Jamais pensei que pudesse me preocupar com brincadeiras e de fato não me preocupo com elas e sim com a falta delas. Antes que qualquer um se adiante e pense que meu filho não sabe brincar, adianto eu dizendo que ele sabe brincar muito bem, que adora todos os brinquedos e constantemente vira todas as caixas "organizadoras" no chão do quarto para redescobrir cada item de sua brinquedoteca pessoal. O problema é que quase sempre a mamãe tem que estar por perto. E brincando, na maioria das vezes.
"Mãe, guaida a revista". "Binca com esse carrinho". "Corre atás de mim". Frases comuns no meu dia a dia. Basta eu me entreter com uma leitura, uma louça, uma tábua de passar ou qualquer outra coisa para eu ouví-las. Ok, criança precisa mesmo de companhia, mas precisa também brincar sozinha. Acredito nisso por experiência própria e sei disso porque já li bastante a respeito. Soltar a imaginação, criar brincadeiras com objetos que não são brinquedos, conversar com bonecos e amigos imaginários e tudo o mais que puder acontecer quando se está brincando faz bem aos pequenos, os ajudando a se desenvolver de forma saudável e feliz. Criança aprende brincando, brinca aprendendo.
O Leleco brinca muito, mas sinto a necessidade dele em estar com alguém ao lado. Parece que é mais legal, que quer companhia. Ele sempre foi um menino muito, mas muito esperto, do tipo que aprende o que tem de aprender com um mordedor e o joga longe e, assim, nunca se entreteve muito tempo com uma distração só. "Que venha o próximo!", parece pensar. Morro de orgulho de um garotinho que aprende tão rápido e me surpreende a cada dia, mas satisfazer esse mesmo menininho com qualquer coisa que seja é um desafio vencido com louvor apenas pela televisão, por quem tenha disposição e tempo para sentar no chão ao lado dele ou por ele mesmo quando está disposto a isso. Ou seja, não há problema nenhum com o rapaz, só uma certa tendência a querer estar acompanhado para brincar e, de preferência, mudando de brincadeira sempre que aquela perder a graça!
Algumas professoras infantis já me disseram que atividades com alunos dessa idade são por pouco tempo mesmo e isso conforta qualquer mãe razoavelmente cansada de propor novas brincadeiras a toda hora, mas e a parte do brincar sozinho? É assim também, só de vez em quando?
Mais uma vez, surge em minha mente aquele discurso batido de que cada criança é de um jeito, e é mesmo, mas até que ponto eu devo me conformar com essa característica na personalidade do meu filho (de querer companhia na maior parte das vezes) e em que ponto eu devo começar a me preocupar com isso? Ele não é um menino dependente e por sinal anda adorando agir com independência, mas percebo que precisa aprender a brincar mais sozinho. Mais tempo, mais vezes. Note, não falo em aprender a brincar sozinho, porque se ele faz isso às vezes é porque sabe fazer, mas falo em fazer isso com maior frequência. E concluo que o que impede que isso aconteça é preguiça! Ai como cansa procurar brincadeiras por conta própria! Como é mais fácil gritar para a mamãe vir ajudar!
Vejo muita gente falando sobre isso como característica das novas gerações, plugadas em telas de computador, televisão e celular, preguiçosas para saírem do sofá sequer para conversarem com amigos. Hoje, preferem sites de relacionamentos a parquinhos, ruas e praças. E eu vejo isso mesmo, mas estamos falando de crianças maiores, com outros tantos estímulos para isso, como colegas de escola que tem esse comportamento ou diversas atividades na agenda que massacram qualquer tempo livre para brincar. Eu estou falando de um bebê de pouco mais de dois anos que tem estímulos para ser o oposto disso... Mas sabe o que vejo em comum? A falta de irmãos!
Antigamente, todo mundo tinha pelo menos um irmão, brincava com ele e com amigos dele quando não com primos que moravam perto e vizinhos. Hoje, há mais filhos únicos, amigos eles encontram na escola porque é perigoso abrir a porta e passar a tarde em frente à propria casa e muitas vezes nem há primos.
Eu brinquei tanto sozinha, e eu tinha quatro irmãos! Mas eu gostava de brincar sem ninguém até mais do que com eles, primas ou amigas. Característica minha, sei, e por isso não imagino meu pequeno fazendo o mesmo, apenas se virando mais com as suas coisinhas sem mim. Sempre vou estar por perto, claro, e muitas vezes vou brincar junto, como já faço e gosto de fazer, mas acho que querer a minha companhia é diferente de precisar dela. E que se eu cuidar do "brincar" hoje, não vou precisar me preocupar com um adolescente infurnado no quarto amanhã.
Por essas e outras razões, venho estimulando uma maior independência lúdica. Já reduzi os desenhos animados, comprei outros cds de música para ele escutar enquanto brinca, organizei a nossa vidinha diária de forma que ele tenha tempo de sobra para brincar livremente e tenho tentado deixá-lo reclamando um pouco para, sozinho, perceber que pode arrumar algo para se distrair enquanto eu estiver ocupada. Dessa forma, espero mostrar como é gostoso brincar de forma mais independente. Porque não precisamos ensinar algo que os pimpolhos já nascem sabendo, mas podemos com certeza incentivá-los. Você incentiva?
