Quando escutava alguém falando sobre amamentação, nunca ouvia nada diferente de "ele mama bastante", "ele é um bezerrinho", "ele não quer saber de comer, só do peito". Isso antes de eu experimentar ser a protagonista do aleitamento materno. Depois de passar pela experiência, vi o quanto essas frases soltas e prontas não reproduzem nem a metade da realidade vivida na poltrona do quarto do bebê.
Sim, meu filho mamava bastante. Ele foi um bezerrinho. Ele também não quis saber de papinha por um bom tempo, só querendo leitinho da mamãe. Entretanto, há outras coisinhas que acontecem nesse processo mãe-restaurante que acho bacana revelar. Para muitas mães, não é novidade nenhuma, mas pode ser engraçado ver que suas experiências não são as mais bizarras, ou são. Para as futuras mamães, algumas coisas abaixo podem ser encontradas em livros, outras, queridas, só uma mãe bem sincera para te falar! Então aqui vão algumas curiosidadesinhas sobre mamadas, baseadas na minha experiência de 14 meses e em relatos de outras simpáticas vaquinhas leiteiras que percorreram o mesmo pasto. Só que não vou falar o que é meu e o que é delas!!! Ria sem saber de quem:
- Pegar o bico não é tarefa fácil para todos os recém-nascidos e isso significa que nos primeiros dias você pode fazer malabarismos (literalmente) para acontecer a pegada certa. É travesseiro para cá, almofada para lá, pernas dobradas aqui, ombros tensos ali e um suador...
- Suar é normal durante a amamentação e ter sede também. Já te contaram? Duvido que disseram como um pijama lindo e novo fica depois das mamadas.
- Trocar o seio oferecido é o correto. Termina com um e começa com esse na próxima, para terminar com o outro e começar com ele na outra mamada... Agora, experimente lembrar qual foi o último? E nem adianta anotar, porque uma hora você vai esquecer até de anotar.
- Falando nisso, os soutiens de amamentação tem um "botãozinho" que vai para um lado e para o outro para te ajudar a lembrar de qual peito você deve dar na próxima vez. Só que as vendedoras da loja esquecem de dizer isso e você pode demorar mais de três meses para descobrir para que aquele "enfeite" serve! Quando descobrir, não esqueça de usá-lo! Hum, quando ele está na direita é porque devo dar o direito ou é porque o último que dei foi o direito??
- É claro que toda gestante sabe para que serve o absorvente de seio. O que ela não sabe é que ela vai esquecer de devolvê-lo ao soutien enquanto troca o lado do seio oferecido. Resultado? Quando perceber, sua peça íntima que custou uma fortuna estará ensopadinha pela torneira que ficou aberta.
- E alguém te avisou que quando sair do banho não dá nem tempo de alcançar o tal absorvente que o peito já começa a esguichar??? Volta para o banho e tenta de novo!
- No início da amamentação, podem te orientar a coletar seu próprio leite em um copinho para dar ao neném depois que ele terminar a mamada, para confirmar se ele está satisfeito mesmo ou se está só com preguiça de sugar mais. Nesse início você pode estar meio desesperada com o fato de seu leite acabar de repente. Aí, enquanto você tira leite de um seio, o outro pinga e... você pede para o marido ficar com o copinho ali esperando as gotas caírem!
- Bebês dormem mamando mesmo. Uns ficam horas degustando o bico, sim, o bico. Porque o leite eles sugam rápido. Por sinal, tem neném que mama muuiittooo em menos de cinco minutos! E aí deixa a mãe angustiada achando que ele não mamou nada.
- Experimente dar uma forçadinha e dar mais leite para esse bebê que engole o leite em minutinhos. Ele vai regurgitar tanto que você nunca mais terá dúvidas da quantidade que ele é capaz de sugar em tão pouco tempo! Pensando bem, você terá dúvidas ainda e pode repetir o processo algumas vezes mais.
- Por falar em regurgitar, muitas vezes você amamenta durante minutos deliciosos, faz seu neném arrotar com sucesso e tem a certeza que a missão está cumprida. Só que muitas dessas muitas vezes o pequenino regurgita tanto, mas tanto, que você tem a certeza que seu "trabalho" foi em vão!
