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terça-feira, 26 de julho de 2011

Dica para futuros cinéfilos

Um dos verbos mais recorrentes em minha mente é traumatizar. Porque acho terrível alguém com traumas. E porque escuto muita gente me dizendo: "cuidado para não traumatizar seu filho hein?". Bem da verdade que tomo cuidado com ele mesmo, sugestionada por esses aconselhadores de plantão e por mim mesma, uma pessoa um tanto quanto predisposta a criar em si traumas ou neuras em geral. Eis que em um dos passeios com o pequeno, ele traumatizou!
Sou defensora dos programas culturais para crianças e meu filhote já foi a teatro, espetáculo de patinação no gelo e cinema. Neste último, o levamos para assistir "Carros 2", continuação de um dos desenhinhos que ele adora e, portanto, de fácil aceitação. Explicamos que seria no cinema, em uma sala grande com uma televisão enorme e que em determinado momento tudo ficaria escuro para a gente enxergar melhor. Ele topou, sentou todo alegre ao lado dos pais e da priminha. Mas, ao começar os trailers, decepção total. Não dele, minha mesmo. Imagine que em um filme com definição de "livre", colocam trailers de filmes e desenhos para crianças maiores, como "Transformers" (aquele com robôs enormes e alguns bem assustadores) e 'Smurfs" (como os azuizinhos fazendo o maior terror com um adulto, o prendendo com corda, etc). Se a música no cinema já é alta, tente pensar no que é um estreante a telespectador de pouco mais de dois anos, ansioso com o novo clima, ouvir barulho de explosões e trilha sonora de suspense, presentes nesses dois trailers que mencionei. Quando ele estava começando a relaxar, já viu né?
O bom é que conseguimos passar tranquilidade o bastante para ele continuar lá sentadinho  e assistir ao desenho, que também possuía inúmeras cenas de explosões e coisas assim (livre para quem mesmo?). O ruim é que não foi o bastante para ele querer voltar ao cinema. Impulsionada por comentários que diziam que Winnie The Pooh era mesmo desenho de criança, sem cenas de ação ou diálogos para adultos, levamos Léo para assistir. Ele gostou do convite, mas chegando lá não quis entrar de jeito nenhum na sala escura. O problema não era exatamente o escuro, mas o que aconteceria lá. Frustração total. Sentimento de culpa por querer proporcionar algo tão bom e ver dar errado. Mas culpa mesmo tem quem teve a brilhante ideia de colocar os tais trailers e suas  respectivas trilhas em uma sessão intitulada como livre.
Coloquei na cabeça que vou escrever minha opinião para esses gênios do entretenimento, mas o que fazer para mudar a opinião do meu filho sobre o que ele viu e sentiu? Bem, conversamos bastante, do lado de fora, é claro, e ficamos por ali todo o tempo que durou os trailers. Pasmem, mas tinha sim o dos Smurfs, como trilhina de medo... Sei porque enquanto meu marido segurava Léo e pipoca em pé para lá da porta eu ficava para cá da porta controlando o que acontecia até todos nós podermos entrar. Pensa que foi fácil? Não. Tivemos que repetir inúmeras vezes que não teria barulho (leia músiquinhas altas e amedrontadoras) e esperar o Pooh atraí-lo. Devagarzinho o peguei no colo e consegui, passo por passo, me sentar na primeira cadeira. Ufa, ele ficou calmo e assistiu ao desenho. Mas eu continuo inconformada com quem escolhe o que passa no telão antes de um desenho para todas as idades. Continuo achando que essa pessoa não tem filho ou que, se tem, coloca música de terror para o bebê dormir e que esse bebezinho inocente se torna depois uma criança que grita durante Disney On Ice e assusta outras tantas da platéia. Está certo que nem todos o público mirim do cinema deve ter adquirido algum tipo de trauma, mas uma cabecinha lá no meio prejudicada é suficiente para mostrar o quão inadequadas são essas sessõezinhas. Fica a dica: se ainda não levou seu pequenino(a) ao cinema, além de escolher muito bem o filme, espere todos os trailers terminarem para entrar. Melhor prevenir do que destraumatizar!

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