outra coisa. A dor eu nem conseguia imaginar, então insistia com o médico em não ser anestesiada. Ele disse que eu tomaria a decisão, mas que não tinha razões para eu sentir dor. Esse assunto deixei para a hora do vamos que vamos, afinal há muitas coisas que não há como prever.
Me preparei para o parto normal, mas também tentei me preparar para a possibilidade de não poder ser assim. Escutei histórias de mulheres que não conseguiram e uma delas me disse que ficou muito frustrada. Por isso, eu ao menos tentava pensar que se não desse era porque não era para ser. Mas preciso admitir que eu não estava preparada para não ser.
No final da gravidez, lá pela trigésima oitava semana, sentia "lá embaixo" se abrindo enquanto eu andava, mas não sentia mais nada, nem aquelas contrações de "treininho". Mas passei uma semana com intestino solto, sintoma de trabalho de parto para algumas mulheres. Na sexta-feira, passei a madrugada com dor de barriga. Até as 5 da manhã sofri quieta porque achava que eram só cólicas intestinais, até que percebi a barriga ficando dura. Chamei meu marido, que queria me levar para a maternidade, já que ficava a uma hora de nossa casa. Tentei esperar para ver se era mesmo o caso e... vomitei! Aí ligamos para o médico e ele pediu que fossemos para a maternidade.
No caminho, contrações a cada cinco minutos! Uma dor que aumentava conforme meu nervoso. Respiração de Yoga. Chegamos. Me levaram para examinar e eu estava com um dedo de dilatação. Fui para o quarto, mais calma e com quase nada de dor. Médico pediu para eu continuar marcando as contrações e eu marquei, o que mostrou que elas vinham, mas não duravam o suficiente para "empurrar" meu bebê lá para baixo. Mais exames para saber se o feto estava em sofrimento e ele não estava.
Fim de tarde, contrações fracas, pouca dor nas costas e a pergunta se eu queria induzir o parto. Eu, preocupada em acabar fazendo cesárea, perguntei logo: "Ai, doutor, você tá querendo cortar minha barriga né?". Ele, um amor de profissional e ser humano, me explicou que não, que a decisão era minha. Eu, preocupada se a minha insistência poderia causar algum dano ao neném, perguntei se isso podia de fato acontecer. O obstetra, todo paciente, sentado na maca ao meu lado, disse que ele não me daria chance de escolha se a vida do Léo estivesse em risco. E conversou comigo mais um pouco, me tranquilizando, explicando que eu podia voltar para a casa e esperar a hora. Voltei. Saí do quarto com a sensação de que eu havia falhado, ou melhor, de que eu ainda não tinha obtido o que eu queria do jeito que eu queria. Poxa, todos saindo com bebê nos braços e nós com as malas intactas e mais um cabide da mãe exageradamente preparada! Foi até engraçado...
Fiquei mais uma semana na casa da minha mãe, mais próxima do hospital, sem dor, sem nem contrações fracas, só com a vontade de ver a carinha do bebê. Diziam que eu era corajosa, outros que teriam feito logo a cesárea. Eu estava mais do que certa que era para esperar. Sexta-feira seguinte, consulta e constação de que estava com quatro para cinco centímetros de dilatação, só que ainda não havia o encaixe. Surgiu a pergunta se eu queria tentar induzir. Surgiu a resposta, depois de mais e mais perguntas, que eu queria sim. A ansiedade era imensa, o marido estava há uma semana longe e eu senti que ia ser naquele dia. Médico me deu muitas certezas de que o normal viria. Talvez se fosse hoje eu esperaria ainda mais para tudo acontecer naturalmente mesmo. Talvez eu teria mais paciência, menos ansiedade. Mas eu fui para a maternidade, como se fosse cesárea, sem dor, sem bolsa rompida.
