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terça-feira, 21 de junho de 2011

Voltando ao assunto "escolinha"

Semanas atrás visitei a primeira escolinha. Depois de muito pensar e analisar o comportamento cheio de energia do Léo, venci a minha própria resistência e fui até lá dar uma olhadinha. Meu objetivo foi ver como era, se era boa e como seria a rotina do pequeno caso o colocássemos para "estudar" lá. Sempre soube que esse dia chegaria, mas sempre acreditei que seria quando ele tivesse com três anos, mas os dias me mostram que talvez antecipar um pouco seja o melhor. Talvez, ainda não sei.
Ok. Mais uma vez explicado o meu dilema, mais explicadinho no texto que escrevi sobre essa primeira escola, volto a escrever sobre o tema, para contar como foi a visita às outras. Visitei-as logo na semana seguinte, mas não sei porquê não tive a menor inspiração, vulgo vontade, para falar sobre. Acho que quis deixar o tema em banho-maria, ou que quis descansar de mim mesma. Talvez não tenha escrito antes porque já escolhi a escola número 1 e ponto final. E porque não sei ainda quando meu pequeno irá frequentar a escolhida, reticências.
Porém, tenho que contar como foi ver outras duas opções. Uma pública, outra privada. Na pública, considerada o melhor "parquinho" da cidade, o portão é vazado e as crianças brincam logo atrás. Ou seja, quem quiser dar um docinho... Está bem, neurose tola, mas com fundamento, já que estudei em uma escola de Campinas onde, acreditem, um senhorzinho safado costumava parar seu fusca bege quase todos os dias ali para ver as perninhas das meninas pela grade vazada... E umas me diziam que eram chamadas por ele a todo instante. Voltando ao famoso parquinho da cidade, não gostei. Talvez por ser pública ninguém me chamou para conhecer as instalações, mas acho que exatamente por eu já pagar aquilo ali, eu deveria ser convidada a entrar! Mas não fui e perdi o interesse. Para mim, foi suficiente perguntar o que serviam para as crianças e escutar "um dia pão com salsicha, outro dia com carne moída...". Tenha dó, salsicha??? Em dia de semana, refeição de rotina? Para uma boa parte de crianças que carece de boa alimentação na própria casa? Deixe-me ir.
Na escola privada, a segunda visitada, os lanchinhos são feitos com ingredientes coerentes com uma alimentação balanceada, para o paladar das crianças, mas não para estragá-lo. Ótimo, ganhou um ponto. O parque onde é o intervalo é bem bacana, com brinquedos de madeira e sol, bastante sol para esquentar os pequenos nesta cidade fria. Mas você leu aí "intervalo" e isso significa que lá os pequeninos da idade do Léo já ficam presos em salinhas e saem apenas uma vez dentro das três horas e meia que ficam com a professora. Acho um pecado ainda mais quando minha referência é o Léozinho, que ama bater perna, sair de um ambiente, conhecer outro. Não gostei, visto que na primeira escolinha que fui, as crianças da idade dele tem uma sala apropriada até com banheirinho de "suíte", mas o que não quer dizer que elas ficam lá o tempo todo. Eles saem, vão de um parquinho para o outro, vão à fazendinha (o que essa outra particular não tem), vão até a biblioteca e vão se divertindo. Na escola que parece um castelo, ninguém fica preso, já na que tem um parque bacana, lugar de pequeno é atrás de um pequeno portão colocado na porta da sala de aula.
Preferi a primeira escola! Por essas razões que expliquei, pelo fato de na pública ter apenas uma professora para 15 alunos e na segunda particular duas para 10 (no castelinho são uma professora, uma assistente e uma enfermeira para assuntos de higiene para dez). Ajudou eu ter entrado no banheiro da segunda particular visitada e ter visto um lugar porco e bagunçado. Está certo que onde tem criança é difícil manter a ordem, mas em se tratando de banheiro e de escola, o que eu deveria pensar? Além disso, na escola pública, dão almoço às 13h30, o que iria bagunçar a rotina de um comilão que não aguenta esperar até meio-dia e meia e que iria sim almoçar duas vezes e, o que é pior, salsicha! Na segunda particular, paga-se quase o mesmo da primeira que amei, mas tem meia hora a menos de aula, diversão ou prisão!
