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quarta-feira, 30 de março de 2011

Exemplo

Quando não se tem filhos, exemplo nada mais é do que algo que serve para expressar ou mostrar algo, seja ele certo ou errado. Nada demais. Quando nascem os filhos, a palavra ganha um peso que dói nas costas. Exemplo ganha obrigatoriamente a carga positiva, tendo sempre que retratar coisas boas. E nem é preciso exemplificar que o pai e a mãe se sentem as pessoas mais responsáveis por dar exemplo.
Nossos pais sempre foram nossos exemplos, ainda que às vezes tenham sido daquilo que não queriam. Mas são. E, salvo exceções, sempre se preocuparam em ser. Quem sai da maternidade com um bebê no colo sente que a partir daquele momento é mais do que uma pessoa no mundo, é a pessoa do mundo daquele pequeno e indefeso ser. Eu senti mais que isso. Quando estava no carro, com meu marido e meu neném no colo indo para casa, com o carro da minha mãe seguindo ao lado, olhei para ela, para meu menino, para mim mesma e tive a certeza que ali eu havia entendido o que meus pais sentem por mim. Quanto eu significo, desde aquele instante, para ambos. Filhos chegam logo nos jogando na cara absolutamente tudo que vivemos lá atrás. Nos esfregam na face todo o amor que recebemos, todos os não que não entendemos, tudo que fica complicadíssimo compreender sem estar do outro lado da narrativa.
Passamos a carregar a vontade e necessidade de ser exemplar. Temos que ser, que dar, que mostrar. Até aí, é relativamente fácil. Torna-se algo natural, espontâneo e até produtivo, quando se escolhe isso. Escova-se mais os dentes, a alimentação tende a melhorar, falta de organização torna-se arma contra nós mesmos, consciência ambiental e social vira parte da rotina diária até na hora de inventar uma historinha. Difícil é controlar outros exemplos, que vem de fora. Isso é impossível! Filhos crescem e vão para a rua, conhecem gente de todo o tipo, lidam com os mais variados exemplos, em todo o lugar, inclusive no quarto, pela tela da TV ou do computador. Então, lá vem aquela velha história de que o importante é o que fazemos dentro de casa, a "base" que damos, os valores que passamos, a educação e a relação construída com todo o nosso amor e dedicação. Resolvido? Nem pensar.
O que foi ensinado ajuda muito, mas só o tempo vai mostrar se o resultado será o esperado. Erramos, mesmo sem querer. Porque mesmo acertando podemos gerar uma reação contrária. Porque damos exemplos nem tão certos e até bem errados sem perceber. É tão natural e espontâneo quanto tentar ser o espelho bom o tempo todo. E, se algum erro vai resultar no erro deles, isso é pergunta para o tarô. Ai daquele que acertar!
Contra toda essa responsabilidade e seriedade que nos é dada quando deixamos de ser filhos para sermos pais, vem toda a naturalidade de uma vida que surpreende, ensina, alegra, derruba, levanta, guia e se deixa guiar. Penso que dar exemplo é fundamental. Bons e até os ruins. Quando filhos crescem, usam o que é positivo como norte e o negativo como sul. Buscam o que acham exemplar, fogem daquilo que não acham. Mesmo quando o pai e a mãe tem a certeza que estão acertando, na visão do filhinho crescido, podem estar muito enganados e tudo ao contrário também. A boa notícia para filhos é essa: que, quando adultos, usamos o que queremos e o que se adéqua à nossa vida e jogamos fora o que não se encaixa. A boa notícia para pais é que a parte de jogar fora não é assim tão simples...
Todo o nosso esforço na maternidade e paternidade é de muito valor. É extenuante em certos momentos, mas ao longo dos anos percebe-se que vale cada gota de suor, cada noite sem dormir, cada livro lido, cada conversa com comadre. Vale toda a preocupação e exigência, com eles e conosco. Porque a base deve ser sólida para que quando estiverem sobre ela, as "crianças" não escorreguem. E mais que isso. Para que a palavra exemplo não se torne sinônimo de ídolo. Pois todo ídolo deve ser exemplo, mas nem todo exemplo deve ser ídolo.