- E o arroto? Alguns livros até avisam, mas é melhor reforçar: o filhote pode demorar mais de meia hora para arrotar. E se você for neurótica ou simplesmente mãe, ficará quase uma hora com ele no colo, tentará mais um pouquinho e quando colocá-lo no berço faltará pouquíssimo tempo para começar tudo de novo.
- Essa é boa: uma mãe de vinte anos está em seu primeiro dia com o bebê em casa. Lê no livro que para fazê-lo arrotar deve colocá-lo em cima do ombro e bater nas costinhas. Ela o coloca. Em cima mesmo. Com os pézinhos tocando o ombro entendeu? Deve ter doído o braço...
- É comum os nenéns fazerem cocô enquanto mamam né? Mais comum ainda é você parar a mamada, trocar a fralda, colocá-lo de volta no peito e ter que trocar a fralda de novo. De repente isso te ajuda a ver que é melhor esperar o final da refeição.
- Você pode ser daquelas que tem vergonha de amamentar em público. Mesmo assim, garanto, ao menos uma vez você vai se encontrar amamentando em meio a toda a família, às vezes até amigos, às vezes de pé, às vezes na mesa do jantar. Dá para se sentir um self-service ambulante.
- Está bem, muitas mães experimentam o próprio leite. Para outras falta coragem. Mas curiosidade não falta!
Acesse o Mãe da Cabeça aos Pés!!!
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terça-feira, 2 de agosto de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Complicada é a mãe!
Tenho quase que absoluta certeza que nem todas as mães são assim. Para as que não são, vejam como complicar o que não é complicado. Para as que são, posso servir de consolo. Eu implico, complico, explico. Implico com uma mamadeira que troquei o bico por um de copinho, já que Léo nunca pegou bicos de nenhuma mamadeira. Complico por achar que por ele só tomar nesse tal bico e em mais uma variação dele apenas, terei problemas mais tarde, quando quiser tirar esse "vício". Explico para mim mesma e para o pai zilhões de vezes que por essa razão a melhor alternativa é já ir tirando, trocar o bico por outro mais "duro", para a realidade do copinho ficar mais próxima.
O detalhe é que à tarde ele já toma em copinho ou caneca de plástico normal, sem bico nenhum, embora demore mais e derrube um pouco, claro. Mais um detalhe é que conseguimos abolir a mamada da madrugada rapidamente. Outro é que ele ainda está com pouco mais de dois anos, deixou a fralda e a chupeta há três meses e nunca teve nenhum objeto de transição, tipo paninho, ursinho ou qualquer outro "inho". Minha sobrinha, por exemplo, usava a própria mamadeira como esse objeto e andava com ela para todo o lugar, em qualquer hora do dia, tomando o leite em etapas só para ter o conforto de ter a tal coisa por perto. Não é o que acontece com Leléco. Porque eu devo me preocupar tanto então? O pediatra mesmo disse na última consulta que meu filhote está num ritmo ótimo, muito melhor do que o esperado só de ter tirado pepê e fralda, sem precisar me perguntar sobre a mamadeira-copo para o "diagnóstico". Mas eu não disse que eu complico?
E desde que impliquei com essa história de copinho, comprei outros quatro. Um deles foi literalmente guardado no armário. Outro o pequeno já alterna com o de costume para tomar água. Outro ele se acostumou a tomar suco durante o dia. E o último esteve presente nas mamadas antes de dormir nas últimas três noites. Ótimo não? Mas percebi que o prazer de tomar o leite à noite e de manhã diminuiu muito, chegando a ser preferível não tomar do que tomar nesse corpo, melhor dizendo, copo estranho! "Quero o outo leitinho", escuto. Aí, vem culpa e dózinha de estar tirando algo tão gostosinho sem estar nem perto daquela idade limite para tal. Explico que para mim essa idade é de três anos, pois depois disso acho bem ruim ver uma criança dependente de mamadeira, com ou sem bico de copinho! Mas isso é meu, minha visão sobre o assunto. Imagina que esses dias quando eu estava para lá e para cá com o copinho novo durante passeios tentando fazer a "adaptação" escutei de uma mãe que era para eu desistir, que o filho dela de (leiam bem) seis anos ainda tomava mamadeira à noite, acompanhada de chupeta e fralda! Aí é demais. Mas tem "de menos" também. Mães que desde sempre acostumam os filhos a tomarem sem bico e não passam por essa fase transicional. Extremos que não me atraem.
