Lembro de, há mais ou menos um ano, ter me espantado quando li em um blog que a mãe não levaria sua pequena no casamento de um amigo. Lembro ainda de, tempos depois, ter me indignado com outra mãe escrevendo que achava que casamento não era lugar para crianças e que, por isso, não costumava levar seus filhos a esse tipo de evento. Eu, no auge de minha inocência e inexperiência maternas, achei que aquilo era coisa de mãe que não era mãe de verdade...
Que mentira! Isso é coisa de quem conhece a maternidade melhor que ninguém. Mulher que sabe que uma noite longe do filho não vai causar mal algum a ele, que lugar de pequeninos é descansando em casa e que não há balada barulhenta de um casório que se assemelhe ao conforto do lar.
Percebi isso quando levei meu filho, então com um ano e meio, a um casamento de dar inveja a muita celebridade espalhafatosa. Uma super comemoração, daquelas que não tem hora para acabar, que serve lanchinho chique quando os convidados já estão pensando que é hora de ir embora. Como já contei antes, meu pequenino estava lindo de gravatinha, mas entediado, irritado, incomodado com a aglomeração e com medo do som alto. Na igreja, com os pais de padrinhos, só o avô para entretê-lo com voltas e voltas bem perto da porta de saída. No salão, muito sono, mas quem disse que o meu filho é daqueles que dormem em qualquer lugar? E não me venha falar que fui eu que não acostumei, porque foi ele que nunca fez a menor questão de acostumar!
Pois agora, usarei o que uma das mães que citei acima escreveu em seu blog na época em que me voltei contra ela (mesmo sem comentar nada). Ela justificava que se casamento fosse lugar de crianças, o nome delas estariam no convite. Que hoje é muito comum não colocar o nome dos menores pelo simples fato de não querer que eles estejam presentes! Absurdo. Foi o que pensei. Mas passada a raiva e a falta de vivência, penso diferente. É totalmente concebível esta ideia. Para que convidar criança? Para ser educado? Sim, essa é uma boa explicação, afinal é uma saia justa imensa receber a ligação de uma amiga perguntando: "Meu filho não foi convidado?". "Não" é a resposta que muita noiva anda dando por ai. E hoje eu compreendo, apesar de ter dúvidas se eu teria a coragem de responder o mesmo...
Fato é que fui a um casamento nos últimos dias no qual criança não era convidada, exceto as mais chegadas. O meu filho é bem próximo da noiva e teve seu nome escrito no convite que recebemos. Ele seria até pagem, aquele que entra com a aliança. Mesmo assim, não o levei comigo. Por quê? Porque ele tem dois anos e meio! Porque talvez nem entraria na igreja com receio daquele povo todo olhando para ele. Talvez chorasse, talvez entrasse e em seguida ficasse nervoso, quisesse sair do altar. Porque, mesmo se tudo desse certo durante a parte religiosa, depois ele com certeza iria dar trabalho. Ou por causa do sono, ou porque iria correr para lá e para cá, ou porque não iria comer, ou porque ia querer dançar e eu ficaria olhando para ver se ninguém pisava nos seus pezinhos (ou nele!).
E tem mais: eu deixaria de curtir uma noite maravilhosa ao lado do meu marido, o pai desse menino lindo. O rapazinho ficaria charmosérrimo de terninho, mas (por tomar todo o tempo de ambos os cônjuges do meu casamento) pode muito bem guardar a beca para outra ocasião, e dar uma folguinha para o casal que o colocou no mundo... Se seu filho se comporta bem em casamentos e dorme até no auge da animação, essa é a desculpa que faltava não é? E nem precisa pedir desculpa por isso, porque muita gente vai te entender!
Pode ser que alguma mãezona leia meu texto e fique assustada, com raiva ou que me ache a pior mãe do mundo. E que faça isso com você também. Eu já fiz algo parecido antes. Entendo, e garanto a quem quiser experimentar: deixar os filhos em casa ao invés de levá-los numa boda é a coisa mais sensata que se pode fazer. Fiquei tristinha ao vê-lo reclamar, pela primeira vez, quando me viu saindo toda arrumada (como se pensasse: eu não faco parte da festa?). Tive dúvidas se deixá-lo era mesmo a melhor escolha.