O que eu tirei de lição de tudo isso foi que ir lá ver com seus olhinhos é a melhor opção. Que nada adianta falarem muito, muito bem do lugar se você não constata isso com os olhos e nem com o coração. Aprendi que segurança se adiquire vendo o que espera e quer ver e que a decepção é uma porta aberta para a insegurança. Percebi que é importante ter uma coordenadora, diretora ou outra profissional capaz de lhe explicar tudo que você pergunta, que te convida para entrar, para voltar, para tentar sem compromisso. Notei que, ao contrário do que eu imaginava, um projeto pedagógico e um material didático adequados são muito importantes desde bem cedo se forem coerentes com o que você deseja para a educação do seu filho. Ver que é possível ter tudo isso e ainda fazer seu filho se sentir em casa não tem preço! Quer dizer até tem e é alto, mas deve valer. Vamos ver lá na frente. Uma coisa de cada vez. Já passei na prova de múltipla escolha, mas ainda não terminei minha lição de casa: decidir quando matriculo meu bebê no seu novo reininho.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Exemplo

Quando não se tem filhos, exemplo nada mais é do que algo que serve para expressar ou mostrar algo, seja ele certo ou errado. Nada demais. Quando nascem os filhos, a palavra ganha um peso que dói nas costas. Exemplo ganha obrigatoriamente a carga positiva, tendo sempre que retratar coisas boas. E nem é preciso exemplificar que o pai e a mãe se sentem as pessoas mais responsáveis por dar exemplo.
Nossos pais sempre foram nossos exemplos, ainda que às vezes tenham sido daquilo que não queriam. Mas são. E, salvo exceções, sempre se preocuparam em ser. Quem sai da maternidade com um bebê no colo sente que a partir daquele momento é mais do que uma pessoa no mundo, é a pessoa do mundo daquele pequeno e indefeso ser. Eu senti mais que isso. Quando estava no carro, com meu marido e meu neném no colo indo para casa, com o carro da minha mãe seguindo ao lado, olhei para ela, para meu menino, para mim mesma e tive a certeza que ali eu havia entendido o que meus pais sentem por mim. Quanto eu significo, desde aquele instante, para ambos. Filhos chegam logo nos jogando na cara absolutamente tudo que vivemos lá atrás. Nos esfregam na face todo o amor que recebemos, todos os não que não entendemos, tudo que fica complicadíssimo compreender sem estar do outro lado da narrativa.
Passamos a carregar a vontade e necessidade de ser exemplar. Temos que ser, que dar, que mostrar. Até aí, é relativamente fácil. Torna-se algo natural, espontâneo e até produtivo, quando se escolhe isso. Escova-se mais os dentes, a alimentação tende a melhorar, falta de organização torna-se arma contra nós mesmos, consciência ambiental e social vira parte da rotina diária até na hora de inventar uma historinha. Difícil é controlar outros exemplos, que vem de fora. Isso é impossível! Filhos crescem e vão para a rua, conhecem gente de todo o tipo, lidam com os mais variados exemplos, em todo o lugar, inclusive no quarto, pela tela da TV ou do computador. Então, lá vem aquela velha história de que o importante é o que fazemos dentro de casa, a "base" que damos, os valores que passamos, a educação e a relação construída com todo o nosso amor e dedicação. Resolvido? Nem pensar.
