Passar uma grande quantidade de horas com o filho ou reservar algumas com qualidade? Questionamento polêmico, mas necessário. Quantidade ou qualidade? Se os dizeres não aparecem em nossa mente em forma de pergunta, certamente aparecerão assim: Quantidade x qualidade. Por que não "quantidade e qualidade" ? Pode parecer que não, mas faz muita diferença pensar nessas duas palavrinhas como colaboradoras, amigas, companheiras e não inimigas, avessas, opostas. Não é uma ou outra, nem uma contra outra. Não é preciso escolher entre ficar um tempão com o filho de qualquer maneira ou reduzir esse tempo para tê-lo qualitativamente.
Um dia, escutei uma mãe que optou por voltar ao mercado de trabalho logo que os quatro meses de licença terminaram questionando a questão, quase se defendendo a respeito das poucas horas junto ao filho. "O tempo que eu fico com ele é de qualidade. Chego, tomo meu banho, ele já está de pijama, já jantou e eu só tenho que trocar a fralda mais tarde e dar mamadeira. Sou dele, brinco de esconde-esconde, rolo no tapete". Na hora, pensei que poder fazer isso é uma verdadeira maravilha. Delícia estar com o bebê totalmente voltada a esse objetivo. Simplesmente estar. Curtir aquele momento, aquelas horinhas preciosas do dia. Logo disse: "Pois é, eu que fico em casa tenho esse mesmo tempinho com qualidade com meu filho, poucas horas do dia, porque o restante eu também estou envolvida com afazeres domésticos, estou trabalhando". Conclusão: somos praticamente iguais!
Mais ou menos. Pensei nisso de forma simplificada porque estava em uma fase cansativa, em que minha tão bem resolvida escolha estava sendo questionada por mim mesma. Além disso, levei em consideração a tendência materna de julgar outras mães que chegam mostrando uma realidade distinta. Então, me permiti invejar a rotina dessa mãe e me abrir para compreender a verdade que ela vive sem pré-conceitos. Dias depois, conclui meus pós-conceitos, que divido agora com vocês.
Como conheço de perto o dia a dia da mulher que escolhe se voltar ao filho e ao lar integralmente, sem ajuda e sem o direito de se sentir cansada, começo por esse ponto. Poxa, cansa! É uma das muitas alternativas que encontramos hoje e exige de nós, tanto quanto as outras, decisão. Mas, por mais decidida que esteja, a mamãezinha que opta pelo trabalho materno em período integral sente falta de um tempo só para ela ou, como disse minha amiga hoje ao telefone, para tomar banho sem pressa, passar hidratante nas pernas e escolher com calma a roupa que quer vestir.
Mesmo mulheres bem resolvidas passam por momentos de dúvida, ou para mudar de lado ou para reafirmar sua escolha e seguir em paz. Mas que tem dúvida tem. Se não tivesse, aquela mãe independente do parágrafo lá de cima não falaria da sua escolha como uma ré diante de um tribunal. Ela não precisa se defender. Mas tem tanta gente prontinha para julgá-la não é? Assim como me julgaram por eu ficar em casa. Tão nova, tão capaz profissionalmente e ali, em casa... Com meu filho, dá licença?
O que muita gente não percebe é que estando em casa, trabalhando fora ou em home office, a quantidade e a qualidade só brigam porque nós as colocamos em um ringue. Realmente eu não tenho todo o tempo do meu dia dedicado a brincar com meu filhote, embora eu esteja com ele todo instante. É verdade que são poucas horas que posso me sentar e rolar com ele. Portanto, pode-se pensar que a qualidade é por pouco tempo. Mas só se imaginarmos que qualidade é apenas brincar, sorrir, cantar, pintar, brincar de massinha. E a educação? Estar perto não é só fazer coisas legais ao lado dos pimpolhos, mas educá-los. Se não, será a escola que irá educar? A babá? A avó? Eu, estando pertinho dele em tempo integral, tenho mais chances de educá-lo, desde as coisas mais simples, até as mais complexas. É só fazer a conta, multiplicar uma hora por 24! Mesmo que em muitos desses minutos eu esteja cozinhando, dando quase zero de atenção para Léo, eu também estou o educando, mostrando que é importante respeitar o tempo da mamãe, as tarefas que devem ser feitas em um exato momento. Sem contar que ensino a não mexer no que é perigoso e a parar de puxar minha roupa! Isso poderia ser feito por uma outra pessoa, mas, estando ali, faço tudo de acordo com os valores que desejo que ele siga, com o carinho, tom de voz e jeitinho que eu julgo adequados, e vendo o resultado ao vivo. Isso também é qualidade...
Da mesma forma, a mãe que fica o dia todo fora não tem só aquelas horinhas após o expediente para oferecer qualidade ao filho. Ela pode ir trabalhar e pronto. Chegar em casa, encontrar tudo limpo e lindo. Mas ela também pode escolher a melhor babá ou a melhor escola, cujos métodos, carinho e dedicação se aproximem ao máximo da maneira como ela faria se estivesse presente. Pode prestar atenção aos resultados de sua escolha. Pode fazer as compras da semana pensando em como fazer o filho comer melhor, deixar tudo organizadinho para o dia do pequeno ser legal, para ele comer bem, se divertir. Ela pode telefonar a cada folguinha para saber como estão as coisas, deixar bilhetinhos para o pequeno encontrar e ter a certeza de que mamãe está com saudade, chegar mais cedo de surpresa e colocar a mão na massa sem a obrigação, por puro prazer. Isso demanda quantidade de tempo, e é qualidade também...
E assim, eu e a mãe que deixa o filho com a babá podemos chegar em um denominador comum. Se nós duas fizermos quantidade e qualidade andarem juntas. Porque elas andam! Elas se complementam, se apóiam. Elas podem até discutir vez ou outra, mas para acertarem os ponteiros, apararem arestas, se fundirem em uma só. Quando uma delas se atrasa, lá vem a outra cumprir o compromisso e vice-versa. Uma cobra da outra, porém, como resultado, uma faz a outra oferecer o seu melhor. Não é surpreendente encontrá-las se estapeando em alguns lares e em outros ter até a infeliz certeza de que ambas foram ambora. Mas, se as mães cuidarem bem delas, quantidade e qualidade ajudarão e muito essas mães. Um cuidado que dá trabalho, já que as duas palavrinhas são espoletas teimosas, mas que culmina na criação de filhos bem educados, satisfeitos e felizes!
Encontrar essa medida, esse equilíbrio perfeito é das tarefas mais difíceis da maternidade. Eu sou mãe em tempo integral em casa,mas já entendi e aceitei o fato de que isso não garante qualidade de tempo o dia todo. Por isso, me permito algumas coisinhas só comigo mesma e só para mim, para não perder a qualidade, sabe?! Mas o assunto é de extrema importância!!
ResponderExcluirBjos,
Camila
www.mamaetaocupada.com.br