Real. "Relativo ao rei ou à realeza ou próprio dele ou dela". "Que existe de fato, verdadeiro". Duas definições do Dicionário Aurélio sobre uma mesma palavra, muito falada nas últimas semanas. Em menos de 48 horas, um casamento real (de verdade e ligado à realeza) acontecerá na Inglaterra e mudará a história, pelo menos deste país. O filho mais velho da Princesa Diana, que marcou época com sua simpatia e com a morte durante perseguição por paparazzi em 1997, irá se casar com uma plebéia conhecida como Kate. E nós, mães, com isso?
Esse acontecimento me toca exatamente por eu ser mãe. É verdade que ele está sendo explorado pela mídia de diversas maneiras até porque é capaz de tocar o mundo intensamente de todas essas maneiras, pelo romantismo, pela trágica história dessa família, pelos traços modernos, pelo novo passo no regime monárquico ou apenas pela curiosidade fútil. Goste você ou não da Monarquia, de histórias como a da Cinderela ou de falar Inglês, fato é fato e esse representa mudanças na família real britânica e poderá trazer mudanças para todas as famílias reais britânicas. Como? De muitas formas, a começar pela a futura Princesa e quase certamente Rainha ser a primeira graduada por uma universidade (pense sobre o reflexo disso para outras jovens como ela). É a primeira a morar com o futuro marido antes do enlace. Imaginem, ela morou com o namorado, o futuro Rei da Inglaterra, sem nem estarem noivos! Quanta modernidade... Um príncipe que trabalha, vejam bem, ele trabalha, mesmo que seja no exército real seguindo as tradições. Ele diz que "quando chega do trabalho" tal e tal coisa acontece e uma dessas coisas é que ele cozinha! Para seduzir a amada, que não, não precisa ficar atrás do fogão para merecer a coroa, ou melhor, o anel de noivado valiosíssimo que foi usado pela sogra.
Tudo isso já foi falado e repetido pela imprensa, eu sei, mas o que me inspirou a escrever foi olhar Willian como o filho de Lady Di. Filho. O mais velho de dois, que ela deixou adolescente com apenas 15 anos e que passou por inúmeros percalços, traduzidos livremente como escândalos, e que se mostra hoje um homem bem feito, educado, sensível e real. Verdadeiro. Pode ser que essa seja apenas uma impressão minha, a imagem bonitinha do herdeiro do trono que estão construindo e veiculando por aí, mas o que senti ao ver esse rapaz dando entrevista foi isso. O dever cumprido de uma mãe, mesmo que ele tenha sido interrompido cedo demais por uma tragédia. E quando digo dever cumprido não digo que acabou, que depois do casamento o lindo e loiro Príncipe será feliz para sempre. Mas que muito de faz para um homem chegar onde ele está, com quem está, do jeito que está...
Em uma das reportagens a que assisti, um homem próximo da mãe de Willian contou que ela mostrava um certo conflito dizendo que, enquanto todas as mulheres ensinavam os filhos a não falar com estranhos, ela tinha que justamente ensiná-los a falar com desconhecidos, pois esse era o "trabalho" deles. Já se imaginou nesse papel? Mãe de um menino que precisa, sim ele precisa, saber conviver com o peso da realeza, com lentes de fotógrafos, ser observado, seguido, questionado, elogiado, criticado? Ensinar um jovenzinho a ser Príncipe não deve ser nada fácil ainda mais quando este jovenzinho é seu filho, a pessoa que você só quer proteger, proteger e proteger, de tudo e de todos. Ainda mais quando se está em uma relação amorosa falida, cheia de boatos e à beira do fracasso... Ainda mais quando você sai de perto dele... Já imaginou seu filho te perder com qualquer idade?
Mas parece que ela ensinou muita coisa a ele. Parece que ela era real, não porque era da realeza, mas porque era uma mãe como outras tantas, preocupada com o filho, com o futuro dele. Obviamente não temos acesso ao que era o dia a dia dessa família e nem temos como saber ao certo como era a maternidade real de Lady Di. Mas, olhando esse filho, aparentemente tão sensato em seus atos, equilibrado, apaixonado, que ponderou se deveria mesmo se casar para não repetir o mesmo erro dos pais, que "testou" a relação antes de tomar a decisão e que agora está se casando com uma jovem comum, de família de operários e que encurta as saias sem medo do conservadorismo só para chamar a atenção do amado, dá para imaginar que a mãe dele foi... mãe. Que deve ter, de algum jeito, ensinado a diferença entre os dois significados da palavra "real" e que um não é melhor que outro... Se ela não ensinou, seu filho aprendeu (não há como negar). Isso já deixaria qualquer mãe real verdadeiramente feliz. Por ver, mesmo que do céu, que o seu menino é um homem real, membro da realeza é claro, mas uma pessoa de verdade, que vive a sua verdade (mesmo que ela não apareça inteiramente para nós), capaz de encarar o mundo (nesse caso literalmente) e fazer suas próprias escolhas (é o que parece), por mais modernas e inovadoras que sejam. Pode não ser o futuro que Lady Di sonhou para ele, mas é o real, seu filho real. E eu, como mãe, não posso deixar de imaginar a mãe dele cheia de orgulho...
