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domingo, 19 de dezembro de 2010

A grama do vizinho pode até ser melhor, mas o filho não!

A vida dos outros sempre parece mais bonita. Sob a ótica de quem assiste do lado de fora, tudo parece mais calmo, sem problemas. Mas, cá entre nós, quando se trata de filho não é bem diferente? A grama do vizinho pode até ser mais verde, mas o filho não é mais inteligente, carinhoso, bonito, educado e perfeito que o nosso! Não mesmo.
Somos "corujas" e ponto. Ou melhor, leõas... Mas, o amor incondicional não deve nos cegar. Deixando de lado a "disputa", é preciso lembrar que as sementinhas que colocamos no mundo crescem de acordo com o adubo que colocamos nelas. É preciso regar, e muito.
Infelizmente, muitos pais "esquecem" disso. Esquecem até mesmo que são pais. Não é o caso de um casal com o qual conversei hoje. Eles me contaram que, mesmo sem babá, só colocaram a filha na escola com 4 anos. Tarde? Não. Ideal. Sim, ideal. Sabe por quê? Porque no momento que a criança mais precisou deles, eles estavam lá. Para ensinar, educar, proteger, passar valores, conhecimento, entender os resmungos que nem sempre são "entendíveis" por outras pessoas... Os dois estavam lá. E olha que ambos trabalhavam. A mãe ficava com a garota em um período e o pai em outro.
Claro que pouquíssimos casais podem fazer isso. Infelizmente, a maioria tem que trabalhar muito para dar uma vida gostosa para os filhos. Pai e mãe. Mas, me diga se isso não seria ideal... Se não é... Ainda mais numa época em que não faltam notícias absurdas sobre babás e escolinhas... Para quem precisa delas com filhotinhos pequenos, escolher não deve ser fácil!
Graças a Deus e a meu maridinho muito trabalhador, eu não preciso optar nem por uma nem por outra. Nem por dinheiro, nem por ego, pois a minha realização profissional ficou para depois, sem problemas. Eu optei pelo meu filho, até eu achar que ele deva ficar sob cuidado de uma professora. Mas, o engraçado ou absurdo é que já escutei muitas críticas pela minha escolha. Pais e mães que colocam filhinho na escolinha ou o deixam com outra pessoa dizem que eu sou neurótica, super protetora, etc. Este casal com o qual troquei experiências hoje é um dos quase três que me apoiaram. Triste não? As pessoas deveriam querer ficar com seus filhos e não despejá-los em outro endereço ou outro colo. As pessoas que não podem ou não queiram fazer isso deveriam apoiar quem pode e quem quer. Sem inveja. Sem defesas de teses. Sem pisar no jardim do outro.
Eu sinto muito pelas mães que tenham que voltar a trabalhar logo que a licença acaba e outras que voltam antes mesmo dos 4 meses. Mas tenho este sentimento por quem tem que fazer isso, seja por situação financeira, estabilidade no emprego ou até mesmo realização profissional. Quem escolhe isso é outra história. E quando digo escolher, leia-se vontade de não cuidar daquele que é de sua responsabilidade. Querer voltar ao trabalho não porque precise ou queria trabalhar, mas porque queira e diga precisar ficar sem o filho "um pouquinho". Acreditem ou não, mas eu já ouvi de uma mãe reclamações de cansaço com a filhinha ficando quase período integral na escolinha desde 1 aninho. E olha que ela não trabalha fora não... Outra colocou a filha com 10 meses na creche porque queria um tempinho livre... Para fazer nada...
Em compensação conheço mãe que fez questão de ficar com a filha até os 5 anos! E, contra o argumento de muitos que dizem que criança que não vai para escola não progride ou se desenvolve, a menina escrevia com pouco mais de 2 anos. Chegou na escolinha sabendo mais que muitos que já estavam lá. Mérito da mãe dedicada, afinal também há a aquela que fica em casa o dia todo com a cria e não se dispõe a ensinar ou estimular muita coisa...
O que quero dizer é que não defendo quem faz a mesma escolha que a minha. Defendo quem escolhe o amor. Mães e pais que, mesmo voltando exaustos do emprego ainda reúnem forças para ser, estar, amar. Casais que, se escolhem ficar em casa, estão lá não só de corpo, mas de alma, e se comprometem a fazer o melhor. Quem não usa a profissão ou qualquer outra coisa como álibe por não regar sua plantinha. Pois podemos pensar que a grama do vizinho é melhor, mas não podemos deixar que o filho seja! Temos que ter orgulho da pessoinha que estamos criando e ter a certeza que ela é criada da melhor forma possível! Só que para isso, não há mágica. Há pais presentes, presentes mesmo ausentes, ausentes mesmo presentes. Como diz aquele velho ditado, "cada um colhe aquilo que planta".

5 comentários:

  1. Eu larguei o trabalho (e nem pretendo voltar) mudei de vida total pra cuidar do meu caçula. Não pude fazer isso nos outros dois, mas dessa vez não abri mão disso. E pretendo tb, só colocar Alberto na escola com 4 anos. Esses são os planos.
    Adorei o texto. Bjok

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  2. Sabe Beatriz, eu também penso como vc. Infelizmente não posso me dar ao prazer de não trabalhar, sou funcionária pública, tenho uma estabilidade empregatícia e não poderei ainda satisfazer a minha vontade de ficar mais tempo com minha Leti. Mas sou dela qdo chego em casa. Deixo tudo mesmo por ela, e só faço algo depois que ela dorme. Qto a escola, tb só pretendo colocar com 4 anos.
    Bjus

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  3. Identifiquei-me com você, também larguei o trabalho para ser mãe e cuidar dos filhos. Sei que sou criticada por isso e posso ser no futuro por eles mesmos, mas nada se compara à compania da mãe.
    Gostei do blog, voltarei mais vezes!
    bj
    Adri

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  4. Olá Beatriz
    Revi-me em cada palavra que escreveste, um post fantástico.
    Mas sabes que acho que estupidamente muitos pais e mães vão trabalhar, não ficam com os filhos somente por uma questão de cultura. Não é bem aceite a mãe que não trabalha, é desvalorizada, é considerada uma preguiçosa... nunca olham para o lado fantástico que é criar um filho em pleno. Falo por experiência própria... cada vez que vou a Portugal e digo que optei por ficar com o Leo sou apontada como desocupada... e perguntam-se incessantemente quando começo a trabalhar.
    Já aqui na Alemanha mãe é uma profissão até nos pequenos pormenores... se tiveres que preencher um documento onde tens que seleccionar qual a tua profissão encontrarás a opção "mãe". Aqui muitas mães ficam até pelo menos 3 anos com os filhos, têm ajuda financeira para isso e garantia do posto de trabalho... enfim cada cultura sua sentença...

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  5. Que bom que existem outras mães dispostas a exercer sua missão com plenitude! E que pena que nem todas podem concretizar esse desejo! Muito pela questão cultural sim! Quem sabe um dia nós mães seremos de fato respeitadas (eu tb sinto preconceito quando digo que fico em casa!). Quem sabe um dia as brasileiras também poderão ficar 3 anos com os filhos sem problemas...
    Beijos a todas

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