Acesse o Mãe da Cabeça aos Pés!!!
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Mais televisão do que eu gostaria
Meu pequeno assiste mais televisão do que eu planejava. Não gosto, nem incentivo, mas isso acontece. Aconteceu aos poucos. Mesmo eu sendo bem atenciosa e regulando o tempo em frente ao aparelho, mesmo eu tentando entretê-lo com outra coisa. Não foi sempre assim, mas hoje é. E eu quero muito que mude.
A recomendação do novo manual de pediatria é que as crianças não passem mais de duas horas vendo desenhos. Tudo bem que manual é teoria, mas costumo tentar seguir o aconselhável, pelo menos quando eu concordo, e neste caso eu acho que seria o certo mesmo. Porque criança tem que brincar! E o meu lindinho brinca bastante, mas adora umas paradinhas em frente à telinha. A pergunta é: como fazer para ele largar esse hábito? Tem dicas de brincadeiras, me fale. Tem técnicas mirabolantes para os desenhos perderem a graça, me conte. Passa pela mesma situação, compartilhe.
Eu não ligo a TV e o deixo lá. Não é assim e nunca vai ser. Só que eu precisei da magia da Disney, Nickelodeon e outros tantos para cumprir determinadas tarefas. Tudo começou quando Leco tinha quase cinco meses e eu voltei a trabalhar em casa em um freela de três meses. Ele ainda tinha um pouco de cólicas (acredite se quiser!), era mais que adepto do colinho da mamãe, não parava em berço, em carrinho, em nada. Eis que me surge a idéia de colocá-lo em cima de um edredom sobre um tapete de borracha cercado de travesseiros. Era bom para ele rolar para cá e para lá, aprender a ficar de bruços e a se virar, o que ocorreu mesmo, pois depois desta tática de "libertá-lo", seu desenvolvimento foi a galope. Li reportagens que diziam o quanto era bom bebê ficar no "chão". O meu ficou! No entanto, eu precisava de uma ajudinha para poder escrever minhas matérias, pois, além dos mordedores perderem a graça rapidamente, era só eu sentar em frente ao computador que o chororô começava. E foi assim que recorri aos DVDS com desenhos educativos e clipes de musiquinhas lindas. No início ele nem ligava. Agora, se deixar ele liga até a televisão.
A tecnologia me ajudou a trabalhar e quando terminou o trabalho, a passar roupa, cozinhar e cumprir outras missões de mãe em tempo integral, afinal elas não se resumem a paparicar filho. Não tenho babá, nem empregada, optei por deixar meu filho fora da escola até 3 anos e moro longe de todos os familiares. Sou eu e ele o dia todo e só quando o papai chega, o olhar dele sai de mim. Eu amo brincar, amo ficar com ele sentada no quarto escutando músicas infantis, desenhando, montando pecinhas, mas não tem ninguém para fazer por mim o que precisa ser feito além disso, inclusive a comidinha dele. Então, os amiguinhos da TV fazem companhia para o garotinho cheio de energia.
Tem dias que consigo limitar a atividade do sofá a apenas meia hora, tem dias que, somando todos os momentos em que ele senta lá, o resultado dá umas quatro horas. Eu não queria que ele assitisse tanto desenhos quanto assiste e estou tentando reduzir essa jornada. Eu desligo, explico que tem muito brinquedo querendo brincar, mas a babá da cara colorida faz o maior sucesso, inclusive na hora de comer, mesmo que eu tenha lutado contra isso... Quer saber como começou essa parte da história? Quando ele estava dodói ou sem apetite e eu apelava para a distração televisiva! Ainda bem que não há um consenso sobre utilizar a TV para eles comerem melhor. Nem precisa, pois eu tenho certeza que não é o ideal!
Já fui passar roupa e o levei comigo junto com outros caminhõezinhos. Deu certo, mas nem sempre. Já cozinhei dando a ele massinha de pão para brincar de fazer "torta do samurai" igual a que personagens de um desenho que ele mais gosta fazem. Foi uma farra, mas não mais que duas vezes. Ligo músicas, dou massinhas, livrinhos de colorir, monto fazendinhas para só depois ir fazer o que eu preciso, mas percebo que ele se sente sozinho brincando.
Sei que o rapazinho tem que aprender a brincar por conta própria, pois é muito saudável e sei que ele sabe fazer isso, pois faz quando eu menos espero. Mas sinto que às vezes ele me quer mesmo ao lado. Às vezes quase sempre. Talvez porque seja só nós o dia todo. Talvez porque ficou muito tempo grudadinho por causa dos quase seis meses de dorzinha de barriga. Talvez seja a personalidade dele. Talvez seja um período que passa. Talvez seja porque parou de dormir à tarde. Talvez quando for para escolinha mude. Talvez eu tenha escorregado em algum momento e permitido mais do que eu deveria. Talvez eu poderia ter pensado três vezes antes de apertar "ON". Talvez eu consiga apertar o "OFF" mais vezes. Com certeza, vou desligar a TV agora e tentar lidar com esse meu sentimento de culpa.