Cheguei por voltas das três da tarde, me instalei e fui logo tomando a oxitocina para induzir. Não fez nem cócegas. Médico vem examina, volta, vem examina de novo, volta e me diz que vamos para a sala de parto, pois já tinha mais dilatação (acho que sete). Pelo meu ritmo, ainda iria demorar mais e, por isso, o obstetra disse que era melhor eu tomar anestesia. Isso faria o colo do útero relaxar e, junto com o rompimento da bolsa, faria o "preguiçoso" descer. Foi o que aconteceu. Depois da anestesia (tranquila e sem razões para meu medo), o médico rompeu a bolsa e ficou lá sentado esperando. Aí sim eu senti dores, contrações fortes. Porque a anestesia não foi em grandes doses, um pedido meu e do meu médico, que me conhecia e queria que eu sentisse as contrações e soubesse quando deveria empurrar. O anestesista até perguntou se eu precisava de mais e eu não precisei. Respirava fundo, conversava com meu pequeno pelo pensamento e tinha a certeza de que tudo iria dar certo.
O obstetra me pediu para fazer força para ver se já era a hora. Era. Mais alguns empurrões e, antes das 22 horas, nasceu. Sem palavras para descrever o momento em que o mundo para. O momento mais mágico, feliz e divino da vida. Minha vida. Vida do filhinho que chega. Vida! Parto normal, calmo, sem muita dor, feliz. O depois foi tão tranquilo quanto o durante. A episiotomia, que foi necessária segundo o médico, doeu nos dias seguintes, mas não precisei nem de anti-inflamatório. Tudo volta ao normal muito rápido quando se tem normal.
Tenho que dizer que conheço mulheres que tiveram cesárea e se recuperaram de maneira perfeita, que não passaram problemas e que receberam nos braços filhos lindos, saudáveis e nem um pouco "amassados". Conheço também quem tenha tido parto natural mesmo, sem anestesia, com dores suportáveis e sem necessidade de nenhum cortinho. Cada uma tem seu corpo, sua história, suas crenças, seu marido, seu médico. Mas todas sabem que o corpo da mulher é capaz de se transformar para abrigar um novo ser humano e, por isso, todas devem acreditar que, da mesma forma, este mesmo corpo também é capaz de ir além para parir.
Parto humanizado? Nunca deixamos de ser seres humanos, mas se é preciso rotular o tratamento médico que iremos receber para sermos tratadas como merecemos, está ótima a definição. Só prefiro dizer parto como a natureza quer. Só se ela não quiser facilitar, é que a ciência deve ajudar. Só se precisar, corta a barriga ou a vagina. Só se houver necessidade, anestesia. Só se o bebê nascer com problemas ele não vai direto para o colo da mãe. Só se o pai não tiver coragem não corta o cordão umbilical. Só se. Caso contrário, deixa a natureza agir. Ela sabe o que faz. E ela não quer nada que se distancie do humano, do ser humano, mesmo que haja a intervenção dele no episódio mais animal da vida.
Mas muita gente prefere ignorar o natural e partir logo para o artificial. Perdem muito por fazê-lo. Ao contrário do que dizem por aí, a cesárea não é mais fácil, é mais difícil. Para a mulher, que costuma ter um processo de recuperação mais lento e doloroso, e para o bebê, que, entre outras coisas, não entra em contato com bactérias boas para seu sistema imunológico presentes, sim, na vagina da parturiente.
Há outras tantas razões pela qual o parto normal (com ou sem anestesia) é mais indicado. Eu não vou discutir nenhuma delas. Apenas contar a minha história. Não para meu filho, pois para ele contarei pessoalmente e com mais detalhes, mas para outras futuras mamães que estão longe não só de mim, mas da melhor coisa que pode acontecer a elas. Para, talvez, encorajá-las a passar pela experiência mais incrível e que só elas podem passar. E que fique claro a todas: a mulher que tem parto normal não é melhor que a que não tem, é o parto normal que é melhor para ela, e para o filho.
Não é justo julgar quem acaba tendo que passar pela cesárea, afinal há inúmeras razões médicas para que isso aconteça, o que não diminui nenhuma mãe. Mas sei que há muitas mulheres que acabam sendo convencidas pelos médicos a se submeter à cirurgia sem precisar. Muitos, se não inventam desculpas convincentes e fora do alcance do conhecimento leigo da gestante, influenciam a paciente em um momento de fragilidade dela. Outros nem precisam, pois já encontram no medo e na falta de informação da mãe o eco para sua fala.