Pode gostar de reality show e torcer para o participante mais fútil por pura empatia. Pode ouvir músicas da banda cheia de cantores que usam calças coloridas. Pode ficar na rede de relacionamento sem dar um pio que preste. Pode ter a maior diversidade de amigos. Mas não pode idolatrar tudo. Pode e deve respeitar sempre, sem pré nem pós-conceito, mas não pode seguir exemplo que não mereça ser seguido. Não precisa apontar o dedo para o que é certo e errado (conceitos que mudam de endereço), mas analisar criticamente, com tudo aquilo que foi aprendido com a família e com a sua trajetória, com o coração e a razão. Pensar crítico não é ser crítico. É escolher seu caminho sem obstruir o caminho do outro.
O que não pode é o filho carregar a rigidez e exigência imposta por nós, pais, pela vida toda. Se nós pudemos errar como filhos e podemos como pais, porque não eles? A perfeição é imperfeita. E cada dia que passa só provam e comprovam como somatizamos tanta busca por ela. Ninguém é perfeito e exigir isso de quem quer que seja, incluindo de si próprio, não deve levar muito longe, visto que um passo dado não pode nos impedir de voltar atrás. A única verdade da vida perece ser a vida. E, se tem outra, é que, em determinado momento, todo ídolo perde a graça...

terça-feira, 29 de março de 2011

Hiperatividade X hiper-falta-de-educação

Banalizaram a hiperatividade, pelo menos no Brasil. Percebe-se isso, por exemplo, quando uma avó, no parquinho, diz a seguinte frase sobre o neto de dois anos: "Ele é um pouco hiperativo". Como assim um pouco? Ou é ou não é. E o menino da histórinha verídica não parecia ser. A avó só queria justificar o "excesso de atividade" do garoto demonstrada por ele com muita falta educação. Eu estava lá e vi que o menino tem fôlego, é levado, hiper ativo sim, mas não hiperativo (com o transtorno conhecido como hiperatividade). Ele demonstrava apenas não saber o que é limite e, por isso, não parava, nem quando tomava uma bronca daquelas de dar medo em adulto. Talvez porque ele tenha perdido o medo de tanto levar bronca sem nunca ter diálogo, porque esse eu não vi.
Assim que o hiperlevado ficou sob os olhos do avô, ele tomou jeito. O senhor alegre dialogava com o neto, puxava assuntos variados, o elogiava, falava das consequências de seus atos se não mudassem no mesmo instante, cantava junto, sugeria brincadeiras, etc. O pentelhinho se acalmou, a ponto de me acalmar também. Afinal, ele já tinha impedido meu filho de balançar, de escorregar, ameaçou jogar pedra e ainda tentou cuspir na carinha do meu anjo! E eu ali, defendendo, falando educadamente que aquilo era feio. Ainda bem que o meu molequinho entende, respeita e até se afastou um pouco como forma de se precaver. O deles apenas me serviu de exemplo, daqueles que não queremos seguir.
Ficou nítido para mim que o coitadinho faz todos de coitadinhos porque quer atenção. A mãe, todo o tempo que esteve ali, não me parecia se importar muito com as artes. Será que ela se importa com o resto? Não dá para saber. Ela tem outro filho menor e devia estar bem cansada, mas até aí, que mãe não está? O pai, em todas as inúmeras vezes que o filho derrubou propositalmente a garrafinha de água do Léo, até tentou repreender, mas desistiu assim que não viu resultado. "Desculpa viu, ele tá de sacanagem", foi o que me disse.
Não é para julgar, mas faz pensar. Dizer que o pimentinha é hiperativo só para justificar a falta de educação, limites, atenção, paciência ou seja lá o que for não é legal. Banaliza. Tira a importância daquilo que realmente importa. Dificulta a vida de quem passa pelo problema. Muitas pessoas acham que casos verdadeiros são falta de limites, simplesmente porque quem não dá limites dá à sua atuação educacional o nome da doença. Isso pode resultar em preconceito, pois falta de educação passa a ser uma característica do problema!
