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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mais sobre amamentar, o feitiço, o placebo...

O assunto é velho, mas nunca deixará de ser interessante. As opiniões sobre ele são muitas, os ângulos pelos quais o enxergamos são inúmeros e a vontade de falar é imensa. Semana Mundial da Amamentação acontecendo e eu não me vejo escrevendo sobre outra coisa que não seja amamentar... Por quê? Porque acredito que essa semaninha só acontece se fizermos acontecer. Porque tenho certeza que abordar os diferentes lados do aleitamento materno pode ajudar futuras mamães a terem ainda mais certeza de que é por ele que devem lutar, mesmo com pessoas aconselhando uso de fórmulas prontas para complementar. Como disse antes, de nada adianta nomear estes sete primeiros dias de agosto para defender a amamentação se no dia a dia não a defendermos.
E para defendê-la, nada melhor do que falar do quanto é bom amamentar. Não me refiro ao fato já bem conhecido de não termos que esquentar mamadeira, do leite estar sempre prontinho, na temperatura certa, a qualquer hora e em qualquer lugar. Mais. É mágico poder alimentar seu filho com algo que só você é capaz de produzir para ele. Li em alguma revista, e sinceramente não lembro onde, que o leite da mãe nunca é fraco. Simplesmente porque o nosso corpo fabrica exatamente aquilo que nosso bebê necessita, com os ingredientes certos. Também não me lembro se essa comunicação entre oferta e demanda é feita na época em que o bebê ainda está no útero, mas que essa "pesquisa de mercado" é perfeita, isso é. Só você, querida fornecedora, poderá suprir as necessidades nutritivas (e emocionais) do seu consumidor da melhor maneira. Pode até ter concorrência, mas ela não tem artifícios para vencer.
Também vi em algum programa (amamentar dá falha de memória?) que o leite da mãe é fundamental para a formação do paladar. Além do leite de uma mãe ser diferente do da outra, o leite de cada uma é diferente a cada dia. Isto é, dependendo do que você ingerir, conforme o dia, e até de acordo com a hora do dia, seu leitinho morninho terá sabores variados, o que contribui para criar nos pequeninos gourmets um paladar apurado. Sabe no que isso ajuda? Lá na frente, as escolhas desses gulosinhos à mesa tendem a ser mais saudáveis!
Razões não faltam para amamentar. Muitas comprovadas cientificamente. Outras, comprovadas por filhos fortes e imunes. E há uma infinidade de provas que só uma mãe que amamentou pode dar. Ou melhor, as que não amentaram também, pois garanto que a maioria delas, quando querem mas não conseguem por alguma razão dar o peito, fariam de tudo para conseguir. Isso já é prova suficiente! E elas não estão erradas.
Amamentar é o mais próximo do divino que uma mulher pode estar. É a continuidade do ato de parir, um cordão que nos vincula cada vez mais e para sempre. É a responsabilidade que se tem sem encará-la como responsabilidade. É uma dádiva. Um presente. É o instinto animal falando mais alto que regrinhas de etiqueta. O instinto materno dilacerando a vaidade fútil feminina, afinal o seio passa a ser útil, de verdade. E que utilidade... Ele ajuda a alimentar o corpo de um ser faminto, a alma de um bebê indefeso. Dispensa calorias capazes de aquecer coração do filho e da mãe.
Amamentar é tão lindo que surpreende. Mães adotivas podem produzir leite. Avós, cujas filhas não podem amamentar, dão o peito aos netos. Pais fariam de tudo para saber como é. Infelizmente, na contramão, a vontade não é garantia para algumas mulheres que acabam não amamentando mesmo querendo muito. Mas tenho uma forma de vê-las que devo compartilhar... Noto que, nestes casos, quando não foi uma opção, a vontade em dar de mamar é tamanha que mesmo dando a mamadeira, o feitiço do aleitamento materno acontece. Elas podem não oferecer o próprio leite, fabricado conforme especificações do órgão responsável, mas oferecem algo tão importante quanto ele: um amor incondicional. As condições podem não ter sido favoráveis, mas estas mães, com muito amor, também fazem mágica: transformam mamadas artificiais em naturais. Com a troca de olhares, o calor do corpo e o carinho nos pezinhos, estes bebês amamentados artificialmente sentem-se nutridos da mesma maneira que os que mamam naturalmente. Não é por acaso que a recomendação para mães que não possam amamentar seja não passar adiante a função. O ideal é que sejam sempre elas que ofereçam a mamadeira, exatamente como fariam se dessem o peito, trocando até de lado entre uma metade e outra. Efeito placebo, arrisco dizer. O melhor que já ouvi falar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Complicada é a mãe!