Falo isso porque cheguei a ter uma pequena experiência com um obstetra, escutei inúmeros relatos do que falei acima e já produzi uma reportagem sobre o tema, com direito a depoimento de médico renomado dizendo o quanto a mulher pode e deve passar pelo natural e o quanto profissionais de saúde dificultam essa "passagem". Já falei com doulas, com psicólogas, obstetras e mães que trocaram de médico mesmo estando no fim da gestação em busca de um tratamento mais humano e respeitoso.
Quando eu engravidei, a primeira idéia que me passou em mente na hora de escolher o obstetra foi a disposição dele em realizar partos normais, pois sempre soube que a maioria se sente confortável em agendar a vinda ao mundo de quem não marcou horário para chegar. Tanto foi que mudei de médico, pois ouvi deste primeiro algo como: "Ah, quase todos os partos que faço são cesáreas, é mais fácil né Aninha?". Já o segundo profissional que procurei eu sabia que era a favor do normal, pois tinha realizado dois só na minha família. E, no consultório dele, cheguei logo dizendo que era esse o motivo de eu estar ali. Pronto, foi o começo.
Li e reli muito, em livros, na Internet, em revistas. Fiz Yoga desde o quinto mês, caminhei e conversei muito com meu filho quando ele estava aqui dentro. Muitas pessoas me diziam para mentalizar de maneira positiva e eu mentalizava, imaginando a cena da forma como eu queria, priorizando a minha imagem bem tranquila e sem dor.
É claro que tive medo do parto. Muito. Ficava ansiosa, falava disso o tempo todo a ponto de meu marido dizer que eu não precisava me preocupar. A resposta? "É porque não é você que vai passar por isso!". Eu tinha receio da anestesia, mais do que de qualquer outra coisa. A dor eu nem conseguia imaginar, então insistia com o médico em não ser anestesiada. Ele disse que eu tomaria a decisão, mas que não tinha razões para eu sentir dor. Esse assunto deixei para a hora do vamos que vamos, afinal há muitas coisas que não há como prever.
Me preparei para o parto normal, mas também tentei me preparar para a possibilidade de não poder ser assim. Escutei histórias de mulheres que não conseguiram e uma delas me disse que ficou muito frustrada. Por isso, eu ao menos tentava pensar que se não desse era porque não era para ser. Mas preciso admitir que eu não estava preparada para não ser.
No final da gravidez, lá pela trigésima oitava semana, sentia "lá embaixo" se abrindo enquanto eu andava, mas não sentia mais nada, nem aquelas contrações de "treininho". Mas passei uma semana com intestino solto, sintoma de trabalho de parto para algumas mulheres. Na sexta-feira, passei a madrugada com dor de barriga. Até as 5 da manhã sofri quieta porque achava que eram só cólicas intestinais, até que percebi a barriga ficando dura. Chamei meu marido, que queria me levar para a maternidade, já que ficava a uma hora de nossa casa. Tentei esperar para ver se era mesmo o caso e... vomitei! Aí ligamos para o médico e ele pediu que fossemos para a maternidade.
No caminho, contrações a cada cinco minutos! Uma dor que aumentava conforme meu nervoso. Respiração de Yoga. Chegamos. Me levaram para examinar e eu estava com um dedo de dilatação. Fui para o quarto, mais calma e com quase nada de dor. Médico pediu para eu continuar marcando as contrações e eu marquei, o que mostrou que elas vinham, mas não duravam o suficiente para "empurrar" meu bebê lá para baixo. Mais exames para saber se o feto estava em sofrimento e ele não estava.
