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terça-feira, 29 de março de 2011

Hiperatividade X hiper-falta-de-educação

Banalizaram a hiperatividade, pelo menos no Brasil. Percebe-se isso, por exemplo, quando uma avó, no parquinho, diz a seguinte frase sobre o neto de dois anos: "Ele é um pouco hiperativo". Como assim um pouco? Ou é ou não é. E o menino da histórinha verídica não parecia ser. A avó só queria justificar o "excesso de atividade" do garoto demonstrada por ele com muita falta educação. Eu estava lá e vi que o menino tem fôlego, é levado, hiper ativo sim, mas não hiperativo (com o transtorno conhecido como hiperatividade). Ele demonstrava apenas não saber o que é limite e, por isso, não parava, nem quando tomava uma bronca daquelas de dar medo em adulto. Talvez porque ele tenha perdido o medo de tanto levar bronca sem nunca ter diálogo, porque esse eu não vi.
Assim que o hiperlevado ficou sob os olhos do avô, ele tomou jeito. O senhor alegre dialogava com o neto, puxava assuntos variados, o elogiava, falava das consequências de seus atos se não mudassem no mesmo instante, cantava junto, sugeria brincadeiras, etc. O pentelhinho se acalmou, a ponto de me acalmar também. Afinal, ele já tinha impedido meu filho de balançar, de escorregar, ameaçou jogar pedra e ainda tentou cuspir na carinha do meu anjo! E eu ali, defendendo, falando educadamente que aquilo era feio. Ainda bem que o meu molequinho entende, respeita e até se afastou um pouco como forma de se precaver. O deles apenas me serviu de exemplo, daqueles que não queremos seguir.
Ficou nítido para mim que o coitadinho faz todos de coitadinhos porque quer atenção. A mãe, todo o tempo que esteve ali, não me parecia se importar muito com as artes. Será que ela se importa com o resto? Não dá para saber. Ela tem outro filho menor e devia estar bem cansada, mas até aí, que mãe não está? O pai, em todas as inúmeras vezes que o filho derrubou propositalmente a garrafinha de água do Léo, até tentou repreender, mas desistiu assim que não viu resultado. "Desculpa viu, ele tá de sacanagem", foi o que me disse.
Não é para julgar, mas faz pensar. Dizer que o pimentinha é hiperativo só para justificar a falta de educação, limites, atenção, paciência ou seja lá o que for não é legal. Banaliza. Tira a importância daquilo que realmente importa. Dificulta a vida de quem passa pelo problema. Muitas pessoas acham que casos verdadeiros são falta de limites, simplesmente porque quem não dá limites dá à sua atuação educacional o nome da doença. Isso pode resultar em preconceito, pois falta de educação passa a ser uma característica do problema!
Não é difícil confundir, já que os principais sintomas se parecem com traços de comportamento até certo ponto comuns na infância, como energia em excesso, mas imagine como fica ainda mais complicado entender e respeitar a doença com tanta gente dizendo que tem filho hiperativo, o qual na verdade só não sabe gastar a energia sem ser indisciplinado. Confunde até o doutor!
A doença é reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo que em determinados países, os portadores são protegidos por lei para receberem tratamento diferenciado na escola. A informacão é da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), que caracteriza o problema, conhecido por transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH),  por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Texto do site explica: "As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos".
Dá para ver onde é possível confundir, mas dá para notar que o problema vai bem além do "gás" inacreditável das crianças e, principalmente, que criança sem limite não é hiperativa e vice-versa. Se há dúvidas, melhor seguir a recomendação da entidade e procurar um profissional, pois só ele pode fazer o diagnóstico corretamente. Só profissionais, não avós, vizinhas ou mães que estiverem no parquinho...
Então, não adianta ficar dizendo que tem uma criança um pouco hiperativa em casa. Se desconfia que há o problema, a pessoa precisa mesmo consultar um médico que possa dizer se é mesmo o caso ou se a única coisa hiper é a energia, a felicidade ou a falta de educação. Pode ser que o menino citado seja mesmo hiperativo. Não sou especialista. Mas se eu confundi, sou apenas mais um exemplo de que a banalização acontece... Se o menino for, a família não deveria estar relatando os sintomas a mim e sim já ter falado com o pediatra do garoto, pois a hiperatividade pode e deve ser tratada, com terapia, medicamentos e outras alternativas. Já a hiper-falta-de-educação pode ser tratada também, mas com vontade e disciplina, dos pais, em primeiro lugar. Prescrição de mãe, que se preocupa em criar um indivíduo educado e feliz, sem que, para isso, ele precise agredir alguém de alguma forma.