Voltando ao meu caso, estou meio perdida com essa coisa tão simples. Tirar de vez essa mamadeira-copo ou mantê-la por mais um tempo? E por quanto tempo? O meu tempo? Ou o dele? Será que esse prazer de mamar nela ainda é necessário e bem vindo? Ou será que essa pequena relação íntima e prazerosa já passa a ser algo prejudicial? Ou será que prejudicial mesmo é eu mexer nessa história toda tão cedo? É melhor ir tentando colocar o copo novo devagar ou de uma vez na ponta desse triângulo? Não sei. Impliquei, compliquei. Agora alguém pode me explicar?
O detalhe é que à tarde ele já toma em copinho ou caneca de plástico normal, sem bico nenhum, embora demore mais e derrube um pouco, claro. Mais um detalhe é que conseguimos abolir a mamada da madrugada rapidamente. Outro é que ele ainda está com pouco mais de dois anos, deixou a fralda e a chupeta há três meses e nunca teve nenhum objeto de transição, tipo paninho, ursinho ou qualquer outro "inho". Minha sobrinha, por exemplo, usava a própria mamadeira como esse objeto e andava com ela para todo o lugar, em qualquer hora do dia, tomando o leite em etapas só para ter o conforto de ter a tal coisa por perto. Não é o que acontece com Leléco. Porque eu devo me preocupar tanto então? O pediatra mesmo disse na última consulta que meu filhote está num ritmo ótimo, muito melhor do que o esperado só de ter tirado pepê e fralda, sem precisar me perguntar sobre a mamadeira-copo para o "diagnóstico". Mas eu não disse que eu complico?
E desde que impliquei com essa história de copinho, comprei outros quatro. Um deles foi literalmente guardado no armário. Outro o pequeno já alterna com o de costume para tomar água. Outro ele se acostumou a tomar suco durante o dia. E o último esteve presente nas mamadas antes de dormir nas últimas três noites. Ótimo não? Mas percebi que o prazer de tomar o leite à noite e de manhã diminuiu muito, chegando a ser preferível não tomar do que tomar nesse corpo, melhor dizendo, copo estranho! "Quero o outo leitinho", escuto. Aí, vem culpa e dózinha de estar tirando algo tão gostosinho sem estar nem perto daquela idade limite para tal. Explico que para mim essa idade é de três anos, pois depois disso acho bem ruim ver uma criança dependente de mamadeira, com ou sem bico de copinho! Mas isso é meu, minha visão sobre o assunto. Imagina que esses dias quando eu estava para lá e para cá com o copinho novo durante passeios tentando fazer a "adaptação" escutei de uma mãe que era para eu desistir, que o filho dela de (leiam bem) seis anos ainda tomava mamadeira à noite, acompanhada de chupeta e fralda! Aí é demais. Mas tem "de menos" também. Mães que desde sempre acostumam os filhos a tomarem sem bico e não passam por essa fase transicional. Extremos que não me atraem.
Voltando ao meu caso, estou meio perdida com essa coisa tão simples. Tirar de vez essa mamadeira-copo ou mantê-la por mais um tempo? E por quanto tempo? O meu tempo? Ou o dele? Será que esse prazer de mamar nela ainda é necessário e bem vindo? Ou será que essa pequena relação íntima e prazerosa já passa a ser algo prejudicial? Ou será que prejudicial mesmo é eu mexer nessa história toda tão cedo? É melhor ir tentando colocar o copo novo devagar ou de uma vez na ponta desse triângulo? Não sei. Impliquei, compliquei. Agora alguém pode me explicar?
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Desmame, desfralde, des...preocupe!