Fim de tarde, contrações fracas, pouca dor nas costas e a pergunta se eu queria induzir o parto. Eu, preocupada em acabar fazendo cesárea, perguntei logo: "Ai, doutor, você tá querendo cortar minha barriga né?". Ele, um amor de profissional e ser humano, me explicou que não, que a decisão era minha. Eu, preocupada se a minha insistência poderia causar algum dano ao neném, perguntei se isso podia de fato acontecer. O obstetra, todo paciente, sentado na maca ao meu lado, disse que ele não me daria chance de escolha se a vida do Léo estivesse em risco. E conversou comigo mais um pouco, me tranquilizando, explicando que eu podia voltar para a casa e esperar a hora. Voltei. Saí do quarto com a sensação de que eu havia falhado, ou melhor, de que eu ainda não tinha obtido o que eu queria do jeito que eu queria. Poxa, todos saindo com bebê nos braços e nós com as malas intactas e mais um cabide da mãe exageradamente preparada! Foi até engraçado...
Fiquei mais uma semana na casa da minha mãe, mais próxima do hospital, sem dor, sem nem contrações fracas, só com a vontade de ver a carinha do bebê. Diziam que eu era corajosa, outros que teriam feito logo a cesárea. Eu estava mais do que certa que era para esperar. Sexta-feira seguinte, consulta e constação de que estava com quatro para cinco centímetros de dilatação, só que ainda não havia o encaixe. Surgiu a pergunta se eu queria tentar induzir. Surgiu a resposta, depois de mais e mais perguntas, que eu queria sim. A ansiedade era imensa, o marido estava há uma semana longe e eu senti que ia ser naquele dia. Médico me deu muitas certezas de que o normal viria. Talvez se fosse hoje eu esperaria ainda mais para tudo acontecer naturalmente mesmo. Talvez eu teria mais paciência, menos ansiedade. Mas eu fui para a maternidade, como se fosse cesárea, sem dor, sem bolsa rompida.
Cheguei por voltas das três da tarde, me instalei e fui logo tomando a oxitocina para induzir. Não fez nem cócegas. Médico vem examina, volta, vem examina de novo, volta e me diz que vamos para a sala de parto, pois já tinha mais dilatação (acho que sete). Pelo meu ritmo, ainda iria demorar mais e, por isso, o obstetra disse que era melhor eu tomar anestesia. Isso faria o colo do útero relaxar e, junto com o rompimento da bolsa, faria o "preguiçoso" descer. Foi o que aconteceu. Depois da anestesia (tranquila e sem razões para meu medo), o médico rompeu a bolsa e ficou lá sentado esperando. Aí sim eu senti dores, contrações fortes. Porque a anestesia não foi em grandes doses, um pedido meu e do meu médico, que me conhecia e queria que eu sentisse as contrações e soubesse quando deveria empurrar. O anestesista até perguntou se eu precisava de mais e eu não precisei. Respirava fundo, conversava com meu pequeno pelo pensamento e tinha a certeza de que tudo iria dar certo.
O obstetra me pediu para fazer força para ver se já era a hora. Era. Mais alguns empurrões e, antes das 22 horas, nasceu. Sem palavras para descrever o momento em que o mundo para. O momento mais mágico, feliz e divino da vida. Minha vida. Vida do filhinho que chega. Vida! Parto normal, calmo, sem muita dor, feliz. O depois foi tão tranquilo quanto o durante. A episiotomia, que foi necessária segundo o médico, doeu nos dias seguintes, mas não precisei nem de anti-inflamatório. Tudo volta ao normal muito rápido quando se tem normal.
Tenho que dizer que conheço mulheres que tiveram cesárea e se recuperaram de maneira perfeita, que não passaram problemas e que receberam nos braços filhos lindos, saudáveis e nem um pouco "amassados". Conheço também quem tenha tido parto natural mesmo, sem anestesia, com dores suportáveis e sem necessidade de nenhum cortinho. Cada uma tem seu corpo, sua história, suas crenças, seu marido, seu médico. Mas todas sabem que o corpo da mulher é capaz de se transformar para abrigar um novo ser humano e, por isso, todas devem acreditar que, da mesma forma, este mesmo corpo também é capaz de ir além para parir.
