O assunto é esse mesmo: como fazer para ter nossos filhinhos na linha... Bem, é claro que não se trata de ter bebês e crianças obedientes o tempo todo (são pequeninos e peraltas demais para isso ainda certo?), mas de educá-los a ponto de não ter que se descabelar para ver o dia transcorrer com tranquilidade, seja em casa, no shopping ou na casa de amigos.
Toda mãe gosta de dizer "vamos tomar banho" e ser ouvida de fato. Ou avisar que certa estripulia não pode e o filhote parar com a mesma. Nada de choro. Nada de se jogar no chão. Então vou dizer o que dá certo comigo, o que vejo dar certo com outras mamis e o que falam que é certo fazer... Ontem li a entrevista da Supernanny Joanne Frost (a britânica e original) na revista Cláudia de outubro e achei bacana. Para começar ela responde que equilíbrio é o segredo para mães que trabalham fora não serem permissivas demais com os filhos quando chegam em casa (para compensar o pouco tempo que passam com eles). Ela lembra que não deve existir nem permissividade, nem rigidez excessiva. "Acredito no poder da disciplina", diz à reportagem.
Eu assino embaixo. E não só para quem tem um emprego, mas para todas nós! Não é permitindo que o baby faça ou tenha tudo o que quer que ele vai se sentir mais amado ou menos "largado" quando a mãe e o pai saem rumo ao trabalho ou quando mães que trabalham dentro de casa precisam lavar uma louça! Dar limite é dar carinho, acredito. Como diz o pediatra do meu reizinho: nossos filhos precisam de limites nas mínimas coisas, como comer, para depois respeitar regras referentes a coisas maiores. Essa tarefa de mostrar até onde eles podem ir é nossa!
Eu sou brava, embora tenha demorado para ter coragem e não me sentir culpada por isso...Trato com carinho, amor e falo baixo. Nunca grito, embora algumas vezes possa ter elevado um pouco o tom. Mas converso, oriento, mostro a regra e exijo que ela seja cumprida (às vezes ela não é de jeito nenhum e acho normal, desde que não seja sempre). Não é fácil obter o resultado esperado, nem mágico, mas é possível. Sei que se eu permitir algo hoje, amanhã estou perdida!
Uma vez o Leco estava brincando no parquinho junto com outro menino da mesma idade (na época com 1 ano e 3 meses) e a mãe do coleguinha não aguentava mais dizer (gritar) para ele que não podia pegar as pedrinhas que estavam por ali... O Leco não pegava porque eu não deixava. Bastava ele tentar e eu falar não... E ela, descabelada, me perguntou: "Nossa, como você faz para ele te obedecer?". Eu disse: "Falo com ele, converso, explico que faz dodói, que não pode". Ela perguntou: "Não pode gritar né?". Eu disse: "Acho que não funciona". O assunto acabou por ali. Para mim, foi mais uma amostra do que vejo por aí... Pais e mães gritando, exigindo respeito sem respeitar. Ok, nem sempre estamos com paciência. Eu já perdi a minha inúmeras vezes, uma agorinha, quando o menininho se recusou a jantar e eu tentei forçá-lo a ficar sentado e aceitar as colheradas. Já deu certo outros dias, hoje não, e eu desisti (só não vou contra a minha regra e dar outra coisa para ele comer). Nada justifica gritar. Palmadinha? Eu sou contra. Respeito quem dá, mas sou contra. A supernanny também. "Há métodos mais eficientes para mostrar que a criança errou", disse à revista. Eu já vi muita mãe falar baixinho, não bater e ser obedecida e mãe falando beeem alto sem nem ser ouvida.
Eu pego o Leco "à força", sem ele querer, quando conversar não surte efeito. Mas, eu não pego com força! Se ele não quer trocar fralda de jeito nenhum e eu estou sem tempo ou disposição para persuadi-lo, pego o rapaz no colo, mesmo que chore, e levo para trocar. Vou conversando, dizendo que não precisa chorar e que aquilo é necessário... Funciona. Acaba o choro. Cumpro a tarefa. Quando ele não quer dormir, as palavras não o convencem e ele levanta da cama, eu o faço deitar. Às vezes acho que acabo usando a força já que ele não tem força para ir contra meus braços, mas tomo cuidado para que isso não aconteça e já me arrependi por ter acontecido sem querer. Se ele insiste, deixo levantar e parto para outra rodada de explicação oral.
É óbvio que já falei muitas coisas que meu pequeno nem ouviu ou fingiu que não ouviu. Mas, acho que o caminho do amor para seguir regras e ser respeitada é o melhor. Ele já me deu tapa na cara quando estava entediado numa loja, com apenas um ano e meio. Eu disse que era feio e que não podia fazer aquilo, mas não fiquei repreendendo ele ali na frente da vendedora, mesmo estando arrasada... Isso porque acho que eles se sentem "humilhados" como nós nos sentiríamos em situação parecida, além de ter percebido que com o meu neném não funciona dar a bronca no meio do furacão, isto é, com muita gente em volta ou quando a birra fala mais alto do que eu. Esperei chegar em casa e expliquei com mais calma. Lembrei o que aconteceu (e aconteceu de novo em casa) e disse o que tinha para dizer... Alguns podem achar que eles não entendem, mas acho que entendem sim, mesmo quando o tempo passa... Nunca mais aconteceu.
A Supernanny indica, em casos de travessura repetitiva, colocar a criança sentada em um lugar sem atrativos para ela pensar (um minuto para cada ano de vida). Já fiz isso e funcionou. Ele senta no tapetinho do quarto, chora, mas não sai dali. E me diga, ele não entende? Ah, quando eu libero a saída do tapete, o comportamento é outro! A dor no meu coração é que pega... Hum, como dói educar!
Mas também pode ser engraçado... Uma amiga minha colocava a filha para pensar numa cadeirinha no corredor. E não é que a princesa achou graça e gostou de sentar ali? Ia sentar lá toda hora e ficava rindo para a mamãe, que teve que mudar a estratégia!
Agora, uma coisa eu falo. Não dá para ficar dando bronca o tempo inteiro e esquecer que o pequeno cidadão é um descobridor do mundo, um desbravador, um cientista e pesquisador nato! Já vi mãe repreender a filhinha de onze meses porque ela estava gritando. Gritar não é legal, mas no caso da pequena, ela só estava descobrindo a própria voz! É uma atitude típica da idade! Não era manha nem nada assim...
Enfim, tem horas que o melhor é deixar passar, ignorar a tentativa do moleque ou moleca de chamar atenção e compreender algumas "molecagens" necessárias para o desenvolvimento, ou charmes necessários para testar os mais velhos. Já vi gente fingindo que não ouve crise de choro aguda à toa e o chororô parar sozinho. Além do mais, tem hora que eles não comem porque não estão com fome (como aconteceu aqui em casa minutinhos atrás), não dormem porque estão sem sono e não querem o chuveiro porque a brincadeira está muito mais legal!
Sei que cada um tem um método, uma experiência e, inclusive, um palpite. Mas acho que tentar seguir regras com amor sempre ajuda muito. E tenho certeza que a intuição é o melhor caminho para saber quando e como é preciso repreender (nossos filhotes), aprender (a lidar com eles) ou reaprender (porque nós podemos e devemos aprender com nosso erros). E, intuição, cá entre nós, mamães tem de sobra e nannys não... Afinal, temos ou não temos o instinto materno? E papais também tem o instinto paterno não é mesmo?
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