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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Como é que o Papai "Oel" não esquece de ninguém?

Hohoho... Como é bom ver a expressão feliz de uma criança na frente de uma árvore de natal! Principalmente quando o rostinho é do seu filho! Que magia inexplicável o Papai Noel tem... E quero deixar bem claro que a magia nada tem a ver com o presente que o senhor da barba branca traz... Eu percebi isso vendo nos olhinhos azuis do meu Leozinho o reflexo brilhante das luzinhas de natal e o reflexo mais brilhante ainda do seu encantamento.
Explico. Antes mesmo de eu e o papai contarmos que o Noel trazia presentes, o meu garotinho já ficou deslumbrado com a figura do bom velhinho. Vibrava só de ver as luzes piscando ("pica-pica"), as árvores montadas (por mais simples que elas estivessem), as renas, os duendes e todos os enfeites que encontrasse pela frente, até mesmo o que não era enfeite e ele achava que era. É claro que depois eu e o pai dele dissemos que tem presente na história, mas quer saber a melhor parte? Ele até fala do presente do Papai Noel, mas qualquer embrulho virou o tal presente! Não importa o que seja, o que importa é que é do Papai Noel... E os enfeites, a iluminação, a árvore, tudo continua sendo mais importante que o bem material que vai chegar... Entendeu a magia?
Levamos ele para ver um jardim de Natal lindíssimo montado em Amparo por uma empresa que parece ter  "consciência emocional". Quando chegamos lá, o rapazinho não falava, só olhava. Sério. Quieto. Boquiaberto. Ao resolvermos ir embora, a reação foi "não, vamo passiá" e lá foi a mãozinha fechando a porta do carro! Chega de seriedade e quietude. O rapaz andava para cá, para lá e falava, apontava, dava tchau para o velhinho de vermelho sentado na poltrona. Em um shopping de Campinas bem enfeitadinho também, a mesma reação. Demorou um bom tempo para acreditar que tudo aquilo que ele via era verdade! E nada de querer ir embora de novo... "Papai Oél", dizia sem parar.
Acho tudo isso mágico, lindo, ingênuo. Só a gente que estraga vindo com a história consumista do presente... Mas tem como resistir? Faz parte da tradição! E quem não quer ver a carinha do filhote ao abrir o embrulho que chegou de trenó?
No ano passado, eu e meu marido ficamos na expectativa de ver essa reação (mesmo que não houvesse o entendimento do Papai Noel), mas o bebê de nove meses mal ligou para o presente! Esse ano não...Vai ter ação, reação... Pelo menos, é o que nos pareceu quando montamos a nossa árvore e tivemos a ajuda (de verdade) do nosso duende de cachos para colocar as bolinhas... "Ah", "boinha mamãe, bóinha", "uma, duas, tês bóinhas", "liga a luizinha, liga", ele dizia correndo pela sala. Eufórico. Tem jeito de não ter uma feliz Natal?
É, temos mesmo que montar  árvores, apontar luzes coloridas, mostrar enfeites. Tudo vale a pena para vermos e sentirmos que a felicidade é muito mais que um presente que você recebe nas mãos. É um presente que já temos nas mãos. Que ganhamos da vida, na vida, com a vida. E não importa se você deixa seu sapatinho na janela do quintal e não deixam nele nada que você espera. O que importa é não ser esquecido por você mesmo e continuar cantando uma música (seja ela qual for), acreditando no melhor. Meu filho aprendeu a musiquinha de Natal em dois dias e fica contente só de cantá-la. Por que nós precisamos de mais?