Parto humanizado? Nunca deixamos de ser seres humanos, mas se é preciso rotular o tratamento médico que iremos receber para sermos tratadas como merecemos, está ótima a definição. Só prefiro dizer parto como a natureza quer. Só se ela não quiser facilitar, é que a ciência deve ajudar. Só se precisar, corta a barriga ou a vagina. Só se houver necessidade, anestesia. Só se o bebê nascer com problemas ele não vai direto para o colo da mãe. Só se o pai não tiver coragem não corta o cordão umbilical. Só se. Caso contrário, deixa a natureza agir. Ela sabe o que faz. E ela não quer nada que se distancie do humano, do ser humano, mesmo que haja a intervenção dele no episódio mais animal da vida.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
O valor de uma vida
Uma menininha de 1 ano e 3 meses. Diagnosticada com pneumonia em um pronto socorro, internada há quatro dias com um estado de saúde que só piora. Uma equipe de reportagem do canal mais assitido da TV aberta chega para produzir uma matéria sobre o atendimento nos hospitais brasileiros. Neste, em Belém, falta leito na UTI infantil. Falta mais. Falta amor pela vida.
Quando os repórteres chegaram, a mãe só chorava e a menina estava com dificuldade para respirar perceptível no vídeo, a ponto de parecer que já estava indo para outro lugar. Cena de chorar. Chorei compulsivamente e tenho vontade de derramar mais e mais lágrimas ao lembrar do que vi na tela da televisão. A mãe, desesperada, já não sabia o que fazer e apelava para a repórter, explicando tudo que estava acontecendo. A profissional parecia não estar acreditando no que estava vendo a ponto de demonstrar medo de presenciar o que viria depois.
Uma pediatra foi chamada de outro hospital, pois naquele não havia. Ela dizia que tinha que entubar a criança naquele momento. Não tinha como. Não tinha leito, não tinha nada. Mas a reportagem estava acontecendo e não podiam deixar de fazer algo certo? Foi assim que ocorreu uma mobilização de última hora para tentar salvar o anjinho moreno que estava a caminho do céu. Conseguiram improvisar uma UTI e entubaram a garota, mas tarde demais. Ela se foi. E, dias depois, chega um exame de sangue revelando que ela teve mais que pneumonia, teve leishmaniose visceral, doença grave, transmitida por animais e que deve ser comunicada às autoridades de saúde.
Agora me diz, Deus, presidente (que é mulher e mãe), governador, prefeito, diretor do hospital, médicos ou quem puder: em que país vivemos? Como deixam um hospital chegar ao ponto que estava aquele e muitos outros espalhados pelo território nacional? E olha que o deste caso fica na capital de um estado! Como ninguém faz nada para que não aconteçam coisas assim? Como é possível não se sensibilizar com essa e outras tantas histórias absurdas e tristes resultantes da falta de infra-estrutura, do desvio de verba e de puro descaso? Não imaginavam que isso poderia acontecer? Pois acontece e deve acontecer muito mais do que podemos imaginar. Só em uma sexta-feira, um programa de televisão mostrou esse e e muitos outros casos de morte por falta de atendimento.
E onde estão os cidadãos? Os eleitores? Os que se reúnem em milhões para votar na final de um reality show? Os que se mobilizam por causas estudantis? Os que dormem em filas por mais de uma semana para assitir a um show internacional? Onde está a população que foi em peso dar adeus ao ex vice-presidente que morreu cercado pelos melhores especialistas? Onde estão os direitos humanos? Onde estamos nós? Na selva seria melhor...
Eu precisei escrever sobre isso. Preciso chamar a atenção de mães e pais que, assim como eu, vivem no conforto do seu lar e levam os filhos ao atendimento de saúde particular, que podem pagar convênio médico, que não conseguem nem imaginar algo assim. Eu, dentro da minha sala, no início de um final de semana, tentando relaxar, me vi aflita, aos prantos, com dor de estômago, com insônia. Mas eu estava confortavelmente instalada no sofá de casa com meu filho bem, dormindo tranquilamente no quarto. E quem está no corredor de um pronto socorro neste momento lutando por um filho que não está nada bem?
