Acesse o Mãe da Cabeça aos Pés!!!
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

A vez do pequeno

Estava acostumada a fazer tudo que se referisse ao Léo. Marido sempre ajudou muito, mas tinha horas que só eu podia fazer mesmo. Hora de dormir é um exemplo. Maior parte das noites era eu quem estava lá, convocada pelo maior interessado que curtia uns minutinhos com o pai e logo chamava "mãããee"'. Da mesma forma, passeios, brincadeiras e afins sempre tinha que ter a minha companhia. Carinho maior não há! É uma delícia, embora às vezes você queira mesmo passar a vez. Agora, no entanto, eu não tenho vez!
Tudo não precisa e de vez em quando nem pode ser comigo. Se o pai está em casa, é com ele que o pequeno quer ir ao banheiro, escovar os dentes, tomar banho e até dormir. Certa noite perguntei porque eu não podia ir com ele para a cama e escutei: "Poque a mamãe não cabe!". "E o papai cabe?", perguntei. "Papai cabe", disse ele. Achei lindo a forma que ele encontrou para não me magoar, mas que eu queria voltar a caber eu queria!
Isso me fez pensar que é a fase do "papai para lá, papai para cá", normal de toda a criança. Mas, na casa da minha mãe, quando minha sobrinha de 12 anos estava na cama com o Léo para dormimos os três juntos e eu cheguei, escutei: "Não mãe, você não cabe!". Pera aí, eu achei que a coisa toda era com o pai e vi que a coisa toda é comigo!!! É a fase de "com a mamãe não". Pode ser com todo mundo, menos com a mamãe, a não ser que ele queira. Porque é a vez dele escolher de quem é a vez! Hoje mesmo eu estou passando mal e por causa disso filhotinho passou uma hora no trabalho do pai, brincando com uma moça que trabalha lá e é extremamente carinhosa e atenciosa com ele, já que havia coisas urgentes para o pai resolver. Quando eu me senti melhor e fui buscá-lo, adivinhem se ele fez cara de saudades e pulou no meu colo ou se ele simplesmente me viu, disse "mãe" e fez cara de "ah você está aí?". Ponto para quem escolheu a segunda alternativa, afinal quem disse que aquela era a minha vez?
Agora, pausa para a mãe pensante pensar, questionar e responder aos próprios questionamentos. É fase mesmo? É sinal de independência? É porque está enjoado da mãe? É sintoma do nosso grude diário desde as primeiras horas de vida dele? É saudável? Não é saudável? É graça? É sério? Fiz algo errado? Fiz tudo certo? Grude e saudade acabaram ou voltam assim que puderem? Vou ter que me acostumar? Não vou? Não é nada? É tudo isso ao mesmo tempo? Ah, dessa vez, eu passo a vez!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mamãe te ama tudo!

