Dias atrás me deparei com um assunto interessante. Uma reportagem de um jornal reconhecido definiu como "Baby Brother" blogs feitos por mamães que usam o espaço para falar de seus filhos, mas sem que a repórter dissesse à entrevistada que o enfoque era esse. Colocou o blog dela e os das mães blogueiras como se todos não passassem de um reality show sobre a vida dos pimpolhos. Nem preciso dizer que a repercussão com diversas autoras foi imensa não é? Teve até retratação da mídia.
Deixo claro que não concordo com a abordagem simplista e sensacionalista da matéria. Mas, como criadora de um blog e jornalista que sou, quero debater o tema "mãe-blogueira-educadora-responsável", no qual sempre penso e acabei parando para pensar de novo. Afinal, ignorar a importância e influência da rede no futuro de nossas crianças e o nosso papel diante disso é negar a netrealidade de hoje e a netrealidademaiorainda de amanhã...
Para começar, devo lembrar que a mãe de hoje não é a mesma de ontem. Ao invés de ficar enclausurada em casa só cuidando do rebento e trocar figurinha com a vizinha, ela pode se comunicar com o mundo através da web, estando ou não de fato enclausurada... Ela procura no Google informação que antes estava em enciclopédias escritas por pediatras. E ela também oferece informação, que pode ser útil se encontrada posteriormente por outras mães...
Cada uma tem um objetivo quando cria um ambiente virtual. Tem aquela que quer homenagear o filho, outra quer que a filha possa ler sobre tudo que aconteceu com ela em um veículo de comunicação da sua era, outra quer desabafar, outra quer ajudar mães que passam por dificuldades que ela já passou. Muitas fazem um diário virtual, colocando fotos de cada momento, descrevendo cada acontecimento. Outras selecionam o que divulgam. E algumas preferem preservar nomes e fotos... Todas, no fundo, querem dividir suas experiências e, de alguma forma, serem acolhidas por mulheres que vivenciam o mesmo momento.
Vou falar por mim, de mim. Eu decidi criar meu blog para fazer aquilo que mais gosto (escrever). Demorei para decidir sobre o tema, mas percebi que o melhor seria aquele que vivencio 24 horas, com todo amor e dedicação. Estar fora do mercado e sem contato com outros tantos assuntos influenciou bastante. E perceber que mãe adora trocar experiências foi decisivo.
Só que tem um porém. Eu nunca gostei da idéia de mostrar fotos e fatos para muita gente. Nunca achei bacana participar de redes sociais, publicando imagens ou seja lá o que for nelas. Sempre achei perda de tempo (e viciante) criar um "perfil" para mostrar o que faço e xeretar o que outras pessoas fazem e que não me acrescentam em nada (diferente do que contam os blogs de muitas mamães, que contribuem com meu exercício materno diário). Respeito quem gosta ou quem precisa da superexposição da Internet. Entendo o quão atraente a tecnologia é e o quanto ela estreita (e afasta) relações também. Mas minha opção, aderindo ao blog, foi não publicar fotos em que aparecemos de frente, não ficar repetindo o nome do meu filho, nem dar muitas pistas da nossa rotina. Noto que as pessoas (e eu me incluo nessa), gostam de ver imagens e de imaginar o dia a dia do outro (o que explica o sucesso de realitys), mas eu gosto de mostrar outro lado, de valorizar a escrita, mesmo que seja em um meio que preza pela liguagem rápida e objetiva. Escrevo para refletir e fazer refletir sobre temas atraentes para qualquer mãe. Me inspiro nas minhas experiências e conto várias para tentar confortar e orientar quem precisa e até para fazer rir quem se interessar por ler... Conto até onde acredito que devo contar. Preservo meu filhotinho, minha família, minha vida e até outras mães que cito. A idéia é criar artigos leves, emocionantes e divertidos que retratem, é claro, a minha vida de mãe, mas que não invadam a minha privacidade e nem prejudiquem de qualquer forma a imagem do meu neném. Para mim, trata-se de uma realização pessoal e profissional (mesmo que eu não ganhe para isso). É porque eu, que sempre gostei de reportagem de comportamento, livros e matérias "auto-ajuda", encontrei um lugar em que posso produzir e divulgar textos neste sentido. É um trabalho. Me dedico e procuro as melhores palavras. É uma homenagem. Meu filho vai ler um dia e sempre penso nisso antes de escrever.
Quantas razões podem nos fazer digitar para outras pessoas... Essas são só as minhas! A motivação, para todas, é a mesma: um ser maravilhoso que surgiu em nossas vidas. Quem pode julgar? Cada mãe faz na rede o que acha melhor, assim como faz dentro de casa, na rua, no parque. Tem as que se expõem na Internet sim, mas geralmente de uma forma sensível, expondo alegrias, angústias e imagens significativas para ela e que quer que sejam para o mundo... Tem as que se expõem no shopping, e não de uma maneira bonita, como uma moça que vi recentemente brigando com o marido em alto e péssimo som com duas crianças no carrinho presenciando tudo! A escolha é de cada uma. Só não dá para reclamar depois... Então, chamo a atenção para detalhes que chamam a minha atenção a cada "post" escrito e lido e que, tenho certeza, são ponderados por boa parte das mães que publicam o que vivem.
Se eu que sou a mãe (e devo ser responsável) expuser meu filho de qualquer forma, nunca vou poder pedir para ele não fazer o mesmo, ainda que eu tenha razões de sobra para me preocupar e convencê-lo, como pedófilos e outros criminosos prontos a agir. Exemplo é exemplo. E quando ele ler o que eu escrevo, vai gostar? Eu já li mãe xingando filho e acho que, por mais que a intenção dela seja ser compreendida por quem a lê, o mais importante leitor, o filhinho, não vai entender o recado, por mais adulto que já esteja. Quanto a mim... me sinto bem falando o que estou falando para conhecidos e desconhecidos? Depois do "Enter", já viu... E da mesma forma que, como educadora, não acho correto deixar criança e adolescente horas na Internet, eu acho que mãe também não deve exagerar. O exemplo surge de novo e as responsabilidades além do computador não me deixam mentir. Dá para ficar muito tempo na frente da tela sem escutar "mãe"? Bom, eu acabei de ser convocada por alguém que acordou! Melhor já clicar no "publicar"... e voltar a ser "blogueira" quando a "mãe" tiver uma folguinha.
Não muito a dizer sobre o seu texto pois o mesmo se resume a uma única palavra: excelente!
ResponderExcluirParabéns!
Obrigada Marina!
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