Mãe abre mão de tudo pelo filho correto? Não. Nem todas. Mães não mudam apenas de endereço, mas tem diferentes visões sobre a maternidade e um jeito só seu de lidar com os desafios que nascem junto com o bebê. Cada uma acredita em uma forma de educar, uma prepara a comidinha, outra compra pronta no supermercado. O tempo que dedicam ao filho (a quantidade e a intensidade) também são diferentes de acordo com profissão, condição social, valores, idade e outros fatores. Mudam ainda, de mãe para mãe, coisas que nunca imaginei que poderiam mudar. A atenção, o carinho e, acreditem, o amor dado ao filho.
Não estou falando do amor que se sente, pois esse não dá para ver, medir ou imaginar, mas daquele que é dispendido nos pequenos gestos. Vou falar do que notei na viagem que fiz com meu filhote. Conheci por lá, mesmo que de longe, uma variedade de mães que vale a pena retratar aqui. Não quero dizer quem é melhor, mas contar o que se passou diante dos meus olhos.
Onde me hospedei tinha serviço de babás por 13 reais a hora (um alívio para muitos casais que queriam namorar um pouquinho!). Elas são bem preparadas (fazem cursos de primeiros socorros, pedagogia, etc) e parecem gostar de exercer a tarefa, sempre com atenção. Ótimo para quem gosta da idéia de ter umas horinhas de descanso durante as férias... Mas, repito, para quem quer umas horinhas, não todas as horas. Eu não quis nenhuma babá nem por um segundo, mas não critico quem quis e quem ainda vai querer. Eu não gosto de ter uma estranha, por melhor e mais competente que ela seja, cuidando da minha maior riqueza! Babá que cuida todo o dia não seria estranha e ainda sim não tenho... Além disso, acho que curtir as férias inclui curtir meu filho! Porém, respeito quem acha a opção bacana e contrata as funcionárias de temporada. Só uma ressalva: respeito quem faz isso com bom senso.
Não foi o caso de uma "perua" que deixava a filha de nove meses o tempo todo com as babás. Eu vi, ninguém me contou. A menininha ficou os cinco dias que estive lá, da hora que acordava até a hora que dormia, com as moças (nem sempre era a mesma!). Enquanto isso, a mamãe fazia cooper, nadava, tomava sol, almoçava sem pressa e conversava sobre futilidades (eu ouvi!). Ela carregava a menina apenas para tirar poucas fotos à beira mar... O resto era só ordens para as contratadas... Não dá para não querer julgar! Faço um esforço danado para não fazer isso! Resultado? Julgo! Mas, só digo uma coisa a respeito do julgamento que faço mesmo sem querer. Ela não abriu mão do seu "conforto" para dar amor à princesinha que tem! E você acha que isso não se estende ao dia a dia delas? E que a pequenina não sente isso?
Um outro pequeno de 1 ano e alguns meses também passou muito tempo com a "tia" paga para isso. Não vi o que a mãe fazia, mas presenciei o coitadinho mais de um dia com febre por causa de dentinho e sendo confortado por quem ele nem conhecia! Ai que dó! E a babá que cuidou dele me contou que isso é comum. Segundo ela, uma mãe (será?) já deixou a filha de 3 meses, com cólicas, o dia todo para ir passear em Salvador... Julgue você dessa vez.
Vi famílias que levavam as próprias babás (mais seguro já que é a pessoa que cuida do filho sempre) e gringos que deixavam a filha de 1 ano e meio (que não falava português) com as baianas. Vi casal que pedia para a babá ficar por perto enquanto curtiam a praia e outros que contratavam e pareciam não querer usufruir o serviço, fazendo de tudo para atrair o pimpolho de volta.
Vi uma mulher com uma filha por volta de 7 anos e um casal de gêmeos de 1 ano e 1 mês. Perguntem se ela contratou babá? Nem por um minutinho sequer! Se servia e tomava café da manhã com um no colo enquanto o marido estava dando papinha para o outro...
Tinha famosas por lá também. Uma delas levou a babá sim (talvez porque estava sem o marido), mas fazia tudo pela filhota de 1 ano e 3 meses. Enchia a piscininha de água na ducha e saía carregando o peso por alguns metros. Entrava no mar toda a hora com a sereinha que adorava! Nadava na piscina de crianças para a menina aproveitar, sempre "coruja" tirando fotos e cantando musiquinhas. Dava papinha, trocava... A outra, vi apenas por instantes, mas durante os mesmos, ela foi mãe de verdade, educando, acalentando, cansando.
Bem, eu que relutava em ver que o instinto materno não é para todas, tenho que dizer que agora comprovei que isso é verdade. Ou melhor, o instinto existe em todas as mulheres, mas algumas preferem ignorá-lo a exaltá-lo. Preferem contratar do que amar. Outras, graças a Deus, fazem do instinto, que já é divino, uma mágica que a tornam capazes de tudo pela cria. E aproveitam a ajudinha profissional para serem ainda melhores no momento em que estão presentes fisicamente.
Resumo do reality show: babá é um ser abençoado que ajuda a cuidar de um tesouro... mas ajuda ok? Não é para ela ser a mãe! Nem por uns diazinhos de férias!!! Mãe é mãe. Ou, pelo menos, deveria ser.
Olá! Beatriz, tudo bem com você?
ResponderExcluirQuando o Cleber me mandou o e-mail com o seu blog, achei muito legal! Porém, só agora pude ver e ler com calma. Está muito lindo!
Você poderá enviar no e-mail (ac.oliveira1992@uol.com.br), algumas fotos do bebê recentes. Quero muito ver como ele está e com vocês, se puder.
Obrigada!
Beijão para todos!
Ana Cristina