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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Filhos reais

Real. "Relativo ao rei ou à realeza ou próprio dele ou dela". "Que existe de fato, verdadeiro". Duas definições do Dicionário Aurélio sobre uma mesma palavra, muito falada nas últimas semanas. Em menos de 48 horas, um casamento real (de verdade e ligado à realeza) acontecerá na Inglaterra e mudará a história, pelo menos deste país. O filho mais velho da Princesa Diana, que marcou época com sua simpatia e com a morte durante perseguição por paparazzi em 1997, irá se casar com uma plebéia conhecida como Kate. E nós, mães, com isso?
Esse acontecimento me toca exatamente por eu ser mãe. É verdade que ele está sendo explorado pela mídia de diversas maneiras até porque é capaz de tocar o mundo intensamente de todas essas maneiras, pelo romantismo, pela trágica história dessa família, pelos traços modernos, pelo novo passo no regime monárquico ou apenas pela curiosidade fútil. Goste você ou não da Monarquia, de histórias como a da Cinderela ou de falar Inglês, fato é fato e esse representa mudanças na família real britânica e poderá trazer mudanças para todas as famílias reais britânicas. Como? De muitas formas, a começar pela a futura Princesa e quase certamente Rainha ser a primeira graduada por uma universidade (pense sobre o reflexo disso para outras jovens como ela). É a primeira a morar com o futuro marido antes do enlace. Imaginem, ela morou com o namorado, o futuro Rei da Inglaterra, sem nem estarem noivos! Quanta modernidade... Um príncipe que trabalha, vejam bem, ele trabalha, mesmo que seja no exército real seguindo as tradições. Ele diz que "quando chega do trabalho" tal e tal coisa acontece e uma dessas coisas é que ele cozinha! Para seduzir a amada, que não, não precisa ficar atrás do fogão para merecer a coroa, ou melhor, o anel de noivado valiosíssimo que foi usado pela sogra.
Tudo isso já foi falado e repetido pela imprensa, eu sei, mas o que me inspirou a escrever foi olhar Willian como o filho de Lady Di. Filho. O mais velho de dois, que ela deixou adolescente com apenas 15 anos e que passou por inúmeros percalços, traduzidos livremente como escândalos, e que se mostra hoje um homem bem feito, educado, sensível e real. Verdadeiro. Pode ser que essa seja apenas uma impressão minha, a imagem bonitinha do herdeiro do trono que estão construindo e veiculando por aí, mas o que senti ao ver esse rapaz dando entrevista foi isso. O dever cumprido de uma mãe, mesmo que ele tenha sido interrompido cedo demais por uma tragédia. E quando digo dever cumprido não digo que acabou, que depois do casamento o lindo e loiro Príncipe será feliz para sempre. Mas que muito de faz para um homem chegar onde ele está, com quem está, do jeito que está...
Em uma das reportagens a que assisti, um homem próximo da mãe de Willian contou que ela mostrava um certo conflito dizendo que, enquanto todas as mulheres ensinavam os filhos a não falar com estranhos, ela tinha que justamente ensiná-los a falar com desconhecidos, pois esse era o "trabalho" deles. Já se imaginou nesse papel? Mãe de um menino que precisa, sim ele precisa, saber conviver com o peso da realeza, com lentes de fotógrafos, ser observado, seguido, questionado, elogiado, criticado? Ensinar um jovenzinho a ser Príncipe não deve ser nada fácil ainda mais quando este jovenzinho é seu filho, a pessoa que você só quer proteger, proteger e proteger, de tudo e de todos. Ainda mais quando se está em uma relação amorosa falida, cheia de boatos e à beira do fracasso... Ainda mais quando você sai de perto dele... Já imaginou seu filho te perder com qualquer idade?
Mas parece que ela ensinou muita coisa a ele. Parece que ela era real, não porque era da realeza, mas porque era uma mãe como outras tantas, preocupada com o filho, com o futuro dele. Obviamente não temos acesso ao que era o dia a dia dessa família e nem temos como saber ao certo como era a maternidade real de Lady Di. Mas, olhando esse filho, aparentemente tão sensato em seus atos, equilibrado, apaixonado, que ponderou se deveria mesmo se casar para não repetir o mesmo erro dos pais, que "testou" a relação antes de tomar a decisão e que agora está se casando com uma jovem comum, de família de operários  e que encurta as saias sem medo do conservadorismo só para chamar a atenção do amado, dá para imaginar que a mãe dele foi... mãe. Que deve ter, de algum jeito, ensinado a diferença entre os dois significados da palavra "real" e que um não é melhor que outro... Se ela não ensinou, seu filho aprendeu (não há como negar). Isso já deixaria qualquer mãe real verdadeiramente feliz. Por ver, mesmo que do céu, que o seu menino é um homem real, membro da realeza é claro, mas uma pessoa de verdade, que vive a sua verdade (mesmo que ela não apareça inteiramente para nós), capaz de encarar o mundo (nesse caso literalmente) e fazer suas próprias escolhas (é o que parece), por mais modernas e inovadoras que sejam. Pode não ser o futuro que Lady Di sonhou para ele, mas é o real, seu filho real. E eu, como mãe, não posso deixar de imaginar a mãe dele cheia de orgulho...

3 comentários:

  1. Realmente incrível a forma que vc falou do assunto mais badalado do momento.
    E não tinha parado pra pensar desta forma que vc citou. Este mundo está mudando. E que bom que temos bons exemplos para falar um dia. Que dê certo.
    Beijinhos no coração.

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  2. No meu blog hoje postei algo sobre conversa com o filho dentro da barriga da mamãe. Dê uma olhada lá. Vou adorar sua visita. Bjs neste menininho lindo q vc tem.

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  3. Eu adoooro seu cantinho :-)
    Beijinhos pra vcss :-) Bom domingo.

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