Tenho quase que absoluta certeza que nem todas as mães são assim. Para as que não são, vejam como complicar o que não é complicado. Para as que são, posso servir de consolo. Eu implico, complico, explico. Implico com uma mamadeira que troquei o bico por um de copinho, já que Léo nunca pegou bicos de nenhuma mamadeira. Complico por achar que por ele só tomar nesse tal bico e em mais uma variação dele apenas, terei problemas mais tarde, quando quiser tirar esse "vício". Explico para mim mesma e para o pai zilhões de vezes que por essa razão a melhor alternativa é já ir tirando, trocar o bico por outro mais "duro", para a realidade do copinho ficar mais próxima.
O detalhe é que à tarde ele já toma em copinho ou caneca de plástico normal, sem bico nenhum, embora demore mais e derrube um pouco, claro. Mais um detalhe é que conseguimos abolir a mamada da madrugada rapidamente. Outro é que ele ainda está com pouco mais de dois anos, deixou a fralda e a chupeta há três meses e nunca teve nenhum objeto de transição, tipo paninho, ursinho ou qualquer outro "inho". Minha sobrinha, por exemplo, usava a própria mamadeira como esse objeto e andava com ela para todo o lugar, em qualquer hora do dia, tomando o leite em etapas só para ter o conforto de ter a tal coisa por perto. Não é o que acontece com Leléco. Porque eu devo me preocupar tanto então? O pediatra mesmo disse na última consulta que meu filhote está num ritmo ótimo, muito melhor do que o esperado só de ter tirado pepê e fralda, sem precisar me perguntar sobre a mamadeira-copo para o "diagnóstico". Mas eu não disse que eu complico?
E desde que impliquei com essa história de copinho, comprei outros quatro. Um deles foi literalmente guardado no armário. Outro o pequeno já alterna com o de costume para tomar água. Outro ele se acostumou a tomar suco durante o dia. E o último esteve presente nas mamadas antes de dormir nas últimas três noites. Ótimo não? Mas percebi que o prazer de tomar o leite à noite e de manhã diminuiu muito, chegando a ser preferível não tomar do que tomar nesse corpo, melhor dizendo, copo estranho! "Quero o outo leitinho", escuto. Aí, vem culpa e dózinha de estar tirando algo tão gostosinho sem estar nem perto daquela idade limite para tal. Explico que para mim essa idade é de três anos, pois depois disso acho bem ruim ver uma criança dependente de mamadeira, com ou sem bico de copinho! Mas isso é meu, minha visão sobre o assunto. Imagina que esses dias quando eu estava para lá e para cá com o copinho novo durante passeios tentando fazer a "adaptação" escutei de uma mãe que era para eu desistir, que o filho dela de (leiam bem) seis anos ainda tomava mamadeira à noite, acompanhada de chupeta e fralda! Aí é demais. Mas tem "de menos" também. Mães que desde sempre acostumam os filhos a tomarem sem bico e não passam por essa fase transicional. Extremos que não me atraem.
Voltando ao meu caso, estou meio perdida com essa coisa tão simples. Tirar de vez essa mamadeira-copo ou mantê-la por mais um tempo? E por quanto tempo? O meu tempo? Ou o dele? Será que esse prazer de mamar nela ainda é necessário e bem vindo? Ou será que essa pequena relação íntima e prazerosa já passa a ser algo prejudicial? Ou será que prejudicial mesmo é eu mexer nessa história toda tão cedo? É melhor ir tentando colocar o copo novo devagar ou de uma vez na ponta desse triângulo? Não sei. Impliquei, compliquei. Agora alguém pode me explicar?