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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Mãe, luzinha que não apaga

Ontem, presenciei uma mulher, em suas merecidas férias, falando ao celular com sua filha que, pelo que percebi, já devia ter mais de 20 anos. O pai sentado ao lado distraído lendo um jornal. Mamãe pergunta tudinho sobre a casa e a rotina e, é claro, se preocupa com o que a filha e o resto da família, que não parecia ser pequena, iriam comer. "Tira uma pizza do congelador. Tem uma inteira e um pedaço da pizza da vovó", disse ela. O pai complementa dizendo "É, tem a pizza da vó". A mãe continua, sem que a filha do outro lado desse qualquer indício de necessidade de cuidados desse tipo. "Tem também um pacotinho de carne moída congelada. Tira para vocês fazerem amanhã", aconselhou. A filha parece ter concordado e mudado de assunto rapidamente.
Engraçado... A mãe, nem em seus dias de descanso, para de se preocupar com os filhos e, o que é mais impressionante, com o que eles vão comer! E era uma filha adulta, que já passou da fase das papinhas há um bom tempo. Exagero de mãe? A minha faz isso sempre que estou na casa dela. Liga do trabalho para saber se está tudo "em ordem", se vamos ter o que jantar. Imagine que no caso dela nenhum dos cinco filhos tem menos de 28! Mas ela tem filhos... E isso nunca vai mudar. Se precisar deixar de comer para um dos marmanjos ter uma deliciosa refeição, ela deixa.
Da mesma forma que uma senhorinha apareceu ontem em minha frente querendo comprar anéis para a filhinha de mais de 40 sem nem pensar em levar algo para si. "Os dela estão muito feios", argumentou. A filhota quarentona até ameaçou pegar seu dinheiro, mas não teve jeito. Ela ganhou dois anéis lindos e uma correntinha. "Pega essa filha", ordenou sua mãe. Que filha iria desacatar?
Nós, filhas e filhos, somos cuidados para sempre, mimados até depois dos 50. Pai e mãe são presentes mesmo quando já poderiam estar um pouco ausentes. Pai, segundo minha experiência e observação, tem maior facilidade de "desligamento", o que acho fundamental em determinadas horas. Mas mãe não desliga nunca. Não corta a ligação umbilical, não se desliga, não desliga o telefone, nem mesmo com as crianças crescidíssimas. Diga se não é comum ver mães fazendo o que descrevi acima? Em contrapartida, quantos telefonemas você recebe do seu pai só para saber se está tudo bem ou quantos presentinhos ele dá sem você dizer que está precisando? Eles estão lá, mas de um jeito objetivo masculino, à espera do pedido de socorro, de presente, de orientação. Tanto que quando um pai faz o que não se espera da figura masculina escutamos que "ele é uma mãe!". Besteira, ele é pai mesmo, só que menos objetivo, mais adjetivo. Sem certo ou errado. Sem pré e nem pós conceito.
Também há mamães diferentes, mas daí elas não são elogiadas, são massacradas. Porque o natural é elas quererem sempre cuidar daquele que foi, é e sempre será de sua responsabilidade. Mas será responsabilidade a palavra certa? Prefiro trocar por amor. Como diz aquele velho jargão, "quem ama cuida". Pais de filhos, filhos de pais, afinal nós cuidamos de nossos frutinhos, da mesma forma que em algum momento da vida, seremos cuidados por eles. Não digo só na velhice, mas ao longo dos anos, quando precisarmos e eles já puderem fazê-lo. Deve ser assim, embora eu imagine alguém lendo meu texto e pensando que nem sempre é, já que muitos bebês são "atirados" em creches ou lugares piores e inúmeros velhinhos "depositados" em asilos carinhosamente chamados de casas de repouso... Mas aí o amor foi jogado fora. Isso não é natural. Pode até se tornar normal, como tantos outros absurdos que vemos, mas natural não!
Natural é a mãe que mesmo com filhos bem grandinhos ainda telefona para saber se não estão precisando de nada, que mesmo sabendo que está na hora de cuidar de si, ainda cuida dos outros que estão muito bem encaminhados. Não acho que a mulher tem que ser assim, mas ela é. Ela não aguenta ver o aniversário da neta passar em branco e logo dá um jeito de fazer a maior festinha, mesmo não sendo sua a tarefa. Ela não suporta ver o filhote necessitado que dá um jeito de suprir seja lá qual for a carência. Ela vive para os filhos. Em casos naturais, esquecem de ser prioridade de suas próprias vidas para dar prioridade à vida de quem elas mais amam. É lindo, mas, como filha, tenho que admitir que chega a impressionar. Como mãe, sei que quando eu chegar lá na frente vou ser igualzinha e sem o menor esforço. Mãe é naturalmente exagerada! Por isso, admitir aprender um pouco com os papais não seria de todo ruim. E digo isso não como mãe, já que me falta muito para chegar na fase do "tempo para mim", mas como filha de uma mãe incansável sem tempo para ela na maior parte dos dias e que ainda me diz: "Você faria o mesmo pelo seu filho". É, faria, farei, faço.  Mas, às vezes, principalmente quando os bebês não são mais bebês, não é preciso fazer nada. Às vezes não é preciso dizer nada. Nem cuidar, nem mimar, só amar. Deixa que nós, filhos, cuidamos de vocês um pouquinho. Não desligue, pois como mãe, sei que é impossível, mas pode ficar em "stand by". A luz vai continuar acesa e qualquer coisa a gente aperta o botão.

4 comentários:

  1. A mãe nunca vai deixar de ver os filhos como seus pequeninos, mesmo que eles já tenham crescido há muito. Mas, aí é que está a beleza, o amor eterno, o mais puro dos sentimentos que um ser humano pode nutrir. É por isso que vale a pena ser mulher e , ainda mais, ser mãe, por poder entender o que é sentir esse amor!
    Bj
    Adri

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  2. A verdade é que sabemos exatamente qual é o meio termo, o "saudável". E quando chegar nossa vez, vamos passar bem longe dele, rs!
    Bjs!

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  3. Ótimo post!!! Faz refletir, pensar!!!
    Mas, mãe que é mãe lê tudo isso, concorda com você e depois vai correndo preparar o jantarzinho do seu bebê, que está quase chegando da faculdade!!!! kkkkkkkkk
    Bjos!
    Juliana Almeida
    www.blogdabebel.com.br

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  4. Lindo o post. É a mais pura verdade né!Hoje mais que nunca consigo entender as maes. Um beijao

    www.diasdesamuca.blogspot.com

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