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sábado, 21 de maio de 2011

Delegar, eis a questão

Cansaço puro, sensação de esgotamento, estresse no sentido mais literal que a palavra possa ter, vontade de chorar a cada vez que abre a boca para reclamar. Isso é maternidade. E engana-se quem pensa que este sentimento é coisa dos primeiros meses. Obviamente quando existe um recém-nascido recém chegado tudo toma proporções gigantescas e um incômodo por causa de calor ou frio e a falta de prática em decifrar os sinais por causa desse calor ou desse frio gera choro de bebê e choro da mamãe, mas no começo o que não falta é força. Deus dá, acreditando ou não Nele. Porque há um Deus que nenhuma mulher é capaz de duvidar, a divindade que existe dentro de cada ser feminino... Horas de sono no vermelho por causa de cólicas ou aleitamento e a mãezona está lá, em pé, com cara amassada, mas alerta, disposta a tudo mesmo sem se sentir disposta. Mas e quando o tempo passa?
Tudo é variável. Depende de cada mãe e cada rotina, mas tenho certeza de que o cansaço existe sempre, o que muda é a forma de lidar com ele. E quer saber mais? O segredo está na cabeça, muito mais que no corpo. O físico aguenta quando a mente aguenta. Do contrário, nada se sustenta! E assim, me vejo eu insustentável. Uma fase de "nãos", tão comum em torno dos dois anos, anda acabando comigo. Uma recusa a tomar banho ou a incapacidade de brincar por mais de dez minutos sem me chamar anda me destruindo psicológicamente, mas claro que sei que se eu não estivesse já destruída, nada disso iria me abalar. Já ouviu falar em estafa? Eu já, mas me recuso em achar que estou estafada. Estressada, talvez. Casada, com certeza. E perto do limite, o meu limite.
Está bem, ando reclamando bastante e quem me lê ou me escuta deve mesmo estar me achando uma chata. E não estou? Estou. Sou a bruxa do dia a dia do meu filho. Por mais sorrisos que eu distribua, basta uma coisinha ir na direção contrária para eu adquirir aquela feição sombria da madrasta da Cinderela. Ai, Cinderela, me ensina a mudar? Não, não quero cavalos brancos, carruagem e nem príncipe, mas que uma boa fada madrinha podia aparecer por aqui podia. A mágica que eu desejo? Só iria pedir para me ensinar a delegar. Eita tarefinha complicada! Preciso aprender. Estatísticas de mim mesma apontam para a urgente necessidade em saber delegar funções, não achar que por eu ser a mãe sou o centro do universo ou a única pessoa capaz de fazer tudo direito... Oragnizar a rotina tem me ajudado, mas saber deixar de fazer algo só de vez em quando, quando alguém pode e deve fazer por mim, seria tão mal assim? Seria eu uma péssima mãe? Se fosse, o mundo estaria infestado de mães horrorosas, refleti esses dias. Acho mais provável que esteja infestado de mães amorosas, exageradamente amorosas, a ponto de quererem cuidar um pouquinho (só um pouqinho) de si para cuidarem ainda melhor dos filhos. Egoísmo ou tentativa de reduzir o egocentrismo materno? Vou pensar nessa também.
Enfim, o sentimento tão comum nas mães, a superpotência, parece que em algum momento começa a prejudicar mais do que a ajudar. Parece, não sei ainda. E por falar em ajudar, parece mesmo é que eu preciso aprender a pedir ajuda, de quem quer que seja, de qualquer pessoa que possa de alguma maneira ajudar. Ontem, uma tia minha, que também foi mãe em tempo integral, me consolou dizendo que é assim mesmo, que daqui a alguns meses tudo muda de novo e dando outros tantos conselhos. Uma reportagem com uma mãe bem sucedida em diversos aspectos ainda insistiu em me cutucar, me instigando a repensar. Minha mãe me ajudou também, fazendo meu filho dormir e me permitindo uma noite de sono reparadora, capaz de colocar qualquer ideia no lugar. Agora só falta mesmo eu encontrar a fada madrinha para uma conversinha mais séria. E ela que não me venha com historinha de acabar com o feitiço à meia-noite!

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