3 comentários:

  1. Conheco um menininho assim, ele tem 4 anos ´´e filho de um colega de trabalho do meu marido. Dizem que ele é hiperativo mas só o que eu vejo é hiperfalta de educacao como vc diz. O pai geralmente morre de rir das coisas que ele faz. E ate tive que pedir pro marido ir ficar com o meu pequeno que estava inocentemente tentando brincar com o menino e estava sendo zuado por ele. Nao aguentei ver. A última coisa que os pais do menino me contaram rindo foi que eles foram chamados na escola pq o menino estava se comportando muito mal com os colegas e a resposta do pai foi: Nao me chamem. Voces estudaram pra cuidar de criancas, entao vcs devem saber oq deve ser feito. Eu pago vcs pra isso. E ai eu pergunto Nao é obvio o porque do comportamento do menino?? E isso acontece muito. Infelizmente......

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  2. Não podia estar mais de acordo contigo os nossos posts realmente se complementam. Se por um lado a hiperactividade é rotulada em crianças com falta de educação, sem limites também acredito que acontece uma falha na canalização de energia dos mais pequenos, eles simplesmente não sabem, nunca aprenderam a concentrar-se.
    Por os pais não admitirem que falham, por comodismo destes recorrem a psicólogos que muitos por sua vez (e desculpem-me os que não o fazem) querem é vender e fazer dinheiro, dar mais consultas e acompanham a crença dos pais - que se convencem que os filhos não são crianças vivas e saudáveis mas sim hiperactivos e os entopem de calmantes... uma triste realidade...

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  3. Meu filho é diagnosticado com hiperatividade,"diagnosticado" entre "" pois ele tem 5 anos,e tenho a consciência que o diagnostico dele realmente só pode ser feito com 8,ele tem sim todos os sintomas,não consegue ficar parado nem vendo desenho,mexe o pé, a mão,arranca a capa do sofá em minutos só se mexendo no sofá,se não tomar o remédio,não consegue dormir fica a noite inteira rolando na cama,no chão,anda pela casa, quer ver tv,jogar no computador,conversar comigo,e isso pq ele acorda as 5 e meia para ir a escola,ele Também é muito inteligente muito por sinal,porém não tem falta de educação alguma,e impulsivo sim com certeza,mas não é mal educado,para isso com certeza derrubo algumas gotas de suor todos os dias falando, explicando e repetindo quantas vezes forem necessárias,e realmente não gosto de ver esse tipo situação-confusão,pois acabam desmerecendo todo um trabalho que muita mãe tem todos os dias em casa,e banalizando situações.Por outro lado também não gosto de ouvir,como escuto em vários lugares que os pais entopem os filhos de calmantes por ser mais comodo e pratico cuidar de uma criança dopada,pois só quem é mãe de um hiperativo sabe como é difícil primeiro,admitir que seu bebe precisa tomar calmante,obvio que o primeiro pensamento de uma mãe é " meu filho não é loco!",e em segundo é muito difícil também vc pedir inúmeras vezes pra seu filho parar e ver seus olhos já vermelhos de sono,e abatidos por falta de sono,dizer: eu não com sigo mamãe,me ajuda!isso não é fácil e não é brincadeira de criança.Vc ser chamada toda semana na escola,pq ele não dorme e não deixa ninguém dormir,também é chato! ser reconhecida na escola de tanto ter ir lá pra conversar com a professora também é chato,mas levamos na esportiva,ver os coleguinhas de sala do seu filho isolando ele também é chato! Bom enfim acho que minha luta com isso é diária,porém me esforço muito para que seja passado para meu pequeno todos os limites e respeitos,e não gosto dessas "pequenas" confusões pq fica comodo todos os lados! Menos o nosso de quem realmente passa por isso !

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