Não é difícil confundir, já que os principais sintomas se parecem com traços de comportamento até certo ponto comuns na infância, como energia em excesso, mas imagine como fica ainda mais complicado entender e respeitar a doença com tanta gente dizendo que tem filho hiperativo, o qual na verdade só não sabe gastar a energia sem ser indisciplinado. Confunde até o doutor!
A doença é reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo que em determinados países, os portadores são protegidos por lei para receberem tratamento diferenciado na escola. A informacão é da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), que caracteriza o problema, conhecido por transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH),  por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Texto do site explica: "As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos".
Dá para ver onde é possível confundir, mas dá para notar que o problema vai bem além do "gás" inacreditável das crianças e, principalmente, que criança sem limite não é hiperativa e vice-versa. Se há dúvidas, melhor seguir a recomendação da entidade e procurar um profissional, pois só ele pode fazer o diagnóstico corretamente. Só profissionais, não avós, vizinhas ou mães que estiverem no parquinho...
Então, não adianta ficar dizendo que tem uma criança um pouco hiperativa em casa. Se desconfia que há o problema, a pessoa precisa mesmo consultar um médico que possa dizer se é mesmo o caso ou se a única coisa hiper é a energia, a felicidade ou a falta de educação. Pode ser que o menino citado seja mesmo hiperativo. Não sou especialista. Mas se eu confundi, sou apenas mais um exemplo de que a banalização acontece... Se o menino for, a família não deveria estar relatando os sintomas a mim e sim já ter falado com o pediatra do garoto, pois a hiperatividade pode e deve ser tratada, com terapia, medicamentos e outras alternativas. Já a hiper-falta-de-educação pode ser tratada também, mas com vontade e disciplina, dos pais, em primeiro lugar. Prescrição de mãe, que se preocupa em criar um indivíduo educado e feliz, sem que, para isso, ele precise agredir alguém de alguma forma.

sábado, 26 de março de 2011

Alimentação: saudades do saudável

Não sei como algumas mulheres simplesmente escolhem não amamentar. Medo do seio cair? Vontade de dormir a noite toda? Idéia de que assim torna o filho menos dependente? Seja lá o que for, elas não devem nem imaginar o quão fácil é dar de mamar. Alimento saudável, com todos os ingredientes necessários ao filhote, ali, na temperatura e quantidade certa, prontinho para ser servido! Não precisa de receita, de compras no sacolão e nem de microondas...
Alimentar-se bem colabora para oferecer leitinho de qualidade, mas a verdade é que não é preciso fazer força alguma. Desde a gravidez, é comum as mulheres já se alimentarem melhor, terem mais disposição a realizar mudanças no cardápio e até sentirem vontade de comer aquilo que o organismo necessita (podendo ser confundida com desejo de grávida). E na amamentação, me desminta se puder, a fome é grande! Ou seja, o aleitamento materno é divino, prático e saudável para mãe e filho.
Quando entram as papinhas, as dificuldades aparecem. Mais para umas, menos para outras, mas elas aparecem. Começa pelo fato de termos que ir para o fogão com um pequeno pedindo atenção o tempo todo. E termina na frustração de ver a recusa de uma papinha feita com tanto carinho. Certamente alguns bebês são gulosos desde a primeira colherada e aceitam tudo que veem pela frente, mas grande parte deles fecha a boquinha para qualquer gororoba e, se abre, é apenas para experimentar. Muito comum não gostarem do alimento nas primeiras tentativas, mas que mãe fica tranquila com isso? Mesmo lendo muito a respeito, eu ficava desesperada e conheço outras tantas que faziam e fazem o mesmo!