Acesse o Mãe da Cabeça aos Pés!!!
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Todos os dias (blogagem coletiva)
Todos sabem que existe uma diferença gritante entre o ideal e o real. Em qualquer esfera da vida, criar expectativas é quase um rito de passagem, do hoje para o amanhã. Seja na rotina profissional, na relação conjugal, familiar ou de amizade, há uma enorme vontade de que tudo seja perfeito ou, ao menos, perto de como sonhamos. Planejar uma festa de casamento, por exemplo, muitas vezes mais parece assinar um contrato com buffet, costureira, padre, banda e outros tantos de que o seu casamento será tão lindo como aquela comemoração. Nada pode sair do planejado hein?
Expectativa faz parte da vida e, quando o assunto é maternidade, ela se torna ainda mais presente. Queremos ser as melhores mães. Idealizamos desde novinhas e, ao ver a carinha mais linda, exigimos isso de nós mesmas todos os dias. Assim, perfeccionismo, cobrança, crítica, auto-crítica e, principalmente, sentimento de culpa, se tornam moradores da nossa alma.
Se quer saber, isso não é ruim. É amor. É o maior amor que se pode experimentar. Incondicional. De quem deu à vida a alguém e chega a dever sua vida a esse mesmo alguém. Um sentimento tão forte que nos faz querer aproximar ainda mais o ideal do real. Nos faz conseguir fantasiar mais do que quando brincávamos de boneca. E com todas as pessoas do lado de fora da casinha de boneca assistindo a tudo. Não dá para fechar a portinha. Toda a sociedade participa, exigindo de inúmeras formas que sejamos boas mães, não apenas como queremos, mas como mandam manuais escritos por aí. Isso não é brincadeira! É realidade.
A fantasia é achar que por você ser a mãe, ninguém vai poder dar palpite, realidade é escutar conselhos amigos a todo momento. Fantasia é achar que tal receita de comadre funciona com seu filho, realidade é ter a certeza de que só funciona com o filho dela. Fantasia é querer praticar o recomendado de engordar no máximo 12 quilos na gravidez, realidade é engordar mais e mais se esforçando para ser menos e menos. Fantasia é achar que o bebê mamará logo ali na sala de parto (como aconselham hoje em dia), realidade é que ninguém perguntou se ele está com fome. Fantasia é achar que cólica é só até os três meses, realidade é rezar para ela passar quando o neném já tem mais de quatro. Para resumir, fantasia é achar que a perfeição nasce junto com o seu filho, a realidade, conhecida por todas nós, nem preciso falar.
Mas, temos que lembrar que o ideal pode virar realidade e que, por incrível que pareça, muitas vezes a realidade supera o que idealizamos. O parto normal pode acontecer e ainda melhor do que imaginávamos. O filho pode ser super bem educado, mais do que esperávamos. O marido pode se mostrar participativo, a chupeta pode ser jogada fora antes do planejado e a adapatação na escolinha pode mesmo ser fácil.
Surpeenda-se! A maternidade surpreende. Ela é muito mais do que todas nós idealizávamos, e de uma forma positiva. Indescritível. Apesar das dificuldades diárias, dos tropeços, do cansaço, das noites pessimamente dormidas, tudo é melhor do que poderíamos imaginar. Nem sempre conseguimos dar a papinha deliciosa que preparamos, tirar a fralda também não é simples, assim como aprender a dizer não e fazê-lo funcionar na hora em que é mais preciso. Mas quem disse que isso é ruim? Frustra, preocupa, cansa, mas, por outro lado, nos ensina tanta coisa! Ensina, por exemplo, que felicidade está em pequenas grandes coisas. Feliz de quem vê o filho sair de uma febre, de quem recebe um carinho de mãozinhas pequenas ao acordar, de quem descobre uma fruta adorada como chocolate, de quem acorda no meio da madrugada escutando "mamãezinha", de quem vê sorrisos e mais sorrisos sem motivos para você...
Garanto que nenhuma mãe sã trocaria sua rotina agitada e cansativa pelo sossego de um dia a dia sem filhos. Futuras mamães, ser mãe está longe de ser um conto de fadas. Podem parar de sonhar. A vida real é muito melhor! A maternidade real é a experiência mais maravilhosa que uma mulher pode viver e a única que, com certeza, a tornará uma pessoa melhor. Para nós, o único ideal é ser a melhor mãe do mundo! O real é fazer de tudo para conseguir. E dá para conseguir, porque só de tentar com tanto amor e dedicação, que filho não irá achar isso? A melhor mãe do mundo é a real, aquela que dá tudo de si, que erra, aprende, lê, pesquisa métodos, cria os seus próprios, se esforça sem fazer força. A melhor mãe do mundo é a que, simplesmente, tenta ser uma mãe melhor todos os dias da sua vida. E, sendo bem realista, dá para não tentar algum dia?
