Quando fiquei sabendo que teria um menino nem pensei no fator "pelinha", aquela que na verdade se chama prepúcio, que fica logo ali embaixo e que costuma dar um pouco de trabalho diário para os pais. Se pensasse acho que seria louca, ou no mínimo ansiosa demais! Depois do parto, também nem parei para pensar no assunto. Tinha muitas outras coisas para me preocupar! Com o decorrer dos meses e com muitas mães me alertando sobre o detalhe técnico, passei a pensar mais sobre isso e sobre o que eu teria que fazer com isso.
Algumas mães de meninos chegavam a me aterrorizar dizendo que a tal "massagem" tinha que ser feita desde sempre. E eu juro que só queria adiar essa etapa. Não posso mentir, esse tema sempre me deixou meio aflita, afinal eu não tenho pipi! Mas longe de mim ser displicente com algo tão importante na vida do meu machinho e, por isso, logo perguntei ao pediatra o que eu de fato deveria já estar fazendo, como fazer e até quando era meu limite de ação contra essa pele intrometida. A tranquilidade com que ele falou sobre me tranquilizou e cada vez que eu mostrava o periquito do meu neném no consultório, eu saía de lá bem aliviada. Não lembro bem as palavras que ele usava, mas era algo como "não precisa se preocupar, é só puxar assim de levinho, só isso sempre que der". Em nenhum momento ele me deu bronca por não estar fazendo o "serviço" direito e nem por eu repetir as mesmas perguntas milhões de vezes. "Doutor, queria te mostrar como está e saber se é assim que deveria estar. Como é que eu devo fazer mesmo? Eu puxo só um pouquinho, tudo bem? E tem dias que esqueço, tem problema?". Para você que não tem menino, saiba que "puxar só um pouquinho" já é bastante torturante. Como saber se o meu pouquinho não é muito para o pirulitinho dele? E se for um pouquinho tão insignificante a ponto de não fazer efeito? A tortura vai mesmo além do "nervosinho"que dá em mexer naquilo que eu não tenho idéia do quanto é sensível...
Sorte que tive um tempo "extra". Porque se todos diziam que a pelinha tinha que escorregar até um ano de idade, o nosso médico dizia que eu deveria começar os exercícios a partir daí. Confiei nele e no meu instinto que me dizia que tudo iria dar certo, no tempo certo e ponto final. Foi difícil convencer o rapazinho a permitir que eu mexesse ali todos os dias e em vários deles eu não conseguia, ou porque ele não deixava, ou porque estávamos com pressa ou porque eu esquecia. Esquecia mesmo.
Dicas não me faltavam. Mãe que me aconselhava a fazer a massagenzinha no banho porque o sabonete ajudava a escorregar, mãe que falava que o melhor era depois, mãe que disse que tudo se resolveu mas que depois retrocedeu, mãe que disse que sangra, mãe que contou que não conseguiu (como se dependesse só dela!) e teve que levar o filho para a mesa de cirurgia, etc. E eu tenho um irmão que operou e, como se não bastasse, o responsável pela operação retirou um pouquinho a mais! Graças a Deus (com certeza não ao médico), essa retirada além não prejudicou o menino em nada, mas tenha dó, tiraram dele algo que era só dele!
Reportagens também tinham o prazer de me aterrorizar, estipulando data certa para o resultado aparecer. Li, por exemplo, que até os seis meses é normal que a pele desça e que se isso não acontece até os dois anos o caso é mesmo fimose e se torna necessária uma intervenção cirúrgica. Para meu alívio, o doutor do Leco sempre afirmou que eu só deveria me preocupar mais com isso a partir de, e não até, os dois anos. Se eu tivesse caído na mão de um médico mais "ansioso", já estaríamos com data marcada para entrar no hospital. Porque até os dois anos nada, nada aconteceu. Nem uma melhorazinha sequer. Nem sinal de abertura de nada. E olha que eu já estava me aplicando e aplicando uma pomadinha receitada pelo médico.
Mas, na última consulta, o Dr. enxergou ali algo que eu não enxergava e disse que ainda podia abrir sim. Receitou outra pomada e novamente me acalmou dizendo que eu só tinha que mexer nisso uma vez por dia, passando a pomada em seguida. Que fique claro, a pomada não ajuda a abrir, ela só impede que a pele grude ainda mais. Isso porque quando puxamos a tal para baixo, damos uma forçadinha e isso causa umas fissurinhas normais mas que sem a pomada tendem a fazer grudar de novo. O medicamento impede esse efeito "inflamatório" e deixa o caminho livre para a massagem do dia seguinte. Explicação de leiga, mas é por aí, me corrijam médicos de plantão.
Segui à risca as últimas orientações, expliquei para o Leco que eu tinha de "secar" o pirulito e pronto. Há uns dias, enxerguei uma abertura lá que foi aumentando e ontem o que estava escondido apareceu. Fiquei meio em pânico, tenho que contar. Me apavorei com a cor meio arroxeada meio avermelhada da parte e achei que a pele não ia voltar para proteger o que ainda deve estar sensível. Corri para o marido que me tranquilizou dizendo que "é assim mesmo". Ok. Olho para aquilo de novo e faço força para não demonstrar para o pequeno meu nervosinho tolo. A pele voltou. Sim, porque ela abriu, mas isso não significa que ela precise ficar aberta já agora nesse momento. Então respiro aliviada. E hoje, fazendo minha lição de casa com o homenzinho em pé dessa vez, percebo que ele consegue visualizar tudo pela primeira vez, já que eu sempre fazia com ele deitado. De repente, ele fala: "Tá funcionando!". Imagine se eu não ri muito. Disse que sim, estava funcionando, ele olha de novo e solta: "O que tá acontecendo?". Eu, que acredito que tudo deve ser natural, explico que o "pipi tava mostrando a carinha", que a cabecinha tinha que aparecer, mas que ela ia se esconder novamente. "Condeu!", concluiu ele. Ótimo, conclui eu. Chega de medo da pelinha!
Beatriz eu também sofro horrores com essa pelinha. Eu já puxei demais e cicatrizou de novo. O Samuel claro, ficou traumatizado e nao quer deixar eu mexer nem pra limpar. Nunca me recomendaram nada aqui. Sera q seria o caso de perguntar o pediatra sobre a pomadinha? Pq eu já to desistindo, marido falou q eu "estraguei" o equipamento do pobrezinho e eu já to com medo e achando melhor deixar quieto e se tiver que operar paciencia.... coitadinho
ResponderExcluirPaula, não sei porque não consigo comentar no seu blog. Mas respondo aqui e espero que leia... Pergunte sobre a pomada sim e não desista. Você não estragou nada e tenho certeza que ainda dá tempo de ajudar o pequeno. Pergunte ao pediatra e vá de "leve" agora. Vou torcer.
ResponderExcluirBeijos e boa sorte!
Bia