Adultos, crianças e bebês morrem por causa de pessoas que esqueceram o valor de uma vida. Esqueceram que podia ser a filhinha deles ali. E se fosse, fariam muito mais. Se fosse, nem ali internariam. Frieza. Tristeza. Sofri por essa mãe que perdeu sua princesinha. Sofri por essa menininha linda, que sofreu muito antes de ir embora sem quase ninguém se importar. Que perdeu a vida por causa de pessoas que só se importam com a própria vida. Que não teve conforto de nenhuma espécie, atendimento digno, atenção, carinho e outras tantas coisas em um momento delicado, preocupante, decisivo. A vida continua para a mãe dela, que voltou para sua casinha simples com o laudo da filha sem poder e nem saber como fazer nada. A vida continua para os responsáveis irresponsáveis por esse absurdo. A vida só não continua para essa garota. Ainda bem que, pelo menos agora, ela está em um lugar melhor.
Quando os repórteres chegaram, a mãe só chorava e a menina estava com dificuldade para respirar perceptível no vídeo, a ponto de parecer que já estava indo para outro lugar. Cena de chorar. Chorei compulsivamente e tenho vontade de derramar mais e mais lágrimas ao lembrar do que vi na tela da televisão. A mãe, desesperada, já não sabia o que fazer e apelava para a repórter, explicando tudo que estava acontecendo. A profissional parecia não estar acreditando no que estava vendo a ponto de demonstrar medo de presenciar o que viria depois.
Uma pediatra foi chamada de outro hospital, pois naquele não havia. Ela dizia que tinha que entubar a criança naquele momento. Não tinha como. Não tinha leito, não tinha nada. Mas a reportagem estava acontecendo e não podiam deixar de fazer algo certo? Foi assim que ocorreu uma mobilização de última hora para tentar salvar o anjinho moreno que estava a caminho do céu. Conseguiram improvisar uma UTI e entubaram a garota, mas tarde demais. Ela se foi. E, dias depois, chega um exame de sangue revelando que ela teve mais que pneumonia, teve leishmaniose visceral, doença grave, transmitida por animais e que deve ser comunicada às autoridades de saúde.
Agora me diz, Deus, presidente (que é mulher e mãe), governador, prefeito, diretor do hospital, médicos ou quem puder: em que país vivemos? Como deixam um hospital chegar ao ponto que estava aquele e muitos outros espalhados pelo território nacional? E olha que o deste caso fica na capital de um estado! Como ninguém faz nada para que não aconteçam coisas assim? Como é possível não se sensibilizar com essa e outras tantas histórias absurdas e tristes resultantes da falta de infra-estrutura, do desvio de verba e de puro descaso? Não imaginavam que isso poderia acontecer? Pois acontece e deve acontecer muito mais do que podemos imaginar. Só em uma sexta-feira, um programa de televisão mostrou esse e e muitos outros casos de morte por falta de atendimento.
E onde estão os cidadãos? Os eleitores? Os que se reúnem em milhões para votar na final de um reality show? Os que se mobilizam por causas estudantis? Os que dormem em filas por mais de uma semana para assitir a um show internacional? Onde está a população que foi em peso dar adeus ao ex vice-presidente que morreu cercado pelos melhores especialistas? Onde estão os direitos humanos? Onde estamos nós? Na selva seria melhor...
Eu precisei escrever sobre isso. Preciso chamar a atenção de mães e pais que, assim como eu, vivem no conforto do seu lar e levam os filhos ao atendimento de saúde particular, que podem pagar convênio médico, que não conseguem nem imaginar algo assim. Eu, dentro da minha sala, no início de um final de semana, tentando relaxar, me vi aflita, aos prantos, com dor de estômago, com insônia. Mas eu estava confortavelmente instalada no sofá de casa com meu filho bem, dormindo tranquilamente no quarto. E quem está no corredor de um pronto socorro neste momento lutando por um filho que não está nada bem?