O que foi ensinado ajuda muito, mas só o tempo vai mostrar se o resultado será o esperado. Erramos, mesmo sem querer. Porque mesmo acertando podemos gerar uma reação contrária. Porque damos exemplos nem tão certos e até bem errados sem perceber. É tão natural e espontâneo quanto tentar ser o espelho bom o tempo todo. E, se algum erro vai resultar no erro deles, isso é pergunta para o tarô. Ai daquele que acertar!
Contra toda essa responsabilidade e seriedade que nos é dada quando deixamos de ser filhos para sermos pais, vem toda a naturalidade de uma vida que surpreende, ensina, alegra, derruba, levanta, guia e se deixa guiar. Penso que dar exemplo é fundamental. Bons e até os ruins. Quando filhos crescem, usam o que é positivo como norte e o negativo como sul. Buscam o que acham exemplar, fogem daquilo que não acham. Mesmo quando o pai e a mãe tem a certeza que estão acertando, na visão do filhinho crescido, podem estar muito enganados e tudo ao contrário também. A boa notícia para filhos é essa: que, quando adultos, usamos o que queremos e o que se adéqua à nossa vida e jogamos fora o que não se encaixa. A boa notícia para pais é que a parte de jogar fora não é assim tão simples...
Todo o nosso esforço na maternidade e paternidade é de muito valor. É extenuante em certos momentos, mas ao longo dos anos percebe-se que vale cada gota de suor, cada noite sem dormir, cada livro lido, cada conversa com comadre. Vale toda a preocupação e exigência, com eles e conosco. Porque a base deve ser sólida para que quando estiverem sobre ela, as "crianças" não escorreguem. E mais que isso. Para que a palavra exemplo não se torne sinônimo de ídolo. Pois todo ídolo deve ser exemplo, mas nem todo exemplo deve ser ídolo.
Pode gostar de reality show e torcer para o participante mais fútil por pura empatia. Pode ouvir músicas da banda cheia de cantores que usam calças coloridas. Pode ficar na rede de relacionamento sem dar um pio que preste. Pode ter a maior diversidade de amigos. Mas não pode idolatrar tudo. Pode e deve respeitar sempre, sem pré nem pós-conceito, mas não pode seguir exemplo que não mereça ser seguido. Não precisa apontar o dedo para o que é certo e errado (conceitos que mudam de endereço), mas analisar criticamente, com tudo aquilo que foi aprendido com a família e com a sua trajetória, com o coração e a razão. Pensar crítico não é ser crítico. É escolher seu caminho sem obstruir o caminho do outro.
O que não pode é o filho carregar a rigidez e exigência imposta por nós, pais, pela vida toda. Se nós pudemos errar como filhos e podemos como pais, porque não eles? A perfeição é imperfeita. E cada dia que passa só provam e comprovam como somatizamos tanta busca por ela. Ninguém é perfeito e exigir isso de quem quer que seja, incluindo de si próprio, não deve levar muito longe, visto que um passo dado não pode nos impedir de voltar atrás. A única verdade da vida perece ser a vida. E, se tem outra, é que, em determinado momento, todo ídolo perde a graça...

terça-feira, 29 de março de 2011

Hiperatividade X hiper-falta-de-educação

Banalizaram a hiperatividade, pelo menos no Brasil. Percebe-se isso, por exemplo, quando uma avó, no parquinho, diz a seguinte frase sobre o neto de dois anos: "Ele é um pouco hiperativo". Como assim um pouco? Ou é ou não é. E o menino da histórinha verídica não parecia ser. A avó só queria justificar o "excesso de atividade" do garoto demonstrada por ele com muita falta educação. Eu estava lá e vi que o menino tem fôlego, é levado, hiper ativo sim, mas não hiperativo (com o transtorno conhecido como hiperatividade). Ele demonstrava apenas não saber o que é limite e, por isso, não parava, nem quando tomava uma bronca daquelas de dar medo em adulto. Talvez porque ele tenha perdido o medo de tanto levar bronca sem nunca ter diálogo, porque esse eu não vi.