Meu filho começou gostando só de mamão. Depois de banana e mais tarde de pêra. Nenhuma fruta mais. Nem suco. Com oito meses ainda era dificílimo convencê-lo a comer papinha salgada, sendo que muitas vezes o papazinho ia todo para o lixo. Mas o mamão papaya ia inteirinho e, se eu deixasse, mais meio! Já com 10 meses, a papinha salgada fazia sucesso e o rapazinho comia muito, uma "pratada" que muita gente nem acreditava. Mas frutas, só aquelas de sempre e olha que eu fazia inúmeras tentativas, só tendo sucesso com o suco de melancia.
Agora, me pergunte se ele come bem atualmente. A resposta é não. Até uns quatro meses atrás comia tudo e de tudo que colocássemos no prato. Só tinhamos problemas com frutas, pois ele enjoou das de sempre e só aceitava três. Bem, com as frutas, tudo continua na mesma, mas eu consegui colocar um suquinho a mais. Já o almoço e a janta estão deixando a desejar. Ele escolhe o que quer comer, tirando minuciosamente pedacinhos verdes que encontra, preferindo "carninha" e devorando tomates! Não há o que fazer. E se há, eu tento, pode acreditar.
O que constato é que, por mais esforço que a gente faça, parece que criança vem com um "chip" para recusar o que é saudável e idolatrar porcarias! E olha que aqui em casa, elas passam longe. Para dizer a verdade, ele come pipoca na casa dos avós (uma ou duas vezes no mês), sorvete com o pai (vez ou outra) e chocolate com a mãe (esse bem raro porque eu como escondido). E só. Nada de bolacha recheada, bala ele nem sabe o que é e mesmo quando ele pede algo que vê por aí eu vou despistando... Mas sabe o que ele pediu ontem na janta? Primeiro, queria ir na casa do vô M e da vó R para comer pipoca. Depois disse que queria chocolate e em menos de dez minutos ainda teve a audácia de perguntar por sorvete! E eu, que tanto me esforço para preparar comidinhas gostosas, vejo tudo indo para o lixo... E olha que quando digo esforço, falo com propriedade porque antes do Léo eu não chegava a menos de um metro do fogão. Aprendi o que é cará e nhame com ele e só com a ajuda desse meu degustador hoje sou capaz de cozinhar comidinhas deliciosas e bem temperadinhas, com direito até de exercer minha criatividade de chef!
Por isso, sinto saudades e não apenas de amamentar, mas de quando ele resolveu aceitar as colheradas da mamãe, comendo legumes, verduras e tudo o mais, dizendo "que papá gotoso" e "hum que delícia". Meu gulosinho não perdeu a fome, só está enjoado. E sei que a falta de apetite pode ser porque o organismo dele não esteja precisando de tanta quantidade de alimento no momento ou porque ele esteja na fase natural da seletividade. Da mesma forma, sei que venho tentando tudo que os melhores especialistas indicam e que a situação só vem piorando. Sei, eu também sei que passa. Mesmo assim estressa, cansa, preocupa.
A minha realidade não é prioridade minha. Reportagens e mais reportagens são produzidas incansavelmente para ajudar os pais a fazerem os filhos comerem bem. Mas eu sei que, na minha realidade, sempre fiz força para que meu filhinho adquirisse hábitos saudáveis à mesa. Não o deixei chegar perto de açucar antes de 1 ano e meio e até agora dificulto. Comi  e como porcaria escondido. Passei a me alimentar melhor na frente dele, e também atrás. Sempre fiz questão de preparar tudo para o rei, oferecer variedades, mudar a apresentação dos alimentos... Assim como outras tantas mães, tenho certeza.
