Acesse o Mãe da Cabeça aos Pés!!!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Madame não, mãe!

Já escrevi sobre a minha escolha por ficar em casa com meu filho e já falei do preconceito que sinto ao dizer que prefiro cuidar dele até os três anos a colocá-lo na escolinha (neurótica e superprotetora são alguns dos apelidinhos que escutei). Resumindo, comentei o assunto do ponto de vista de uma mãe que quer educar da melhor forma, participar de todos os progressos do pequeno e estar de corpo e alma ao lado dele na fase em que ele precisa mais de mim em todos os sentidos, deixando de lado opiniões alheias e acreditando nos resultados lá na frente.
Agora, tive vontade de voltar ao assunto, mas para falar como mulher. Uma entre milhares que vivem num mundo que se diz moderno, mas que se mostra machista e atrasado. Exemplo disso é que eu mesma, antes de ser mãe, achava um absurdo ficar em casa cuidando de filho por muito tempo, conceito que aprendi vivendo nesse mundo "para frente", no qual a figura feminina adquiriu maior valor trabalhando fora. Entre outras coisas, eu dizia que a mulher acabava restringindo sua convivência e sua vida e que a consequência era que ela podia só saber falar sobre filho e casa! Hoje sei que, se não nos policiarmos, isso pode mesmo acontecer. Podemos nos tornar "exclusivamente mães"  ou apenas donas de casa, rainha do lar ou como ficar mais bonitinho chamar. Como disse, isso só acontece se deixarmos. Nos taxar disso ou daquilo, isso acontece mesmo sem que a gente deixe...
Hoje, mãe de um meninão de quase dois anos, não me vejo em papel diferente. Sou jornalista fora de atuação porque quero, apaixonada pela escrita, mas mais apaixonada ainda por exercer a maternidade com plenitude. Sou privilegiada por poder escolher ficar com meu filho e ficar. E realizada por não deixar a busca pela realização profissional, tão famosa nos dias de hoje, atrapalhar meu momento de realização maternal. Quero voltar ao mercado, mas devagar, no ritmo em que meu filho e meu coração permitirem. Cito meu coração, pois é ele que racha quando apenas me imagino deixando meu filhote com outra pessoa...
Como mulher que se tornou mãe, me orgulho da revolução feminina dos últimos tempos e acho admirável a iniciativa da queima de soutiens em praça pública, mesmo que ela não tenha ocorrido porque não nos deixaram colocar fogo... Acho correto o que buscávamos, a igualdade de direitos e a liberdade de expressão. Mas acho que o protesto deveria ter significado não apenas nossa independência, mas a autonomia para escolhermos a vida que mais nos agrada e o direito de merecermos respeito por isso. Deveríamos ter lembrado aos homens na época, lembrá-los ainda hoje e, principalmente, nos lembrar de que queremos ser iguais para poder fazer o que eles fazem, se quisermos fazer. Queremos ser livres para estudar, trabalhar, votar, usar mini saia, biquinis menores ou maiores, nos cuidar ou relaxar e, porque não cuidar da casa, do filho e até do marido? Sem pré-conceitos. Do que adianta nos livrar do dever de ficar esperando o chefe da família com a casa linda e estando linda e termos agora a obrigação de sermos lindas, termos uma família linda e ainda ser chefe de família? E o pior, vendo o papel do homem continuar quase inalterado...
Revelo que nós, mães que ficam dentro de casa tendo uma profissão do lado de fora, sentimos falta do trabalho remunerado e valorizado. Para falar a verdade, apesar do dinheiro fazer falta de alguma maneira, o que pesa mesmo é a falta da valorização, pois quem cuida do lar e dos filhos não tem valor algum atualmente. Muitas, como eu, são chamadas de madames. Todas são colodadas dentro de um mesmo "saco", sendo feita até pesquisa para provar que "mulheres buscam homens que as sustentem" (acredite se quiser, mas o estudo existe). Dá ou não dá vontade de gritar??? Se você é mãe e fica em casa 24 horas já deve estar gritando... E quem não é, saiba que o que nos deixa muito irritada e triste não é deixar de trabalhar fora, mas trabalhar dentro e ninguém ver e nem mesmo crer. Ou notar que querer e poder tomar conta dos filhos ficando perto deles é entendido como desejar ser sustentada! Buscamos deixar de ser uma máquina multi-tarefas, como nos tornamos de uns tempos para cá. E, por isso, estamos brigando pelo direito de ficar em casa sim, mas em hipótese alguma porque queremos que o companheiro pague nossas contas... Isso, inclusive, nos incomoda de muitas formas!
Não sou madame, sou dona de casa. Se quiser conferir, coloque uma câmera para me acompanhar diariamente. Quer ver se fico de pernas para o ar? Veja. Garanto que, salvo algumas excessões, nem as mulheres que tem empregadas para ajudar na casa ficam. Se elas tiverem filhos, então, nem se fala. Tenho uma amiga que não é mãe e gosta de ser dona de casa mesmo sendo uma ótima profissional de comunicação. Ela deixa de ter valor por isso? É madame? Ela não tem faxineira, arruma gavetas, cozinha, lava banheiro e espera cheirosinha o maridão. Ninguém vê, mas é o que ela faz. Aposto que a língua coçou para falar mal dela...
No caso das mamães, é preciso pensar mais antes de abrir a boca. Não porque temos um álibe para ficar em casa, mas porque temos uma testemunha. E ela, além de saber tudinho o que fazemos, é quem importa de verdade. É a opinião dos filhos que nos deixa em paz e nos faz ter a certeza de que estamos fazendo a coisa certa para nós e para eles. É ver que tão pequenos, já tem orgulho da mulher que somos, dentro e fora de casa. E eles não precisam dizer nada, agradecer ou nem mesmo se sentirem gratos por termos escolhido por eles.
Que fique bem claro, principalmente para nossos filhos: amamos poder ficar com vocês o dia todo e nunca iremos cobrar isso de nenhuma forma. Falo por quem fez essa escolha de coração e não por obrigação, e eu fiz. A verdade é que ser mãe e viver essa experiência intensamente é maravilhoso e que, por mais que doa ouvir comentários maldosos e frios ou ver a reprovação nos olhos de quem nos vê mas não nos enxerga, nos envaidece saber que só nós sabemos o que é o amor incondicional e perfeito. Só nós, mães, graças a vocês, filhos. Por isso, só tenho a agradecer ao meu bebê pela vivência que me trouxe. Por eu ter descoberto que podemos ser "do lar", mas saber falar de inúmeros assuntos que quem trabalha num escritório mal tem tempo, disposição e interesse para ler a respeito, se informar ou mesmo observar. Por ter aprendido a me virar sozinha para nunca deixá-lo sozinho. Por ter o melhor trabalho, o melhor salário e o melhor chefinho! E quer saber? Da próxima vez que me chamarem de madame, vou responder: "madame não, mãe! E com muito orgulho.