Assim que o hiperlevado ficou sob os olhos do avô, ele tomou jeito. O senhor alegre dialogava com o neto, puxava assuntos variados, o elogiava, falava das consequências de seus atos se não mudassem no mesmo instante, cantava junto, sugeria brincadeiras, etc. O pentelhinho se acalmou, a ponto de me acalmar também. Afinal, ele já tinha impedido meu filho de balançar, de escorregar, ameaçou jogar pedra e ainda tentou cuspir na carinha do meu anjo! E eu ali, defendendo, falando educadamente que aquilo era feio. Ainda bem que o meu molequinho entende, respeita e até se afastou um pouco como forma de se precaver. O deles apenas me serviu de exemplo, daqueles que não queremos seguir.
Ficou nítido para mim que o coitadinho faz todos de coitadinhos porque quer atenção. A mãe, todo o tempo que esteve ali, não me parecia se importar muito com as artes. Será que ela se importa com o resto? Não dá para saber. Ela tem outro filho menor e devia estar bem cansada, mas até aí, que mãe não está? O pai, em todas as inúmeras vezes que o filho derrubou propositalmente a garrafinha de água do Léo, até tentou repreender, mas desistiu assim que não viu resultado. "Desculpa viu, ele tá de sacanagem", foi o que me disse.
Não é para julgar, mas faz pensar. Dizer que o pimentinha é hiperativo só para justificar a falta de educação, limites, atenção, paciência ou seja lá o que for não é legal. Banaliza. Tira a importância daquilo que realmente importa. Dificulta a vida de quem passa pelo problema. Muitas pessoas acham que casos verdadeiros são falta de limites, simplesmente porque quem não dá limites dá à sua atuação educacional o nome da doença. Isso pode resultar em preconceito, pois falta de educação passa a ser uma característica do problema!
Não é difícil confundir, já que os principais sintomas se parecem com traços de comportamento até certo ponto comuns na infância, como energia em excesso, mas imagine como fica ainda mais complicado entender e respeitar a doença com tanta gente dizendo que tem filho hiperativo, o qual na verdade só não sabe gastar a energia sem ser indisciplinado. Confunde até o doutor!
A doença é reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo que em determinados países, os portadores são protegidos por lei para receberem tratamento diferenciado na escola. A informacão é da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), que caracteriza o problema, conhecido por transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH),  por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Texto do site explica: "As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos".
Dá para ver onde é possível confundir, mas dá para notar que o problema vai bem além do "gás" inacreditável das crianças e, principalmente, que criança sem limite não é hiperativa e vice-versa. Se há dúvidas, melhor seguir a recomendação da entidade e procurar um profissional, pois só ele pode fazer o diagnóstico corretamente. Só profissionais, não avós, vizinhas ou mães que estiverem no parquinho...
Então, não adianta ficar dizendo que tem uma criança um pouco hiperativa em casa. Se desconfia que há o problema, a pessoa precisa mesmo consultar um médico que possa dizer se é mesmo o caso ou se a única coisa hiper é a energia, a felicidade ou a falta de educação. Pode ser que o menino citado seja mesmo hiperativo. Não sou especialista. Mas se eu confundi, sou apenas mais um exemplo de que a banalização acontece... Se o menino for, a família não deveria estar relatando os sintomas a mim e sim já ter falado com o pediatra do garoto, pois a hiperatividade pode e deve ser tratada, com terapia, medicamentos e outras alternativas. Já a hiper-falta-de-educação pode ser tratada também, mas com vontade e disciplina, dos pais, em primeiro lugar. Prescrição de mãe, que se preocupa em criar um indivíduo educado e feliz, sem que, para isso, ele precise agredir alguém de alguma forma.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Educar-em-ação

Se tem algo que penso constantemente a respeito é sobre a educação do meu filho: a que eu e o pai dele damos, a que ele já tem e a que ele terá. Como é difícil saber se estamos acertando ou não! É dito que filho não nasce com manual, mas existem tantos manuais voltados a nos dizer o que fazer... E cada um, cada autor, cada pesquisa, cada reportagem, cada programa de televisão diz uma coisa.