Mas, a verdade é crua. O saudável às vezes é complicado de ser praticado, ou melhor, ingerido. Por isso, muitas famílias desistem e preferem abrir enlatados, oferecer industrializados ou fingir que não veem o pacote de salgadinho ser devorado no lugar da janta. Por essas e outras a obesidade infantil alcança índices cada vez maiores. Eu não vou engordar as estatísticas. Não vou desistir. Sempre me alimentei razoavelmente mal, com paladar de criança e loucura por chocolate e, mesmo sendo magra, sei o preço que se paga por isso. O corpo precisa de mais e não para ser esbelto, para estar bem. A saúde é mais importante que a estética e uma hora a gente acaba percebendo isso. Quanto mais cedo melhor... Então, filhinho, vamos papar tudo. Porque comer comer é o melhor mesmo, para crescer e para deixar a mamãe bem satisfeita. Mata minha fome vai...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mom Office

Há dois anos e alguns dias me dedico quase que exclusivamente à maternidade. Fiz essa opção porque não me vi em outro papel se não esse desde que saí da sala de parto. Quando meu bebê tinha quatro meses cheguei a voltar ao jornalismo, mas pelo computador de casa e por apenas três meses. Quando ele tinha 1 ano e 4 meses trabalhei desse mesmo jeito, por mais três meses. Fiz por vontade, para ganhar um dinheirinho extra e para me "manter" no mercado. Dava para conciliar a mãe com a proffissional e mesmo que isso tenha me levado à exaustão, eu ficava satisfeita, pois meu pequeno estava ali ao meu lado o tempo todo. Passou e eu voltei a ser a mãe em tempo integral.
Sou privilegiada, digo e repito. E não me arrependo de usufruir de tal privilégio, que é o de estar em casa sem me preocupar com emprego. Meu bebê, hoje com dois anos, me mostra que cada minuto com ele valeu a pena. Vale muito a pena. Eu vi e vejo tudo acontecer, acompanhei cada etapa de pertinho e sei como está meu filho sem ninguém precisar me contar, sem falar em tudo que posso ensiná-lo diariamente. Eu o conheço melhor que a mim mesma! Sou feliz. Ele é feliz.
É uma pena que nem todas as mães possam praticar a maternidade com essa intensidade... Umas tem que voltar ao batente antes mesmo de a licença acabar. Sinto muito por elas e pelos seus filhos. Mas cada uma tem sua vida, sua crença, seus sentimentos e, principalmente, suas necessidades. Para ajudar, o governo em nada ajuda para que a realidade seja diferente. Nenhum benefício para mamães a não ser míseros quatro ou seis meses longe do trabalho.
Paciência para quem faz parte dessa verdade, seja trabalhando com o coração partido em deixar o filhote, seja curtindo o filho e sentindo cobranças de quem não entende essa vontade mais forte que ego, dinheiro e sucesso profissional.
Diante desse  mundo onde não há meio termo, acredito que seja fácil entender o que às vezes acontece com mães que optam por ficar em casa. É que depois de tanto tempo cuidando de tarefas domésticas e de criança, faz falta um ar. O oxigênio respirado no mercado de trabalho. Pode parecer contraditório, mas, por mais satisfeita que a mamãe esteja, pensar em outra coisa que não seja só o filho e a casa dá saudade. Não a ponto de querer trocar de lugar com a mãe que trabalha fora (não mesmo!), mas o suficiente para refletir se não é possível trazer trabalho de fora para dentro. Ter uma tarefa profissional massageia a alma, muda a rotina, nos coloca como parte de um mundo que nos esquece quando estamos fora dele. No meu caso, por exemplo, não há desejo em sair de casa ainda, mas de estar aqui e abrir uma janelinha para o lado de fora, como já fiz antes. É inspirador.
Não é por acaso que vejo tantas mães mudando de ramo logo que o tempo de afastamento de seu antigo emprego termina e se dedicando a algo que possam fazer em casa para ganhar dinheiro. Umas fazem isso com o filhinho ainda bem neném, outras depois que acham que o pequeno está mais independente, mesmo que ele ainda fique só sob seus cuidados. Conheço histórias de mulheres que começaram grandes negócios assim... Pode ser a "síndrome da super mulher", mas dá certo para muitas. Dá trabalho, mas dá. E eu, que já tive a chance de experimentar esse "duo", acho maravilhosa a possibilidade. Se home office é tendência mundial para homens e mulheres solteiros ou casados, para mamães modernas, mom office pode ser uma idéia mais que genial. Seria, se não faltassem oportunidades para colocá-la em prática.