Me senti toda culpada de negar à noiva e a mim mesma a honra de ver meu filho como págem. Mas, depois da madrugada de diversão que tivemos, eu e meu marido na festa e ele com a avó que cuida muito bem dele, não tenho como não ter a certeza de que foi o melhor que podiamos ter feito para todos os envolvidos. E digo mais. Se um dia receber um convite que não convide meu filho, não terei dúvidas de que os noivos estão com a razão, por respeitarem suas vontades e as necessidades de quem ainda não pode decidir por si.
Para os pais, fica a dica: respeitem os noivos, seus filhos e vocês mesmos. Todo mundo sai lucrando, inclusive os avós, tios e padrinhos, que vão adorar o "encargo". Para quem tiver que pagar uma babá, acho que basta lembrar que a entrada na festa é gratuita! E para quem sentir muita saudade do pimpolho, saiba que nada melhor do que pegar um daqueles badulaques que distribuem na folia e entregar no dia seguinte a alguém que vai aproveitar mais do que qualquer um possa ter aproveitado na noite anterior! Viva os noivos!
Acesse o Mãe da Cabeça aos Pés!!!
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Culpa? Para dois, por favor
"É para dois?" Faz tempo que eu não escuto essa perguntinha de garçom. Porque sempre tem um terceiro ali grudado, uma pessoinha que já ocupa cadeira, ou cadeirão, mas com certeza mais um lugar à mesa. "É... para três", respondemos quando raramente nos perguntam, e olhamos logo para baixo, onde está o convidado de honra. Tudo ótimo em sair a três quando a ponta do triângulo é um filho maravilhoso e que se comporta muitíssimo bem em lugares públicos. Mas teria algum problema em sair vez ou outra em dupla? A dois? De casal?
Teria. Deixar um pequeno sob os cuidados de quem quer que seja exige coragem, vontade, desprendimento, iniciativa, preparo psicológico, tranquilidade, confiança. Não precisa de tudo isso, mas com certeza quanto mais itens dessa lista os pais conseguirem abraçar, mais fácil e certa será a saída.
Eu vou ter que admitir algo que só admiti para mim mesma dias atrás depois de ler uma reportagem que me fez pensar. Em dois anos e quase três meses de vida do meu filhinho, eu saí sozinha com meu marido DUAS vezes. Duas únicas saidinhas e de menos de duas horas as duas. Inacreditável hein? Eu mesma insisto em tentar lembrar de mais alguma vezinha esquecida na memória, mas não, foram só essas e só. E rápido. E nada gostoso. Não aproveitamos, não falamos de outros assuntos, não "namoramos". Então, vamos à enxurrada de desculpas, justificativas e porquês desse grude que nos une além do convencional.
Moramos longe de avós, de parentes em geral, então não temos com quem contar quando surge algum programa ou quando temos vontade de criar um só para nós dois. Fato verídico, mas que pode ser contornado se planejarmos com um pouco de antecedência e pedir ajuda aos avós, que viriam e ajudariam com certeza, de ambos os lados. Mas a distância prejudica mesmo, porque nem sempre há tempo hábil para planejar e às vezes o que poderia ser assim quase que instantâneo, como são as melhores saídas, vira uma novela sem fim. Se morássemos perto, seria só telefonar e em quinze minutos entregar a "encomenda", mas se isso não é possível, o desânimo vai tomando conta.