Acabo de assistir a um episódio da Supernany, o que me fez refletir mais uma vez, inclusive porque, durante o almoço de hoje, tive um momento de "o que fazer, eis a questão". Ao meio dia, o pequeno estava com sono, todo bagunçado com o fim do horário de verão, e não queria terminar de comer. Não queria nem começar, pois estava entretido com ursinhos que quase nunca brinca. E eu, sem paciência, o coloquei no cadeirão dizendo que era a hora. Choro. Manha. Ele ficou chateado. E eu, que já havia feito de um jeito que não deveria, tinha que continuar firme para não me contradizer, mesmo chateada também. Ele engoliu o chorinho e comeu, mas parou antes da hora. Consegui convencê-lo a abrir a boca para mais três colheradas e fim. Dei minha palavra que acabaria ali e acabei escutando "eu não quero comer de novo". Perguntei o que ele queria e a resposta óbvia que só a mãe impaciente não percebeu foi: "quero naná". Subiu na cama, pegou a pepê e tchau. Nem ligou se eu ia ou não ficar no quarto. Dormiu antes de eu terminar o suco de melancia, o qual achei que deveria dar... Que insistência, a minha, é claro.
Há mesmo muitas dicas e regras disponíveis para todos os tipos de situações, incluindo esta, e é bom contar com elas, nos informar e saber o que é aconselhável fazer, mas nem sempre o indicado é o melhor dentro de casa. Nem sempre conseguimos praticar o que lemos e muitas vezes nem concordamos com as informações que recebemos. A conclusão que cheguei assistindo à babá britância mais eficiente que já ouvi falar é que nós, mães e pais, sabemos qual é o caminho a seguir. Ela não estava tratando de nenhum assunto parecido, mas me fez pensar no que eu havia feito só de aparecer na minha frente. Eficiente mesmo ela! Eu conclui que um método eficiente para saber se estamos ou não errando é prestar atenção em como nós nos sentimos depois que agimos. De nada adianta seguir conselhos e não se sentir bem utilizando-os ou agir de acordo com o que você inventa e achar que não está dando resultados.
O que eu senti com o que acabo de contar me deu uma certa indigestão... A resposta para a pergunta "estou fazendo certo?" ficou nítida como a imagem digital que eu via na televisão e eu não gostei dela. Bem, a gente aprende errando. Mas que dá um sentimento terrível imenso e dolorido de culpa dá. E acompanhado do medo de repetir o mesmo erro, de causar danos ao meu filhote, à sua auto-estima, à sua alegria, à sua educação. Porque falar em educar é fácil, mas a ação de educar é bem diferente. E mesmo que as pessoas se rasguem em elogios à educação do meu filho, não acho a missão fácil e nem me acho a melhor educadora. Sou sim uma mãe que admite aprender a cada dia. E aprendi mais uma hoje.

domingo, 19 de dezembro de 2010

A grama do vizinho pode até ser melhor, mas o filho não!

A vida dos outros sempre parece mais bonita. Sob a ótica de quem assiste do lado de fora, tudo parece mais calmo, sem problemas. Mas, cá entre nós, quando se trata de filho não é bem diferente? A grama do vizinho pode até ser mais verde, mas o filho não é mais inteligente, carinhoso, bonito, educado e perfeito que o nosso! Não mesmo.
Somos "corujas" e ponto. Ou melhor, leõas... Mas, o amor incondicional não deve nos cegar. Deixando de lado a "disputa", é preciso lembrar que as sementinhas que colocamos no mundo crescem de acordo com o adubo que colocamos nelas. É preciso regar, e muito.