Adultos, crianças e bebês morrem por causa de pessoas que esqueceram o valor de uma vida. Esqueceram que podia ser a filhinha deles ali. E se fosse, fariam muito mais. Se fosse, nem ali internariam. Frieza. Tristeza. Sofri por essa mãe que perdeu sua princesinha. Sofri por essa menininha linda, que sofreu muito antes de ir embora sem quase ninguém se importar. Que perdeu a vida por causa de pessoas que só se importam com a própria vida. Que não teve conforto de nenhuma espécie, atendimento digno, atenção, carinho e outras tantas coisas em um momento delicado, preocupante, decisivo. A vida continua para a mãe dela, que voltou para sua casinha simples com o laudo da filha sem poder e nem saber como fazer nada. A vida continua para os responsáveis irresponsáveis por esse absurdo. A vida só não continua para essa garota. Ainda bem que, pelo menos agora, ela está em um lugar melhor.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Fim da soneca
Adaptação. Palavrinha comum no dicionário das mamães geralmente usada para definir uma fase pela qual a criança passa e se espera que passe. Pois então, estamos nela. A criança e a mãe. Para falar bem a verdade, mais a mãe. Isso porque, desde que Leleco não usa mais chupeta, o soninho da tarde se foi. Aquela soneca deliciosa de duas horinhas que ele tirava todo o dia após o almoço não acontece mais. Sono vem, calmante de plástico não, cama fica fora dos planos, dele é claro.
Há algum tempo li que essa dormidinha acaba entre dois e três anos e eu torcia para ser com três. A razão vai além de mim. Ele precisa dormir. Ele sente sono, quase dorme à mesa em alguns dias e, nessa fase de adaptação, muitas tardes passou mal humorado, irritado de cansaço. Nem precisava dizer que tentei fazê-lo dormir. Mas digo. Tentei e até fiz algumas vezes, mas a tarefa foi ficando cada vez mais difícil, havendo dias em que eu só conseguia cumpri-la depois de uma hora e meia do horário habitual, com direito a choro de "não quero" e mal humor de nós dois. Nesses dias em que dormia mais tarde, acordava mais tarde e dormia à noite bem mais tarde. Mesmo que eu interrompesse a sonequinha, meia noite era pouco para deitar de vez.
Enfim, há uns 10 dias o descansinho não existe mais. Tenho dó porque tem dia em que o olhinho chega a ficar vermelhinho, mas o que vou fazer? Obrigá-lo a descansar sem que ele queira? Forçar até virar rotina de novo? Até tentei, mas percebi que o corpinho dele parece não estar mais precisando tanto dessa pausa, pois, como já disse, além de parecer que tem formigas na cama de tarde, quando escurece, elas teimam em voltar! Ele dá uma boa baqueada no meio do dia, mas se ergue rapidinho.
Nos adaptaremos então. Já estamos no processo. Mas, para dizer bem a verdade, como cansa! Eu canso, ele cansa, tudo parece cansar.
Energia o espuleta tem de sobra, mas sinto que um desenho na televisão é mais do que necessário para reduzir o "estresse" do corpinho serelepe. E, para mim, nada melhor do que não fazer nada com ele, na frente da TV, no quarto com brinquedos, no quintal com giz... Mas, me respondam, dia de mãe tem parada? Nem nesses pit stops a gente para por muito tempo! Porque desenho não quero deixar por horas, brinquedos do quarto enjoam e giz no quintal perde para a bola. "Mãe, corre, pega a bola!". Lá vou eu correndo atrás dela...
Meus olhos ardem de cansaço. Estava até achando que o problema era óculos, mas não é. Visão turva só no fim do dia. E um corpo que precisa ser carregado, por mim mesma o dia quase todo! Lembrar que a ergométrica me espera é desafiador. Lembrar que ainda tem janta por fazer exige força. E esperar até à noite para esticar as perninhas é bem difícil.
E a pior parte é que se eu pensava que o dia em que a soneca se fosse, ele dormiria a noite inteira, eu estava enganada. Não dorme. Já dormiu há uns meses atrás, mas rotina é rotina e isso significa ele acordar pelo menos uma vez para tomar leitinho. Joguem pedras, mas eu dou. Imagine se não iria dar! A situação só incomoda porque se com a pepê ele acordava, mamava e dormia em um piscar de olhos literalmente, sem ela, demora alguns bons minutos para o sono levá-lo novamente. E mamãe ou papai tem que estar por lá, afinal, a chupeta já não está...