6 comentários:

  1. Adorei o teu post. Me revi em cada palavra.
    É dificil mesmo ouvirmos essa discriminação, de sermos rotuladas de madames, de viver à custa do marido.... Mas quando a escolha é feita de coração esses rótulos deixam de ter importância, é mesmo melhor não ligar, pois só quem assim optou por ser mãe sabe e percebe o que sentimos.
    Respeito as mães que optam por trabalhar fora mas não trocava a minha vida pela delas. Existe coisa mais maravilhosa do que vermos cada etapa cada passo cada sorriso e conquista do nosso filho com os próprios olhos?
    Enfim eu amo ser mãe a tempo inteiro :D acho até que nasci para isso.

    ResponderExcluir
  2. Tô contigo e não abro! Concordo com tudo e assino embaixo!
    Bjos,
    Camila
    www.mamaetaocupada.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Ô Dona Madame...quer dizer, Dona Mãe.....Bióca, disse e não retiro: senta, relaxa e deixa passar. Mas é que ontem, sabe quando vc sente que foi trabalho perdido (ter escovado os dentes dela, depois de tanto cansaço) e o bonito do papai me dá bife pra ela.....Não há paciência que "gueente". Mas mesmo assim, não gritei com ela. Só a pus de castigo. Mas tudo na maior calma. Tanto é que depois fui lá me deitar com ela, dormir abraçadinha...cantei pra ela e aí ela chorooooouu...igual a mãe dela quando tá com algum problema e as pessoas vem me perguntar o que é, com aquele ar de carinho, sabe? Desabo!! Não tem jeito. E foi isso o que aconteceu. Cara do pai, mas jeitinho da mãe!! beijo amor. O post que falei que tava escrevendo e falava de você sei lá o que foi..se mudei de idéia, se apaguei. Só sei que não postei. Mas coincidiu com o seu post, do mesmo que você falou de mim. Foi engraçado. SSuper beijo. pra vocês todos...

    ResponderExcluir
  4. Oi Beatriz, enfim, achei um tempinho pra vim te conhecer... Td bem? Legal ver seu post sobre a pesquisa londrina e, melhor ainda, ver que também já descobriu que a escolha de quem somos é nossa. Tudo contribui muito pra gente ser a tal dona de casa ou a madame, principalmente, se a gente optar pelo silêncio. e venho percebendo que o pior silêncio é aquele qdo a gente se cala pra gente mesma. Prazer em conhecê la. espero voltar sempre que puder. obrigada pela visita no nosso blog e...vc mora em serra negra?
    fui pra lá nas férias e me surpreendi com a educação no trânsito e a cultura na praça. já escreveu sobre isso? como é ter um filho num lugar cheio de qualidade de vida? ou foi impressão de turista? adoraria ver um post seu sobre isso. se escrever, please, avisa lá pra gente...
    abraços e inté!

    ResponderExcluir
  5. Oi Bia, já sinto uma certa intimidade...desculpa!!! Mas estou ingressando nesse mundo de blogs agora e li o seu post....vc esta completamente certa, sou mãe de duas meninas, uma de 13 e outra de 9, parei de trabalhar com o nascimento da minha segunda filha, e não voltei até hj, e não me vejo mais trabalhando fora com horários a serem seguidos!!! Tenho uma pessoa q me ajuda em casa, mas sou tudo aqui, mãe, motorista, professora, terapeuta, esposa, e desempenho esses meus papeis com muito amor e carinho, não iria conseguir nunca sair de casa de manhã e voltar a noite, perderia muitos momentos importantes, momentos que nunca mais vão voltar!!! No começo foi difícil me desligar, e assumir q isso é o que queria, mas hj eu quero q se F...o q os outros pensam, tem muita mãe que prefere sair de casa de manhã e voltar a noite mesmo....coitadas não sabem o que estão perdendo!!! Hj conheço todas as amigas das minhas filhas, as professoras, levo elas na escola, no inglês, no volei, faço lição com elas, estudo, sei de tudo o que se passa, afinal tenho uma filha na adolescência, e isso é muito necessário!!!
    Beijos....e adorei ler seu post

    ResponderExcluir
  6. oi tia bia, é a luisa,
    adorei seu blog...
    que foto fofa!
    saudadess
    beijos lu

    ResponderExcluir