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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Acreditar e ensinar a acreditar

O que uma cantora pop do momento que veste roupas totalmente loucas, pinta o cabelo de amarelo e não tem problema nenhum em aparecer quase nua no palco com músicas eletrizantes, uma voz arrebatadora e um corpo avassalador tem a ensinar a uma mãe? Além de incomodar muito o ego dessa tal mãe exatamente por causa desse corpinho e ensinar que nunca é tarde para cuidar de si mesma, ela pode sim lembrar que tem um lado na maternidade que deixamos para pensar só lá na frente, embora ele exista desde o momento em que maternidade passa a fazer parte de nosso vocabulário. É quando nos tornarmos fãs número 1 de um aspirante a superstar.
Não digo superstar no sentido que ele tem aí no mundico de celebridades, mas no que diz respeito aos sonhos da vida, aqueles que sonhamos para nós, corremos atrás, não temos apoio, desistimos ou conseguimos de fato alcançá-los. Qualquer sonho, mesmo que não envolva milhares de fãs e dólares ao seu redor, é sonho e te faz uma estrela do seu próprio mundo. E esse recadinho fica explícito em uma das músicas dessa doidinha que deixa Madona para trás e em todo o seu show gravado por uma emissora a cabo. Com as palavras dela, disse para o público que todos ali deveriam deixar do lado de fora daquele gigantesco estádio de Nova York tudo e todos que diziam a eles que eles não eram bons, que não eram magros, talentosos e coisas assim. E, depois de contar um pouquinho de sua história suada e comum em busca do que queria, ela simplesmente terminou dizendo que tem pelo menos uma pessoa que acredita em todas aquelas cabecinhas perdidas na multidão da platéia... ela!
Piegas? Marketing? Agradecimento pelo sucesso? Prefiro pensar que ela, por mais estranha que possa parecer (e parece mesmo), é uma pessoa que teve sonhos e foi rodeada por gente que não acreditou nela, que desdenhou de suas vontades, formas e vocação. Uma mulher que hoje é um ícone pop! Estranha, volto a dizer, mas que está lá, no lugar que ela sonhava para ela e, por mais louco e despudorado que seja seu show, com o papai dela logo ali nos bastidores para parabenizá-la assim que acaba a última música. "Thanks dad", ela diz.
Está bem, querem saber onde quero chegar? Já cheguei! Além de passar o recado da "guru" adiante, é a parte do pai dando apoio, suporte e ajudando de qualquer forma a filha a chegar onde ela quer chegar. Imagine ela criancinha, loirinha com carinha de anjo, almoçando à mesa com a família, dizendo "Pai, mãe, quero ser melhor que a Madona!". Agora imagine a resposta... O que você diria? Não precisaria dizer nada, não precisa dizer nada, basta pensar o que já pensou. Vejam, essa situação é coisa da minha cabeça, mas possível de acontecer em qualquer mesa, com qualquer família e com grandes chances de resultar na mesma resposta ou pensamento.
Além de invejar aquele corpinho magro e sarado, assisti a esse show porque essa cantora é um tanto quanto excêntrica e eu queria conhecê-la melhor. Suas músicas são animadíssimas, mas sua imagem me faz pensar onde é que ela está com a cabeça para fazer aquilo com ela mesma! Acho que entendi e aproveitei para colocar meu lado mãe para pensar a respeito da lição de auto-ajuda que ela quer passar com suas mensagens e músicas. Um dos refrões, não à toa da melodia que fecha a apresentação, diz: "I was born this way". É, todos nascemos assim, desse jeito aí, cada um do seu, cada um com o seu sonho, mas quantas pessoas se amam e se orgulham de si mesmas? Quantas seguem de fato o que querem para si? Quantas respeitam seus próprios anseios? Quantos nãos são precisos para fazer alguém desistir do que quer ou mudar a trajetória? Muitas vezes nenhum não é preciso, basta uma frase desencorajadora, uma tiração de sarro, ou apenas a indiferença... E quanta gente não deixa de cursar a faculdade que deseja para seguir o desejo dos pais? Nem é preciso querer ser cantor ou cantora, ator ou atriz. A selva do mercado de trabalho, a vida competitiva como ela é, os pré-conceitos construídos há séculos levam as pessoas a buscarem o caminho mais fácil, aquele com menos chance de erros, mas que erro é maior do que esquecer do que você quer para você?
Pode parecer imbecil da minha parte fazer toda essa reflexão a partir de um mega espetáculo produzido para mexer com a mente das pessoas, mas Lady Mama não conseguiu pensar em outra coisa para escrever que não fosse isso. Se eu sou a superstar da minha própria vida? Pensei nisso também, mas não vem ao caso agora. Quis mesmo falar desse apoio incondicional que devemos dar aos filhos e que eu farei de tudo para dar ao meu. Não fazendo mal a ninguém e nem a si próprio, ele pode querer e ser o que quiser. Engenheiro, médico, dançarino, jornalista, piloto, administrador, lutador, empresário, professor. E pode sonhar além da vida profissional. Serei sua fã número 1. Porque já tem gente demais para desacreditar. Porque nós, mães e pais, não deveríamos só acreditar nos filhos, mas ensiná-los a acreditarem em si mesmos.

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