O coelhinho esteve aqui em casa nesta Páscoa, deixou pegadas, pistas, mordidas na cenoura e bagunça no ninho que o Leleco montou ontem para o saltitante. De pulinho em pulinho, achamos o ovo e um caminhão lindo, escolhido e esperado pelo mais novo fã do coelho. Expressão que marcou a manhã: "Essa não!" - falada quando o reizinho deu de cara com o ninho feito de caixa de papelão todo revirado pelo amigo orelhudo...
Que delícia ver a alegria do pequeno nesta cena, a ansiedade na noite anterior ao pegar a cenoura na geladeira e colocar no lugar preparado para o visitante, a emoção ao seguir as patinhas no chão logo depois de bocejar e o êxtase em ganhar... o caminhão! O ovo também valeu, mas algumas mordidas depois perdeu a graça. Chocolate não é o melhor agrado, ainda! E, por isso, copiar o bom velhinho teve suas vantagens.
Eu, nesse preparativo todo, pasmem, acabei esquecendo do significado da Páscoa e precisei que minha mãe me lembrasse. Explica-se pelo fato de que não sou católica praticante, apesar de me sentir muito bem em uma ou duas igrejas. Não lembro a história de quase nenhuma data da religião que me fez assistir a aulinhas de crisma aos 12 anos. Não acho pecado nenhum frequentar centro espírita, se assim eu quiser, nem em acreditar no tarô ou em simpatizar com o Budismo. Até rezo Pai Nosso e ave Maria, mas não acho que eu precise estar em uma missa ou comungar para estar perto de Deus. Batizei Léo porque acho importante escolher "padrinhos", mas sei que é ele quem vai decidir sobre isso de verdade lá na frente. Ensino ao meu anjo que é preciso agradecer ao Papai do Céu, mas nem em sonho me vejo cobrar primeira comunhão ou casamento religioso. Só quero que tenha fé.
Eu tenho fé. Em Deus, de todas as religiões, de todas as maneiras que podem imaginá-lo. Minha fé é nessa energia maior que move o universo, a vida, cada ser, cada passo, cada respiração, seja essa energia "materializada" da maneira como for. O catolicismo posso ter abandonado, se é que eu algum dia o tive comigo, mas a crença de que existe sim um Deus, essa eu não perdi e não me vejo sem ela. Acredito. Inclusive no renascimento. Mas não que eu ache que seja preciso morrer para renascer, ressucitar. É preciso querer, acreditar. Mais uma vez essa palavra percebe? A-c-r-e-d-i-t-a-r.
Não é à toa que quando nós mais precisamos, quando estamos mais perdidos do que nunca, mais cegos, mais fracos, mais descrentes, que nos apegamos a algo maior. A Deus, seja o seu qual for. Pode ser o da Igreja Católica, o da Muçulmana, o livro que ganhou dias atrás, a atividade capaz de te fortalecer depois de tanto chorar, o seu Deus. Aquele que você reconhece como tal e que te ajuda, e muito, a voltar a acreditar e, assim, a começar de novo.
E quando fala-se em recomeçar, como não lembrar daquela pessoa que te ajuda a fazer isso todos os dias? Que te dá uma nova vida sem que você precise estar nada descrente, triste ou perdido? Pessoinha iluminada que ilumina. Filho. A vida se divide em antes e depois dele (ou deles) e continua se dividindo diariamente, porque eles crescem e exigem que a gente cresça com eles. Ai se não acompanharmos o ritmo...
Eles nos renovam. Não precisa chegar a segunda-feira para tomar a grande decisão e nem esperar virar o ano para prometer melhorar nisso ou naquilo. Depois que chegam, os filhotes não dão continuidade apenas ao nosso "sangue", mas ao dia a dia, à vontade de cada pai e cada mãe em fazer o impossível para dar a melhor vida a quem trouxe uma novinha para nós. É a maior transformação que se pode passar, creio eu. Porque nos recriamos a partir dela. Reciclamos tudo, até idéias e opinões que antes jogaríamos no lixo. Filho é nosso Deus. Para quem é católico, lembrem que Jesus ressussitou por quem mesmo? Pelos seus filhos... Se não é, lembre de quando acorda cansada e cria a maior disposição para qualquer coisa assim que vê o rostinho mais divino que já viu. Filho é isso. É mais. É a maior prova que Deus existe, seja Ele como for, esteja onde estiver. Independentemente da sua doutrina, se é mãe ou pai, em algum momento já chegou a pensar que existe uma força maior, capaz de tudo, até de te dar filhos não é? Ou simplesmente sentiu esse poder, e acreditou nele mesmo sem assumir isso para si mesmo... É a vida mostrando o poder que ela tem. De fazer nascer, renascer. De nos fazer acreditar, pela primeira ou milésima, mas nunca pela última vez.
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