Não, eu não dormia com ele toda a tarde. Sinto sono porque não tenho dormido nem a noite toda, nem bem a parte que durmo, pois o pequeno me chama bastante. Sinto porque antes, se eu estivesse muito cansada e tinha feito o que tinha que fazer, eu podia dormir com ele sim e isso não deixava o cansaço acumular. Há uns bons dias, meus olhos estão fechando e não são só os meus, porém não há o que fazer. Só dormirmos mais cedo. Ou melhor, deitarmos, porque, agora, dormir um sono reparador é só um sonho, só em sonho. Não nos acordem hein?
Há algum tempo li que essa dormidinha acaba entre dois e três anos e eu torcia para ser com três. A razão vai além de mim. Ele precisa dormir. Ele sente sono, quase dorme à mesa em alguns dias e, nessa fase de adaptação, muitas tardes passou mal humorado, irritado de cansaço. Nem precisava dizer que tentei fazê-lo dormir. Mas digo. Tentei e até fiz algumas vezes, mas a tarefa foi ficando cada vez mais difícil, havendo dias em que eu só conseguia cumpri-la depois de uma hora e meia do horário habitual, com direito a choro de "não quero" e mal humor de nós dois. Nesses dias em que dormia mais tarde, acordava mais tarde e dormia à noite bem mais tarde. Mesmo que eu interrompesse a sonequinha, meia noite era pouco para deitar de vez.
Enfim, há uns 10 dias o descansinho não existe mais. Tenho dó porque tem dia em que o olhinho chega a ficar vermelhinho, mas o que vou fazer? Obrigá-lo a descansar sem que ele queira? Forçar até virar rotina de novo? Até tentei, mas percebi que o corpinho dele parece não estar mais precisando tanto dessa pausa, pois, como já disse, além de parecer que tem formigas na cama de tarde, quando escurece, elas teimam em voltar! Ele dá uma boa baqueada no meio do dia, mas se ergue rapidinho.
Nos adaptaremos então. Já estamos no processo. Mas, para dizer bem a verdade, como cansa! Eu canso, ele cansa, tudo parece cansar.
Energia o espuleta tem de sobra, mas sinto que um desenho na televisão é mais do que necessário para reduzir o "estresse" do corpinho serelepe. E, para mim, nada melhor do que não fazer nada com ele, na frente da TV, no quarto com brinquedos, no quintal com giz... Mas, me respondam, dia de mãe tem parada? Nem nesses pit stops a gente para por muito tempo! Porque desenho não quero deixar por horas, brinquedos do quarto enjoam e giz no quintal perde para a bola. "Mãe, corre, pega a bola!". Lá vou eu correndo atrás dela...
Meus olhos ardem de cansaço. Estava até achando que o problema era óculos, mas não é. Visão turva só no fim do dia. E um corpo que precisa ser carregado, por mim mesma o dia quase todo! Lembrar que a ergométrica me espera é desafiador. Lembrar que ainda tem janta por fazer exige força. E esperar até à noite para esticar as perninhas é bem difícil.
E a pior parte é que se eu pensava que o dia em que a soneca se fosse, ele dormiria a noite inteira, eu estava enganada. Não dorme. Já dormiu há uns meses atrás, mas rotina é rotina e isso significa ele acordar pelo menos uma vez para tomar leitinho. Joguem pedras, mas eu dou. Imagine se não iria dar! A situação só incomoda porque se com a pepê ele acordava, mamava e dormia em um piscar de olhos literalmente, sem ela, demora alguns bons minutos para o sono levá-lo novamente. E mamãe ou papai tem que estar por lá, afinal, a chupeta já não está...
Não, eu não dormia com ele toda a tarde. Sinto sono porque não tenho dormido nem a noite toda, nem bem a parte que durmo, pois o pequeno me chama bastante. Sinto porque antes, se eu estivesse muito cansada e tinha feito o que tinha que fazer, eu podia dormir com ele sim e isso não deixava o cansaço acumular. Há uns bons dias, meus olhos estão fechando e não são só os meus, porém não há o que fazer. Só dormirmos mais cedo. Ou melhor, deitarmos, porque, agora, dormir um sono reparador é só um sonho, só em sonho. Não nos acordem hein?
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