- Esse texto faz parte da blogagem coletiva sobre maternidade real, proposta por Carol Passuelo e que deveria ser publicado no dia 08. Só não foi devido à nada além da realidade materna...
Expectativa faz parte da vida e, quando o assunto é maternidade, ela se torna ainda mais presente. Queremos ser as melhores mães. Idealizamos desde novinhas e, ao ver a carinha mais linda, exigimos isso de nós mesmas todos os dias. Assim, perfeccionismo, cobrança, crítica, auto-crítica e, principalmente, sentimento de culpa, se tornam moradores da nossa alma.
Se quer saber, isso não é ruim. É amor. É o maior amor que se pode experimentar. Incondicional. De quem deu à vida a alguém e chega a dever sua vida a esse mesmo alguém. Um sentimento tão forte que nos faz querer aproximar ainda mais o ideal do real. Nos faz conseguir fantasiar mais do que quando brincávamos de boneca. E com todas as pessoas do lado de fora da casinha de boneca assistindo a tudo. Não dá para fechar a portinha. Toda a sociedade participa, exigindo de inúmeras formas que sejamos boas mães, não apenas como queremos, mas como mandam manuais escritos por aí. Isso não é brincadeira! É realidade.
A fantasia é achar que por você ser a mãe, ninguém vai poder dar palpite, realidade é escutar conselhos amigos a todo momento. Fantasia é achar que tal receita de comadre funciona com seu filho, realidade é ter a certeza de que só funciona com o filho dela. Fantasia é querer praticar o recomendado de engordar no máximo 12 quilos na gravidez, realidade é engordar mais e mais se esforçando para ser menos e menos. Fantasia é achar que o bebê mamará logo ali na sala de parto (como aconselham hoje em dia), realidade é que ninguém perguntou se ele está com fome. Fantasia é achar que cólica é só até os três meses, realidade é rezar para ela passar quando o neném já tem mais de quatro. Para resumir, fantasia é achar que a perfeição nasce junto com o seu filho, a realidade, conhecida por todas nós, nem preciso falar.
Mas, temos que lembrar que o ideal pode virar realidade e que, por incrível que pareça, muitas vezes a realidade supera o que idealizamos. O parto normal pode acontecer e ainda melhor do que imaginávamos. O filho pode ser super bem educado, mais do que esperávamos. O marido pode se mostrar participativo, a chupeta pode ser jogada fora antes do planejado e a adapatação na escolinha pode mesmo ser fácil.
Surpeenda-se! A maternidade surpreende. Ela é muito mais do que todas nós idealizávamos, e de uma forma positiva. Indescritível. Apesar das dificuldades diárias, dos tropeços, do cansaço, das noites pessimamente dormidas, tudo é melhor do que poderíamos imaginar. Nem sempre conseguimos dar a papinha deliciosa que preparamos, tirar a fralda também não é simples, assim como aprender a dizer não e fazê-lo funcionar na hora em que é mais preciso. Mas quem disse que isso é ruim? Frustra, preocupa, cansa, mas, por outro lado, nos ensina tanta coisa! Ensina, por exemplo, que felicidade está em pequenas grandes coisas. Feliz de quem vê o filho sair de uma febre, de quem recebe um carinho de mãozinhas pequenas ao acordar, de quem descobre uma fruta adorada como chocolate, de quem acorda no meio da madrugada escutando "mamãezinha", de quem vê sorrisos e mais sorrisos sem motivos para você...
Garanto que nenhuma mãe sã trocaria sua rotina agitada e cansativa pelo sossego de um dia a dia sem filhos. Futuras mamães, ser mãe está longe de ser um conto de fadas. Podem parar de sonhar. A vida real é muito melhor! A maternidade real é a experiência mais maravilhosa que uma mulher pode viver e a única que, com certeza, a tornará uma pessoa melhor. Para nós, o único ideal é ser a melhor mãe do mundo! O real é fazer de tudo para conseguir. E dá para conseguir, porque só de tentar com tanto amor e dedicação, que filho não irá achar isso? A melhor mãe do mundo é a real, aquela que dá tudo de si, que erra, aprende, lê, pesquisa métodos, cria os seus próprios, se esforça sem fazer força. A melhor mãe do mundo é a que, simplesmente, tenta ser uma mãe melhor todos os dias da sua vida. E, sendo bem realista, dá para não tentar algum dia?
- Esse texto faz parte da blogagem coletiva sobre maternidade real, proposta por Carol Passuelo e que deveria ser publicado no dia 08. Só não foi devido à nada além da realidade materna...
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