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quinta-feira, 30 de junho de 2011

A segunda gravidez

Em primeiríssimo lugar, não estou grávida! Sou totalmente a favor de uma  nova concepção, mas admito que ando fazendo uso de método contraceptivo... Tenho meus motivos, que não vem ao caso agora. Mas, por conta de adiar um pouco minha vontade de ser mãe de mais um, dois ou até três, vou invejando as gravidíssimas que aparecem na minha frente todos os dias. É inveja mesmo, mas da boa, coisa saudável, para mim e para vocês barrigudas exibidas!
Tenho absoluta certeza que toda mulher que escuta o despertar de seu relógio biológico e emocional já passou pela situação de encontrar mil grávidas pela frente, ou só enxergar recém-nascido em tudo que é lugar. Pois bem, ando encontrando muitas gestantes, esperando coincidentemente ou não o segundo filho. Só na família, tem duas. Aí vem amiga, conhecida, desconhecida, colega de blog, colega de colega de blog. Meu relógio já gritou, mas eu já tive filho. Eis que esqueci de desligar esse despertador! Coloco logo um travesseiro em cima?
Brincadeiras à parte, tenho mesmo muita vontade de engravidar novamente, mas não agora. Esse complô de barrigudinhas de segunda viagem só está me testando, mas eu aguento! Agora, é sério, todas essas mães que aparecem esperando seu segundinho me falam a mesma coisa: na segunda gravidez não é tudo diferente, mas é diferente! Isso porque elas dizem sentir quase as mesmas coisas da primeira gestação, mas contam que dessa vez mal têm tempo de pensarem no que sentem física e emocionalmente. Isso deve ser bom. Ou não?
É sobre isso que quero falar, pois quando a primeira mãe me disse algo do tipo, fiquei um pouco frustrada. Foi assim: "Na primeira, eu tinha mais tempo, me preocupava mais. Dessa vez, a gravidez é só mais uma coisa que está acontecendo". Puxa. Pensei que isso não era legal. Como assim é mais uma coisa? Fiquei decepcionada ao me imaginar grávida sem dar a devida atenção para a gravidez. Mas, ao ouvir outra mãe comentar algo como "estou curtindo bem mais, é tudo mais tranquilo, se dói alguma coisa eu nem ligo porque sei que não é nada", percebi que as duas estavam falando a mesma coisa, de maneiras diferentes. E o que elas falaram, resumidamente, foi que essa mãe natureza sabe mesmo o que faz. Porque você já passou por aquela situação, já teve medo, ansiedade, dúvidas, então para quê tudo de novo? Não faz sentido. A experiência tira a pressão que sentimos na estréia e isso, definitivamente, não é ruim.
Como sempre pode surgir algo diferente, especialmente no parto, sempre terá  novas emoções envolvidas também. Por mais iguais que sejam os sintomas, é a segunda gravidez! Não é mais a única coisa importante que está acontecendo na sua vida, a razão de todos os seus pensamentos e sentimentos, mas é uma gestação tão especial quanto a primeira, de forma diferente, mas nunca inferior ou superior, observo. Pois ao seu lado está o irmãozinho ou irmãzinha mais velha daquele que habita seu ventre e esse expectador observa tudinho. É nesse pequenino ou pequenina que imagino concentrar-se toda a ansiedade e expectativa do novo episódio. A nossa estréia é em equilibrar a mãe que já somos com a mãe que seremos! Dar aos mais velhos segurança e carinho para que eles enfrentem a novidade da melhor forma, transmitir ao mais novo o mesmo carinho e segurança, sem esquecer de se sentir segura e acalentada nesse turbilhão de afazeres, prazeres e fatos comuns.
Imagino que dá sim para dar toda a atenção à barriga crescente. Passar hidratante toda a hora deve ficar mais difícil, dormir o sono de grávida vira um luxo, os mimos que vem de fora são dispensados para não causar ciúmes e as fotos mês a mês podem ser esquecidas. Mas, por outro lado, você não fica de frescura para abaixar e levantar, pois tem que fazer isso a todo instante, e nem fica louca só de pensar em montar a mala da maternidade. Se naqueles nove meses, sua atenção e tensão estavam voltadas ao que iria acontecer em cada semana e depois que elas acabassem, nesses nove meses você não se concentra direito neles (o que acho um pouco ruim), mas também não fica tensa com o passar das semanas (o que é ótimo). Porque você tem outra criança para se preocupar e porque, afinal de contas, sabe que não tem com o que se preocupar e que, mesmo se tiver, não adianta!
Nesse balanço que faço, como observadora, sobre a segunda gestação, vejo que, assim como na primeira, muita coisa é novidade sim. A mais importante delas é que não é mais só você curtindo as mudanças do corpo e do cotidiano e nem é só em você que você pensa quando imagina o rostinho do bebê, estou errada? De fato, é mais uma coisa acontecendo, mas, com certeza, mais uma coisa maravilhosa, inesquecível e inexplicável. A segunda gravidez pode não ser a única coisa do momento, mas é única, assim como a primeira. E isso, invejem vocês que não são mães, toda mãe é capaz de afirmar, grávida ou não do segundo!

Um comentário:

  1. Costumo dizer que com minha segunda filha aprendi muito mais do que com a primeira. Ela me ensinou que bebês não dormem, choram muito e que, por mais que a gente ame um ser, sempre tem espaço no coração de mãe para mais um!
    Beijo

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