E porque não uma babá? Porque sempre tive horror em imaginar alguma desconhecida tomando conta do meu filhinho!!! Paro, respiro, continuo. Isso é inadimissível para mim, e era ainda mais quando ele era bebê, não sabia falar, pedir pelas coisas, reclamar, contar o que aconteceu. Mas, ele cresceu, pelo menos um pouquinho. E desconhecida é aquela que do nada você coloca dentro de casa e já dá toda a confiança do mundo, entrega chaves, segredos e seu tesouro. Ela passaria a ser conhecida se eu me permitisse conhecê-la, contratá-la para alguns dias, algumas horinhas, para brincar e dar uma força comigo junto, com a avó junto, com alguém por perto sempre, até eu adquirir confiança, Mesmo eu achando impossível confiar 100% em alguém assim, valeria tentar aos poucos, por uma questão óbvia de sobrevivência do casal, que poderia chegar mais cedo de surpresa só para ver se está tudo bem mesmo.
E as oportunidades que já surgiram? Pois é, o verbo surgir está no passado. Deixamos passar. Por medo, despreparo, falta de parar e pensar, por comodismo. É, nos acomodamos em cada situação! Refletir se aquele é o momento, ver se tem alguma avó disponível, checar o coração para ver se ele aguenta, engolir o cansaço, puxa, tudo isso joga o casal para uma zona de conforto nem tão confortável, mas que pelo menos não gera o desconforto de ter que arriscar, fazer algo diferente, lidar com o imprevisto e com as próprias emoções.
A maior e melhor chance que tivemos foi um casamento. Festa de arromba, com a melhor comida do mundo, banda animadíssima, parentes e amigos empolgados. Fomos sim, mas com um bebê de dois anos e meio a tiracolo que assustou com a multidão, contrariou as expectativas ficando com sono antes dos previsto, e correspondeu às expectativas não conseguindo dormir com o barulho e a agitação. Perdemos a chance de deixá-lo com minha mãe (que não estaria nessa festa), no lugar mais confortável e apropriado para a idade, com carinho e companhia de vó. Perdemos a pista de dança, as conversas, os comes e bebes da madrugada (que disseram que foram os melhores), uma festa a dois... E sinceramente porque nem imaginei deixar meu filho, porque estou tão acostumada a me virar sozinha, com meu marido, que nem cogitei outra opção que não fosse ficar correndo atrás dele no salão e sair antes da festa começar.
Tudo bem. Passou. Mas que sirva de aprendizado. Para que o casal aprenda a lidar com tudo que faz duas pessoas deixarem de ser um casal. Para que haja mais uma alternativa entre ficar em casa ou sair a três. Para que o marido anime e eu não desanime por conta de um cordão umbilical sentimental que pesa muito mais do meu lado do que do lado da cria. Eu não preciso cortar esse cordão certo? É só desamarrar, dar um nózinho e atar de novo quando eu voltar... Porque, por mais culpa que nós mães sentimos, não é ruim deixar os pequenos de fora algumas vezes. É saudável, ou deve ser, afinal eu não experimentei muito disso. Mas, mais saudável ainda deve ser deixar essa culpa de fora, falar para ela, bem devagarzinho, com amor e carinho: "Olha culpa, hoje você vai ficar em casa brincando, tudo bem? Se comporta, obedeça e de divirta. Já já, a mamãe volta!".
Teria. Deixar um pequeno sob os cuidados de quem quer que seja exige coragem, vontade, desprendimento, iniciativa, preparo psicológico, tranquilidade, confiança. Não precisa de tudo isso, mas com certeza quanto mais itens dessa lista os pais conseguirem abraçar, mais fácil e certa será a saída.
Eu vou ter que admitir algo que só admiti para mim mesma dias atrás depois de ler uma reportagem que me fez pensar. Em dois anos e quase três meses de vida do meu filhinho, eu saí sozinha com meu marido DUAS vezes. Duas únicas saidinhas e de menos de duas horas as duas. Inacreditável hein? Eu mesma insisto em tentar lembrar de mais alguma vezinha esquecida na memória, mas não, foram só essas e só. E rápido. E nada gostoso. Não aproveitamos, não falamos de outros assuntos, não "namoramos". Então, vamos à enxurrada de desculpas, justificativas e porquês desse grude que nos une além do convencional.