Mãe adora conversar com mãe. Troca de experiências, desabafos, conselhos. Mania. Necessidade. Vontade. Não vejo nada de ruim nisso, pois aprendemos umas com as outras, seja receitas de papinhas, seja meios de fazer o bebê dormir. Mesmo que não funcione, é sempre bom ter uma "luz", até porque palpite de mãe (que está passando pela mesma fase ou algo próximo) costuma não soar como palpite. Pitaco de colegas de maternidade parece mais com "dica". Siga se quiser, se puder, como for melhor para você! Agora, pitaco de quem é "de fora" desse universo materno imediato, conhecidos ou desconhecidos, soa mesmo como pitaco, palpite, intromissão, falta de noção... Opiniões de pessoas mais velhas e receitas de vó se assemelham a mandamentos. Assim como falas de mamães invejosas e inseguras, que não fazem questão de serem colegas, são como julgamentos.
Mesmo que seja possível aproveitar algum conselho dos palpiteiros de plantão, a nossa primeira reação é reagir mesmo, pensando ou até falando algo como "vocês não tem nada a ver com a minha vida!" ou "a mãe sou eu!". Incomoda ouvir de quem a gente acha que não deve ouvir. Mas, antes de torcer o nosso nariz ou o braço de quem abre a boca, é melhor parar, pensar e ver se aquilo tudo, vindo de quem vier, não serve para nada mesmo. É ótimo que cada um cuide da sua vida e da de seus próprios filhos, mas é ótimo também ter humildade para aprender até com quem a gente acha que não tem nada a ensinar ou com quem criou uma penca de filhos anos atrás sem nenhum manual de pediatria que lemos hoje. Nem quem fala, nem quem escuta deve julgar. Nem quem lê, nem quem escreve. A receita é não seguir receita nenhuma, apenas abrir a mente, dizer e escutar com vontade, filtrar o que sai e o que entra e aplicar apenas o que é aplicável em sua vida, sua família, seus filhos, sem exigir que outras façam o mesmo que você faz.
Todas as mães passam por períodos difíceis, alguns em que a opinião do pediatra não resolve e o instinto fica meio sem faro. Pausa para ouvir, ler e assistir. Não é à toa que tem tanta mãe navegando na Internet, assistindo a programas femininos ou lendo livros de auto-ajuda à procura de informações e opiniões sobre comidinhas para bebês, hora de tirar a chupeta, como lidar com a birra, de que maneira é melhor educar, entre outros temas. E não é por acaso que fazemos amizades com outras mulheres que tem filhos em minutos. Mãe gosta de mãe.
Por isso, vamos ao que só uma mãe pode dizer, inclusive para ela mesma: des...preocupe mães! É preciso deixar de achar que temos que ser perfeitas. Parar de cobrar de nós mesmas, das outras, do mundo. Parar de comparar. Assim como desmamar e desfraldar, despreocupar faz parte de um processo natural de aprendizado, só que o da mãe. Pode demorar, mas temos que aprender a não nos preocupar com o momento certo de tirar o peito, a chupeta, a fralda. Parar de tensionar os ombros ao pensar em como fazer isso e outras coisas. Simplesmente temos que fazer, do modo e no tempo que for mais confortável e prazerozo a nós e à nossa cria. Fazer xixi na cama não é tão grave assim... Eu fiz até quase 10 anos, minha mãe não se estressou por isso e estou bem, sem nenhum trauma!
Vou contar como foi o desmame do meu bezerrinho para ajudar, da forma que eu conseguir, uma mãe que me perguntou sobre o assunto, e também como forma de mostrar que tudo acontece em seu ritmo, independentemente de opiniões alheias e métodos prontos escritos em livros, descritos em reportagens ou falados em consultórios.
Leleco mamava muito, acordava de madrugada duas, três e até quatro vezes para mamar ou chupetar. Dormia no peito. Não era fã de papinha nenhuma, só de mamão e banana. Detestava o gosto de qualquer leite artificial. E não pegava bico de mamadeira. Cenário inadequado para o desmame não? Mas, foi selecionando informações e escutando os meus próprios palpites que encontrei o caminho.
Muita gente falava que eu já deveria ter desmamado. Muitas outras pessoas diziam "Não tira não, coitadinho". Bem, o coitadinho estava forte e dava sinais de que poderia deixar o peitinho da mamãe. Mas eu, a produtora do leite, estava com dor no peito, dessa vez lá dentro, porque não queria quebrar essa ligação tão forte entre mãe e filho, que é a amamentação. Doía, mas eu queria. Para mim, 1 ano e 2 meses foram suficientes para deixar meu filho seguro e saudável. Não precisava ser dois anos, como antigamente, e nem seis meses, como acontece com frequência atualmente.
