Filho dá trabalho não é? Aposto com todas vocês que todas, sem excessão, já ouviram essa frase ou uma bem parecida. Filho dá trabalho mesmo. Seria ilusório achar que um ser que depende de você para tudo não iria fazê-la suar. Mesmo quando crescem, eles ainda dependem de você, nem que seja só para estar lá quando for preciso, o que certamente irá fazê-la desempenhar certo ofício.
Eu amo o trabalho que filho dá! É daqueles que se diz de boca cheia: "amo o que faço!". Mesmo quando a mamãe não gosta de tarefas domésticas ou até mesmo da rotina repetitiva de banho, comida, brincadeiras e arrumação, faço outra apostinha. Ela ama o que faz! Fica cansada, tem horas que quer sumir, momentos de puro saco cheio (perdoem a expressão fula). Mas ela ama. Por quê? Respondam cada uma de vocês, para vocês mesmas se quiserem.
Porque trabalhar para ganhar salário é uma coisa, meu bem. Mesmo amando de paixão o que se faz, é uma coisa. Outra coisa é trabalhar para ganhar um abraço, um beijo ou nada disso. Porque neste segundo caso, embora possamos nos sentir carentes e doadas, nem precisamos de reconhecimento... Nesta labuta de mãe, somos reconhecidas de maneiras bem distintas, às vezes nem somos, ou recebemos um "obrigado" ao contrário, com choro, birra e frases mal agradecidas. Agora, não receba agradecimento do chefe, ouse dizer que não se importa em ser reconhecida profissionalmente, experimente pensar em não se realizar do jeito que sempre sonhou... Sendo mãe, você se realiza nem que não queira, sem nem dar tempo de pensar a respeito.
Ando muito ocupada trabalhando na minha área, que adoro. Em casa, mas no computador, plugada no mercado. E, em uma tarde atribulada, com textos finalmente editados a ponto de me envaidecer, sabe em que momento eu me trabalhei com mais amor? Quando parei uns minutinhos para dar lanchinho ao meu filho. Quer trabalho melhor?
Acesse o Mãe da Cabeça aos Pés!!!
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
A mamãe vai trabalhar
Há uns dias estou trabalhando em um material sobre educação. Há poucos dias estou ocupadíssima com esse freela, tendo, inclusive, que passar o dia quase todo fora. Sorte que o trabalho é na cidade dos avós do Léo. Sorte que ele também tem tios, que estão adorando passar umas horinhas com o espuleta. E nesse cotidiano provisório, meio improvisado, venho treinando acostumar com a distância do filhote. Tenho que ser sincera e dizer que é gostoso poder me concentrar em algo sem me preocupar com o que o pequeno está fazendo ou com o que ele vai comer. Mas, é preciso assumir que eu morro de saudades e, melhor, sinto falta do nosso tempo só nosso.
Entre comidinhas, banho e afazeres domésticos, sou feliz. E sou também trabalhando. Ainda bem que me resolvi a respeito disso há um bom tempo e aproveito os dois lados conforme dá. A maior parte do ano sou mãe em período integral, poucos dois ou três meses, me divido entre home office, umas saidinhas e minhas 24 horas como mãezona. Que delícia!
Não tem sobrado nada do meu dia para escrever aqui. Tem sobrado frases engraçadinhas do Leco. "Mãe, você vai trabalhar onde?", "Você não vai trabalhar hoje? Por quê?", "Eu quero ir passear lá na nossa casa...", "A mamãe chegou!". A minha frase mais comum nem preciso escrever, mas, com todo carinho, tenho que dizer a vocês como digo a meu filho, afinal tenho mesmo que sair agora. "A mamãe vai trabalhar!".
Entre comidinhas, banho e afazeres domésticos, sou feliz. E sou também trabalhando. Ainda bem que me resolvi a respeito disso há um bom tempo e aproveito os dois lados conforme dá. A maior parte do ano sou mãe em período integral, poucos dois ou três meses, me divido entre home office, umas saidinhas e minhas 24 horas como mãezona. Que delícia!
Não tem sobrado nada do meu dia para escrever aqui. Tem sobrado frases engraçadinhas do Leco. "Mãe, você vai trabalhar onde?", "Você não vai trabalhar hoje? Por quê?", "Eu quero ir passear lá na nossa casa...", "A mamãe chegou!". A minha frase mais comum nem preciso escrever, mas, com todo carinho, tenho que dizer a vocês como digo a meu filho, afinal tenho mesmo que sair agora. "A mamãe vai trabalhar!".
terça-feira, 19 de julho de 2011
Ajuda que vem de fora e ajuda que vem de dentro
Eu consegui encontrar uma pessoa para me ajudar no lar. Nem babá, nem empregada doméstica. Prefiro chamar de ajudante. Alguém que não vai ser mãe no meu lugar, nem deixar tudo brilhando, mas que vai suprir nossa necessidade atual, estando aqui. Algumas vezes por semana, algumas horas. Óbviamente que para ocupar o cargo ela preenche todos os requisitos necessários. Óbviamente que já me sinto sem função!
