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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Desmame, desfralde, des...preocupe!

Mãe adora conversar com mãe. Troca de experiências, desabafos, conselhos. Mania. Necessidade. Vontade. Não vejo nada de ruim nisso, pois aprendemos umas com as outras, seja receitas de papinhas, seja meios de fazer o bebê dormir. Mesmo que não funcione, é sempre bom ter uma "luz", até porque palpite de mãe (que está passando pela mesma fase ou algo próximo) costuma não soar como palpite. Pitaco de colegas de maternidade parece mais com "dica". Siga se quiser, se puder, como for melhor para você! Agora, pitaco de quem é "de fora" desse universo materno imediato, conhecidos ou desconhecidos, soa mesmo como pitaco, palpite, intromissão, falta de noção... Opiniões de pessoas mais velhas e receitas de vó se assemelham a mandamentos. Assim como falas de mamães invejosas e inseguras, que não fazem questão de serem colegas, são como julgamentos.
Mesmo que seja possível aproveitar algum conselho dos palpiteiros de plantão, a nossa primeira reação é reagir mesmo, pensando ou até falando algo como "vocês não tem nada a ver com a minha vida!" ou "a mãe sou eu!". Incomoda ouvir de quem a gente acha que não deve ouvir. Mas, antes de torcer o nosso nariz ou o braço de quem abre a boca, é melhor parar, pensar e ver se aquilo tudo, vindo de quem vier, não serve para nada mesmo. É ótimo que cada um cuide da sua vida e da de seus próprios filhos, mas é ótimo também ter humildade para aprender até com quem a gente acha que não tem nada a ensinar ou com quem criou uma penca de filhos anos atrás sem nenhum manual de pediatria que lemos hoje. Nem quem fala, nem quem escuta deve julgar. Nem quem lê, nem quem escreve. A receita é não seguir receita nenhuma, apenas abrir a mente, dizer e escutar com vontade, filtrar o que sai e o que entra e aplicar apenas o que é aplicável em sua vida, sua família, seus filhos, sem exigir que outras façam o mesmo que você faz.
Todas as mães passam por períodos difíceis, alguns em que a opinião do pediatra não resolve e o instinto fica meio sem faro. Pausa para ouvir, ler e assistir. Não é à toa que tem tanta mãe navegando na Internet, assistindo a programas femininos ou lendo livros de auto-ajuda à procura de informações e opiniões sobre comidinhas para bebês, hora de tirar a chupeta, como lidar com a birra, de que maneira é melhor educar, entre outros temas. E não é por acaso que fazemos amizades com outras mulheres que tem filhos em minutos. Mãe gosta de mãe.
Por isso, vamos ao que só uma mãe pode dizer, inclusive para ela mesma: des...preocupe mães! É preciso deixar de achar que temos que ser perfeitas. Parar de cobrar de nós mesmas, das outras, do mundo. Parar de comparar. Assim como desmamar e desfraldar, despreocupar faz parte de um processo natural de aprendizado, só que o da mãe. Pode demorar, mas temos que aprender a não nos preocupar com o momento certo de tirar o peito, a chupeta, a fralda. Parar de tensionar os ombros ao pensar em como fazer isso e outras coisas. Simplesmente temos que fazer, do modo e no tempo que for mais confortável e prazerozo a nós e à nossa cria. Fazer xixi na cama não é tão grave assim... Eu fiz até quase 10 anos, minha mãe não se estressou por isso e estou bem, sem nenhum trauma!
Vou contar como foi o desmame do meu bezerrinho para ajudar, da forma que eu conseguir, uma mãe que me perguntou sobre o assunto, e também como forma de mostrar que tudo acontece em seu ritmo, independentemente de opiniões alheias e métodos prontos escritos em livros, descritos em reportagens ou falados em consultórios.
Leleco mamava muito, acordava de madrugada duas, três e até quatro vezes para mamar ou chupetar. Dormia no peito. Não era fã de papinha nenhuma, só de mamão e banana. Detestava o gosto de qualquer leite artificial. E não pegava bico de mamadeira. Cenário inadequado para o desmame não? Mas, foi selecionando informações e escutando os meus próprios palpites que encontrei o caminho.