Como imaginava que iria desmamá-lo por volta de 1 ano, perguntei antes ao pediatra o que poderia fazer, pois imaginava que seria terrível para o meu neném perder o tal leitinho, afinal ele não aceitava outro. Doutor me orientou a ir colocando, todo o dia, um pouco de leite artificial (aquele para bebês acima de um ano) misturado nas frutas que o reizinho aceitava. Eu fiz isso desde os 10 meses, não que eu quisesse desmamá-lo tão já, mas para ele ir aceitando. Nada acontecia! Às vezes oferecia um pouco no copinho mesmo, pois ele não gostava e não gosta de mamadeiras. Nada. Funcionou mesmo o dia em que esqueci que o botão da direita do filtro é de água gelada e preparei o leite no copinho com ela. Ele tomou tudo geladinho... Quem iria imaginar, já que o leite materno é morninho... Esse dia foi uma semana antes de ele completar 1 ano, época em que o bezerro ainda mamava de manhã, de tarde e de noite. Passei a dar o copinho de leite artificial primeiro de tarde, depois de manhã e de tarde até eu achar que deveria dar também à noite e de madrugada. Ele aceitou e, a partir do dia em que fiz isso (psicologicamente pronta para fazer, o que foi decisivo para passar segurança ao pequeno), ele nunca mais olhou para meu seio com intenção de mamar. Feito, desmame com sucesso! Sem seguir regras de ninguém, mas criando a minha e a dele.
Está aí, meu palpite, dica, conselho, experiência... para quem quiser utilizar. Sem patente e nem direitos autorais! Para qualquer mãe poder usar o que funcionou comigo do jeito que funcionar para ela. Pode tomar posse da fórmula, copiar e colar, mudar aqui, ali, onde achar melhor. O importante é ajudar a despreocupar quem está preocupada com o desmame, da mesma maneira que vivências e sugestões de outras mães ajudam a me despreocupar com o desfralde, o qual estou tentando do meu jeito, pegando um conselho ali, outro aqui e percebendo que muitos simplesmente não fazem a menor diferença! É a natureza das coisas, é a mãe natureza, é ser mãe! E não tenho absolutamente nada contra...
Mesmo que seja possível aproveitar algum conselho dos palpiteiros de plantão, a nossa primeira reação é reagir mesmo, pensando ou até falando algo como "vocês não tem nada a ver com a minha vida!" ou "a mãe sou eu!". Incomoda ouvir de quem a gente acha que não deve ouvir. Mas, antes de torcer o nosso nariz ou o braço de quem abre a boca, é melhor parar, pensar e ver se aquilo tudo, vindo de quem vier, não serve para nada mesmo. É ótimo que cada um cuide da sua vida e da de seus próprios filhos, mas é ótimo também ter humildade para aprender até com quem a gente acha que não tem nada a ensinar ou com quem criou uma penca de filhos anos atrás sem nenhum manual de pediatria que lemos hoje. Nem quem fala, nem quem escuta deve julgar. Nem quem lê, nem quem escreve. A receita é não seguir receita nenhuma, apenas abrir a mente, dizer e escutar com vontade, filtrar o que sai e o que entra e aplicar apenas o que é aplicável em sua vida, sua família, seus filhos, sem exigir que outras façam o mesmo que você faz.
Todas as mães passam por períodos difíceis, alguns em que a opinião do pediatra não resolve e o instinto fica meio sem faro. Pausa para ouvir, ler e assistir. Não é à toa que tem tanta mãe navegando na Internet, assistindo a programas femininos ou lendo livros de auto-ajuda à procura de informações e opiniões sobre comidinhas para bebês, hora de tirar a chupeta, como lidar com a birra, de que maneira é melhor educar, entre outros temas. E não é por acaso que fazemos amizades com outras mulheres que tem filhos em minutos. Mãe gosta de mãe.