Não estou à toa, afinal ela só entrou em casa porque preciso trabalhar no computador e porque segurar o Leco enquanto me concentro nisso está cada vez mais complicado. Não acho justo com ele ligar a TV e ponto. Ele merece mais. Merece atenção, brincadeira, uma pessoa disposta para estar ao seu lado enquanto mamãezinha enfrenta outra labuta. Não mais que duas ou três horas, mas já é tempo suficiente para trazer aquela sensação estranha de "o que está acontecendo por aqui?". Lembrem-se, sempre fui só eu cuidando do garoto o dia todo e agora vem alguém de fora! Ciúme eu? Não. Só um pouco de controle mesmo. Falo sério, porque ainda não deu tempo de me enciumar, mas de estranhar eu não estar ali controlando cada passo do meu filho, mesmo ele não saindo de perto, estando na sala ao lado ou no quintal, sob meus olhares, a uma distância curta o bastante para ouví-lo matracar. Simplesmente passo por uma adaptação, o início de uma nova etapa.
Ele gostou da novidade, embora ontem tenha vindo me beijar duas vezes, perguntar e contar alguma coisa a cada quinze minutos. Eu estou me acostumando com a ideia, com o fato de apenas alguns dias ter um horário meu, para trabalhar e me preparar para mais trabalho, que agora sim pode surgir. Estou me permitindo também deixar de fazer a janta às vezes, de ter uma moça gentil e devidamente remunerada para fazê-lo por mim, lavando a louça em seguida enquanto paparico meu filhote depois de um tempinho "distante". Devo me dar ao luxo? Sem culpa? Porque sinceramente me acostumei com a vida de dona de casa, rainha do lar mesmo, aquela que cuida de tudo o tempo todo com prazer, dedicação e monopolização. Será que posso delegar um pouquinho? Só essas horinhas, só uns diazinhos, só para variar? Sei que posso.
Já escrevi sobre a árdua tarefa de aprender a delegar mas, cá entre nós, é preciso, pelo menos quando se tem de ligar o laptop e encontrar aquele antigo amigo chamado mercado de trabalho. E o fato de eu ter me dedicado exclusivamente à maternidade esse tempo todo por opção me dá a certeza de que, claro, eu posso e até devo criar esse novo espaço.
Esses dias fui visitar o clube que uma amiga frequenta na cidade dela (quando ela pode, já que é tão dona de casa quanto eu) e me imaginei ali, usufruindo aquele lugar lindo, com academia, sauna e pista de corrida. Mães em tempo integral ou coisa parecida, fechem os olhos e sonhem com tardes de sol de pura qualidade de vida e longos minutos de egoísmo e cuidado consigo mesma. Você se exercitando ou fazendo uma massagem enquando seu filho passeia de carrinho com a ajudante... Só uns dias da semana, só por umas horinhas, só para dar um gostinho.
Não! Eu não consigo nem sonhar. Como disse à minha amiga, "não imagino o que é ser mãe de outro jeito que não seja esse que sou". Pode soar ridículo, mas é o que sinto. Por mais que entenda, respeite e saiba de inúmeros pontos positivos de uma maternidade diferente (não displicente), com babá, empregada, clube, massagista, manicure, cafézinho com amigas e emprego fixo, eu fico com a "minha" maternidade. Porque escolhi assim e, por mais cansada, atarefada e esquecida que eu possa ficar em determinados momentos dessa jornada 24 horas, me vejo em paz comigo mesma, o que me convence cada vez mais de que cada mãe tem que seguir suas vontades, seu coração. Porque não adianta se esforçar para estar em casa querendo estar no escritório. Filho percebe, a gente se percebe. Porque não adianta se forçar a trabalhar fora ou ter mais tempo para jogar fora, se quer estar com o filho. Ele sente, nós sentimos. Nós mães temos que optar pelo que julgamos melhor para nós e nossa família e ficar bem com nossa escolha, o que é fácil se ela for verdadeira. Essa é uma ajuda que não podemos pedir a ninguém de fora, porque vem de dentro. Pura auto-ajuda materna, aquela que podemos até ler em livros e blogs, mas que não funciona se não vier lá do fundo. Sigam seus desejos verdadeiros mães. Nem que numa próxima gravidez, eles sejam outros...
