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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Casamento não é lugar para criança

Lembro de, há mais ou menos um ano, ter me espantado quando li em um blog que a mãe não levaria sua pequena no casamento de um amigo. Lembro ainda de, tempos depois, ter me indignado com outra mãe escrevendo que achava que casamento não era lugar para crianças e que, por isso, não costumava levar seus filhos a esse tipo de evento. Eu, no auge de minha inocência e inexperiência maternas, achei que aquilo era coisa de mãe que não era mãe de verdade...
Que mentira! Isso é coisa de quem conhece a maternidade melhor que ninguém. Mulher que sabe que uma  noite longe do filho não vai causar mal algum a ele, que lugar de pequeninos é descansando em casa e que não há balada barulhenta de um casório que se assemelhe ao conforto do lar.
Percebi isso quando levei meu filho, então com um ano e meio, a um casamento de dar inveja a muita celebridade espalhafatosa. Uma super comemoração, daquelas que não tem hora para acabar, que serve lanchinho chique quando os convidados já estão pensando que é hora de ir embora. Como já contei antes, meu pequenino estava lindo de gravatinha, mas entediado, irritado, incomodado com a aglomeração e com medo do som alto. Na igreja, com os pais de padrinhos, só o avô para entretê-lo com voltas e voltas bem perto da porta de saída. No salão, muito sono, mas quem disse que o meu filho é daqueles que dormem em qualquer lugar? E não me venha falar que fui eu que não acostumei, porque foi ele que nunca fez a menor questão de acostumar!
Pois agora, usarei o que uma das mães que citei acima escreveu em seu blog na época em que me voltei contra ela (mesmo sem comentar nada). Ela justificava que se casamento fosse lugar de crianças, o nome delas estariam no convite. Que hoje é muito comum não colocar o nome dos menores pelo simples fato de não querer que eles estejam presentes! Absurdo. Foi o que pensei. Mas passada a raiva e a falta de vivência, penso diferente. É totalmente concebível esta ideia. Para que convidar criança? Para ser educado? Sim, essa é uma boa explicação, afinal é uma saia justa imensa receber a ligação de uma amiga perguntando: "Meu filho não foi convidado?". "Não" é a resposta que muita noiva anda dando por ai. E hoje eu compreendo, apesar de ter dúvidas se eu teria a coragem de responder o mesmo...
Fato é que fui a um casamento nos últimos dias no qual criança não era convidada, exceto as mais chegadas. O meu filho é bem próximo da noiva e teve seu nome escrito no convite que recebemos. Ele seria até pagem, aquele que entra com a aliança. Mesmo assim, não o levei comigo. Por quê? Porque ele tem dois anos e meio! Porque talvez nem entraria na igreja com receio daquele povo todo olhando para ele. Talvez chorasse, talvez entrasse e em seguida ficasse nervoso, quisesse sair do altar. Porque, mesmo se tudo desse certo durante a parte religiosa, depois ele com certeza iria dar trabalho. Ou por causa do sono, ou porque iria correr para lá e para cá, ou porque não iria comer, ou porque ia querer dançar e eu ficaria olhando para ver se ninguém pisava nos seus pezinhos (ou nele!).
E tem mais: eu deixaria de curtir uma noite maravilhosa ao lado do meu marido,  o pai desse menino lindo. O rapazinho ficaria charmosérrimo de terninho, mas  (por tomar todo o tempo de ambos os cônjuges do meu casamento) pode muito bem guardar a beca para outra ocasião, e dar uma folguinha para o casal que o colocou no mundo... Se seu filho se comporta bem em casamentos e dorme até no auge da animação, essa é a desculpa que faltava não é? E nem precisa pedir desculpa por isso, porque muita gente vai te entender!
Pode ser que alguma mãezona leia meu texto e fique assustada, com raiva ou que me ache a pior mãe do mundo. E que faça isso com você também. Eu já fiz algo parecido antes. Entendo, e garanto a quem quiser experimentar: deixar os filhos em casa ao invés de levá-los numa boda é a coisa mais sensata que se pode fazer. Fiquei tristinha ao vê-lo reclamar, pela primeira vez, quando me viu saindo toda arrumada (como se pensasse: eu não faco parte da festa?). Tive dúvidas se deixá-lo era mesmo a melhor escolha.
Me senti toda culpada de negar à noiva e a mim mesma a honra de ver meu filho como págem. Mas, depois da madrugada de diversão que tivemos, eu e meu marido na festa e ele com a avó que cuida muito bem dele, não tenho como não ter a certeza de que foi o melhor que podiamos ter feito para todos os envolvidos. E digo mais. Se um dia receber um convite que não convide meu filho, não terei dúvidas de que os noivos estão com a razão, por respeitarem suas vontades e as necessidades de quem ainda não pode decidir por si.
Para os pais, fica a dica: respeitem os noivos, seus filhos e vocês mesmos. Todo mundo sai lucrando, inclusive os avós, tios e padrinhos, que vão adorar o "encargo". Para quem tiver que pagar uma babá, acho que basta lembrar que a entrada na festa é gratuita! E para quem sentir muita saudade do pimpolho, saiba que nada melhor do que pegar um daqueles badulaques que distribuem na folia e entregar no dia seguinte a alguém que vai aproveitar mais do que qualquer um possa ter aproveitado na noite anterior! Viva os noivos! 

2 comentários:

  1. COncordo viu Bia. Ano passado eu me vi nesse perrengue pq tive que levar o meu pequeno com 1 ano ao casamento do tio. Nao tinha opcao ja que toda a familia estava na festa e eu nao moro no Brasil e entao nao tinha mais ninguem pra ficar com ele. E pior estavamos todos no altar. Só posso dizer que ele chorou muito. Eu fiquei muito mal e ao mesmo tempo nao podia fazer nada. Pelo menos a festa ele curtiu e roubou o show ja que ele nunca foi de dormir mesmo. Beijos e saudades dos seus posts!!

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  2. É, eu concordo. Se não tenho com quem deixar, não vou e pronto. Já fui muito criticada, dizem que tenho que "acostumar" as crianças com essas coisas... é que depois quem aguenta manha, cansaço, medo, sono, e todos os outros problemas, sou eu e não os outros né?
    Bjs!

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