Por isso, vamos ao que só uma mãe pode dizer, inclusive para ela mesma: des...preocupe mães! É preciso deixar de achar que temos que ser perfeitas. Parar de cobrar de nós mesmas, das outras, do mundo. Parar de comparar. Assim como desmamar e desfraldar, despreocupar faz parte de um processo natural de aprendizado, só que o da mãe. Pode demorar, mas temos que aprender a não nos preocupar com o momento certo de tirar o peito, a chupeta, a fralda. Parar de tensionar os ombros ao pensar em como fazer isso e outras coisas. Simplesmente temos que fazer, do modo e no tempo que for mais confortável e prazerozo a nós e à nossa cria. Fazer xixi na cama não é tão grave assim... Eu fiz até quase 10 anos, minha mãe não se estressou por isso e estou bem, sem nenhum trauma!
Vou contar como foi o desmame do meu bezerrinho para ajudar, da forma que eu conseguir, uma mãe que me perguntou sobre o assunto, e também como forma de mostrar que tudo acontece em seu ritmo, independentemente de opiniões alheias e métodos prontos escritos em livros, descritos em reportagens ou falados em consultórios.
Leleco mamava muito, acordava de madrugada duas, três e até quatro vezes para mamar ou chupetar. Dormia no peito. Não era fã de papinha nenhuma, só de mamão e banana. Detestava o gosto de qualquer leite artificial. E não pegava bico de mamadeira. Cenário inadequado para o desmame não? Mas, foi selecionando informações e escutando os meus próprios palpites que encontrei o caminho.
Muita gente falava que eu já deveria ter desmamado. Muitas outras pessoas diziam "Não tira não, coitadinho". Bem, o coitadinho estava forte e dava sinais de que poderia deixar o peitinho da mamãe. Mas eu, a produtora do leite, estava com dor no peito, dessa vez lá dentro, porque não queria quebrar essa ligação tão forte entre mãe e filho, que é a amamentação. Doía, mas eu queria. Para mim, 1 ano e 2 meses foram suficientes para deixar meu filho seguro e saudável. Não precisava ser dois anos, como antigamente, e nem seis meses, como acontece com frequência atualmente.
Como imaginava que iria desmamá-lo por volta de 1 ano, perguntei antes ao pediatra o que poderia fazer, pois imaginava que seria terrível para o meu neném perder o tal leitinho, afinal ele não aceitava outro. Doutor me orientou a ir colocando, todo o dia, um pouco de leite artificial (aquele para bebês acima de um ano) misturado nas frutas que o reizinho aceitava. Eu fiz isso desde os 10 meses, não que eu quisesse desmamá-lo tão já, mas para ele ir aceitando. Nada acontecia! Às vezes oferecia um pouco no copinho mesmo, pois ele não gostava e não gosta de mamadeiras. Nada. Funcionou mesmo o dia em que esqueci que o botão da direita do filtro é de água gelada e preparei o leite no copinho com ela. Ele tomou tudo geladinho... Quem iria imaginar, já que o leite materno é morninho... Esse dia foi uma semana antes de ele completar 1 ano, época em que o bezerro ainda mamava de manhã, de tarde e de noite. Passei a dar o copinho de leite artificial primeiro de tarde, depois de manhã e de tarde até eu achar que deveria dar também à noite e de madrugada. Ele aceitou e, a partir do dia em que fiz isso (psicologicamente pronta para fazer, o que foi decisivo para passar segurança ao pequeno), ele nunca mais olhou para meu seio com intenção de mamar. Feito, desmame com sucesso! Sem seguir regras de ninguém, mas criando a minha e a dele.
Está aí, meu palpite, dica, conselho, experiência... para quem quiser utilizar. Sem patente e nem direitos autorais! Para qualquer mãe poder usar o que funcionou comigo do jeito que funcionar para ela. Pode tomar posse da fórmula, copiar e colar, mudar aqui, ali, onde achar melhor. O importante é ajudar a despreocupar quem está preocupada com o desmame, da mesma maneira que vivências e sugestões de outras mães ajudam a me despreocupar com o desfralde, o qual estou tentando do meu jeito, pegando um conselho ali, outro aqui e percebendo que muitos simplesmente não fazem a menor diferença! É a natureza das coisas, é a mãe natureza, é ser mãe! E não tenho absolutamente nada contra...
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