Não estou à toa, afinal ela só entrou em casa porque preciso trabalhar no computador e porque segurar o Leco enquanto me concentro nisso está cada vez mais complicado. Não acho justo com ele ligar a TV e ponto. Ele merece mais. Merece atenção, brincadeira, uma pessoa disposta para estar ao seu lado enquanto mamãezinha enfrenta outra labuta. Não mais que duas ou três horas, mas já é tempo suficiente para trazer aquela sensação estranha de "o que está acontecendo por aqui?". Lembrem-se, sempre fui só eu cuidando do garoto o dia todo e agora vem alguém de fora! Ciúme eu? Não. Só um pouco de controle mesmo. Falo sério, porque ainda não deu tempo de me enciumar, mas de estranhar eu não estar ali controlando cada passo do meu filho, mesmo ele não saindo de perto, estando na sala ao lado ou no quintal, sob meus olhares, a uma distância curta o bastante para ouví-lo matracar. Simplesmente passo por uma adaptação, o início de uma nova etapa.
Ele gostou da novidade, embora ontem tenha vindo me beijar duas vezes, perguntar e contar alguma coisa a cada quinze minutos. Eu estou me acostumando com a ideia, com o fato de apenas alguns dias ter um horário meu, para trabalhar e me preparar para mais trabalho, que agora sim pode surgir. Estou me permitindo também deixar de fazer a janta às vezes, de ter uma moça gentil e devidamente remunerada para fazê-lo por mim, lavando a louça em seguida enquanto paparico meu filhote depois de um tempinho "distante". Devo me dar ao luxo? Sem culpa? Porque sinceramente me acostumei com a vida de dona de casa, rainha do lar mesmo, aquela que cuida de tudo o tempo todo com prazer, dedicação e monopolização. Será que posso delegar um pouquinho? Só essas horinhas, só uns diazinhos, só para variar? Sei que posso.
Já escrevi sobre a árdua tarefa de aprender a delegar mas, cá entre nós, é preciso, pelo menos quando se tem de ligar o laptop e encontrar aquele antigo amigo chamado mercado de trabalho. E o fato de eu ter me dedicado exclusivamente à maternidade esse tempo todo por opção me dá a certeza de que, claro, eu posso e até devo criar esse novo espaço.
Esses dias fui visitar o clube que uma amiga frequenta na cidade dela (quando ela pode, já que é tão dona de casa quanto eu) e me imaginei ali, usufruindo aquele lugar lindo, com academia, sauna e pista de corrida. Mães em tempo integral ou coisa parecida, fechem os olhos e sonhem com tardes de sol de pura qualidade de vida e longos minutos de egoísmo e cuidado consigo mesma. Você se exercitando ou fazendo uma massagem enquando seu filho passeia de carrinho com a ajudante... Só uns dias da semana, só por umas horinhas, só para dar um gostinho.
Não! Eu não consigo nem sonhar. Como disse à minha amiga, "não imagino o que é ser mãe de outro jeito que não seja esse que sou". Pode soar ridículo, mas é o que sinto. Por mais que entenda, respeite e saiba de inúmeros pontos positivos de uma maternidade diferente (não displicente), com babá, empregada, clube, massagista, manicure, cafézinho com amigas e emprego fixo, eu fico com a "minha" maternidade. Porque escolhi assim e, por mais cansada, atarefada e esquecida que eu possa ficar em determinados momentos dessa jornada 24 horas, me vejo em paz comigo mesma, o que me convence cada vez mais de que cada mãe tem que seguir suas vontades, seu coração. Porque não adianta se esforçar para estar em casa querendo estar no escritório. Filho percebe, a gente se percebe. Porque não adianta se forçar a trabalhar fora ou ter mais tempo para jogar fora, se quer estar com o filho. Ele sente, nós sentimos. Nós mães temos que optar pelo que julgamos melhor para nós e nossa família e ficar bem com nossa escolha, o que é fácil se ela for verdadeira. Essa é uma ajuda que não podemos pedir a ninguém de fora, porque vem de dentro. Pura auto-ajuda materna, aquela que podemos até ler em livros e blogs, mas que não funciona se não vier lá do fundo. Sigam seus desejos verdadeiros mães. Nem que numa próxima gravidez, eles sejam outros...
segunda-feira, 18 de julho de 2011
E quem disse que é fácil?
