Todas as pessoas bem crescidinhas atualmente já escreveram, pelo menos uma vez na vida, uma redação que as professoras sempre ou quase sempre pediam na volta às aulas. "Minhas férias foram..." era o título do que o aluninho renovado de energia deveria desenvolver nas linhas do seu caderninho ou, mais comum ainda, em folhas sulfite (já que no primeiro dia de aula nem sempre estávamos com o tal material escolar em ordem).
Eu amava essa atividade. Pudera! Sempre amei redação... Mas havia quem a odiasse. Hoje não sei se ela ainda é pedida em classe, mas acho que deveria. É um baita exercício pedagógico, lúdico ou, no mínimo, interessante. Lembrar de tudo que passou nas férias, rever o que aconteceu com os olhinhos da mente faz um bem danado. É claro que a redação é muito mais divertida quando se aproveitou cada dia de folga, mas mesmo quando eu não tinha saído de casa, o não sair de casa também era bacana de relembrar. Ótimo para quem havia viajado para a Disney ou ido ao zoológico. Mas, para mim, bastava eu ter estado de férias!
Sendo mãe, quero mesmo proporcionar idas a parques, viagens, programas culturais em cada mês de julho, dezembro e janeiro, mas sei que isso nem sempre será possível. Ou por condições financeiras, ou por trabalho, ou por acontecimentos que fogem do nosso controle. Sendo mãe quero ensinar que, mesmo quando não for possível realizar nossos sonhos de férias, valerá a pena de todo o jeito, afinal, estaremos de... férias!!!
Se hoje eu fosse produzir a tal redação, começaria assim: "Minhas férias foram... completamente tomadas por imprevistos e coisas que não deveriam ter ocorrido. Meu melhor amigo (vulgo marido) fez dodói nas costas, sentiu uma dor que eu nunca havia visto e precisou ficar de cama. Meu bonequinho (meu filho!!!) foi um santo, mas não pode aproveitar todos os dias de sol porque São Pedro quis assim. Muitos dias, passeamos. Muitos outros ficamos assistindo televisão... Mas foi tão bom! Estávamos juntos, os três...".
Acho que se meu filho fosse escrever, escreveria ainda melhor. Porque em um dos dias, estávamos na praia, com um sol que se escondia e deixava o dia frio devido a uma pequena ventania. Ele brincava sem parar na areia, alheio ao dia horroroso, mas atento o suficiente para abaixar os olhinhos quando voava areia enquanto escutava a conversa dos pais. O papai reclamava da terrível dor e mamãe fazia coro completando com a descrição da falta de colaboração do clima. Irritados, os papais decidiram ir embora. Eu disse: "filho, vamos embora?". Ele, sem pestanejar, disse que sim e foi logo recolhendo suas coisas. Parou de repente, olhou para o céu, e disse: "Obigado Papai do Céu por eu fazê um castelo". Nem preciso dizer como isso me tocou. Ou preciso. Obrigada Papai do Céu. Pelo filho que tenho. Pelo tanto que ele me ensina. Por todo trabalho que tive com ele até agora. Pelas férias maravilhosas que desfrutamos. Por ele ter saúde para poder fazer um castelo de areia. Por eu ter saúde para ajudar ou simplesmente vê-lo fazer. E pelo castelinho que estamos contruindo juntos, todos os dias.
Que fofooooo...
ResponderExcluirE essa redação, como era legal...
Por mais que não fizessemos nada nas ferias, ainda aproveitavamos muito, para criança tudo vira brincadeira, diversão...
Fase boa demais...
bjos