Meu pequeno assiste mais televisão do que eu planejava. Não gosto, nem incentivo, mas isso acontece. Aconteceu aos poucos. Mesmo eu sendo bem atenciosa e regulando o tempo em frente ao aparelho, mesmo eu tentando entretê-lo com outra coisa. Não foi sempre assim, mas hoje é. E eu quero muito que mude.
A recomendação do novo manual de pediatria é que as crianças não passem mais de duas horas vendo desenhos. Tudo bem que manual é teoria, mas costumo tentar seguir o aconselhável, pelo menos quando eu concordo, e neste caso eu acho que seria o certo mesmo. Porque criança tem que brincar! E o meu lindinho brinca bastante, mas adora umas paradinhas em frente à telinha. A pergunta é: como fazer para ele largar esse hábito? Tem dicas de brincadeiras, me fale. Tem técnicas mirabolantes para os desenhos perderem a graça, me conte. Passa pela mesma situação, compartilhe.
Eu não ligo a TV e o deixo lá. Não é assim e nunca vai ser. Só que eu precisei da magia da Disney, Nickelodeon e outros tantos para cumprir determinadas tarefas. Tudo começou quando Leco tinha quase cinco meses e eu voltei a trabalhar em casa em um freela de três meses. Ele ainda tinha um pouco de cólicas (acredite se quiser!), era mais que adepto do colinho da mamãe, não parava em berço, em carrinho, em nada. Eis que me surge a idéia de colocá-lo em cima de um edredom sobre um tapete de borracha cercado de travesseiros. Era bom para ele rolar para cá e para lá, aprender a ficar de bruços e a se virar, o que ocorreu mesmo, pois depois desta tática de "libertá-lo", seu desenvolvimento foi a galope. Li reportagens que diziam o quanto era bom bebê ficar no "chão". O meu ficou! No entanto, eu precisava de uma ajudinha para poder escrever minhas matérias, pois, além dos mordedores perderem a graça rapidamente, era só eu sentar em frente ao computador que o chororô começava. E foi assim que recorri aos DVDS com desenhos educativos e clipes de musiquinhas lindas. No início ele nem ligava. Agora, se deixar ele liga até a televisão.
A tecnologia me ajudou a trabalhar e quando terminou o trabalho, a passar roupa, cozinhar e cumprir outras missões de mãe em tempo integral, afinal elas não se resumem a paparicar filho. Não tenho babá, nem empregada, optei por deixar meu filho fora da escola até 3 anos e moro longe de todos os familiares. Sou eu e ele o dia todo e só quando o papai chega, o olhar dele sai de mim. Eu amo brincar, amo ficar com ele sentada no quarto escutando músicas infantis, desenhando, montando pecinhas, mas não tem ninguém para fazer por mim o que precisa ser feito além disso, inclusive a comidinha dele. Então, os amiguinhos da TV fazem companhia para o garotinho cheio de energia.
Tem dias que consigo limitar a atividade do sofá a apenas meia hora, tem dias que, somando todos os momentos em que ele senta lá, o resultado dá umas quatro horas. Eu não queria que ele assitisse tanto desenhos quanto assiste e estou tentando reduzir essa jornada. Eu desligo, explico que tem muito brinquedo querendo brincar, mas a babá da cara colorida faz o maior sucesso, inclusive na hora de comer, mesmo que eu tenha lutado contra isso... Quer saber como começou essa parte da história? Quando ele estava dodói ou sem apetite e eu apelava para a distração televisiva! Ainda bem que não há um consenso sobre utilizar a TV para eles comerem melhor. Nem precisa, pois eu tenho certeza que não é o ideal!
Já fui passar roupa e o levei comigo junto com outros caminhõezinhos. Deu certo, mas nem sempre. Já cozinhei dando a ele massinha de pão para brincar de fazer "torta do samurai" igual a que personagens de um desenho que ele mais gosta fazem. Foi uma farra, mas não mais que duas vezes. Ligo músicas, dou massinhas, livrinhos de colorir, monto fazendinhas para só depois ir fazer o que eu preciso, mas percebo que ele se sente sozinho brincando.
Sei que o rapazinho tem que aprender a brincar por conta própria, pois é muito saudável e sei que ele sabe fazer isso, pois faz quando eu menos espero. Mas sinto que às vezes ele me quer mesmo ao lado. Às vezes quase sempre. Talvez porque seja só nós o dia todo. Talvez porque ficou muito tempo grudadinho por causa dos quase seis meses de dorzinha de barriga. Talvez seja a personalidade dele. Talvez seja um período que passa. Talvez seja porque parou de dormir à tarde. Talvez quando for para escolinha mude. Talvez eu tenha escorregado em algum momento e permitido mais do que eu deveria. Talvez eu poderia ter pensado três vezes antes de apertar "ON". Talvez eu consiga apertar o "OFF" mais vezes. Com certeza, vou desligar a TV agora e tentar lidar com esse meu sentimento de culpa.