Não digo que o trabalho feito de casa resolveria todos os problemas e dilemas maternos, talvez só os aumentaria. Também não acho que seja a solução em todos os casos, afinal há profissões em que presença é fundamental. Mas, o reconhecimento do trabalho à distância nos daria mais opções, da mesma forma que já dão algumas empresas que criam espaços para os bebês ficarem pertinho das mamães enquanto elas "produzem". Mas, como escrevi, são só algumas empresas que fazem isso e o mom office ainda é quase um ideal. Por isso, só nos resta mesmo optar por qual janela fechar. E esperar até conseguirmos abrir uma porta.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Corre xixi que a petinha já foi!

Desde quando Léo tinha seis meses eu já me preocupava em como tirar a chupeta. No entanto, fui deixando para agir em algum momento perto dos dois anos, idade considerada limite para o uso do utensílio. Por mais que eu tenha tido vontade, não tive forças para tentar tirar antes. Consegui restringir o uso à hora de dormir, mas isso foi desde sempre. Ele só chupetava mais quando era um bebê e sofria com cólicas, motivo pelo qual escolhi fazer uso do bico artificial.
Além de ser idade ideal para o fim da chupeta, dois anos também é a época em que o início do desfralde é mais recomendado. Fácil perceber que, se bobearmos, um coincide com o outro. O problema é que pediatras e especialistas aconselham a não tirar tudo de uma só vez. O médico do meu filho foi bem claro quando me disse que as duas exclusões juntas não davam certo. Ou seja mamães, é preciso escolher entre fralda e chupeta... Qual é menos importante, qual faz menos falta, qual será mais fácil abolir do cotidiano... Como se já não bastasse a dificuldade do ato de tirar, ainda precisamos escolher por onde começar!
Eu remoía isso dentro de mim. Não digo que sofri, mas pensei inúmeras vezes em qual escolha faria meu filho sofrer menos... Achei que a fralda era mais urgente, pois o frio chega rápido na cidade onde moramos e eu tinha tempo curto para deixar molhar cuequinhas e roupinhas loucamente. Então, resolvi deixar a chupeta para depois. Só passei a ser mais rígida. Se antes ele ainda ficava uns minutinhos com a pepê na boca depois de levantar, há uns dois meses, coloquei a regrinha de guardá-la no travesseiro logo que acordasse.
Meus planos iam mais ou menos bem. Enquanto a chupeta permanecia guardada quase o dia todo, a fralda ficava guardada no armário apenas uns minutinhos do dia e nem todo o dia, pois me faltava a coragem. Quando meu bebê tinha 1 ano e 8 meses, até decidi apresentá-lo ao penico, mas este logo virou poltroninha de leitura de livros. A verdade é que no início deixava Leléo meia horinha por dia sem fralda, depois a tarde toda e há um mês tento deixá-lo de fralda só para dormir, o que aconteceu de fato há apenas duas ou três semanas, depois de eu ter pensado em desistir mais de uma vez de tanto limpar o chão com álcool. Sempre o levei até o penico, como aconselhado por mães que passarm pela mesma situação com sucesso, mas este só foi deixando de ser objeto de decoração quando o usuário quis usá-lo.
Falam que tira-se a fralda em uma semana e uma mãe me contou que tirou em três dias! Aqui a coisa toda ainda segue aos poucos, mas vai muito bem, me provando mais uma vez que não há receita melhor que a prescrita por cada mãe, cada pai, cada filho. Dois dias antes de Leco completar dois aninhos, resolveu espontaneamente e sozinho fazer o primeiro xixi no penico, enquanto eu enchia a banheira para o banho, quando eu menos esperava. Ele passou a ir para o banheiro falando "corre xixi", mas ainda escapam alguns, o cocô só sai na fralda e quando saímos de casa nada de cueca, pois a atenção dele muda... Porém, ao contrário do que me alertaram, isso não o faz voltar atrás, mas a seguir em frente. Acabo de chegar de viagem, o garotinho lindo está de cueca e já deu sua corridinha ao penico duas vezes todo alegrinho...