No meio do meu trabalho de frila, resolvi parar e dizer que não, não é fácil trabalhar em mom office. Ficar no computador e manter a atenção nele, com o tempo correndo contra você e seu filho correndo para você, é uma das tarefas mais complicadas que já vivi. Mais que a correria da produção de um telejornal. Mais que terminar uma matéria à meia noite para ser publicada no jornal do dia seguinte. Mais que falar ao vivo na rádio sem rir com o operador de áudio fazendo palhaçadas na sua frente.
Mesmo tendo alguém para olhar seu filho (sim, eu consegui e conto depois), trabalhar em casa é um desafio. Gostoso poder ouvir a voz do meu filho brincando no quintal enquanto eu digito. Difícil saber que daqui a pouquinho a ajudante vai embora e ele vai mesmo querer ficar comigo. E eu já quero ficar com ele!!! Tanto que hoje, o texto é curto. Publicado rapidamente antes do meu expediente em frente à tela terminar. Alguém disse que é fácil? Se disse, mentiu!
Mesmo tendo alguém para olhar seu filho (sim, eu consegui e conto depois), trabalhar em casa é um desafio. Gostoso poder ouvir a voz do meu filho brincando no quintal enquanto eu digito. Difícil saber que daqui a pouquinho a ajudante vai embora e ele vai mesmo querer ficar comigo. E eu já quero ficar com ele!!! Tanto que hoje, o texto é curto. Publicado rapidamente antes do meu expediente em frente à tela terminar. Alguém disse que é fácil? Se disse, mentiu!
quarta-feira, 23 de março de 2011
Mom Office
Há dois anos e alguns dias me dedico quase que exclusivamente à maternidade. Fiz essa opção porque não me vi em outro papel se não esse desde que saí da sala de parto. Quando meu bebê tinha quatro meses cheguei a voltar ao jornalismo, mas pelo computador de casa e por apenas três meses. Quando ele tinha 1 ano e 4 meses trabalhei desse mesmo jeito, por mais três meses. Fiz por vontade, para ganhar um dinheirinho extra e para me "manter" no mercado. Dava para conciliar a mãe com a proffissional e mesmo que isso tenha me levado à exaustão, eu ficava satisfeita, pois meu pequeno estava ali ao meu lado o tempo todo. Passou e eu voltei a ser a mãe em tempo integral.
Sou privilegiada, digo e repito. E não me arrependo de usufruir de tal privilégio, que é o de estar em casa sem me preocupar com emprego. Meu bebê, hoje com dois anos, me mostra que cada minuto com ele valeu a pena. Vale muito a pena. Eu vi e vejo tudo acontecer, acompanhei cada etapa de pertinho e sei como está meu filho sem ninguém precisar me contar, sem falar em tudo que posso ensiná-lo diariamente. Eu o conheço melhor que a mim mesma! Sou feliz. Ele é feliz.
É uma pena que nem todas as mães possam praticar a maternidade com essa intensidade... Umas tem que voltar ao batente antes mesmo de a licença acabar. Sinto muito por elas e pelos seus filhos. Mas cada uma tem sua vida, sua crença, seus sentimentos e, principalmente, suas necessidades. Para ajudar, o governo em nada ajuda para que a realidade seja diferente. Nenhum benefício para mamães a não ser míseros quatro ou seis meses longe do trabalho.
Paciência para quem faz parte dessa verdade, seja trabalhando com o coração partido em deixar o filhote, seja curtindo o filho e sentindo cobranças de quem não entende essa vontade mais forte que ego, dinheiro e sucesso profissional.
Diante desse mundo onde não há meio termo, acredito que seja fácil entender o que às vezes acontece com mães que optam por ficar em casa. É que depois de tanto tempo cuidando de tarefas domésticas e de criança, faz falta um ar. O oxigênio respirado no mercado de trabalho. Pode parecer contraditório, mas, por mais satisfeita que a mamãe esteja, pensar em outra coisa que não seja só o filho e a casa dá saudade. Não a ponto de querer trocar de lugar com a mãe que trabalha fora (não mesmo!), mas o suficiente para refletir se não é possível trazer trabalho de fora para dentro. Ter uma tarefa profissional massageia a alma, muda a rotina, nos coloca como parte de um mundo que nos esquece quando estamos fora dele. No meu caso, por exemplo, não há desejo em sair de casa ainda, mas de estar aqui e abrir uma janelinha para o lado de fora, como já fiz antes. É inspirador.