A recomendação do novo manual de pediatria é que as crianças não passem mais de duas horas vendo desenhos. Tudo bem que manual é teoria, mas costumo tentar seguir o aconselhável, pelo menos quando eu concordo, e neste caso eu acho que seria o certo mesmo. Porque criança tem que brincar! E o meu lindinho brinca bastante, mas adora umas paradinhas em frente à telinha. A pergunta é: como fazer para ele largar esse hábito? Tem dicas de brincadeiras, me fale. Tem técnicas mirabolantes para os desenhos perderem a graça, me conte. Passa pela mesma situação, compartilhe.
Eu não ligo a TV e o deixo lá. Não é assim e nunca vai ser. Só que eu precisei da magia da Disney, Nickelodeon e outros tantos para cumprir determinadas tarefas. Tudo começou quando Leco tinha quase cinco meses e eu voltei a trabalhar em casa em um freela de três meses. Ele ainda tinha um pouco de cólicas (acredite se quiser!), era mais que adepto do colinho da mamãe, não parava em berço, em carrinho, em nada. Eis que me surge a idéia de colocá-lo em cima de um edredom sobre um tapete de borracha cercado de travesseiros. Era bom para ele rolar para cá e para lá, aprender a ficar de bruços e a se virar, o que ocorreu mesmo, pois depois desta tática de "libertá-lo", seu desenvolvimento foi a galope. Li reportagens que diziam o quanto era bom bebê ficar no "chão". O meu ficou! No entanto, eu precisava de uma ajudinha para poder escrever minhas matérias, pois, além dos mordedores perderem a graça rapidamente, era só eu sentar em frente ao computador que o chororô começava. E foi assim que recorri aos DVDS com desenhos educativos e clipes de musiquinhas lindas. No início ele nem ligava. Agora, se deixar ele liga até a televisão.
A tecnologia me ajudou a trabalhar e quando terminou o trabalho, a passar roupa, cozinhar e cumprir outras missões de mãe em tempo integral, afinal elas não se resumem a paparicar filho. Não tenho babá, nem empregada, optei por deixar meu filho fora da escola até 3 anos e moro longe de todos os familiares. Sou eu e ele o dia todo e só quando o papai chega, o olhar dele sai de mim. Eu amo brincar, amo ficar com ele sentada no quarto escutando músicas infantis, desenhando, montando pecinhas, mas não tem ninguém para fazer por mim o que precisa ser feito além disso, inclusive a comidinha dele. Então, os amiguinhos da TV fazem companhia para o garotinho cheio de energia.
Tem dias que consigo limitar a atividade do sofá a apenas meia hora, tem dias que, somando todos os momentos em que ele senta lá, o resultado dá umas quatro horas. Eu não queria que ele assitisse tanto desenhos quanto assiste e estou tentando reduzir essa jornada. Eu desligo, explico que tem muito brinquedo querendo brincar, mas a babá da cara colorida faz o maior sucesso, inclusive na hora de comer, mesmo que eu tenha lutado contra isso... Quer saber como começou essa parte da história? Quando ele estava dodói ou sem apetite e eu apelava para a distração televisiva! Ainda bem que não há um consenso sobre utilizar a TV para eles comerem melhor. Nem precisa, pois eu tenho certeza que não é o ideal!
Já fui passar roupa e o levei comigo junto com outros caminhõezinhos. Deu certo, mas nem sempre. Já cozinhei dando a ele massinha de pão para brincar de fazer "torta do samurai" igual a que personagens de um desenho que ele mais gosta fazem. Foi uma farra, mas não mais que duas vezes. Ligo músicas, dou massinhas, livrinhos de colorir, monto fazendinhas para só depois ir fazer o que eu preciso, mas percebo que ele se sente sozinho brincando.
Sei que o rapazinho tem que aprender a brincar por conta própria, pois é muito saudável e sei que ele sabe fazer isso, pois faz quando eu menos espero. Mas sinto que às vezes ele me quer mesmo ao lado. Às vezes quase sempre. Talvez porque seja só nós o dia todo. Talvez porque ficou muito tempo grudadinho por causa dos quase seis meses de dorzinha de barriga. Talvez seja a personalidade dele. Talvez seja um período que passa. Talvez seja porque parou de dormir à tarde. Talvez quando for para escolinha mude. Talvez eu tenha escorregado em algum momento e permitido mais do que eu deveria. Talvez eu poderia ter pensado três vezes antes de apertar "ON". Talvez eu consiga apertar o "OFF" mais vezes. Com certeza, vou desligar a TV agora e tentar lidar com esse meu sentimento de culpa.
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