Infelizmente, muitos pais "esquecem" disso. Esquecem até mesmo que são pais. Não é o caso de um casal com o qual conversei hoje. Eles me contaram que, mesmo sem babá, só colocaram a filha na escola com 4 anos. Tarde? Não. Ideal. Sim, ideal. Sabe por quê? Porque no momento que a criança mais precisou deles, eles estavam lá. Para ensinar, educar, proteger, passar valores, conhecimento, entender os resmungos que nem sempre são "entendíveis" por outras pessoas... Os dois estavam lá. E olha que ambos trabalhavam. A mãe ficava com a garota em um período e o pai em outro.
Claro que pouquíssimos casais podem fazer isso. Infelizmente, a maioria tem que trabalhar muito para dar uma vida gostosa para os filhos. Pai e mãe. Mas, me diga se isso não seria ideal... Se não é... Ainda mais numa época em que não faltam notícias absurdas sobre babás e escolinhas... Para quem precisa delas com filhotinhos pequenos, escolher não deve ser fácil!
Graças a Deus e a meu maridinho muito trabalhador, eu não preciso optar nem por uma nem por outra. Nem por dinheiro, nem por ego, pois a minha realização profissional ficou para depois, sem problemas. Eu optei pelo meu filho, até eu achar que ele deva ficar sob cuidado de uma professora. Mas, o engraçado ou absurdo é que já escutei muitas críticas pela minha escolha. Pais e mães que colocam filhinho na escolinha ou o deixam com outra pessoa dizem que eu sou neurótica, super protetora, etc. Este casal com o qual troquei experiências hoje é um dos quase três que me apoiaram. Triste não? As pessoas deveriam querer ficar com seus filhos e não despejá-los em outro endereço ou outro colo. As pessoas que não podem ou não queiram fazer isso deveriam apoiar quem pode e quem quer. Sem inveja. Sem defesas de teses. Sem pisar no jardim do outro.
Eu sinto muito pelas mães que tenham que voltar a trabalhar logo que a licença acaba e outras que voltam antes mesmo dos 4 meses. Mas tenho este sentimento por quem tem que fazer isso, seja por situação financeira, estabilidade no emprego ou até mesmo realização profissional. Quem escolhe isso é outra história. E quando digo escolher, leia-se vontade de não cuidar daquele que é de sua responsabilidade. Querer voltar ao trabalho não porque precise ou queria trabalhar, mas porque queira e diga precisar ficar sem o filho "um pouquinho". Acreditem ou não, mas eu já ouvi de uma mãe reclamações de cansaço com a filhinha ficando quase período integral na escolinha desde 1 aninho. E olha que ela não trabalha fora não... Outra colocou a filha com 10 meses na creche porque queria um tempinho livre... Para fazer nada...
Em compensação conheço mãe que fez questão de ficar com a filha até os 5 anos! E, contra o argumento de muitos que dizem que criança que não vai para escola não progride ou se desenvolve, a menina escrevia com pouco mais de 2 anos. Chegou na escolinha sabendo mais que muitos que já estavam lá. Mérito da mãe dedicada, afinal também há a aquela que fica em casa o dia todo com a cria e não se dispõe a ensinar ou estimular muita coisa...
O que quero dizer é que não defendo quem faz a mesma escolha que a minha. Defendo quem escolhe o amor. Mães e pais que, mesmo voltando exaustos do emprego ainda reúnem forças para ser, estar, amar. Casais que, se escolhem ficar em casa, estão lá não só de corpo, mas de alma, e se comprometem a fazer o melhor. Quem não usa a profissão ou qualquer outra coisa como álibe por não regar sua plantinha. Pois podemos pensar que a grama do vizinho é melhor, mas não podemos deixar que o filho seja! Temos que ter orgulho da pessoinha que estamos criando e ter a certeza que ela é criada da melhor forma possível! Só que para isso, não há mágica. Há pais presentes, presentes mesmo ausentes, ausentes mesmo presentes. Como diz aquele velho ditado, "cada um colhe aquilo que planta".