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terça-feira, 19 de julho de 2011

Ajuda que vem de fora e ajuda que vem de dentro

Eu consegui encontrar uma pessoa para me ajudar no lar. Nem babá, nem empregada doméstica. Prefiro chamar de ajudante. Alguém que não vai ser mãe no meu lugar, nem deixar tudo brilhando, mas que vai suprir nossa necessidade atual, estando aqui. Algumas vezes por semana, algumas horas. Óbviamente que para ocupar o cargo ela preenche todos os requisitos necessários. Óbviamente que já me sinto sem função!
Não estou à toa, afinal ela só entrou em casa porque preciso trabalhar no computador e porque segurar o Leco enquanto me concentro nisso está cada vez mais complicado. Não acho justo com ele ligar a TV e ponto. Ele merece mais. Merece atenção, brincadeira, uma pessoa disposta para estar ao seu lado enquanto mamãezinha enfrenta outra labuta. Não mais que duas ou três horas, mas já é tempo suficiente para trazer aquela sensação estranha de "o que está acontecendo por aqui?". Lembrem-se, sempre fui só eu cuidando do garoto o dia todo e agora vem alguém de fora! Ciúme eu? Não. Só um pouco de controle mesmo. Falo sério, porque ainda não deu tempo de me enciumar, mas de estranhar eu não estar ali controlando cada passo do meu filho, mesmo ele não saindo de perto, estando na sala ao lado ou no quintal, sob meus olhares, a uma distância curta o bastante para ouví-lo matracar. Simplesmente passo por uma adaptação, o início de uma nova etapa.
Ele gostou da novidade, embora ontem tenha vindo me beijar duas vezes, perguntar e contar alguma coisa a cada quinze minutos. Eu estou me acostumando com a ideia, com o fato de apenas alguns dias ter um horário meu, para trabalhar e me preparar para mais trabalho, que agora sim pode surgir. Estou me permitindo também deixar de fazer a janta às vezes, de ter uma moça gentil e devidamente remunerada para fazê-lo por mim, lavando a louça em seguida enquanto paparico meu filhote depois de um tempinho "distante". Devo me dar ao luxo? Sem culpa? Porque sinceramente me acostumei com a vida de dona de casa, rainha do lar mesmo, aquela que cuida de tudo o tempo todo com prazer, dedicação e monopolização. Será que posso delegar um pouquinho? Só essas horinhas, só uns diazinhos, só para variar? Sei que posso.
Já escrevi sobre a árdua tarefa de aprender a delegar mas, cá entre nós, é preciso, pelo menos quando se tem de ligar o laptop e encontrar aquele antigo amigo chamado mercado de trabalho. E o fato de eu ter me dedicado exclusivamente à maternidade esse tempo todo por opção me dá a certeza de que, claro, eu posso e até devo criar esse novo espaço.
Esses dias fui visitar o clube que uma amiga frequenta na cidade dela (quando ela pode, já que é tão dona de casa quanto eu) e me imaginei ali, usufruindo aquele lugar lindo, com academia, sauna e pista de corrida. Mães em tempo integral ou coisa parecida, fechem os olhos e sonhem com tardes de sol de pura qualidade de vida e longos minutos de egoísmo e cuidado consigo mesma. Você se exercitando ou fazendo uma massagem enquando seu filho passeia de carrinho com a ajudante... Só uns dias da semana, só por umas horinhas, só para dar um gostinho.
Não! Eu não consigo nem sonhar. Como disse à minha amiga, "não imagino o que é ser mãe de outro jeito que não seja esse que sou". Pode soar ridículo, mas é o que sinto. Por mais que entenda, respeite e saiba de inúmeros pontos positivos de uma maternidade diferente (não displicente), com babá, empregada, clube, massagista, manicure, cafézinho com amigas e emprego fixo, eu fico com a "minha" maternidade. Porque escolhi assim e, por mais cansada, atarefada e esquecida que eu possa ficar em determinados momentos dessa jornada 24 horas, me vejo em paz comigo mesma, o que me convence cada vez mais de que cada mãe tem que seguir suas vontades, seu coração. Porque não adianta se esforçar para estar em casa querendo estar no escritório. Filho percebe, a gente se percebe. Porque não adianta se forçar a trabalhar fora ou ter mais tempo para jogar fora, se quer estar com o filho. Ele sente, nós sentimos. Nós mães temos que  optar pelo que julgamos melhor para nós e nossa família e ficar bem com nossa escolha, o que é fácil se ela for verdadeira. Essa é uma ajuda que não podemos pedir a ninguém de fora, porque vem de dentro. Pura auto-ajuda materna, aquela que podemos até ler em livros e blogs, mas que não funciona se não vier lá do fundo. Sigam seus desejos verdadeiros mães. Nem que numa próxima gravidez, eles sejam outros...

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