Não é por acaso que vejo tantas mães mudando de ramo logo que o tempo de afastamento de seu antigo emprego termina e se dedicando a algo que possam fazer em casa para ganhar dinheiro. Umas fazem isso com o filhinho ainda bem neném, outras depois que acham que o pequeno está mais independente, mesmo que ele ainda fique só sob seus cuidados. Conheço histórias de mulheres que começaram grandes negócios assim... Pode ser a "síndrome da super mulher", mas dá certo para muitas. Dá trabalho, mas dá. E eu, que já tive a chance de experimentar esse "duo", acho maravilhosa a possibilidade. Se home office é tendência mundial para homens e mulheres solteiros ou casados, para mamães modernas, mom office pode ser uma idéia mais que genial. Seria, se não faltassem oportunidades para colocá-la em prática.
Não digo que o trabalho feito de casa resolveria todos os problemas e dilemas maternos, talvez só os aumentaria. Também não acho que seja a solução em todos os casos, afinal há profissões em que presença é fundamental. Mas, o reconhecimento do trabalho à distância nos daria mais opções, da mesma forma que já dão algumas empresas que criam espaços para os bebês ficarem pertinho das mamães enquanto elas "produzem". Mas, como escrevi, são só algumas empresas que fazem isso e o mom office ainda é quase um ideal. Por isso, só nos resta mesmo optar por qual janela fechar. E esperar até conseguirmos abrir uma porta.
Sou privilegiada, digo e repito. E não me arrependo de usufruir de tal privilégio, que é o de estar em casa sem me preocupar com emprego. Meu bebê, hoje com dois anos, me mostra que cada minuto com ele valeu a pena. Vale muito a pena. Eu vi e vejo tudo acontecer, acompanhei cada etapa de pertinho e sei como está meu filho sem ninguém precisar me contar, sem falar em tudo que posso ensiná-lo diariamente. Eu o conheço melhor que a mim mesma! Sou feliz. Ele é feliz.
É uma pena que nem todas as mães possam praticar a maternidade com essa intensidade... Umas tem que voltar ao batente antes mesmo de a licença acabar. Sinto muito por elas e pelos seus filhos. Mas cada uma tem sua vida, sua crença, seus sentimentos e, principalmente, suas necessidades. Para ajudar, o governo em nada ajuda para que a realidade seja diferente. Nenhum benefício para mamães a não ser míseros quatro ou seis meses longe do trabalho.
Paciência para quem faz parte dessa verdade, seja trabalhando com o coração partido em deixar o filhote, seja curtindo o filho e sentindo cobranças de quem não entende essa vontade mais forte que ego, dinheiro e sucesso profissional.
Diante desse mundo onde não há meio termo, acredito que seja fácil entender o que às vezes acontece com mães que optam por ficar em casa. É que depois de tanto tempo cuidando de tarefas domésticas e de criança, faz falta um ar. O oxigênio respirado no mercado de trabalho. Pode parecer contraditório, mas, por mais satisfeita que a mamãe esteja, pensar em outra coisa que não seja só o filho e a casa dá saudade. Não a ponto de querer trocar de lugar com a mãe que trabalha fora (não mesmo!), mas o suficiente para refletir se não é possível trazer trabalho de fora para dentro. Ter uma tarefa profissional massageia a alma, muda a rotina, nos coloca como parte de um mundo que nos esquece quando estamos fora dele. No meu caso, por exemplo, não há desejo em sair de casa ainda, mas de estar aqui e abrir uma janelinha para o lado de fora, como já fiz antes. É inspirador.
Não é por acaso que vejo tantas mães mudando de ramo logo que o tempo de afastamento de seu antigo emprego termina e se dedicando a algo que possam fazer em casa para ganhar dinheiro. Umas fazem isso com o filhinho ainda bem neném, outras depois que acham que o pequeno está mais independente, mesmo que ele ainda fique só sob seus cuidados. Conheço histórias de mulheres que começaram grandes negócios assim... Pode ser a "síndrome da super mulher", mas dá certo para muitas. Dá trabalho, mas dá. E eu, que já tive a chance de experimentar esse "duo", acho maravilhosa a possibilidade. Se home office é tendência mundial para homens e mulheres solteiros ou casados, para mamães modernas, mom office pode ser uma idéia mais que genial. Seria, se não faltassem oportunidades para colocá-la em prática.
Não digo que o trabalho feito de casa resolveria todos os problemas e dilemas maternos, talvez só os aumentaria. Também não acho que seja a solução em todos os casos, afinal há profissões em que presença é fundamental. Mas, o reconhecimento do trabalho à distância nos daria mais opções, da mesma forma que já dão algumas empresas que criam espaços para os bebês ficarem pertinho das mamães enquanto elas "produzem". Mas, como escrevi, são só algumas empresas que fazem isso e o mom office ainda é quase um ideal. Por isso, só nos resta mesmo optar por qual janela fechar. E esperar até conseguirmos abrir uma porta.
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