Moramos longe de avós, de parentes em geral, então não temos com quem contar quando surge algum programa ou quando temos vontade de criar um só para nós dois. Fato verídico, mas que pode ser contornado se planejarmos com um pouco de antecedência e pedir ajuda aos avós, que viriam e ajudariam com certeza, de ambos os lados. Mas a distância prejudica mesmo, porque nem sempre há tempo hábil para planejar e às vezes o que poderia ser assim quase que instantâneo, como são as melhores saídas, vira uma novela sem fim. Se morássemos perto, seria só telefonar e em quinze minutos entregar a "encomenda", mas se isso não é possível, o desânimo vai tomando conta.
E porque não uma babá? Porque sempre tive horror em imaginar alguma desconhecida tomando conta do meu filhinho!!! Paro, respiro, continuo. Isso é inadimissível para mim, e era ainda mais quando ele era bebê, não sabia falar, pedir pelas coisas, reclamar, contar o que aconteceu. Mas, ele cresceu, pelo menos um pouquinho. E desconhecida é aquela que do nada você coloca dentro de casa e já dá toda a confiança do mundo, entrega chaves, segredos e seu tesouro. Ela passaria a ser conhecida se eu me permitisse conhecê-la, contratá-la para alguns dias, algumas horinhas, para brincar e dar uma força comigo junto, com a avó junto, com alguém por perto sempre, até eu adquirir confiança, Mesmo eu achando impossível confiar 100% em alguém assim, valeria tentar aos poucos, por uma questão óbvia de sobrevivência do casal, que poderia chegar mais cedo de surpresa só para ver se está tudo bem mesmo.
E as oportunidades que já surgiram? Pois é, o verbo surgir está no passado. Deixamos passar. Por medo, despreparo, falta de parar e pensar, por comodismo. É, nos acomodamos em cada situação! Refletir se aquele é o momento, ver se tem alguma avó disponível, checar o coração para ver se ele aguenta, engolir o cansaço, puxa, tudo isso joga o casal para uma zona de conforto nem tão confortável, mas que pelo menos não gera o desconforto de ter que arriscar, fazer algo diferente, lidar com o imprevisto e com as próprias emoções.
A maior e melhor chance que tivemos foi um casamento. Festa de arromba, com a melhor comida do mundo, banda animadíssima, parentes e amigos empolgados. Fomos sim, mas com um bebê de dois anos e meio a tiracolo que assustou com a multidão, contrariou as expectativas ficando com sono antes dos previsto, e correspondeu às expectativas não conseguindo dormir com o barulho e a agitação. Perdemos a chance de deixá-lo com minha mãe (que não estaria nessa festa), no lugar mais confortável e apropriado para a idade, com carinho e companhia de vó. Perdemos a pista de dança, as conversas, os comes e bebes da madrugada (que disseram que foram os melhores), uma festa a dois... E sinceramente porque nem imaginei deixar meu filho, porque estou tão acostumada a me virar sozinha, com meu marido, que nem cogitei outra opção que não fosse ficar correndo atrás dele no salão e sair antes da festa começar.
Tudo bem. Passou. Mas que sirva de aprendizado. Para que o casal aprenda a lidar com tudo que faz duas pessoas deixarem de ser um casal. Para que haja mais uma alternativa entre ficar em casa ou sair a três. Para que o marido anime e eu não desanime por conta de um cordão umbilical sentimental que pesa muito mais do meu lado do que do lado da cria. Eu não preciso cortar esse cordão certo? É só desamarrar, dar um nózinho e atar de novo quando eu voltar... Porque, por mais culpa que nós mães sentimos, não é ruim deixar os pequenos de fora algumas vezes. É saudável, ou deve ser, afinal eu não experimentei muito disso. Mas, mais saudável ainda deve ser deixar essa culpa de fora, falar para ela, bem devagarzinho, com amor e carinho: "Olha culpa, hoje você vai ficar em casa brincando, tudo bem? Se comporta, obedeça e de divirta. Já já, a mamãe volta!".
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