Fixa os olhinhos no embrulho. Não importa o tamanho, não importa a cor do papel. Importante mesmo é ter diante de si um pacote pronto a ser aberto! "Abe mamãe, abe o pesente de Natal, mamãe", eu escuto. E lá vou eu, a super 'desembrulhadora' ajudar nessa missão. Aberto! E seja lá o que for, ele quer nas mãos. Agora. Já! Então, mamãe tem que ser rápida. Corta daqui, tira araminhos dali e lá está o novo brinquedo nas mãos do mais feliz dos donos...
Desembrulhar é fácil. Difícil é ficar feliz com o que aparece depois. Mas, para meu pequeno, tudo, tudo que apareceu para ele na noite de natal agradou! É claro que não poderia ser roupa, porque eu iria escutar: "cadê o pesente mamaãe?". Mas, sendo de brincar, ótimo. Ele curtiu um por um. Digo um por um porque Papai Noel foi generoso e trouxe encomendas de vários familiares que queriam ver um sorriso lindo. Eu vi. A cada pacote, um sorriso, um olhar diferente. Cinco minutos para conhecer cada novo companheiro de brincadeiras. Minutinhos muito bem aproveitados, sem ansiedade, só felicidade e curiosidade.
Que lição... A vida é como um monte de presentes embaixo da árvore. E nós ficamos felizes com todos? Está bem, nem todos são brinquedos, mas mesmo quando ganhamos aquilo que mais pedimos ao Papai lá de cima, ficamos satisfeitos? Nem sempre. Mas acho que deveríamos tentar, por mais complicado que possa parecer. Já ouvi ou li que a "insatisfação" constante do ser humano é algo que serve para termos e concretizarmos objetivos, para termos e enxergarmos um sentido na vida. É como um ciclo, um círculo vicioso, saudável e até gostoso de certa forma. Mas, desejar mais não significa não gostar daquilo que já ganhamos... E é feio não dizer obrigado quando se ganha um presente não é? Então, obrigada. Muito obrigada pelo presente de hoje. Pelo presente, pelo passado, pelo futuro (que, é claro, espero que seja ainda melhor!). Agradeço pela vida, pela saúde, por hoje meu filhinho ter amanhecido melhor depois de quase dois dias de febre alta.
Desembrulhar a vida é se alegrar com cada papel de presente que rasgamos, aprender que alguns presentes merecem ser desembrulhados com cuidado para guardarmos o papel depois. É se vangloriar com cada araminho que tiramos do caminho, com cada nó que cortamos sem dó. E, obviamente, se satisfazer com o que surge de dentro de cada embrulho, mesmo querendo outros presentes amanhã! Ah, e quando não for algo tão divertido, vale entender que a "roupa" também foi dada com carinho e que, com certeza, ela serve para alguma coisa!
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