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sábado, 26 de março de 2011

Alimentação: saudades do saudável

Não sei como algumas mulheres simplesmente escolhem não amamentar. Medo do seio cair? Vontade de dormir a noite toda? Idéia de que assim torna o filho menos dependente? Seja lá o que for, elas não devem nem imaginar o quão fácil é dar de mamar. Alimento saudável, com todos os ingredientes necessários ao filhote, ali, na temperatura e quantidade certa, prontinho para ser servido! Não precisa de receita, de compras no sacolão e nem de microondas...
Alimentar-se bem colabora para oferecer leitinho de qualidade, mas a verdade é que não é preciso fazer força alguma. Desde a gravidez, é comum as mulheres já se alimentarem melhor, terem mais disposição a realizar mudanças no cardápio e até sentirem vontade de comer aquilo que o organismo necessita (podendo ser confundida com desejo de grávida). E na amamentação, me desminta se puder, a fome é grande! Ou seja, o aleitamento materno é divino, prático e saudável para mãe e filho.
Quando entram as papinhas, as dificuldades aparecem. Mais para umas, menos para outras, mas elas aparecem. Começa pelo fato de termos que ir para o fogão com um pequeno pedindo atenção o tempo todo. E termina na frustração de ver a recusa de uma papinha feita com tanto carinho. Certamente alguns bebês são gulosos desde a primeira colherada e aceitam tudo que veem pela frente, mas grande parte deles fecha a boquinha para qualquer gororoba e, se abre, é apenas para experimentar. Muito comum não gostarem do alimento nas primeiras tentativas, mas que mãe fica tranquila com isso? Mesmo lendo muito a respeito, eu ficava desesperada e conheço outras tantas que faziam e fazem o mesmo!
Meu filho começou gostando só de mamão. Depois de banana e mais tarde de pêra. Nenhuma fruta mais. Nem suco. Com oito meses ainda era dificílimo convencê-lo a comer papinha salgada, sendo que muitas vezes o papazinho ia todo para o lixo. Mas o mamão papaya ia inteirinho e, se eu deixasse, mais meio! Já com 10 meses, a papinha salgada fazia sucesso e o rapazinho comia muito, uma "pratada" que muita gente nem acreditava. Mas frutas, só aquelas de sempre e olha que eu fazia inúmeras tentativas, só tendo sucesso com o suco de melancia.
Agora, me pergunte se ele come bem atualmente. A resposta é não. Até uns quatro meses atrás comia tudo e de tudo que colocássemos no prato. Só tinhamos problemas com frutas, pois ele enjoou das de sempre e só aceitava três. Bem, com as frutas, tudo continua na mesma, mas eu consegui colocar um suquinho a mais. Já o almoço e a janta estão deixando a desejar. Ele escolhe o que quer comer, tirando minuciosamente pedacinhos verdes que encontra, preferindo "carninha" e devorando tomates! Não há o que fazer. E se há, eu tento, pode acreditar.
O que constato é que, por mais esforço que a gente faça, parece que criança vem com um "chip" para recusar o que é saudável e idolatrar porcarias! E olha que aqui em casa, elas passam longe. Para dizer a verdade, ele come pipoca na casa dos avós (uma ou duas vezes no mês), sorvete com o pai (vez ou outra) e chocolate com a mãe (esse bem raro porque eu como escondido). E só. Nada de bolacha recheada, bala ele nem sabe o que é e mesmo quando ele pede algo que vê por aí eu vou despistando... Mas sabe o que ele pediu ontem na janta? Primeiro, queria ir na casa do vô M e da vó R para comer pipoca. Depois disse que queria chocolate e em menos de dez minutos ainda teve a audácia de perguntar por sorvete! E eu, que tanto me esforço para preparar comidinhas gostosas, vejo tudo indo para o lixo... E olha que quando digo esforço, falo com propriedade porque antes do Léo eu não chegava a menos de um metro do fogão. Aprendi o que é cará e nhame com ele e só com a ajuda desse meu degustador hoje sou capaz de cozinhar comidinhas deliciosas e bem temperadinhas, com direito até de exercer minha criatividade de chef!
Por isso, sinto saudades e não apenas de amamentar, mas de quando ele resolveu aceitar as colheradas da mamãe, comendo legumes, verduras e tudo o mais, dizendo "que papá gotoso" e "hum que delícia". Meu gulosinho não perdeu a fome, só está enjoado. E sei que a falta de apetite pode ser porque o organismo dele não esteja precisando de tanta quantidade de alimento no momento ou porque ele esteja na fase natural da seletividade. Da mesma forma, sei que venho tentando tudo que os melhores especialistas indicam e que a situação só vem piorando. Sei, eu também sei que passa. Mesmo assim estressa, cansa, preocupa.
A minha realidade não é prioridade minha. Reportagens e mais reportagens são produzidas incansavelmente para ajudar os pais a fazerem os filhos comerem bem. Mas eu sei que, na minha realidade, sempre fiz força para que meu filhinho adquirisse hábitos saudáveis à mesa. Não o deixei chegar perto de açucar antes de 1 ano e meio e até agora dificulto. Comi  e como porcaria escondido. Passei a me alimentar melhor na frente dele, e também atrás. Sempre fiz questão de preparar tudo para o rei, oferecer variedades, mudar a apresentação dos alimentos... Assim como outras tantas mães, tenho certeza.
Mas, a verdade é crua. O saudável às vezes é complicado de ser praticado, ou melhor, ingerido. Por isso, muitas famílias desistem e preferem abrir enlatados, oferecer industrializados ou fingir que não veem o pacote de salgadinho ser devorado no lugar da janta. Por essas e outras a obesidade infantil alcança índices cada vez maiores. Eu não vou engordar as estatísticas. Não vou desistir. Sempre me alimentei razoavelmente mal, com paladar de criança e loucura por chocolate e, mesmo sendo magra, sei o preço que se paga por isso. O corpo precisa de mais e não para ser esbelto, para estar bem. A saúde é mais importante que a estética e uma hora a gente acaba percebendo isso. Quanto mais cedo melhor... Então, filhinho, vamos papar tudo. Porque comer comer é o melhor mesmo, para crescer e para deixar a mamãe bem satisfeita. Mata minha fome vai...

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