E se o desfralde, que achei que ia acontecer primeiro, ainda está acontecendo, o "despêta" já foi! Hoje faz uma semana que Léo não coloca a chupeta na boca! E eu juro, filhinho, eu não fui cruel e tirei tudo ao mesmo tempo... É que no dia do seu aniversário, você mordeu a pepê e a rasgou. Haviam outras duas. Uma foi rasgada pelos seus dentinhos no dia seguinte à noite e a outra (que eu fui pegar para substituir), já estava rasgada e eu não havia notado. Eram dez da noite e não encontraríamos a marca que você gosta em nenhuma farmácia de plantão. Não havia o que fazer a não ser respirar fundo e esquecer as petinhas, mesmo estando no meio do processo de esquecimento das fraldinhas.
Como eu já estava pensando em fazer isso explicando que as chupetas estavam velhinhas e incentivando o pequeno a jogá-las no lixo, aproveitei o ocorrido para colocar a idéia em prática. Só não pensava em ter que fazê-lo jogar as três ao mesmo tempo... Mas eu e papai explicamos tudinho, o filhote entendeu e ainda repetiu "tchau petinha, obigado". A hora de dormir, que já estava transformada, passou a ficar transtornada, em compensação não houve nada de choro, grito ou birra. A compreensão do meu neném nos surpreende e nos deixa tranquilos, porque basta lembrá-lo do que aconteceu que as perguntinhas cessam.
O calmante de plástico faz falta, eu já saí do quarto chorando depois de um tempão tentando fazê-lo dormir sem ele, cheguei a me culpar por ter lhe dado a chupeta um dia, mas tem valido a pena. As "crises de abstinência" são muito melhores e menores do que imaginávamos e passam logo que respondemos à pergunta "cadê minha petinha?" com verdade e carinho. Nada de traumas ou problemas emocionais porque a chupeta deixou de aparecer, mesmo que o desfralde esteja sendo feito quase ao mesmo tempo, sem querer quase querendo. Dormir tem sido mais demorado, mas sair correndo para o banheiro, chegar lá e não sair nada de vez em quando tem sido uma brincadeira e se despedir do xixi depois de esvaziar a bexiguinha é pura diversão. Tchau petinha, tchau xixi!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dois anos felizes felizes...

Some uma festa deliciosa + um menino contente. O resultado não poderia ser outro: dois pais imensamente felizes! Graças a Deus, a nossos preparativos e à personalidade do Léo, a comemoração dos dois aninhos dele foi perfeita! Meu anjo, você não vai lembrar, mas saiba que aproveitou muito, brincou demais na piscina de bolinha e no pula-pula, comeu e correu bastante, se divertiu com cada criança, curtiu a decoração do Toy Story e adorou o "Parabéns".
É claro que a mamãe estava tensa e ansiosa e que ficou mais tensa ainda quando saiu no quintal com você e viu sua carinha de "quase" assustado. Mas logo relaxei vendo que você estava relaxando. Depois de passear pelo ambiente te mostrando cada personagem do seu desenho preferido, foi só te dar um saquinho de pipoca que sua carinha foi mudando. Começou a falar e em menos de 10 minutos lá estava o rei brincando no seu reino... E brincou até bem tarde da noite!
Não dá para explicar o que eu senti ao te ver feliz com a festinha. Eu e papai perguntávamos o tempo todo "Você está gostando da sua festa?". Resposta imediata: "Tô gotando da minha festa!". Não, não há nada mais perfeito que ver o filho alegre e satisfeito. E na hora de cantar "Parabéns", o ensaio funcionou, mas melhor que constatar isso, foi notar a sua satisfação em ver todo mundo cantando para você. Assoprou a velinha, cortou o bolo com a gente e o destruiu um pouquinho com a ajuda de alguns Bis que mais pareciam ferramentas... Lindo!!!