Muita gente falava que eu já deveria ter desmamado. Muitas outras pessoas diziam "Não tira não, coitadinho". Bem, o coitadinho estava forte e dava sinais de que poderia deixar o peitinho da mamãe. Mas eu, a produtora do leite, estava com dor no peito, dessa vez lá dentro, porque não queria quebrar essa ligação tão forte entre mãe e filho, que é a amamentação. Doía, mas eu queria. Para mim, 1 ano e 2 meses foram suficientes para deixar meu filho seguro e saudável. Não precisava ser dois anos, como antigamente, e nem seis meses, como acontece com frequência atualmente.
Como imaginava que iria desmamá-lo por volta de 1 ano, perguntei antes ao pediatra o que poderia fazer, pois imaginava que seria terrível para o meu neném perder o tal leitinho, afinal ele não aceitava outro. Doutor me orientou a ir colocando, todo o dia, um pouco de leite artificial (aquele para bebês acima de um ano) misturado nas frutas que o reizinho aceitava. Eu fiz isso desde os 10 meses, não que eu quisesse desmamá-lo tão já, mas para ele ir aceitando. Nada acontecia! Às vezes oferecia um pouco no copinho mesmo, pois ele não gostava e não gosta de mamadeiras. Nada. Funcionou mesmo o dia em que esqueci que o botão da direita do filtro é de água gelada e preparei o leite no copinho com ela. Ele tomou tudo geladinho... Quem iria imaginar, já que o leite materno é morninho... Esse dia foi uma semana antes de ele completar 1 ano, época em que o bezerro ainda mamava de manhã, de tarde e de noite. Passei a dar o copinho de leite artificial primeiro de tarde, depois de manhã e de tarde até eu achar que deveria dar também à noite e de madrugada. Ele aceitou e, a partir do dia em que fiz isso (psicologicamente pronta para fazer, o que foi decisivo para passar segurança ao pequeno), ele nunca mais olhou para meu seio com intenção de mamar. Feito, desmame com sucesso! Sem seguir regras de ninguém, mas criando a minha e a dele.
Está aí, meu palpite, dica, conselho, experiência... para quem quiser utilizar. Sem patente e nem direitos autorais! Para qualquer mãe poder usar o que funcionou comigo do jeito que funcionar para ela. Pode tomar posse da fórmula, copiar e colar, mudar aqui, ali, onde achar melhor. O importante é ajudar a despreocupar quem está preocupada com o desmame, da mesma maneira que vivências e sugestões de outras mães ajudam a me despreocupar com o desfralde, o qual estou tentando do meu jeito, pegando um conselho ali, outro aqui e percebendo que muitos simplesmente não fazem a menor diferença! É a natureza das coisas, é a mãe natureza, é ser mãe! E não tenho absolutamente nada contra...

3 comentários:

  1. Nossa, concordo tanto com você!!!
    Nós mães temos a estranha mania de querer comparar e rotular. Hora de desmamar= 2 anos. Hora de tirar a chupeta = 1 ano. Hora de tirar as fraldas= 2 anos, e por aí vai.
    Tudo errado. Cada criança é única e tem seu próprio tempo pra tudo. E, mesmo se passar um pouquinho do tempo, e daí, né?
    O importante é fazer tudo com tranqüilidade e amor.E respeito pelo tempo dos nossos filhos e de nós mesmas!
    Muito bom o post!Parabéns!
    Bjos!
    Juliana Almeida
    www.blogdabebel.com.br

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  2. Adorei! A melhor receita é seguir os nossos instintos!
    Bjos,
    Camila
    www.mamaetaocupada.blogspot.com

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  3. Obrigada pelo post e por compartir a sua história. Queria q o desmame aqui fosse tranquilo e sem traumas mas to achando q o mocinho ainda tá apegado demais. Ele toma o leite artificial, mas substituir jamais....hora de teta é hora de teta..... mesmo assim vou continuar tentando.E como vc disse nao me estressar, quando ele tiver pronto ele vai deixar. Um beijo pra vcs.
    www.diasdesamuca.blogspot.com

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