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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Flexibilize!

Quem sai de férias com filhos bem sabe que voltar é lutar contra o que você mesma deixou acontecer! Sendo mais clara: retornar é complicado porque quando estamos fora de casa, sem compromissos marcados e sem hora para acordar, geralmente também ficamos sem rotina. Pelo menos comigo foi assim nestas minhas férias de setembro. Deixei as coisas acontecerem de maneira bem relaxada. Leia-se "sem neuroses de uma mãe cheia de horários e regras" e não "relapsa" ok? Porque relapsa eu não conseguiria ser nem se eu vivesse em férias o ano todo... Mas relaxada, isso eu e outras mães precisávamos ser mais do que uma vez por ano.
Aliás, creio que sou parecida com muita mãe por aí. Que de segunda a sexta estabelece uma disciplina saudável e necessária para a vida de toda a família, mas que aos finais de semana deixa o almoço para mais tarde, a janta para ser devorada no sofá, a cama esperando a hora de dormir! E de férias, essas mesmas mães, assim como eu, se permitem uma folguinha, um desleixo nada relapso, mas bem parecido com o que podemos chamar de naturalidade. Ou seria tranquilidade?
Está bem, está bem. Tem mãe que é sempre relaxada. Tem aquela que pouco se importa mesmo. E tem a que não consegue relaxar nem bem longe de casa. Eu sou a do meio termo, ou que procura esse meio. A que escolhe o cardápio da semana, mas que aos sábados e domingos deixa o menu ser um pouco mais escolhido. A que segue horários, mas que, em dias de chuva ou de noites mal dormidas, pode muito bem ficar até mais tarde na cama com o filho e dar conta de tudo só depois do meio-dia. Sou daquelas que ficam loucas com uma refeição mal feita ou a demora do pequeno em pegar no sono. Mas também tento me preocupar menos com a falta de apetite infantil de vez em quando, tendo a certeza de que faço a minha parte sempre. E, se um dia ou outro, o filhote vai para a cama muito tarde, fico transtornada, mas procuro me policiar para aceitar que um dia ou outro isso vai mesmo acontecer. Sou simplesmente aquela mãe que não costuma se dar muita folga, mas que quando sai de férias, aproveita ao descanso que esse período pode trazer para sua vida...
O problema é que voltar das férias não é fácil quando o assunto é a volta à rotina da casa. Retornar aos horários da mamãe nem sempre é o que o filhinho deseja. E o pior é que o apetite sofreu alterações, os hábitos foram ligeiramente transformados, os interesses mudaram. O tempo dedicado exclusivamente ao filho, volta a ser divido em mil. E a necessidade de cumprir o que é necessário começa a nos deixar neuróticas novamente.
Meu filho, por exemplo, passou a semana passada toda um tanto quanto agressivo, nitidamente transtornado com a falta de dedicação contínua dos pais em relação a tudo que ele quer fazer (afinal, agora temos que trabalhar e não só atender aos desejos dele). As refeições também deixaram a desejar, assim como sua vontade de ficar em frente à TV ganhou da disposição para brincar. E se a hora de dormir foi adiantada devido ao cansaço, etc e etc, a hora de acordar ficou completamente fora do esperado, um dia assim, outro bem diferente.
Por essas e por outras, eu, que sou a rainha da frase: "tá na hora disso, não tá na hora daquilo", me vejo perdida no meu próprio relógio, na minha própria rotina. Louca em meio a horário de férias, de verão, de voltar a trabalhar. E se eu estou perdida, meu filho também não se encontrou ainda. Mesmo assim, com tanta bagunça nesse retorno interminável ao dia-a-dia normal, eu recomendo toda a bagunça que fizemos nos nossos dias longe de obrigações. Porque só assim acho que descansamos corpo e mente...
Porque assim, experimentamos novas maneiras de nos relacionar com algo que chamamos de tempo. E, se fizermos isso bem, podemos trazer o aprendizado na bagagem e, quem sabe, deixar nossa vida diária muito mais gostosa, sem neuras por perder a hora de acordar, por atrasar o almoço, por demorar no passeio da tarde e deixar o trabalho acumular ou porque o filho não quer dormir para brincar com o pai na noite de sexta-feira. Pensar nessa mudança de hábitos é necessário. Afinal, temos que admitir que, por mais que rotina seja importante para as crianças, é comum acabarmos engessadas em um modelo perfeccionista materno que mais se assemelha ao modelo capitalista corporativo, e que, cá entre mães, não é o ideal para uma rotina doméstica!
Ser uma mãe "caxias" só ajuda a cultivar um sentimento de culpa que nunca acaba. Por isso, depois de minhas merecidas férias, eu, uma mãe caxias assumida, passei a pensar com mais carinho em algo que já me beliscava em fases de sobrecarga: a "flexibilidade sem sofrimento", também chamada de "jogo de cintura". Como li em algum lugar (desculpe, mas não lembro a referência mesmo), "disciplina não é rigidez". É exatamente usar a flexibilidade a seu favor!!! Pense nisso você também. Antes, durante ou depois das suas férias!

Um comentário:

  1. Realmente a rotina é toda abalada...
    Acho que é dificil voltar igual como era antes...
    Mas volta ao mais proximo possivel...
    Mas tomara que tudo volte ao normal ;)
    bjos

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