E lindo foi ver você nos ajudando em cada detalhe. Ajudou a "encher" bexigas, a preparar os enfeites das mesas, deixou as lembrancinhas guardadas sem querer abrir, observou a montagem da tenda (cabana) e nem quis comer o brigadeiro que a mamãe estava fazendo no dia anterior... Esta aí uma dica para quem estiver pensando na festinha do filho: deixá-lo participar. Gostoso preparar tudo com um ajudante mirim e vê-lo alegre cooperando. Delicioso ver que curtir a preparação da festa ajuda o aniversariante a aproveitar ainda mais o momento da festa!
Leleco, lembro que quando te acordei da soneca da tarde, fui logo falando o que estava à sua espera lá fora... Você foi assimilando tudo, meio sonado, lembrando do que eu e o papai já havíamos explicado. Mesmo excitado, tomou um banho gostosinho, colocou a roupinha linda atento à camisa nova, me deixou pentear seu cabelo e esperou imóvel até eu pegar o perfume na cômoda, pois queria estar bonito e cheiroso! E foi assim, com ansiedade e alegria, que fomos em direção à porta... E assim você acordou no dia seguinte. Mal chamou a mamãe no quarto e já foi correndo pegar um embrulho na sala dizendo "mãe, vamo abí o pesente!". O resto da história nem preciso contar, acho que dá para imaginar...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Carnaval para quê se tem aniversário?

Nesse ano, o aniversário do Léo coincide com o carnaval e eu sempre amei carnaval. Folia de salão nunca gostei, mas o sambódromo fez parte da minha vida ao vivo e pela televisão. Lembro que desde muito pequenina eu assistia aos desfiles na sala da casa dos meus pais e ficava sambando em frente ao espelho... Até hoje, se escuto uma bateria, arrepio. Energia boa!
Não me refiro à "folia" carnal a que muitos preferem se entregar. Isso, para mim, nunca fez sentido. Falo da energia positiva do carnaval, que qualquer um é capaz de sentir ao entrar em um ensaio de escola de samba ou ao assistir à uma comissão de frente impecável seguindo o ritmo do tamborim. Falo de fluidos não do corpo, mas da alma, jogados no ar ao mesmo tempo e sentidos até por quem está do outro lado da tela da TV.
É esse magnetismo que quero na festinha familiar que vamos promover. Quero uma foliazinha gostosa, alegre e saudável a todos. Alguns até sugeriram fazer festa à fantasia ou algo assim, mas como o objetivo é agradar meu filhote e ele ainda não é adepto de vestir roupinhas de personagens,  deixemos que ele curta o carnaval mais para frente... Eu não estou nem aí para a data!
Por isso, não farei nada carnavalesco por aqui (a não ser o exagero na decoração) e também não o levarei para nenhuma matinê. Por mais que eu goste de carnaval, acho cedo para apresentá-lo à folia. Para quê? Para assustar com as fantasias? Para chorar com a música alta e não querer sair do meu colo? Conheço quem leve os filhos a clubes, mas o meu vai ficar melhor em casa. O público será pequeno, batuque só o dos nossos corações, o enredo será "Parabéns prá você" e a melhor alegoria a do Woody. Festinha notaaaaa: 10!
Só espero que, se o carnaval insistir em competir com o aniversário do Leco no futuro, ele consiga continuar comemorando mesmo assim. Já ouvi tanta história de adultos que aniversariam em janeiro, no natal, reveillón ou carnaval e passaram a infância tristes de não conseguirem ter uma festinha... Se algumas vezes, esse for o seu caso, filhinho, paciência. Comemore nem que seja só com "família, família, papai, mamãe e titia!". Na avenida, no salão, em casa, na praia, como preferir. Não deixe o aniversário de lado, mesmo que outras pessoas deixem. Pois esse é seu dia, para festejar sua vida, sua chegada ao mundo, seu mundo. Dane-se o resto. Dane-se quem não quiser desfilar. O destaque é você. Sorte de quem estiver na sua ala.