Voltando a falar de fases. Um dos meus irmãos adora tirar sarro da minha cara dizendo que eu estou na fase do "mamãe sabe tudo". Porque divido com minha cunhada dores e amores sobre os filhotes e as situações que enfrentamos por eles e com eles. Porque ignoro palpites incoerentes e intrometidos. Porque digo e repito, de formas diferentes, que mãe sabe o que faz. E não sabe?
Sabemos o que fazemos. Nós sabemos que tentamos fazer o melhor sempre e, mesmo quando erramos, sabemos que estamos erradas... E olha que saber que está errada não é fácil! Uma colega assumiu publicamemte em seu blog saber que está cometendo um erro ao chantagear a filha para conseguir o que quer. Que outro ser humano assume seu tropeço com tanta naturalidade? É claro que tem o famoso sentimento de culpa que nos faz achar que estamos erradas mesmo quando não estamos, mas até ele nos ajuda a saber encontrar a solução para nossos dilemas maternos.
Preste atenção, meu irmão e quem mais não compreender o que chamo de "síndrome da super mãe". Se tornar mãe é descobrir uma outra mulher que existe dentro de cada uma de nós. Poderosa. Que tem o poder de gerar, produzir o alimento do filho dentro do próprio corpo, cuidar, defender e amar como nenhum outro ser existente no mundo, nem mesmo o pai (ainda que ele tenha a mesma relevância na vida do filho). Um animal com instinto aguçado, com capacidade de reconhecer a dor, a voz e o cheiro da cria a quilômetros. Uma pessoa capaz de esquecer de tudo, de todos, inclusive de si mesma, para dar conta da prole. Costumo defender essas mulheres, porque me tornando uma delas, percebi como ficamos diferentes depois da maternidade, como se ganhassemos uma varinha de condão para transformar a vida...
Mas, assumo, mamãe não sabe tudo. Não sabe se tudo que ela faz está de bom tamanho. Não sabe se o filho sabe que tudo que ela faz é para o bem dele. Não sabe se a educação dada vai resultar num futuro em que seu filho esteja com tudo! Como saber? Só dá para sentir, intuir, querer e fazer de tudo para que tudo aconteça.
Ando lendo bastante em fontes diversas para me nortear em algumas práticas, que são bem diferentes das teorias. Porque não sei tudo, quero saber! Vou ler muito mais ainda, mas já adianto que se Içami Tiba escreveu "Quem ama, educa!", eu concordo e complemento: "Quem ama, se preocupa!". Se preocupa em falar o "não" no tom certo, em não deixar porcarias entrarem no cardápio, em brincar, em escolher a melhor babá, a melhor escola e até a melhor faculdade! Se preocupa em educar, em criar, em se preocupar. E dessas preocupações, muitas vezes excessivas, surge uma fase pela qual muitas mulheres devem passar, que é a do "mamãe quer ser melhor em tudo". Quer tomar as melhores decisões, preparar as melhores comidas, inventar as melhores brincadeiras e saber a melhor maneira de lidar com o que nem sempre é o melhor que o filho dá. Sei que passa, que uma hora veremos que, embora sejamos super, não somos heroínas, apenas mães, e que melhor mesmo é assumir isso. No entanto, tem uma fase que surge desde o momento em que sabemos que seremos mães e que não passa... É a do "mamãe te ama tudo!"Ama você filhinho, com tudo que ela pode e até com o que não pode. Ah, mamãe pode tudo!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Fases

"Na na não!". Essa tem sido a expressão predileta do senhor L. O garotinho fala com uma autoridade que você nem imagina e faz um bico que, se não fosse de birra, seria conquistador. A frase sai toda a hora, para tudo aquilo que ele acha que merece a negativa, quase sempre para algo que a mamãe precisa ou quer que ela faça... Meu marido também escuta, mas quem fica com ele o dia todo (eu) é a pessoa para quem ele mais gosta de falar.
No início dessa temporada de 'não', eu repreendia brava. Cheguei a ficar bem enfurecida, diga-se de passagem, mas, conversando com papai do "mandãozinho", vi que aquele não era o caminho. O gatinho quer mostrar que é leão. Ele quer contestar regras, broncas, fazer tudo aquilo que ele quer e não o que eu deixo. E diziam que isso só acontecia na adolêscencia...
Mudança de estratégia. Acalmei e aceitei. Continuo preferindo quando ele é aquele doce de menino que sempre foi, que entende nossas explicações sem reclamações. E é óbvio que digo para ele o quanto está exagerando no "não" e que já o coloquei até no tapetinho para pensar. Mas tento ficar calma, falar calmamente e não demonstrar que estou nervosa com a situação, pois parece que o que ele quer mesmo é ver a mãezinha louquinha! Se ele vê que não me tira do sério, ele não sai do sério. Me ajuda lembrar que o Leleco viu outras crianças com comportamentos negativos e que isso pode tê-lo influenciado. Melhora ainda mais quando penso que é uma fase. Tem que ser. Porque educação a gente dá e ele tem. Então é um período apenas e ponto.
Eu também estou numa fase. Querendo fazer tudo e nada ao mesmo tempo. Sentindo falta de algumas coisas e não querendo abrir mão de outras. Um pouco sem paciência. E, agora parando para refletir, ele pode estar sentindo esse meu momento e até respondendo ao mesmo da maneira que encontra para responder. Mas, filhinho, se a mamãe está chata, pensa comigo: é fase! Vai passar. Juntos, passamos por qualquer coisa e fazemos qualquer coisa passar. Não é verdade?