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quinta-feira, 16 de junho de 2011

A conspiração

Se tem algo que é comum a todo homem e mulher atualmente é a sensação de que o dia é curto demais. São muitas as razões para isso, mas me apego a uma bem fácil de diagnosticar, a auto-cobrança. Mulheres, mães, workaholics e motherholics, digam se essa auto-sabotagem não nos deixa ainda mais malucas diariamente. Como se já não bastassem os milhares de afazeres da vida e maternidade modernas e as exigências que ganhamos de brinde com o "pacote", ainda temos a nossa própria gama de pensamentos, sentimentos, necessidades e críticas, servidos apropriadamente com um acompanhamento chamado sentimento de culpa. E não, não importa qual jornada a mamãezinha cumpra. Única, dupla ou tripla, a exigência é sempre ao quadrado, pois tem a de fora e a de dentro.
Ontem, estava eu em auge de tensão pré menstrual, cansada depois de duas noites mal dormidas devido à dor de garganta e febre do pequeno, reclamando com meu marido que nessa semana eu não estava conseguindo fazer nem a metade de tudo que precisava, e ele me perguntou: "Você também não conseguiu ajudar a vizinha a limpar o quintal?". Ha. Ha. Ha. Imagine que eu levei a sério no primeiro minuto e cheguei mesmo a pensar que eu tinha algum compromisso do tipo e havia esquecido! Mas não, era só um "presta atenção" que eu estava levando com bom humor e eficiência...
Acho que nem todas são compulsivamente auto-críticas como eu, a ponto de se martirizar por não ter conseguido passar a roupa do filho e ter que pedir ajuda. Mas eu sempre fui assim, só que com a maternidade piorou um pouquinho. Como se uma boa mãe não pudesse errar na comida um dia ou outro ou deixar de cuidar de algo que é de sua responsabilidade. Ha. Ha. Ha. Nesse exato momento em que eu terminei essa frase, percebi o quão neurótico é esse pensamento! E me lembrei do texto que escrevi há pouco tempo, falando justamente da minha sobrecarga emocional e da necessidade de aprender a delegar algumas tarefas. Hoje, agora, nesse mesmo momento, vejo que preciso delegar alguns sentimentos também. Não delegar a alguém para este sofrer à toa como eu sofro em meu lugar, mas delegar para o universo. Só para constar, segundo o dicionário Aurélio, delegar significa "transmitir poderes", e é isso mesmo que eu e toda mãe preocupada demais com o de menos deveria fazer. Trasmitir poderes para o universo, afinal dizem por aí que ele conspira, contra ou a favor, depende do poder que você der a ele. Energia boa sai, energia boa entra certo? E você, às vezes também sente o peso do mundo em seus ombros, mesmo que esse mundo seja "apenas" seu mundo? Já parou para pensar quanto tempo perdemos nos preocupando com coisas sem tanta importância e o quanto isso aumenta a sensação de cansaço? Já percebeu como esses pensamentos cheios de exigência e frustração só colaboram para trazer mais afazeres, mais exigência e mais frustração? E, só por curiosidade, já aprendeu a transmitir o poder sobre sua vida ao universo sem ter a impressão de que fazendo isso está delegando a ele sua vida, você por inteira e todo o resto?

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