Todo mundo sabe que escolhi ficar com meu filho em casa até os três anos. Decidi por isso depois de me tornar mãe e perceber que esse é o papel que quero desempenhar da melhor forma possível. Decidi isso porque, depois de ter o reizinho em meus braços, tive a certeza de que o melhor era eu ficar com ele, cuidar, educar, participar. Percebi que presença é fundamental nesses primeiros anos de vida, mais importante que qualquer outro motivo para deixá-lo sob os cuidados de outro alguém. O trabalho me espera, esses aninhos preciosos passam.
Eis que meu lindinho anda dando alguns sinais de que quer e talvez até precise de outras atividades que não sejam aquelas já propostas pela mamãezinha aqui. Como eu digo, a escolinha dele sou eu, mas ando notando uma certa vontade dele de ir além, de ver mais coisas, outras pessoas, brincar mais, descobrir outros ambientes, etc. Desculpa esfarrapada que muitas mães dão para jogar os filhos nas mãos de professores e babás, eu sei, e me desculpem essas mesmas mães por eu dizer isso assim tão claramente. Mas, no nosso caso trata-se de uma constatação de que nem sempre nossas certezas são eternas e que saber rever pontos de vista é exercitar a sabedoria.
Resovi exercita a minha. E não só a sabedoria, mas a teimosia, a opinião formada, a concepção de presença, a insegurança, a segurança. Eu e Léo fomos visitar uma escolinha. Para sabermos, ou melhor, sentirmos, se é nisso que devemos pensar. Se ao invés do ano que vem, quando ele teria três anos, seria mais adequado ele ingressar no segundo semestre, quando ele terá dois anos e meio. Vou dizer de novo, quase que em voz alta: foi uma visita para eu sentir, ele sentir, nós sentirmos. Para então trazer qualquer sentimento que seja para a razão e poder saber mais sobre esse assunto, se mudo a visão das coisas ou se finco o pé naquela que já tenho. E eu imaginava ter que mexer nisso só em 2012!
Certo. Fomos. Conhecemos uma escolinha linda, que lembra um castelo por dentro e por fora, com espaços adequados para qualquer criança, com direito a fazendinha, horta, estufa, alimentação variada e nutritiva, professoras capacitadas, enfermeira, além de outros atrativos. A salinha que ele iria frequentar se decidíssemos por isso seduz só de olhar da porta. O parquinho logo atrás das janelas de vidro conquistou o futuro candidato a frequentador, que certamente reinaria todo contente e satisfeito por ali. Certo. Fomos. E agora? O que pensar? O que eu senti? O que ele sentiu? O que faremos? Faremos?
Assumo que mudar de idéia a essa altura do campeonato me incomoda, me tira o chão, aquela certeza que eu tinha e que agora não parece mais tão certa. Mas existe outra certeza que me empurra para essa zona de re-pensamento das coisas: o bem estar do meu filho. O que ele precisa, o que ele quer, o que faz bem a ele. Fiz o pacto de me "esquecer" nesta questão, para tomar a melhor decisão visando ele, nada mais que ele. Ando bem cansada, já disse por aí, mas nenhum cansaço me motivaria a matriculá-lo nem na melhor escola do mundo.
Eu só penso nele, se a minha decisão de mantê-lo aqui comigo é ainda a mais correta para a vidinha do pequenino. Não penso em desenvolvimento, nem aprendizado, porque acho que nessa faixa etária ambos são plenamente possíveis e muitas vezes mais eficientes em casa, mas simplesmente para ele se sentir mais e mais feliz. Imagina o cacheadinho brincando a tarde toda com um monte de amiguinhos? Dá vontade de chorar. De orgulho, de saudade. Por isso, vou continuar visitando outros castelinhos. Sem compromisso. Para conhecer o terreno. Para tomar a melhor decisão para meu pequenino, porque o que é melhor para ele, é melhor para mim, e essa certeza nada e nem ninguém me tira!
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