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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quando começam as perguntas

Imagine a cena: você, mamãe, no caixa do supermercado junto à sua filha de cinco anos que resolve pedir um chiclete diferente apontando para uma embalagem de preservativos. "Olha mãe, esse eu não conheço, é sabor morango". Mãe atônita sem saber o que fazer, diz que não é chiclete, o que só piora a situação, já que a pergunta óbvia é: "O que é então?".
A moça do caixa quase não segura o óculos na cara de tanto chorar de rir e um senhor que está atrás até sai de perto. A mamãe, tentando agir com naturalidade, diz que é coisa de adulto enquanto a filha insiste em saber o que é, se direcionando à atendente: "Já sei, quando minha mãe faz essa cara é porque a gente conversa lá em casa, mas quando chega lá ela me enrola e não me fala! Fala mãe, o que é isso?". A mãezona, então, resolve lembrar que filhos chegam quando o papai do céu manda para a gente, mas que quando ainda não é hora, "papai usa isso". "E papai do céu sabe mãe?", pergunta a curiosa. "Sim, ele sabe que não é para mandar o bebê", responde a mãe crente que encerraria o assunto. A garotinha esperta pega a embalagem, tenta lê o que diz atrás, joga o pacotinho na esteira do caixa e pergunta brava: "Ah, então me diz como meu pai cabe aqui. Como que ele entra aí?". Aí, não teve jeito a não ser mudar totalmente de assunto... "Hum, acho que estou com dúvida sobre a capital da Alemanha", diz a mulher mais vermelha que o pimentão da sacola, sugerindo uma brincadeira capaz de entreter a filha por horas.
Dessa vez deu certo, mas e se as perguntas não parassem? Eu disse à mãe que me contou essa história que eu pegaria o pacotinho e diria: "Ok, vamos levar para a casa que lá eu explico melhor". Restaria saber como eu explicaria para uma menininha de cinco anos! Eu não sou nem um pouco careta e acredito que com naturalidade tudo fica simples, mas dessa eu iria suar para me sair bem.
Crianças fazem cada perguntinha que só rindo e muito! Mais um exemplo foi uma menina de dois anos e meio que perguntou à mãe porque faz xixi diferente do pai... A mãe respondeu com as palavras que encontrou e eis que a menina repete assim que vê um menino no penico. "Menino tem pipi para fora e menina para dentro!". E não é? E aquela menina da história do supermercado fez pior, ou melhor, depende do ponto de vista. A mãe estava na farmácia com ela e com uma amiguinha pedindo ao farmacêutico um pacote de absorvente, urgência de útima hora. A amiguinha perguntou o que era, entendeu que era sorvete e começou a gritar que queria também. A filha se adiantou à mãe e disse logo: "Não é sorvete, é absorvente. Você nunca viu não? Não sai sangue da xexeca da sua mãe?". Desculpem, mas eu tive que usar as mesmas palavras...
Meu filho ainda não fez nenhuma pergunta muito difícil. A única mais íntima, digamos assim, foi referente ao absorvente. A minha resposta foi simples: "É a fralda da mamãe". Depois pensei: "Se eu disse que ele está grande e não precisa mais de fralda, por que eu preciso?". Ainda bem que ele não fez essa conexão ou, se fez, ainda não verbalizou.
Mas outro dia, brincando no parquinho, não precisou de pergunta nenhuma para eu ficar sem graça. Havia um garoto de quatro anos por lá, só que ele tinha cabelos bem compridos, no meio das costas. Meu filho, espontaneamente chamava o menino assim: "Menina, vem cá. Amiga, amiga, vem aqui". Para o Leco, cabelo grande é de mulher, oras! E ninguém ensinou isso a ele, é o que ele vê. Se eu que já vi um repertório razoavelmente grande de estilos, cheguei a ter dúvidas, imagine se meu pequeno de dois anos iria saber. Eu perguntei três vezes para o cabeludinho qual era seu nome só para não errar e a reposta sempre era "Gabriel", mesmo eu jurando que estava escutando "Gabriel...a". O menino ficou chateado porque foi chamado de menina, mas eu expliquei que meu filho era pequeno ainda, que tinha dois anos e que por isso tinha confundido. Não, não foi bulling! Ao mesmo tempo, explicava ao Léo: "Filho, é menino, é amigo". Quem disse que ele entendeu? Quem disse que essa foi a única situação constrangedora que irei passar? Tenho certeza que muitas outras ainda estão por vir. E espero me divertir com todas elas... Não confundindo menino com menina já está ótimo!

Um comentário:

  1. Beatriz, vou te dá um dica, pq gosto do seu blog, tá?
    Insira figuras, imagens, nas postagens, daí fica mais atrativo...
    Bjks.

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