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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Culpa? Para dois, por favor

"É para dois?" Faz tempo que eu não escuto essa perguntinha de garçom. Porque sempre tem um terceiro ali grudado, uma pessoinha que já ocupa cadeira, ou cadeirão, mas com certeza mais um lugar à mesa. "É... para três", respondemos quando raramente nos perguntam, e olhamos logo para baixo, onde está o convidado de honra. Tudo ótimo em sair a três quando a ponta do triângulo é um filho maravilhoso e que se comporta muitíssimo bem em lugares públicos. Mas teria algum problema em sair vez ou outra em dupla? A dois? De casal?
Teria. Deixar um pequeno sob os cuidados de quem quer que seja exige coragem, vontade, desprendimento, iniciativa, preparo psicológico, tranquilidade, confiança. Não precisa de tudo isso, mas com certeza quanto mais itens dessa lista os pais conseguirem abraçar, mais fácil e certa será a saída.
Eu vou ter que admitir algo que só admiti para mim mesma dias atrás depois de ler uma reportagem que me fez pensar. Em dois anos e quase três meses de vida do meu filhinho, eu saí sozinha com meu marido DUAS vezes. Duas únicas saidinhas e de menos de duas horas as duas. Inacreditável hein? Eu mesma insisto em tentar lembrar de mais alguma vezinha esquecida na memória, mas não, foram só essas e só. E rápido. E nada gostoso. Não aproveitamos, não falamos de outros assuntos, não "namoramos". Então, vamos à enxurrada de desculpas, justificativas e porquês desse grude que nos une além do convencional.
Moramos longe de avós, de parentes em geral, então não temos com quem contar quando surge algum programa ou quando temos vontade de criar um só para nós dois. Fato verídico, mas que pode ser contornado se planejarmos com um pouco de antecedência e pedir ajuda aos avós, que viriam e ajudariam com certeza, de ambos os lados. Mas a distância prejudica mesmo, porque nem sempre há tempo hábil para planejar e às vezes o que poderia ser assim quase que instantâneo, como são as melhores saídas, vira uma novela sem fim. Se morássemos perto, seria só telefonar e em quinze minutos entregar a "encomenda", mas se isso não é possível, o desânimo vai tomando conta.
E porque não uma babá? Porque sempre tive horror em imaginar alguma desconhecida tomando conta do meu filhinho!!! Paro, respiro, continuo. Isso é inadimissível para mim, e era ainda mais quando ele era bebê, não sabia falar, pedir pelas coisas, reclamar, contar o que aconteceu. Mas, ele cresceu, pelo menos um pouquinho. E desconhecida é aquela que do nada você coloca dentro de casa e já dá toda a confiança do mundo, entrega chaves, segredos e seu tesouro. Ela passaria a ser conhecida se eu me permitisse conhecê-la, contratá-la para alguns dias, algumas horinhas, para brincar e dar uma força comigo junto, com a avó junto, com alguém por perto sempre, até eu adquirir confiança, Mesmo eu achando impossível confiar 100% em alguém assim, valeria tentar aos poucos, por uma questão óbvia de sobrevivência do casal, que poderia chegar mais cedo de surpresa só para ver se está tudo bem mesmo.
E as oportunidades que já surgiram? Pois é, o verbo surgir está no passado. Deixamos passar. Por medo, despreparo, falta de parar e pensar, por comodismo. É, nos acomodamos em cada situação! Refletir se aquele é o momento, ver se tem alguma avó disponível, checar o coração para ver se ele aguenta, engolir o cansaço, puxa, tudo isso joga o casal para uma zona de conforto nem tão confortável, mas que pelo menos não gera o desconforto de ter que arriscar, fazer algo diferente, lidar com o imprevisto e com as próprias emoções.
A maior e melhor chance que tivemos foi um casamento. Festa de arromba, com a melhor comida do mundo, banda animadíssima, parentes e amigos empolgados. Fomos sim, mas com um bebê de dois anos e meio a tiracolo que assustou com a multidão, contrariou as expectativas ficando com sono antes dos previsto, e correspondeu às expectativas não conseguindo dormir com o barulho e a agitação. Perdemos a chance de deixá-lo com minha mãe (que não estaria nessa festa), no lugar mais confortável e apropriado para a idade, com carinho e companhia de vó. Perdemos a pista de dança, as conversas, os comes e bebes da madrugada (que disseram que foram os melhores), uma festa a dois... E sinceramente porque nem imaginei deixar meu filho, porque estou tão acostumada a me virar sozinha, com meu marido, que nem cogitei outra opção que não fosse ficar correndo atrás dele no salão e sair antes da festa começar.
Tudo bem. Passou. Mas que sirva de aprendizado. Para que o casal aprenda a lidar com tudo que faz duas pessoas deixarem de ser um casal. Para que haja mais uma alternativa entre ficar em casa ou sair a três. Para que o marido anime e eu não desanime por conta de um cordão umbilical sentimental que pesa muito mais do meu lado do que do lado da cria. Eu não preciso cortar esse cordão certo? É só desamarrar, dar um nózinho e atar de novo quando eu voltar... Porque, por mais culpa que nós mães sentimos, não é ruim deixar os pequenos de fora algumas vezes. É saudável, ou deve ser, afinal eu não experimentei muito disso. Mas, mais saudável ainda deve ser deixar essa culpa de fora, falar para ela, bem devagarzinho, com amor e carinho: "Olha culpa, hoje você vai ficar em casa brincando, tudo bem? Se comporta, obedeça e de divirta. Já já, a mamãe volta!".

4 comentários:

  1. Ola Beatriz, nao achei seu email. Posso te contatar?
    abraço
    Dani

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  2. É Beatriz faz bem sim....pra sobrevivencia da relacao de casal. Aqui tbm é meio dificl, quase sempre saimos com ele mesmo e sinto falta de fazer alguma coisa só nós dois. Mas acredito q quando eles estiverem um pouquinho maiores as coisas podem melhorar mais nesse sentido. Beijos e tomara que vcs consigam sair mais á 2

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  3. Dani, já te enviei um email!
    Paula, vamos nos esforçar juntas para sair mais com maridos hein?
    abs

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  4. Bia eu to te deixando mais 2 selinhos ta, eu sei q vc nao curte muito postar mas nao precisa, mas te mando mesmo assim pq gosto do seu blog. E olha so q coincidencia, me dei conta que vc mora em Serra Negra e o meu pai mora em Aguas de Lindoia, a gente ia muito pra la, pra Serra Negra, Monte Siao.. Que legal ne, faco questao de te conhecer eo Leco qndo for para o Brasil! Beijos

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